Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]



CRISE – No dia 28 de Janeiro, logo a seguir às eleições presidenciais, escrevi nestas páginas: “Como se percebeu o núcleo duro da direcção do PS reagiu rapidamente – convocando eleições internas (em que Sócrates se recandidata), anunciando novas iniciativas viradas para fora do partido, e dando a entender que controlará o timing de uma remodelação governamental. O PS, que foi o grande derrotado das eleições, tinha o contra-ataque preparado.”


 


Agora jé é claríssimo que Sócrates planeou ao minuto o que iria fazer uma vez resolvidos os problemas das presidenciais. Reposicionou-se no PS, calou a oposição interna, conseguiu o apoio de todos os notáveis do seu Partido e depois geriu bem o momento e criou uma situação de ruptura na semana das eleições directas no PS. Foi levado num andor de unanimidade, transportado pelos três talibãs que são o seu núcleo duro: Santos Silva, Silva Pereira e Jorge Lacão; o quarto canto do andor foi seguro pelo pagador de promessas em exercício, Teixeira dos Santos. Os filmes neo-realistas brasileiros dos anos 60 não teriam melhor cena – e já não vou ao ponto de dizer que a presença de Lula & Dilma foi planeada para coroar a manutenção de Sócrates no PS (embora não descure a coincidència das datas). Preservemos a Universidade de Coimbra de tais aleivosias.


 


Como uma imagem vale mais que mil palavras, retive uma extrordinária fotografia, salvo erro do “Público”, em que Sócrates aparece à chegada a Castelo Branco, para votar nas directas do PS. O seu corpo está meio saído do carro, mas já de pé, a sua cara é de determinação e levanta o braço – não exactamente fechando o punho mas dobrando a mão numa moderada evocação do punho fechado. A imagem é feita escassas 48 horas depois da demissão e mostra a evidência: ele estava preparado para ir à luta e geriu o calendário de todos os acontecimentos. Caíu quem quis, neste jogo de xadrez.


 


SPORTING – O que se passou no final do processo eleitoral do Sporting é também um sinal dos tempos. Tensões artificialmente criadas, ligações obscuras, promessas a eito, falta de respeito pelas pessoas e pelos resultados. O comportamento da madrugada eleitoral é um retrato do que deve ser evitado e daquilo que não é preciso em nenhuma área da sociedade, muito menos no desporto e espectáculo. Nestes tempos difíceis, do ponto de vista político e económico, há uma tendência para que o futebol se torne numa válvula de escape de frustrações e que se crie um autêntico barril de pólvora. Os sinais abundam. Esperemos que o pior seja evitado.


 


ARCO DA VELHA – Já conheciam esta descrição de Sócrates publicada no diário espanhol «ABC»? - «El primer ministro portugués se parece a un conductor que avanza a toda velocidad por la autopista en dirección contraria, convencido que son todos los demás automovilistas los que se equivocan».


 


LER –  A «Tinta da China» é actualmente uma das editoras livreiras com uma actividade mais interessante. As suas colecções são bem pensadas, as suas edições são feitas com cuidados na concepção das capas, na escolha do papel e do tipo de letra. E os livros são bem escolhidos – sejam de viagens, de ficção ou de entretenimento. Até dá gosto. A mais recente aventura da «Pó dos Livros» é uma bem humorada e divertida colecção chamada «Livros Licenciosos», coordenada por António Ventura.


Estão já editados três volumes, todos com títulos deliciosos: ««Entre lençóis – Episódios Inocentes Para Educação e Recreio de Pessoas Casadoiras», de Cândido de Figueiredo; «O Pauzinho do Matrimónio» de autor desconhecido, ilustrado por Rafael Bordallo Pinheiro; e «O Vício em Lisboa – Antigo e Moderno», de Fernando Schwalbach. Estas linhas são dedicadas a este último. Schwalbach era um homem ligado ao teatro, autor de alguns monólogos da época, bon-vivant confesso, especialista nas noitadas lisboetas. A certa altura emendou-se e este seu texto faz parte do processo de redenção – é datado de 1912 e ali descreve bordéis, casas de meninas mais sofisticadas, aborda o vício e o jogo e tece numerosas considerações sobre os usos e costumes da época, as mais das vezes com um pendor moralista sobre o seu passado licencioso. A edição é completada pelo «Regulamento Policial das meretrizes e Casas Toleradas da Cidade de Lisboa», de 1865 e por um posfácio do autor da colecção sobre a Lisboa subterrânea de então.


