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DILEMA–  Qual é a margem que existe para os programas políticos dos partidos, uma vez conhecido o cadernos de encargos da Troika e da Comunidade Europeia? O cenário de enquadramento será tão apertado que, realisticamente, os partidos terão que fazer apenas exercícios tácticos , em vez de proclamarem grandes desígnios estratégicos. O único programa para  a próxima legislatura é a salvação do país e o início da recuperação da economia e das finanças. Quem disser o contrário está a enganar – como Sócrates quis fazer ao evitar dizer quais as medidas efectivas do programa. Aqueles que falarem verdade, analisarem bem a situação existente e elencarem medidas exequíveis serão os melhor colocados para discutir votos.


 


Mas não vale a pena ter ilusões: a 5 de Junho, no arco do poder, vamos estar divididos entre os que rejeitam encarar a realidade e aqueles que partem da situação que existe e a querem modificar. E, claro que, fora do arco do poder, existirão ainda os que dizem que não interessa a realidade e apenas devem contar os princípios. De certa forma estas vão ser eleições difíceis – porque exigirão que os eleitores façam eles próprios uma ruptura assumida a afinidades eleitorais passadas e consigam ser parte do processo de transformação, que é absolutamente necessário. O grande risco que corremos é que não seja perceptível, a sectores do eleitorado, que precisamos de facto de mudar de vida, de mudar de hábitos, de mudar de funcionamento. É nesta dúvida – da efectiva necessidade de mudança radical – que o PS vai jogar  e é aqui, com remédios menores e camuflagens diversas, que vai tentar manter o eleitorado - como bem se viu na declaração de José Sócrates de terça-feira em quando anunciou gloriosamente o que não vai acontecer, mas escondeu cobardemente o que também sabe que irá ser feito.


 


Um amigo meu dizia-me há dias que, fora das grandes cidades, o voto iria ser conservador, no sentido de o eleitorado poder não ver necessidades de grandes mudanças. É este o terreno, é esta a dúvida que o PS vai explorar.


 


SEMANADA – Agora tudo indica que PS e PSD souberam cedo as linhas gerais do acordo com a troika. Sócrates aproveitou o que sabia e disse o que lhe convinha, montando um festival de propaganda. O PSD ficou apenas a ver e a comentar, dando espaço a Sócrates. Mais uma semana eleitoral perdida.


 


ARCO DA VELHA – A RTP N apresenta como comentador convidado regular Ricardo Rodrigues, o deputado do PS que roubou os gravadores de jornalistas da revista «Sábado» que lhe faziam perguntas incómodas e que, por isso mesmo, foi acusado pelo Ministério Público da prática de crime de atentado à liberdade de imprensa. Estranhos são os critérios de escolha de uma estação de serviço público…


 


AGENDA – No Museu Berardo já pode ver o resultado da colaboração de Orla Barry e Rui Chafes, «Five Rings». Até 15 de Maio está em acção o Indie Lisboa, com curtas e longas metragens e outras iniciativas – pode saber tudo em www.indielisboa.com. no Parque Eduardo VII continua a Feira do Livro e vale a pena ver o esforço que editoras como a Leya e, noutro plano, a Babel, fizeram para se apresentarem de forma diferente. Até 22 de Maio continua a exposição do World Press Photo no Museu da Electricidade; ainda na fotografia a K Galeria inaugurou a exposição «Processo» de Jordi Burch, centrada na imagem feminina - a K Galeria fica na Rua da Vinha 43, no Bairro Alto e pode ser visitada das 10 às 18 de segunda a sexta.


 


LER –  A edição de Maio da «Monocle» tem como tema principal a reconstrução do Japão – o que o país tem que fazer para recuperar do terramoto e o que poderá fazer para ficar ainda melhor que antes. Claro que Tyler Brulé, o fundador e director da revista, é um apaixonado pelo Japão, e portanto a sua observação sobre os dez sectores mais afectados é muito certeira. Outros artigos interessantes são sobre a cadeia de televisão árabe Al Jazeera, sobre a estação de televisão japonesa NHK, e sobre a forma como a Finlândia está a tentar recuperar das quebras verificadas pela Nokia. Na área das experiências há um artigo curioso sobre os princípios de gestão de Andrew Cogan, CEO da Knoll e sobre a forma como se pode gerir uma galeria de arte, por Harry Blain. Finalmente os lisboetas ficarão muito contentes com as quatro páginas dedicadas ao bairro da Lapa, em Lisboa – embora o prato forte em matéria de viagens seja o suplemento de 24 páginas dedicado a Barcelona.


