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PRESIDENCIAIS


Este ano as candidaturas ao mais alto cargo do regime resolveram todas usar trajes de virgens puríssimas e, em uníssono, afirmam-se totalmente castas e isentas de especialistas em marketing em comunicação. Não tenho tanto a certeza que assim seja, mas admitamos que os candidatos falam verdade – coisa rara entre políticos. Se isso acontecer, como diz um amigo meu, há duas coisas interessantes de seguir: por um lado será curioso ver como se comporta a participação do eleitorado sem o esforço de captação de vontades coordenado por especialistas – ou seja, teremos maior ou menor abstenção?; e, por outro, já que juram que não existem spin doctors de serviço, é lícito pensar que as asneiras e malfeitorias produzidas durante a campanha serão da responsabilidade dos próprios candidatos e não de nenhuns especialistas. Na fase em que estamos Manuel Alegre leva a palma na utilização de golpes baixos e na táctica Wikileaks – calhandrices descontextualizadas com o objectivo de denegrir outro candidato. Já que os candidatos se afirmam entregues a si próprios teremos oportunidade de ver qual é o que melhor pensa pela sua cabeça, o que, confesso, me provoca uma certa curiosidade. Para já registo que no primeiro debate televisivo Fernando Nobre passou um rolo compressor por cima de Francisco Lopes, que corre o risco de mostrar o seu jogo ainda antes do que tinha planeado: sair de cena e dedicar-se à venda de digestivos que ajudem a tragar outro candidato logo na primeira volta – talvez o mesmo do Bloco de Esquerda e do PS. Até finais de Janeiro ainda me vou divertir um bocadito.


 


 


WIKILEAKS


A questão básica em todo o caso Wikileaks é a da verificação dos factos. O Wikileaks pegou em registos de comunicações diplomáticas e divulgou-os, tal e qual. Enviou-os a alguns jornais que aceitaram publicar informações desses registos, sem se preocuparem com a verificação da verdade dos factos. Ou seja, alguns dos mais prestigiados jornais do mundo publicaram afirmações, boatos, interpretações, sem o mínimo cuidado de verificar a sua veracidade, ao contrário do que mandam as suas regras internas de apuramento de notícias. O Wikileaks, na feliz expressão de  João Quadros neste jornal, não é mais que a porteira do mundo, que se dedica à intriga. A única coisa que o Wikileaks mostra é o triste estado de diplomatas de diversos países, mais preocupados em fazer calhandrice em torno de um gin tónico, do que em fazer análises sérias. Os documentos tornados públicos dão uma imagem pífia da diplomacia, e se calhar o retrato corresponde à realidade. Espiões de pacotilha, boateiros compulsivos, construtores de fantasias e fofoqueiros profissionais – eis o conteúdo principal do que tem sido revelado. Talvez fosse altura para que os diplomatas começassem a pensar no que fazem e na forma como falam, e não nos resultados das asneiras que dizem quando são publicamente conhecidas.


 


 


RESUMO DA SEMANA


O FMI está de novo a visitar as nossas contas; O Tribunal de Contas quer esclarecer a compra pela PSP dos blindados que chegaram atrasados à cimeira da Nato; Mário Soares acusou Angela Merkel e Nicolas Sarkozy de quererem destruir a Europa; o Ministro Santos Silva mostrou-se indignado com a demagogia dos políticos.


 


 


PERGUNTA


Porque será que «Sem Eira Nem Beira», a célebre canção dos Xutos sobre o senhor engenheiro, não foi tocada no concerto de apresentação da nova imagem da Novabase, que por acaso tem como grandes clientes em Portugal diversos organismos públicos?


 


 


ARCO DA VELHA


Num total de 233 milhões de euros que o Estado português pagou às empresas de sete sectores responsáveis por actividades consideradas de serviço público,  70% foi para o sector da comunicação social e, destes, 145,9 milhões foram para a RTP (e o resto para a Lusa). Existe aqui uma clara desproporção – o que torna ainda mais urgente ver o que deve e não deve ser considerado serviço público nesta área.


