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Esquina 398 - Jornal de Negócios

por falcao, em 04.03.11

TELEVISÃO - A contínua progressão do cabo continua a fomentar um clima de  agitação nas estações de televisão em sinal aberto. Os números da semana passada são elucidativos: a TVI obteve um share médio de 26%, a SIC ficou em segundo lugar com 23,6%, o conjunto de canais de cabo ficou na terceira posição com 23,5% e a RTP 1 só conseguiu o quarto lugar com 23%; a RTP 2, vítima da falta de estratégia alternativa, caiu para os 3,9%, o seu pior resultado desde há muito tempo. Na realidade o somatório dos canais de cabo já está, nas últimas semanas e de forma regular, na terceira posição, à frente de um dos canais de sinal aberto. 


 


Se olharmos só para os resultados dos que vêem televisão por serviços de distribuição pagos (já existem 2,77 milhões de casas com assinatura de cabo, fibra óptica ou satélite), na semana passada o quarto canal mais visto, logo a seguir aos três canais generalistas, foi a Sport TV, seguido da SIC Notícias, AXN, e só depois a RTP 2. A seguir, para completar o top ten, vêm Hollywood, Fox e Panda.


 


Mas o mais curioso de tudo é que na semana passada, nas casas com televisão por assinatura, 52,2% preferiram os canais do cabo e só 47,8 ficaram pelos canais de sinal aberto. Não é isto que costuma acontecer e certamente a transmissão de vários jogos de futebol na Sport TV justificou esta enorme alteração de padrão. Mas mesmo que nas próximas semanas o cabo volta a ser minoritário, os dados estão lançados e esta é uma realidade que não vai voltar para trás. O mundo da televisão está a mudar de forma acelerada.


 


Os espectadores assumiram o controlo do comando, como dizia a (boa) publicidade da Meo – e o que é facto é que o aumento do número de assinantes de televisão que se verificou desde que existem dois grandes operadores no sector veio contribuir para que progressivamente diminua o número de espectadores da RTP, SIC e TVI.


 


CRISE – Estamos numa situação em que o PS tem medo de cair, mas o PSD parece ter medo de ganhar Um amigo meu dizia-me, há dias, que ao PSD falta « killer instinct» - e Sócrates, é claro, aproveita-se disso. Cada dia que passa ouvem-se mais rumores de que tudo se vai acelerar a partir do próximo dia 9, quando Cavaco Silva tomar posse no segundo mandato como Presidente da República. Esta semana Belém deixou cair nos jornais que o Presidente havia criticado o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, a propósito da ameaça de processo disciplinar que este fez a um Juiz que não obedeceu á destruição das gravações das escutas de Sócrates, incluídas no processo Face Oculta. Noutras ocasiões recentes Cavaco deu sinais de distanciamento em relação ao Governo e de preocupação com o evoluir da situação portuguesa. Está agendado um duelo, só que ainda não tem hora marcada – mas mais tarde ou mais cedo ele vai mesmo ocorrer.


 


SEMANADA -Teixeira dos Santos descobriu, ao fim de anos de Governo, que a economia portuguesa não pode continuar a assentar numa espiral contínua de endividamento. O Governo afirmou que prepara mais medidas de austeridade. O concurso do TGV continua a girar sem que ninguém perceba exactamente o que se passa. Sócrates terá falado do TGV na conversa com Merkel?


 


ARCO DA VELHA – Leio nos jornais que os magistrados vão ter de deixar de usar separadores de cartão, em processos judiciais, como importante medida de contenção da despesa anunciada pelo Director Geral da Administração da Justiça.


