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ELEIÇÕES – Não tenho memória de uma campanha eleitoral tão fraca e desinteressante. Dos discursos dos candidatos aos tempos de antena, tudo é bafiento, vazio, desinteressante. Existem mais ataques pessoais do que debate de questões importantes. Dificilmente se percebe qual a posição dos candidatos sobre o papel da Alemanha e França na crise europeia. Análises sobre as consequências da evolução tecnológica no mercado de trabalho não existem. Ligações com a realidade do mundo em que vivemos são quase nulas, para além dos habituais muros de lamentações. Manuel Alegre é um poço de contradições, Cavaco Silva deixou-se enredar num poço de negações, Fernando Nobre é incompreensível e os outros candidatos não têm existência real – um fora do aparelho que o alimentou, outro fora da fantasia que criou e o último fora do ridículo que cultiva.


Os cartazes são incipientes e, a propósito, sugiro que visitem o blogue www.imagensdecampanha.blogs.sapo.pt que fez um belo apanhado de cartazes eleitorais de presidenciais anteriores.


É muito curioso que em 2011 os tempos de antena televisivos sejam tão pobres, tecnicamente rudimentares, mal feitos até. Não é só uma questão orçamental  -certamente é também a prova de como os próprios candidatos consideram pouco úteis os tempos de antena e acabam por optar não os utilizar de facto, limitando-se a ocupar da forma mais básica o espaço que lhes foi dado. – até porque concentram esforços em criar todos os dias oportunidades de imagens para os noticiários das televisões, que é o veículo que privilegiam e verdadeiramente lhes interessa. Esta questão deve aliás fazer pensar na lógica de penalizar as estações privadas de televisão com um considerável espaço de tempo de emissão, em horário nobre, que na prática lhes retira audiência. Em muita coisa precisamos de mudar a Lei Eleitoral – para além do sistema político – e estas presidenciais estão a ser a prova disso. Muito provavelmente os resultados vão ajudar a comprovar isto mesmo, mostrando que é importante existir uma reflexão profunda sobre a forma como se faz política e como se devem dinamizar os processos eleitorais para assegurar maior participação. Tenho curiosidade em ver como vão ser as abstenções, os votos nulos e os votos brancos. Tenho curiosidade em ver como será o resultado de Alegre versus Nobre. E tenho curiosidade de ver quantos portugueses não votarão em nenhum dos candidatos, como eu – farto que estou de andar a escolher o mal menor.


 


 


ARÁBIAS – Esta semana fartei-me de pensar no livro «Os Charutos do Faraó», um dos clássicos das aventuras de Tintim. Foi nesse livro que apareceu um personagem chamado Oliveira de Figueira – e já que estamos em época de celebrar a Wikipedia é de lá que retiro este texto: «Ele é um comerciante oriundo de Lisboa, vendendo suas mercadorias em pleno desero do fictício país de Khemed. Dotado de uma grande facilidade para convencer, consegue vender a Tintim uma grande quantidade de objectos inúteis, assim como aos árabes que aparecem de todas as partes ao escutá-lo a falar. » Pois surgiu-me natural e óbvia a comparação entre Oliveira de Figueira e José Sócrates no seu périplo destes dias pelas Arábias. Sócrates apregoou tudo o que quis – das energias renováveis ao progresso tecnológico. Da venda da nossa dívida não falou em público, mas o Ministro dos Negócios Estrangeiros encarregou-se de dizer que também a dívida fazia parte do catálogo da venda ambulante. Na última semana antes das eleições Sócrates vestiu-se de personagem de banda desenhada e preferiu os ares das arábias aos jantares de carne assada do seu candidato. É uma curiosa coincidência.


 


 


ARCO DA VELHA – Se Alegre perder, o PS prepara-se para acusar o Bloco de Esquerda – lido nos jornais.


 


 


VER – «Encenações» é o título da exposição de 40 novas obras de Manuel Amado, que ficará na bela sala da Sociedade Nacional de Belas Artes até 15 de Março. O habitual traço minucioso do pintor contrasta com o universo que projecta personagens de fantasia,  criando por vezes como que  instantâneos de sonhos. Alguns dos quadros respiram num universo próximo da banda desenhada, proporcionando leituras diversas – na cor, no enquadramento, na narrativa visual. Há um lado contemplativo nesta série de novas obras, em que o autor posiciona as personagens que criou no exacto ponto em que ele próprio se colocou para visualizar (ou imaginar) as imagens pintadas. Rua Barata Salgueiro 36, das 14 às 20h00, fecha domingos e feriados.


 


 


LER – A revista «Monocle» reincidiu na edição de um jornal. É a segunda vez, a primeira foi no Verão e o jornal estreia em formato jornal da «Monocle» era dedicado ao sol e ao mediterrâneo. Esta segunda edição é dedicada à neve e à montanha. Mais uma vez surpreende a capacidade de adaptação do formato contido da «Monocle» ao tamanho de um jornal e a capacidade que a equipa da publicação tem em fabricar conteúdos temáticos de forma tão interessante. E é isso exactamente que é o mais interessante quando se folheiam estas 72 páginas , ao longo de artigos sobre os encantos da capital da Islândia, exemplos de boa arquitectura em retiros de montanha, devaneios gastronómicos adequados ao Inverno ou uma bela reportagem sobre Andorra, que por acaso é um dos destinos de neve preferidos pelos portugueses.


 


 


OUVIR – «Dig» é o nome de um álbum gravado em 1951 com Miles Davis (trompete) e Sonny Rollins (sax tenor), a liderarem um grupo que incluía também Art Blakey na bateria, Tommy Potter no baixco, Jackie McClean no sax alto (a sua primeira gravação para disco) e Walter Bishop no piano. A presente reedição, remasterizada, em CD, reproduz os sete temas do LP, quatro dos quais são originais de Miles Davis (como «dig», a faixa título» e outros três versões, entre as quais destaque para «It’s Only A Paper Moon». O que é mais curioso é que esta gravação é posterior a «birth Of The Cool», o histórico registo que projectou Miles Davis, e é bem diferente do ponto de vista da sonoridade. Miles Davis tinha 25 anos na altura e Sonny Rollins tinha acabado de fazer 21. É muito engraçado descobrir hoje como eles encaravam e faziam música na altura – há exactamente 60 anos. Disponível na FNAC.


 


 


PROVAR – Ao fundo do Campo Grande, paredes meias com o estádio universitário, depois de passada a Reitoria e seguindo em frente, fica o Hipódromo do Campo Grande. Lá dentro está um restaurante que vale a pena visitar. A sala é confortável, ampla, a misturar o clássico e o contemporâneo, com uma ampla janela sobre o relvado do hipódromo. A cozinha é claramente portuguesa, tradicional, com uma proposta variada de carnes onde se destacam de bifes e umas iscas que são de perdição, algumas tentadoras ofertas de bacalhau, peixes no carvão e uma dourada à Bulhão Pato que chamou a atenção. Boa carta de vinhos, preços ajuizados para a qualidade da matéria prima, da confecção e do serviço. E do local, também, que a sala merece elogios. Estacionamento fácil, encerra domingos ao jantar. Telefone 217 957 521.


 


 


BACK TO BASICS – Nunca se mente tanto como em véspera de eleições, durante a guerra e depois da caça - Bismarck

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