Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



ELEIÇÕES – Estou inclinado a achar que, no início do segundo mandato, os Presidentes da República abusam de Viagra ou de alguma outra substância semelhante. No segundo mandato os presidentes, como Cavaco Silva bem mostrou no seu discurso desta semana, dizem o que antes achariam desestabilizador e passam a agir de forma diferente. Como se toda a vida tivesse pensado e dito o mesmo, Cavaco Silva apelou a que a sociedade civil se levantasse contra o estado das coisas em que o país anda  - «é altura de os portugueses despertarem da letargia em que têm vivido», avisando que «há limites aos sacrifícios» e apelando aos jovens para fazerem ouvir a sua voz.


 


É uma mudança extraordinária de quem, para além do razoável, tolerou, em silêncio, o degradar da situação económica, o degradar do funcionamento das instituições, o degradar do funcionamento do sistema político- partidário, algo que culminou com todos as anomalias eleitorais no próprio dia da sua reeleição e com a elevada abstenção que se estabeleceu no país. Agora, depois de um mês a ouvir opiniões do focus group de notáveis que chamou a Belém, vestiu um camuflado e partiu, diferente e aguerrido, com alma guerreira. Mais vale tarde que nunca? – é verdade – mas escusávamos de ter perdido tanto tempo a deixar o Governo em roda livre só para garantir a reeleição.


 


O problema, aliás, não é só de Cavaco Silva – os Presidentes anteriores fizeram sempre isto – um pouco como se durante o primeiro mandato andassem alimentados a Valiums, acalmando-se à força para garantirem a reeleição, para, depois, no segundo mandato, usarem estimulantes como carburante. É uma situação que se está a tornar ridícula e que é sintomática da forma como os Presidentes governam em função dos seus interesses políticos e pouco mais.


 


Quando olho para este fenómeno penso se não seria mais útil limitar o mandato do Presidente da República a um único, mesmo que um ano mais longo. Assim se evitariam estes tristes episódios em que assistimos à negação das evidências durante metade do seu ciclo de vida político em Belém.


 


Já que os Presidentes governam em função da obtenção do seu segundo mandato, melhor seria tornar esse segundo mandato inexistente. Podia ser que assim tomassem decisões, em vez de viverem de equilibrismos.


 


INVESTIMENTOS – Olhar para a evolução dos investimentos publicitários é sempre curioso. Os números agora conhecidos do mês de Janeiro mostram um ténue sinal de retoma, é certo que muito baseado na publicidade das grandes cadeias de distribuição. No sempre difícil mês de Janeiro o investimento cresceu um pouco mais do que 2% , saindo do ciclo de queda dos últimos meses do ano passado. O investimento publicitário nos canais de cabo continua a crescer a bom ritmo – mas o investimento nos canais de sinal aberto caiu – o mesmo sucedendo, embora de forma mais acentuada, na imprensa diária e semanal. O maior crescimento, claro, continua a ser o investimento publicitário nos meios online, que aumentou cerca de 70% em relação ao mês de Janeiro do ano passado, ultrapassando já, em valores reais, o investimento na rádio e na imprensa diária.


 


SEMANADA – Angolanos compraram mais 5% do BCP; Durão Barroso afirma que Portugal não deve pedir ajuda externa; Portugal subiu ao 5ºlugar da lista dos países que correm maior risco de bancarrota; os juros da dívida pública portuguesa atingiram valores recorde; os Homens na Luta ganharam o Festival RTP da canção; o secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, horas antes do discurso de Cavaco Silva, considerou que o Governo «tem todas as condições políticas para alcançar os objectivos a que se propôs e superar a crise que o país enfrenta».


 


FRASE DA SEMANA - «Tudo depende de o PSD continuar escondido atrás da sua táctica de caça aos patos ou mostrar que não tem medo de ir a jogo» - António Nogueira Leite, no Facebook


 


ARCO DA VELHA – Dois terços dos carros da Polícia Judiciária estão inoperacionais ou com problemas de manutenção e, segundo relata a imprensa, a principal polícia de investigação portuguesa está em falência técnica. Nada de novo no universo da Justiça.


