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PESADELO – Quando olho para o que se passa no país pergunto-me se o PSD já percebeu que existe uma campanha eleitoral a decorrer e eleições marcadas para 5 de Junho.  É raro o dia em que alguém próximo do PSD não avança com uma proposta que depois tem de ser rectificada. Está a ser demasiado frequente que existam oscilações de posições em questões cruciais. O problema não é apenas de eficácia de comunicação – começa a ser perceptível que existe um problema, maior, de conteúdo e de coordenação de propostas. Sinceramente espero que seja resolvido. Seria lamentável que estas eleições entregassem o ouro ao bandido por falta de comparência do adversário. É certo que os discursos do Pátio dos Bichos sublinharam que os partidos políticos em Portugal funcionam mal e que o país não se esgota nos partidos. É certo que a maior prova de que o sistema político funciona mal é a falta de espírito auto-crítico por falta dos oradores do Pátio dos Bichos: quem os ouvisse acharia que eles nunca tiveram responsabilidades aqui na terrinha. Quando chegar o dia das eleições pensem nisto: não estão satisfeitos com o estado das coisas, com os efeitos das anteriores eleições? Então usem o voto para punir quem nos levou até aqui. É para isso que ele serve.


 


GASTADOR  – António Costa mudou-se para o Intendente. As obras de recuperação do local onde se instalou custaram à Câmara Municipal cerca de 670.000 euros. Costa diz que vai ficar ali – na antiga fábrica Viúva Lamego – durante dois anos. A CML pagou o arrendamento por 10 anos, justificando que assim recuperava o edifício. Não se sabe o que lá vai acontecer a seguir a Costa sair. Gostava de saber quanto vai custar – em custos directos e indirectos – esta mudança, mas admitamos que dizer um milhão não será muito exagero e se calhar até peca por defeito. António Costa diz que o investimento se justifica para recuperar o Intendente e eliminar o estigma de zona de prostituição e droga. Eu acho que com este milhão, basicamente destinado a uma operação de propaganda política do Presidente da Câmara, se conseguia fazer bem mais pela recuperação do Intendente do que com o simbolismo de uma instalação artificial e forçada. E assim se vai gastando o pouco dinheiro que resta – de qualquer forma quem vier a seguir é que há-de pagar a factura.


 


ARCO DA VELHA – José Lello, do PS, chamou «foleiro» a Cavaco Silva no Facebook, por causa da forma como decorreram as comemorações do 25 de Abril no Palácio de Belém. Depois de ter sido zurzido por todo o lado, incluindo o PS, apareceu a dizer que se tinha enganado na tecla e que queria dizer apenas que o Presidente «não tinha sido suficientemente abrangente». Ainda não tinha percebido que foleiro queria dizer com falta de abrangência. Sempre a aprender…


 


SEMANADA – Segunda-feira Sócrates disse que Teixeira dos Santos não tinha estado no Palácio de Belém porque estava a negociar com a troika. Terça-feira soube-se que Teixeira dos Santos passou o feriado em sua casa, no norte, não tendo levado consigo nenhum membro da troika; terça-feira à noite, na entrevista à TVI, Sócrates disse que ele e Teixeira dos Santos eram muito amigos e que não havia problema algum entre ambos.


 


LER –  A edição de Maio da «Vanity Fair» traz na capa Rob Lowe, tronco nu, olhar decidido e músculos realçados. O estilo da capa tem a assinatura de Annie Leibowitz e serve de apresentação aos excertos da auto-biografia de Lowe, intitulada «Stories I Only Tell My Friends», que será publicada em breve e onde ele conta aquilo por que passou em Hollywood até ganhar fama. Outro motivo de interesse desta edição é a história da relação, longa e intensa (50 anos quase), de Picasso com a sua amante Marie Therése Walker, que inspirou muitas das suas obras e que está presente em quadros como a Guernica. Finalmente uma razão suplementar para ler esta «Vanity Fair» é o excelente artigo de Joseph E. Stiglitz (Prémio Nobel da Economia em 2001) sobre o aprofundamento do fosso social nos Estados Unidos e as consequências desse aprofundamento de diferenças no funcionamento das sociedades. Chama-.se «Of the 1%, by the 1%, for the 1%» e devem poder encontrá-lo no site da revista.