 


VER – Ao longo dos anos Sofia Areal construiu uma imagem de marca e um estilo muito próprios e bem identificável. Começou a expor em 1982 e a sua primeira exposição individual data de 1990, estando representada em diversas colecções nacionais, institucionais e particulares. Agora Sofia Areal agrupou um conjunto de obras, de pintura e desenho, feitas entre 2000 e 2011 e deu o nome de «SIM» a esta mostra de 11 anos de trabalho. A exposição está no Torreão Nascente da Cordoaria Nacional até 26 de Junho, com montagem (bem pensada) de Emília Ferreira, a mostrar a evolução da obra ao longo das várias fases que atravessou nesta década, desde as formas orgânicas iniciais, ao desenho mais intimista, até ao regresso à pintura dos últimos anos. A exposição é feita por iniciativa dos Artistas Unidos, com quem Sofia Areal trabalhou – e expôs – em diversas ocasiões. No catálogo da exposição Jorge Silva Melo escreve que estes dez anos de Sofia Areal são «uma visão que se afirma, que se intensifica, que se recria, simplificando».


 


OUVIR –  Paul Simon vai fazer 70 anos no próximo mês de Outubro e desde 1964, há 47 anos, que continua a ser um nome incontornável na música popular contemporânea. Primeiro ao lado de Art Garfunkel e, depois, a solo, foi construindo uma carreira erguida sobre canções de uma intensidade e criatividade pouco usuais, na quantidade e qualidade que conhecemos. Custa a crer que tenha passado tanto tempo desde que ele gravou «The Sound Of Silence» e quando se ouve pela primeira vez o seu novo disco «So Beautiful Or So What», acabado de lançar, tem-se a mesma sensação inicial de frescura e originalidade que é a sua imagem de marca desde o princípio da sua carreira. Nas notas introdutórias do disco Elvis Costello não hesita em dizer que o novo disco é uma das melhores obras de toda a carreira de Paul Simon, e tem razão.


 


Nos dez novos temas aqui incluídos, Paul Simon continua a descrever a vida à sua volta, citando a guerra no Iraque, as suas dúvidas pessoais mais profundas, sobre a fé ou a vida, o permanente encontro com o amor, a redescoberta da escrita e as dúvidas permanentes que povoam o universo dos homens. A produção do disco esteve a cargo do próprio Paul Simon e de Phil Ramone (que faz um soberbo trabalho). Dois destaques – para a forma como as percussões são utilizadas e para o arranjo de Gil Goldstein numa das faixas mais simbólicas do disco, «Love And Hard Times». E um elogio para a subtileza envolvente da guitarra de Paul Simon e para a forma viva e divertida como ele continua a cantar. Este é um disco fora de modas. Mas terrivelmente actual. CD Hear Music/ Universal Music


 


PROVAR – Quando lhe apetecer um restaurante pacato, com ambiente familiar e boa comida caseira pode experimentar dirigir-se para os lados da Infante Santo, no cruzamento com a Rua do Sacramento a Alcântara (que depois se transforma na Rua das Janelas Verdes). Aí fica o Restaurante Tirsense, cuja lista é estabelecida em função das disponibilidades da praça. Mas não é invulgar encontrar fantásticos jaquinzinhos ou uns bem preparados filetes de polvo, acompanhados de arroz de grelos, bem malandro e saboroso. Se tiver dúvidas nas escolhas peça sugestões à D. Lia, que ela há-de ter prazer em ajudar. Para começar, a sopa de hortaliça é um regalo e, para terminar, o arroz doce é imperdível. A acompanhar o café vem um daqueles pequenos bombons antigos, embrulhado em prata colorida. As mesas são confortáveis e bem postas, os guardanapos são de pano e duas pessoas fazem a festa por pouco mais de trinta euros, incluindo sopa, sobremesa e vinho da casa. O Tirsense fica no nº48 da Rua do Sacramento a Alcântara, é preciso descer umas escadinhas do nível da rua para o passeio inferior, onde está a porta. O telefone é 213 977 246.


 


BACK TO BASICS – A política tem a sua fonte na perversidade e não na grandeza do espírito humano (Voltaire)

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publicado às 15:06


1 comentário

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De Giulia a 16.05.2011 às 11:46

Caro Amigo/Amig@,

Livros existem para aventurarem-se de mão em mão, enchendo olhos e mentes, traspassando mundos vários, continentes distantes, até mesmo galáxias perdidas deste infinito Universo, sem respeitar nem mesmo as fronteiras do senhor Tempo.

É com base neste espírito que Lisboa acaba de ganhar um novo Alfarrábio on-line. É o www.livrilusao.com, que vende livros usados e novos.

No entanto, não queremos ser apenas um alfarrábio a mais. Para além de comprarmos, vendermos e trocarmos livros, buscamos também interagir com todos que queiram trocar ideias connosco sobre livros, artes em geral e tudo o mais relacionado com Cultura.

Convidamos-te a visitar a nossa página e, se achar interessante, ajudar a divulgá-la, repassando esta mensagem para a sua lista de emails.
Vamos dar continuidade à aventura dos livros!

José Silva,
Livrilusão

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