 


VER – A nova exposição do fotógrafo Paulo Nozolino, Makulatur, é criativamente avassaladora, formalmente contida, mas com uma energia contagiante. Esta intensidade é ainda mais marcante porque o tema da exposição é a vida e a morte, uma vida marcada pela expiação, às vezes apenas reduzida a um caminho para o fim. Os seis dípticos que constituem a exposição são uma evidência da transitoriedade de tudo o que nos rodeia. A própria forma como a exposição está montada, quase a evocar a ida a um sepulcro, apenas quatro pessoas dentro do espaço de cada vez, contribui para uma ideia de criatividade total, tecnicamente irrepreensível,  com a possibilidade de estimular múltiplas leituras. Por fim alguém sai do bonitinho e não hesita em provocar. Ou ser realista. Makulatur, Galeria Quadrado Azul, Largo Stephens 4, até 21 de Abril.


 


AGENDA – Pintura de Michael Biberstein em diálogo com escultura e instalações de Rui Sanches ,em diálogo no Pavilhão Branco do Museu da Cidade de Lisboa, no Campo Grande, até 10 de Abril; trabalhos recentes, sobre papel, de pedro Chorão, na Galeria João Esteves de Oliveira, Rua Ivens 38, até 18 de Março.


 


LER – A edição da revista Monocle de Março aborda um tema actualíssimo: Será que não se dorme na nação do futuro - deixa de haver horários, estamos sempre ligados?.A Monocle sugere formas de equilibrar o trabalho, o descanso e a diversão na época em que estamos sempre ligados através de um dos múltiplos aparelhos que nos rodeiam. Com humor anuncia que os OOOR são uma classe perigosa desfasada com o ritmo dos tempos. OOOR quer dizer «Out of Office Reply» e quem utiliza este mecanismo nos dias de hoje está desfasado da realidade. Por outro lado, sobretudo na Ásia, proliferam os OAH – Open All Hours. A abordagem da Monocle faz-nos poensar nos desafios que a capacidade de conectividade colocam quer ás empresas quer aos profissionais. Muito interessante.


 


OUVIR - Let England Shake, o novo e oitavo álbum de originais de P.J. Harvey, quatro anos depois do perturbante White Chalk, é um disco surpreendente – em termos das canções, do ponto de vista musical e das letras – e, como ela diz, as suas canções nascem de palavras que depois ganham forma musical. Está a tornar-se um lugar comum dizer que este disco coloca a carreira de miss Polly Harvey num novo patamar – mas de facto é verdade. Ela consegue levar a música popular contemporânea para um território há muito inexplorado, num disco em que a música pop regressa ao tema da guerra. «Todos os meus discos são políticos no sentido original do termo - falam da forma como nos relacionamso uns com os outros» - afirmou Harvey numa recente conversa publicada na revista francesa Inrockuptibles. Neste disco ela  fala da guerra através da poesia, fala de conflitos que, ora não localiza no tempo ora descreve de forma clara. Claro que no fim se percebe que ela, em todas estas canções, fala sobretudo da condição humana. Uma das canções, «England», é assim: “I have searched for your springs, but people, they stagnate with time, like water, like air…” .


 


PROVAR – Gostava de conhecer Moçambique, de ouvir lá a sua música que tanto me fascina, de provar os petiscos de que amigos meus falam. Pois fiquem os lisboetas sabendo que há um bocadinho de Moçambique perto do Cais de Sodré, no restaurante Ibo, já aqui mencionado noutra ocasião. Fica mesmo ao lado do Bar do Rio e retorno ao tema porque nestes dias em que o sol começa a querer dar sinal, apetece mesmo ir para  a pequena esplanada do Ibo e beber uma imperial com cerveja de marca «Laurentina», uma das cervejarias famosas de Maputo, comendo umas gambas à moda do que lá se faz. Há muitas outras iguarias – mas destaco o caril de caranguejo, que continua a ser uma especialidade. É pena que aquela zona da cidade esteja tão desleixada pela Cãmara, tão suja e cheia de lixo, e que tenham construído uma pista de ciclismo que obriga quem ali passeia à beira-rio a permanentes exercícios para evitar ser atropelado. Ibo – Cais do Sodré, Armazém A, Telefone 213 423 611.



BACK TO BASICS – A dúvida é o princípio da sabedoria - Aristóteles

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