 


 


CASTIGO


Depois de uma campanha publicitária em que, de forma canhestra, se tentava captar a simpatia dos lisboetas, a EMEL lançou nos últimos dias uma nova estratégia de sedução: tolerância zero nas zonas centrais da cidade neste período de compras de Natal. Imagino que seja uma medida de apoio ao comércio de rua e de incentivo a viver e comprar em Lisboa. Claro que nesta frenética actividade a EMEL depois demonstra o melhor da sua incompetência quando não consegue dar prazos para desbloquear viaturas, provocando mais e mais incómodos, e quando o seu centro de atendimento telefónico é um exemplo de desprezo pelos utentes. Disto  (da falta de resposta no serviço a multados e bloqueados) é que ninguém na EMEL fala – porque o princípio é pura e simplesmente cobrar – e aí vale tudo- até a má educação dos agentes que, quando protestam pela demora, dizem que é consequência de se ter prevaricado. Já agora – as queixas relativas a tudo isto também se aplicam, ipsis verbis, à Polícia Municipal.


 


 


VER


Até 30 de Janeiro está patente no Palácio Quintela (Rua do Alecrim 70), a exposição «Display: Objects, Buildings And Space», organizada pela Experimentadesign em colabortação com seis galerias de Lisboa e que apresenta obras de 22 artistas – entre os quais Daniel Blaufuks, João Penalva, José Pedro Croft, Rui Chafes e Mauro Cerqueira. De Terça a Domingo entre as 10 e as 20 horas.


 


 


LER


Como estamos em época de desafios culinários, deixo aqui uma bela sugestão que fará as delícias de todos os apreciadores da arte da cozinha: «Memórias e receitas culinárias dos Makavenkos», um livro do grande animador deste grupo lisboeta, Francisco de Almeida Grandella – o homem que fundou os armazéns do mesmo nome e cuja vida é contada num belo prefácio de Anabela Natário. As receitas incluídas no livro são cruzadas com relatos de episódios e memórias diversas – já nem sei distinguir o que é mais delicioso.


 


 


OUVIR


Se gostam de heresias «Mongrel» é o disco ideal para passar estes dias. Trata-se de uma interpretação muito livre do trio de Mário Laginha à música de Chopin. Atenção, não é uma adaptação jazzística do trabalho do compositor – vais num sentido de recriação, mais do que de apenas fazer arranjos. Além de Mário Laginha no piano, o trio integra Bernardo Moreira no baixo e Alexandre Frazão na bateria – uma formação sólida em cujo talento reside grande parte do bom resultado obtido.


 


 


PROVAR


O restaurante D’Oliva Al Forno criou reputação em Matosinhos ao longo dos anos e agora chegou ao centro de Lisboa, à Rua Barata Salgueiro, um pouco abaixo da Cinemateca, onde antes era uma loja de roupa. Primeiro o espaço: muito bem conseguido, em dois níveis, uma zona agradável para fumadores perto do bar (que também é utilizado para servir refeições) e outra, mais ampla, para não fumadores. Boa insoniração – mesmo quando cheio a cacofonia não incomoda. Público muito diversificado em idades – ambiente simpático, bem decorado e, sobretudo, muito bem iluminado. Depois: uma cozinha verdadeiramente bem dirigida, pratos simples, bem confeccionados, uma lista bem pensada, com opções de preço sensatas e uma lista de vinhos bem escolhida e, também, com preços ajustados à realidade. Resta dizer que o serviço é verdadeiramente invulgar, em qualidade e atenção às mesas, mesmo com o restaurante cheio. As propostas são diversas, desde peixes do dia a massas italianas. Rua Barata Salgueiro 37ª, Telefone 213528292


 


 


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Nada sei, excepto a dimensão da minha ignorância – Sócrates (469-399 A.C.)

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