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IMPUNIDADE - Uma das razões do êxito das manifestações de Sábado passado tem a ver com a sensação, que se instala, de em Portugal não existir quem exerça de facto um poder de fiscalização sobre a acção dos políticos em geral, e dos governantes em particular. Não existe quem faça o papel de um Provedor do Eleitor com poderes para suspender políticos incumpridores e punir partidos que os acolhem - imaginem que o PS era multado por cada promessa falsa de Sócrates. A impunidade dos políticos e dos partidos em Portugal é total. Ninguém é responsabilizado pelos seus actos.


 


O Parlamento, a quem caberia fiscalizar a acção do Governo, está bloqueado na lógica que se instalou do bipartidarismo. Os 230 deputados existentes de facto não têm voz própria, são apenas abono das respectivas direcções parlamentares. E a reflexão sobre o bloqueio que o bipartidarismo está a causar é urgente. Mais do que reforçar maiorias parlamentares, estou convicto que a solução passa por uma profunda reforma no sistema politico e eleitoral, que o adapte ao tempo presente, quer em matéria de comunicação, quer de campanha eleitoral, quer de votação, quer em matéria da constituição de novos partidos e movimentos. Quanto mais diversificada  e próxima dos cidadãos for a constituição partidária do parlamento, maior é a probabilidade de sair fora da lógica da alternância entre PS e PSD e forçar a existência de coligações e alianças, que provoquem um Parlamento mais dinâmico, interveniente e com poderes mais efectivos, roubando-os às cúpulas dos grandes partidos.


 


Da maneira como estamos os partidos grandes apenas geram deputados dóceis, conformistas e, na esmagadora maioria dos casos, perfeitamente inúteis. Fragmentar em vez de concentrar pode ser a solução nesta fase – e aliás isso corresponde à evolução do que acontece em tantos aspectos da sociedade contemporânea.


 


 


CRISE - Agora estamos oficialmente em crise – uma crise que se prolongou demasiado porque as tácticas parlamentares e a táctica do Presidente da República assim o quiseram. A reacção de José Sócrates foi a de um cavalo selvagem que não quer ser domado: depois do discurso de posse de Cavaco, pôs-se aos coices. A sua declaração da passada segunda-feira foi uma espécie de denúncia de que o rei vai nu – só que se esqueceu que, neste caso, o rei é ele próprio. A entrevista que deu na quarta-feira na SIC Notícias mostra a escalada em que está empenhado e evidenciou que não vai desistir. Entrou em braço de ferro e é um sobrevivente. No seu partido tem as questões arrumadas – António Costa já mostrou que não se quer meter na confusão e prefere continuar por Lisboa e António José Seguro sente que ainda não tem apoios. Sócrates avisou que vai continuar em cena e mesmo com todas as manifestações que se viram, subestimar a sua capacidade é um erro grave – também ele já percebeu que, sendo impossível resolver a crise em pouco tempo, provavelmente o que mais lhe convém é ir a eleições o mais rapidamente possível. No meio disto existe a possibilidade real de, no quadro actual, sair de eleições um panorama que obrigue a coligações. E com Sócrates ainda em palco. A coisa promete.


 


SEMANADA – No passado dia 12 de Março completaram-se seis anos sobre a tomada de posse do primeiro governo liderado por José Sócrates. Nos últimos cinco anos a divida pública portuguesa passou de 80 mil milhões de euros para cerca de 150 mil milhões de euros. Apenas há um mês o Primeiro Ministro dizia que existia uma folga de 800 milhões no orçamento, para agora ter descoberto que afinal faltam 1,4 mil milhões – a justificação utilizada para o novo plano de austeridade. O bem humorado e perspicaz blogue “31 da Armada” fez notar que em Portugal já há mais PEC’s em funcionamento que automóveis eléctricos a circular – quatro PEC’s e dois automóveis. O aniversário do Governo foi evocado com manifestações que tiveram um aspecto curioso – foram transgeracionais e mobilizaram pessoas de todo o espectro político.


 


ARCO DA VELHA – Se existirem eleições antecipadas, Sócrates recandidata-se sem oposição interna visível no PS. Ele próprio o garantiu. Quem diria, há meia dúzia de meses, que isto podia acontecer, que ele não seria corrido pelos seus pares?