 


VER – O novo ciclo de exposições no edifício Transboavista (Rua da Boavista 84, de terça a sábado, das 14 às 19h30) tem o atractivo de uma exposição de originais de Inez Teixeira intitulada «Time Is On My Side». Retomando algumas pistas deixadas na sua anterior exposição de pequenos desenhos, Inez Teixeira aborda agora o universo do fantástico com um conjunto de obras, cada uma a evocar o universo da fantasia, todas baseadas num desenho minucioso e na criação de imagens que parecem criadas para a ilustração de fábulas passadas em bosques imaginários. É um conjunto de desenhos, de grande formato, que apela à permanente descoberta dos detalhes. Este ciclo de exposições, que estará patente até 4 de Maio, completa-se com duas mostras colectivas da Plataforma Revólver da qual destaco um belíssimo e invulgar trabalho de Ana Rito.


 


OUVIR –  Para assinalar o centenário de Gustav Mahler a editora discográfica Deutsche Grammophon teve a ideia de fazer uma votação online num site que propositadamente criou para o efeito e onde era possível ouvir as 148 gravações das dez sinfonias de Mahler, nas diversas versões gravadas  entre 1952 e 2008. Cerca de 5000 votantes escolheram de entre as diversas interpretações as que consideraram melhores e o resultado está numa caixa de 13 CD’s que recolhe o registo mais votado de cada uma das sinfonias. «Mahler – The People’s Edition» é o nome desta edição especial que proporciona a obra sinfónica completa do compositor austríaco, em gravações dirigidas por nomes como Karajan, Abbado, Mehta, Solti ou Bernstein, entre outros. A edição inclui ainda um pequeno livro com uma biografia de Gustav Mahler, onde são destacados os pontos altos da sua actividade musical. E o preço é uma agradável surpresa para uma edição com esta qualidade e dimensão, já disponível em Portugal.


 


AGENDA – A Galeria Antiks (Rua Mouzinho da Silveira2, esquina com a Barata Salgueiro), celebra o seu 15º aniversário com uma exposição baseada nos seu riquíssimo acervo, certamente um dos mais importantes entre as galerias de arte portuguesas – vale a pena visitar esta exposição que apresenta trabalhos de 15 mulheres que cruzam épocas bem diferentes, de Josefa de Óbidos a Paula Rego, passando por Sarah Affonso, Sonia Delaunay, Lourdes Castro, Ana Fonseca e Etsuko Koyashi, entre outras.


 


PROVAR – É sempre um prazer regressar ao restaurante Gemelli, seja nos seus menus executivos de almoço (agora com a variante de um prato único de tradição italiana a 16 euros, acompanhado de um copo de vinho), passando pelas degustações do jantar e, sobretudo, pelos deliciosos almoços de sexta-feira que por 32 euros oferecem uma entrada, um primeiro prato baseado numa massa fresca, um prato principal e uma sobremesa surpresa, tudo acompanhado por vinhos escolhidos. Desde há uns anos que tenho para mim que este é o melhor restaurante italiano de Lisboa e certamente um dos melhores restaurantes da cidade em termos absolutos. O chefe Augusto Gemelli continua a variar a sua carta conforme as estações do ano e os produtos de cada época e continua também com os seus cursos de cozinha – em Abril há aulas sobre doces, massas recheadas e um menu de Páscoa alternativo. Todas as informações estão disponíveis em www.augustogemelli.com . O Gemelli fica por cima do mercado de S. bento, na Rua Nova da piedade 99, esquina com a Rua de S. Bento. O telefone para reservas é o 213 952 552. Não se assuste: ali bem perto tem o parque de estacionamento do Clube Nacional de Natação.


 


BACK TO BASICS – As finanças públicas devem ser saudáveis. O orçamento deve ser equilibrado. A dívida pública deve ser reduzida. A arrogância da administração deve ser combatida e controlada... A população deve trabalhar em lugar de viver da ajuda pública - Marco Túlio Cícero (106 aC - 43 aC)


 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:36


Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2007
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2006
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2005
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2004
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2003
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D