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SPORTING – Fico a olhar para o frenesim eleitoral que vai pelo Sporting e espanto-me com o facto de os candidatos já anunciados terem enveredado por um rol de promessas e contactos (jogadores, treinadores, agentes futebolísticos), sem antes apresentarem o trabalho de casa: como resolvem a situação financeira do clube, que está praticamente falido, e como mobilizam os sportinguistas que, depois de todos os dislates recentes, estão para o seu clube como os eleitores portugueses para os políticos: descrentes e desconfiados de tanta promessa sem substância. Na situação em que o Sporting está quer-me  parecer que nenhum dos candidatos em liça neste momento (escrevo quarta ao fim do dia) mostrou até agora ideias, recursos e equipa.


O futebol português continua refém de um sistema que se habituou a viver acima das posses e com recurso demasiado frequente a expedientes. Apesar do nevoeiro dos últimos dias isto não vai lá com sebastianismos nem desejos voluntariosos: sem capacidade efectiva de mobilização de capital, sem capacidade agregadora de equipas e de competências, o Sporting só vai piorar.


O ex-jogador, e sportinguista, Carlos Xavier fez uma síntese brilhante da situação e da forma de a resolver: «O Sporting precisa de alguém que traga ovos para fazer omeletes».


 


 


RESPONSABILIDADE - Tenho alguma curiosidade em saber o que o Ministro da Administração Interna vai dizer sexta-feira no Parlamento. Já se sabe que recebeu o relatório preliminar da Universidade do Minho, sobre o qual nada adiantou. Mas logo depois de o ter recebido decidiu aceitar a demissão  do Director Geral da Administração Interna e a manter em funções o director geral da Administração Eleitoral. Presume-se pois que o problema esteve no Ministério, e, se assim foi, não se percebe porque é que o Ministro não assume também, ele próprio, as responsabilidades pelo facto de ter havido cidadãos que não puderam votar. E, já agora, porque é que o Ministro da Presidência, que tutela o cartão do cidadão, tem estado tão caladinho? Também ele tem responsabilidades no que se passou.


 


 


SEMANADA – O PSD anunciou uma espécie de Estados Gerais e mostrou-se disponível para votar uma moção de censura ao Governo; José Sócrates arrancou numa autêntica campanha eleitoral junto dos empresários – começou pelas exportações e nas próximas semanas tem a agenda carregada; o PSD olhou para os passeios e sugeriu que o executivo deixasse de andar à deriva e pediu que o Governo, governe;  e  Cavaco Silva vetou um diploma do Governo, chamou o Ministro Santos Silva a Belém e deixou correr nos jornais que lhe tinha dado um puxão de orelhas; Mário Soares, no seu artigo semanal do «Diário de Notícias» destacou os Deolinda e a canção «Parva Que Sou», citando parte da letra e mostrando assim que continua atento aos sinais de degradação do sistema político.


 


 


ARCO DA VELHA – A igreja católica dos Estados Unidos desenvolveu uma aplicação que se chama «Confession» e que mediante o custo inicial de 1,47 dolares, permitirá aos fiéis confessarem os seus pecados através do iPhone.


 


LER – Com a proliferação de edições que existe às vezes esquecemo-nos como um livro pode ser um objecto único. Recordamo-nos da importância da edição quando nos surge uma obra como «Almocreve das Palavras», uma recolha de poemas de Henrique Segurado, escritos ao longo de 20 anos, entre 1969 e 1989, acompanhados por desenhos de Rui Sanches. A poesia de Henrique Segurado, com quem tive a felicidade de trabalhar e de aprender, é como ele: sensível, criativa, sentida, emocional. São 200 poemas, muitos escritos em viagem, alguns pessoalíssimos, que falam de coisas comuns – como um cozido à portuguesa, ou das fantásticas aventuras de Emilio Salgari, mas também um belíssimo «Papel Moeda», que evoca Fernando Pessoa. Desde que tenho este livro, há quase duas semanas, volto a ele com frequência e sempre com gosto – a descobrir pormenores nas palavras, nos desenhos ou na cuidada edição (a capa, a tipografia, a entrelinha, o papel), fruto dos cuidados de Joana Morais Varela e Vasco Rosa.


