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DÉCADA – A primeira década do século XXI foi, no caso português, uma década de enorme desperdício – de tempo, de oportunidades, de recursos, de ideias e de decisões. Uma década marcada por uma larga maioria de anos de governação do PS, em que o país não avançou. Na primeira metade da década Jorge Sampaio manobrou a forma e o timing das suas decisões, de acordo com os interesses do seu partido, para partir tranquilo de Belém, depois de ter entregue o Governo a José Sócrates.


 


Na segunda metade da década, José Sócrates fez ouvidos de mercador a todos os que avisavam dos perigos e da gravidade da situação – mesmo de dentro do seu partido - e conduziu o país ao descalabro, perante a relativa complacência de Cavaco Silva. E foi, ainda, a década em que a utopia da Europa se começou a desmoronar, em que o predomínio franco-germânico se consolidou, e em que as políticas comuns foram esquecidas. Tudo o que foi base do funcionamento dos Estados da Comunidade nas últimas duas décadas está em processo de revisão. E o tão enaltecido Tratado de Lisboa já é, maioritariamente, letra morta. «Foi porreiro pá» - dizia José Sócrates a Durão Barroso na cerimónia final desse Tratado. Viu-se, não é?


 


DISTRACÇÃO – As comemorações do Centenário da República custaram milhões e mobilizaram pouca gente. Serviram para  glorificar mais uma ideologia do que um ideal. E, no fim, arriscam-se a ter sido a ante-câmara da eleição presidencial menos votada dos últimos 37 anos. Se a abstenção passar dos 50 por cento ficaremos pelo menos com uma certeza: teremos um Presidente – e um regime - que não representa eleitoralmente a maioria dos portugueses. No entretanto a campanha alimenta-se de chicanas políticas, entre um Manuel Alegre desesperado para quem vale tudo, e um Cavaco apostado em ser o maior obstáculo à sua própria reeleição.


 


CULTURA – A actuação de Gabriela Canavilhas no Ministério da Cultura é uma desilusão. Sem orçamento nem força política, limita-se a gerir o caos em que o seu Ministério se foi transformando, sugerindo medidas avulsas, a maior parte das vezes irreflectidas, como é a questão da fusão dos Teatros Nacionais na polémica Opart ou as várias demissões que já provocou. São actuações como estas que levam a pensar se não fará sentido deixar de existir Ministério da Cultura, neste momento apenas um centro de custos, ainda por cima com despesas de funcionamento consideráveis para os resultados produzidos.


 


Não seria de estudar outro modelo? Aqui está um caminho que vale a pena debater, sobretudo na situação actual: qual o papel do Estado na Cultura? Como e onde se devem investir recursos públicos nesta área? E que pode o Estado fazer para incentivar o desenvolvimento da actividade privada  – pelo menos em boa parte das actividades relacionadas com a criação artística? A oposição teria aqui muita matéria para agitar as águas e quebrar preconceitos se se dedicasse ao tema com seriedades e sem demagogias.


 


PERGUNTA – Que diz António Costa aos aumentos decretados pelo Ministério da Administração Interna nos desbloqueamentos de veículos, reboques e estacionamentos em parques da polícia? São aumentos entre os 50% e os 100%, que tornam a vida ainda mais difícil aos lisboetas, sempre perseguidos pelos esbirros da EMEL. Lembrei-me, a propósito, do novo slogan que os trabalhistas britânicos criaram para denunciar os aumentos de impostos: «wrong tax, wrong time». Pense nisto, Dr. António Costa.