 


LER –  Comecei a seguir a carreira de Tina Brown quando percebi o que ela tinha feito na tradicionalíssima revista britânica “Tatler” no início dos anos 80. Como prémio, foi chamada em 1984 a dirigir a “Vanity Fair” e transformou a histórica revista naquilo que ela é hoje. A seguir, em 1992, tornou a “New Yorker” mais contemporânea. E em 1999 criou a revista “Talk”, talvez um projecto à frente do seu tempo. Em Outubro de 2008 iniciou-se no mundo da internet  e criou o site “The Daily Beast”, que cedo deu que falar . No início deste ano aceitou reformular o newsmagazine “Newsweek” .


Depois de duas edições já publicadas sob a direcção de Tina Brown, percebe-se o que mudou: a fotografia voltou a ganhar importância, o grafismo foi completamente remodelado e novos nomes começaram a assinar nas páginas da Newsweek. O resultado é que a revista saiu da letargia dos últimos anos, em que estava enfadonha, desligada da actualidade e  desinteressante. A edição mais recente, desta semana, tem a melhor capa que até agora vi sobre a catástrofe no Japão e mostra o que uma boa edição fotográfica, que use imagens com espaço e respiração, permite fazer a uma revista. Na última página escreve P.J. O’Rourke, um dos meus heróis. Tina Brown mostra mais uma vez como é importante não só ter bons conteúdos, como apresentá-los de forma superior. Quem disse que não valia a pena fazer nada na imprensa?


 


VER – A edição deste ano do prémio BES Photo 2011 evidencia uma significativa mudança de critério do júri de selecção, em relação ao que tem sido a prática – pouco interessante e muito conservadora – dos últimos anos. Até agora o júri tem privilegiado o domínio da estética politicamente correcta, mas finalmente parece ter resolvido deixar preconceitos e amarras de parte. Esta é talvez a melhor selecção dos últimos anos e conta com trabalhos de Kiluanji Kia Henda (Angola), Carlos Lobo (Portugal), Mário Macilau (Moçambique), Manuela Marques (Portugal) e Mauro Restiffe (Brasil). Fiquei surpreendido pela intensidade das imagens de Mário Macilau, pelos enquadramentos de Kiluanji Kia Henda, pelo olhar de Carlos Lobo e pela interpretação de Mauro Restiffe. Todos acrescentam alguma coisa à evidência, mas todos reflectem o tempo em que vivem – o que nem sempre aconteceu nas seis edições anteriores do prémio. Esta exposição vale francamente a pena ver – tem menos exercícios de estilo, menos jogos florais e maior criatividade e formas de ver – que no fundo é a essência da fotografia. Em exposição no Museu Berardo até 13 de Junho.


 


AGENDA – Na galeria Vera Cortês (Av 24 de Julho, 54, 1º), inaugura Sábado “Forking Paths”, fotografias de Gabriela Albergaria; Na galeria Baginski (Rua Capitão Leitão 51-53), dois projectos em confronto – “Máquina de Chilrear” de Cecília Costa e “De tempos a tempos a terra treme”, de Joana Escoval; no Espaço Arte Tranquilidade (Rua Rodrigues Sampaio 95) está a exposição colectiva “O consolo da pintura” com obras de Ana Jotta, Carlos Correia, João Paulo Serafim, Freek Wambaco, João Pedro Vale, Miguel Ângelo Rocha e Rodrigo Oliveira.


 


OUVIR – Loreena McKennitt é uma cantora e harpista canadiana com uma carreira de já duas dezenas de anos. O seu novo disco, “The Wind That Shakes The Barley” é um claro retorno às suas origens folk, que aliás lhe deram fama e notoriedade. O resultado é o seu melhor disco dos últimos anos, integralmente baseado em sonoridades celtas e em versões de temas tradicionais, vários deles da Irlanda e Escócia. O nome do disco aliás é o mesmo de um filme de Ken Loach, sobre a Irlanda, premiado em Cannes em 2006. A voz etérea de Loreena McKennitt ajusta-se na perfeição a estas canções e continua a surpreender como em “As I Roved Out” ou “The Star Of The County Down”.


 


BACK TO BASICS – Em política lembre-se o que convém e esqueça-se o que já não interessa (anónimo)

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