 


 


VER – Na Plataforma Revólver (Rua da Boavista 84-1’, Lisboa) está uma nova exposição colectiva, criada por Victor Pinto da Fonseca, o dinamizador de todo o edifício Transboavista. A verdade é que as inaugurações nos vários espaços de exposição deste local têm uma animação única em Lisboa nestes dias que correr. Ainda por cima as exposições mostram frequentemente obras surpreendentes – e nesta cabe destacar o desenho minucioso, quase obsessivo de Inez Teixeira, a colecção de insectos de Sofia Aguiar ou as peças de Rosa Carvalho, Sofia Leitão e Fabrizio Mato. A exposição decorre até 10 de Março e as obras são todas recentes, algumas aqui mostradas pela primeira vez. Aliciante e, nalguns casos, deliciosamente perturbador.


 


 


OUVIR – A partir dos primeiros segundos de «Rider To The Sea», a faixa de abertura do disco estreia de Anna Calvi, percebe-se que ali está qualquer coisa inovadora – diferente e excepcional. Nos últimos três anos Calvi compôs e pensou as canções deste disco e andou a apresentá-las ao vivo e a ganhar uma legião de seguidores, que inclui Brian Eno. Quem já a ouviu ao vivo diz que ela evoca Patti Smith (é a opinião de Eno) e P.J. Harvey – que por acaso trabalha com o mesmo produtor de Calvi, Rob Ellis., As similitudes não são de estranhar: a chave do impacto de Anna Calvi está na forma como conjuga a guitarra eléctrica com a voz. Diga-se que usa a guitarra de forma exemplar e que a sua sonoridade é crua, emotiva e com uma energia simples e eficaz. Brian Eno surge em duas das faixas do disco (um raro empenho, diga-se), e depois de se ouvir «The Devil», a sexta faixa, percebe-se que este é uma caso especial de talento. O disco roda há duas semanas no meu carro e não vai de lá sair tão cedo. Há poucos CDs que produzam sensações como este consegue.


 


 


AGENDA – A ideia é muito engraçada e deve ficar em agenda ao longo do ano: para assinalar o 15º aniversário da XN Brand Dynamics, a sua fundadora e responsável, Xana Nunes, vai promover uma série de iniciativas, entre as quais diversas exposições no espaço do escritório da empresa, na Rua das Chagas 20 r/c. Até 15 de Março, e de segunda a sexta entre as 10 e as 13H e as 15 e as 18H quem quiser pode ir vber as fotografias da série «Woman Nature», da autoria de Luis de Barros, Mário Princípe, Carlos Ramos, Ricardo Quaresma e Rui Aguiar.


 


 


PROVAR - Volta e meia gosto de regressar a pequenos restaurantes onde me sinto bem, mesmo que lá vá raramente. O La Moneda é um desses sítios. Bom ambiente, boa luz, obras sempre diferentes nas paredes, frequência simpática. E, claro, comida muito bem preparada – quer dizer, boa matéria prima, bom tempero, boa confecção, boa apresentação – tudo saído do chefe Leo Guzman, um chileno há vários anos residente em Lisboa e dirigindo aquele local. Se na lista tiverem o bife de atum grelhado ou a espetada mista de atum, tamboril e camarão, não hesitem. Mas têm muito mais por onde ensaiar, das entradas aos doces – e nesta última secção deixo-vos a sugestão do bolo de tâmaras. O vinho branco da casa é um arinto muito digno que acompanha bem a refeição. O preço final é sensato e o local é movimentado ao almoço e ao jantar. Eu por mim, cada vez que vou para os lados do Cais do Sodré ponho logo o La Moneda na lista de boas hipóteses. Rua da Moeda 1C, telefone 213908012.


 


 


BACK TO BASICS – Tudo quanto sei, com maior certeza, sobre a moral e as obrigações dos homens, devo-o ao futebol – Albert Camus.

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publicado às 14:38



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