 


LISBOA – Os jornais relataram esta semana um caso que é um exemplo do desgoverno e inacção existentes na Câmara Municipal de Lisboa. O Centro de Dia, construído de raiz pela autarquia da capital em Campo de Ourique, ficou pronto em 2008 e custou perto de 900.000 euros. Desde então está vazio, a degradar-se, e nestes últimos dias foi vandalizado. As culpas deste estado de coisas vão passando de mão em mão sem ninguém assumir responsabilidade – a Junta de Freguesia diz que não é com ela, a Câmara diz que é com a Misericórdia, a Misericórdia diz que não tem a ver com o assunto e o vereador do pelouro de Acção Social, Manuel Brito, diz desconhecer o caso e fez esta declaração extraordinária: «Ainda tenho o pelouro da Acção Social, mas, na prática, deste há muitos meses que ele está nas mãos do senhor Presidente». Nem vale a pena comentar…


 


ARCO DA VELHA – Ricardo Rodrigues, aquele deputado ilusionista que fez desaparecer gravadores durante entrevistas incómodas, quando estava a ser inquirido sobre aspectos pouco claros da sua actuação enquanto advogado, foi o melhor que o PS se lembrou de arranjar para presidir à nova Comissão de Inquérito sobre Camarate. O mais espantoso de tudo é que, sobre o furto dos gravadores aos jornalistas, o Parlamento nada disse na altura. Vai-se a ver e, agora, o ilusionista recebe, em vez de admoestação, uma recompensa. Como é que se há-de acreditar no Parlamento?


 


DESCOBRIR  –  A revista «Computer Arts» tem uma edição internacional que se tornou um objecto de culto no meio do design digital. Desde há dois meses existe também uma edição portuguesa, muito bem feita por sinal. Para além de conteúdos comuns com a edição internacional, apresenta portfolios e entrevistas com criadores portugueses como André Beato, Luis C. Araújo,  Luis Bacharel ou Vasco Vicente, entre outros. A entrevista do mês é com André Carrilho, o caricaturista português que mais se internacionalizou. Da publicidade à banda desenhada, passando por jogos, novo software e conselhos práticos de negócio, a Computer Arts aborda várias áreas. Destaque, nas duas edições já em banca, para a rubrica estúdio do mês, em Janeiro dedicada á equipa da Dub Video Connection.


 


FOLHEAR – Magnífica a edição de Janeiro da «Wallpaper». Sob o título «What Happens Next» a revista leva-nos a descobrir as novas tendências da arquitectura, fotografia, design e moda – mas também da gastronomia. Esta edição inclui ainda os nomeados para os Design Awards e uma lista de novos empresários que dão nas vistas em todo o mundo – entre os quais está Catarina Portas com os seus quiosques e as lojas a Vida Portuguesa. A outra presença portuguesa na revista é uma belíssima página de publicidade á Renova - «The Sexiest Paper On Earth»ssinatura da empresa é magnífica - «Renova, the black toilet paper company». Aqui está um belo exemplo de uma empresa portuguesa que está a trabalhar bem a sua marca além fronteiras.


 


OUVIR – «My Beautiful Dark Twisted Fantasy» é um dos discos que mais apareceu nas escolhas dos melhores do ano em 2010. O seu autor é Kanye West, um rapper com um invulgar talento para fazer grandes canções – de tal forma que este seu álbum parece mais um «best of» que um disco de originais. Embora se decrete com regularidade a morte do hip-hop, a verdade é que Kanye West escreve de forma interessante, é diferente da maioria dos outros artistas, indiscutivelmente criativo, tem um ego do tamanho do universo e é consideravelmente louco. Mas no fim o resultado musical é magnífico. E magnético. Apetece repetir audição após audição.


 


PROVAR – Antes que o Sushi Café abra portas na Barata Salgueiro, continua a valer a pena experimentar os seus pratos nas Amoreiras. É um dos restaurantes de sushi com melhor relação de qualidade-preço e, também, um dos mais populares. Quem não gosta de sushi tem outras especialidades da cozinha japonesa onde pode fazer belas descobertas – desde massas a carnes. É um dos melhores restaurantes existentes nos centros comerciais de Lisboa. Telefone 213840299


 


BACK TO BASICS Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito (Albert Einstein)

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publicado às 10:18


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