 


VER – A galeria Appleton Square é um agradável espaço na antiga zona industrial de Alvalade, por detrás da Avenida da Igreja, que se tem dedicado a arte contemporânea. Agora expõe seis novas obras de Jorge Humberto (JOH), um pintor que se tem destacado pela forma como experimenta técnicas que criam texturas complexas. O título genérico da exposição é «Tradutor», um nome bem escolhido para sublinhar a forma como JOH nos faz ver outras realidades além das evidências. O artista gosta de explorar os sentidos, provocando a imaginação. Usa a cor de uma forma particular, moldando-lhe tonalidades com texturas, às vezes quase como se quisesse criar uma terceira dimensão na sua pintura. Até 26 deMarço, Rua Acácio Paiva 27, aberto das 15 às 20, de terça a sábado.


 


AGENDA – No Teatro Municipal de Almada uma exposição-leilão, que agrupa obras de vários artistas (de Pedro Calapez a Cristina Ataíde, passando por André Gomes, Rui Chafes, Pedro Proença, Jorge Martins, Graça Sarsfield ou Egas Vieira, entre outros) – até dia 17 de Abril.


 


FOTOGRAFIA – Até 15 de Junho, no Museu Colecção Berardo, no CCB, as sempre polémicas escolhas do prémio BES Photo, este ano com trabalhos de Carlos Lobo, Kiluanji Kia Henda, Manuela Marques, Mário Macilau e Mauro Restiffe; no Centro de Artes Visuais, em Coimbra, duas exposições: «2011», de André Cepeda; e «arquivo#0» de José Maçãs de Carvalho.


 


LER –  O novo livro de José Eduardo Agualusa é um divertido exercício de usurpação de estilo. O escritor vestiu a pele de 25 autores já desaparecidos e escreve, sobre temas, factos, pessoas, músicas e tendências actuais como os próprios o fariam, replicando o estilo e, aqui e ali,  os tiques de discurso literário. É um belo exercício de imaginação e bom humor, que resulta em 25 histórias curtas que traçam um bom retrato dos tempos actuais, recorrendo à inspiração de nomes como Eça de Queiroz, Nabokov, Senghor, Bertrand Russell, Bruce Chatwin, Sophia de Mello Breyner, Camilo Castelo Branco ou Nelson Rodrigues, entre outros. Delicioso. José Eduardo Agualusa, «O Lugar do Morto», Edição Tinta da China 157 péginas.


 


OUVIR – Alguns discos são tão belos e perfeitos que se torna muito difícil escrever sobre eles. Logo à primeira audição mostram-se irresistíveis. É o que acontece com o novo trabalho dos norte-americanos The Decemberists, «The King Is Dead», o seu sexto álbum. Normalmente associados a influências do folk britânico, este novo disco é no entanto aquele que mais marcadamente revive a tradição musical norte-americana, com momentos onde se notam influências de nomes como Neil Young, dos REM (Peter Buck colabora aliás no disco). Outra das colaborações vem de Gillian Welch, essa extraordinária intérprete americana que foi às raízes musicais dos Estados Unidos buscar inspiração e que aqui se destaca. Elegante, criativo, inspirado, este disco viveria mesmo que não tivesse estas duas colaborações excepcionais. The Decemberists, The King is Dead, CD Rough Trade


 


PROVAR – Nos anos 60 o restaurante Arraial era um dos locais incontornáveis na zona da Avenida de Roma. Decoração típica portuguesa à moda da época, cozinha tradicional. Com o andar dos anos foi decaindo, e no ano passado sofre uma remodelação total. A decoração ficou mais leve, o espaço mais luminoso, com zona para fumadores. Confortável, boa garrafeira, serviço atento, o Arraial voltou aos seus melhores tempos, mantendo a fidelidade à cozinha portuguesa. Por estes dias provei um bacalhau à Brás e um Choco Frito à moda de Setúbal, ambos a corresponderem às expectativas. Preços razoáveis, boa qualidade, bom serviço. Restaurante Arraial, Travessa Conde de Sabugosa 13 A e 13 C, Telefone 218 400 089.


 


BACK TO BASICS – A palavra foi dada ao homem para esconder o seu pensamento - Stendhal

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:48



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2007
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2006
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2005
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2004
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D
  235. 2003
  236. J
  237. F
  238. M
  239. A
  240. M
  241. J
  242. J
  243. A
  244. S
  245. O
  246. N
  247. D