 


VER – Em pouco tempo eis a segunda exposição de Pedro Calapez em Lisboa, desta vez na Fundação PLMJ, Rua Rodrigues Sampaio 29. Comissariada por Miguel Amado, integrada na programação OFF da PLMJ, destinada a artistas portugueses e da CPLP,  a exposição “Kickflip” vai buscar inspiração aos desportos radicais e à cultura urbana contemporânea. Nesta mostra estão quatro obras feitas para a ocasião, de pintura e escultura, assim como duas outras obras inéditas em Lisboa. “Kickflip” ficará patente até 9 de Junho, de quarta a sábado, entre as 15 e as 19 horas. É um contraste interessante com a outra exposição, desenhos recentes sobre papel, que continua na Galeria João Esteves de Oliveira, Rua Ivens 38, até 6 de Maio (de terça a sábado entre as 11 e as 19h30). Bom programa para a tarde deste sábado – ver ambas as exposições de Calapez e sentir as várias formas do seu olhar.


 


OUVIR –  Em 1964, estava Ray Charles a fazer 34 anos, gravou num auditório de Los Angeles um dos seus espectáculos. Um ano depois foi editado o LP “Ray Charles Live in Concert” , que durante muitos anos foi a gravação ao vivo de referência na obra do cantor, em excelente forma vocal, acompanhado por um grupo de músicos com os quais tinha um entendimento perfeito. Também a forma de Ray Charles tocar piano e órgão está em evidência nesta gravação, que foi agora integralmente remasterizada, ganhando brilho e qualidade sonora. Este registo nunca tinha sido editado em CD, de forma que há muito que o original era uma raridade. A nova edição inclui sete temas que não tinham sido incluídos na edição original, entre os quais uma bela versão de «Georgia On My Mind». Além disso o disco original incluía, e aqui mantém-se a única garvação que Ray Charles fez de «Makin’ Whoopee», um improviso em que intervêm apenas Ray, um baixista e um baterista. O novo CD, editado pela Concord para a Universal, inclui 17 temas, o início e o o fim do concerto, assim como notas de edição que ajudam a enquadrar esta gravação no seu tempo. Um disco absolutamente fantástico e surpreendente.


 


PROVAR – Ainda não é desta que fiquei cliente das casas de comida patrocinadas por Vitor Sobral. Curioso com o sururu comunicacional criado a propósito da abertura da Cervejaria da Esquina lá me dirigi numa destas noites, sozinho, para experimentar se isto seria verdadeiramente uma cervejaria. Pois não é – é um local que quer ser uma cervejaria mas está disfarçado de outra coisa qualquer. Para cervejaria falta-lhe uma boa diversidade da bebida que a devia inspirar, limitada que está ao patrocínio da Sociedade Central de Cervejas, o que é pena. E falta-lhe simplicidade básica, o que é ainda pior – sobretudo porque o que falta  sobra em pretensão. Já agora, também lhe falta ambiente e clima e sobra-lhe preço. Situada em Campo de Ourique, numa esquina da Rua Correia Teles, onde antes existia a Pastelaria Bonina (cuja fachada foi em parte mantida), a decoração do interior é sem história e, na minha opinião pessoal, sem grande gosto. Pode ser que tenha tido azar, mas os camarões da costa, pequeninos, vieram cozidos demais – ou então estavam naturalmente moles em demasia, o que ainda é pior. O bife do lombo era de boa qualidade, mas nadava num molho excessivamente intenso e que tinha um travo estranho, prejudicando a experiência de um bom e tradicional bife frito. As batatas fritas eram boas. Por 150 gramas de camarão da costa recozido e um bife que tirava o curso de nadador salvador em molho cremoso, mais duas imperiais daquela marca de que não gosto, paguei 34,75 euros. Conheço várias cervejarias em Lisboa onde se come melhor por bastante menos. E com melhor ambiente até – que o daqui era apenas o de seguidores de modas passageiras e devotos de guias da cidade para turistas. Tel. 213 874 644.


 


BACK TO BASICS – Hoje crédito não temos, dinheiro também não - pelo menos o Estado não tem: - e homens não os há, ou os raros que há são postos na sombra pela Política. De sorte que esta crise me parece a pior - e sem cura. Eça de Queiroz, 1891


 

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