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PROGRAMAS - Eu acho muito curioso que nesta campanha exista um partido que passa a vida a clamar pelos programas dos outros e que nunca fala do seu próprio programa. Esse partido é o PS. Seria aliás curioso analisar o programa que apresentaram , dias antes do anúncio das medidas do triunvirato, e fazer uma análise entre o que lá está escrito e o que pode ser feito e, mais importante ainda, entre o que está nesse programa e aquilo que o PS disse em programas anteriores e a sua prática enquanto Governo nesta meia dúzia de anos mais recentes, durante os quais aumentou a dívida pública portuguesa em 82,9 mil milhões de euros, quase tanto como o total dos Governos dos 23 anos anteriores. A questão que me parece importante sublinhar é esta: quem prestou más provas não pode ter boa nota; quem não quis ir à escola e depois ouviu raspanetes de estranhos por não saber a lição não pode agora armar-se em aluno de quadro de honra. Olho para Sócrates e o que vejo é um homem que durante anos foi insensível à realidade, que fintou e manipulou dados objectivos e que fez o que quis sem atender às sucessivas chamadas de atenção sobre os efeitos que a sua acção estava a ter no Estado das Finanças portuguesas. Das duas uma : ou Sócrates é surdo – e não parece; ou então vive num mundo diferente e não consegue encarar e compreender a realidade. Quem tem perturbações desta ordem, de desfasamento com a realidade, não pode ser Primeiro Ministro, quanto mais não seja por uma questão de saúde pública. Num momento destes compreendo mal que alguns partidos se entretenham a explorar medidas hipotéticas, colocando em cima da mesa cenários especulativos – é uma operação que apenas alimenta o discurso egocêntrico do PS, ainda por cima com o efeito colateral de juntar ao PS as vozes dos debilitados PC e Bloco. A única vantagem é que assim se percebe como PC e Bloco são na realidade os grandes aliados do PS – que objectivamente o estão a ajudar nesta campanha.


 


PERGUNTINHA – É engano meu ou o PEC IV, sem o financiamento que vai vir da ajuda externa, não iria servir para nada senão para agravar ainda mais a situação? ARCO DA VELHA – O PS quer ver-se livre de Sócrates, mas para isso precisa de perder as eleições – diz Eduardo Catroga.


 


SEMANADA – Sócrates acusa os outros partidos; Passos Coelho acusa Sócrates de fazer terrorismo político; todos os dias aparecem medidas e propostas avulsas; as sondagens mostram a confusão que está instalada – é o resultado da campanha que está a existir.


 


AGENDA – A Feira do Livro, que continua aberta, é um local fantástico para nos sentarmos numa esplanada a meio do parque Eduardo VII, para comermos um churro ou um cachorro e, claro, para passearmos entre livros. Há soluções engraçadas – como o túnel da Babel e outras muito eficazes, como o espaço da Leya, que claramente é o mais movimentado e aquele onde mais se vêem pessoas efectivamente em filas para comprar livros. Fica-me a dúvida se não seria possível, durante o verão, manter alguns daqueles quiosques e esplanadas como destino possível dos lisboetas, no meio de um jardim que é essencialmente para a vista mas que bem poderia ser um local de passeio se existissem alguns pontos de apoio.


 


LER – A edição de Maio da revista norte-americana «the Atlantic» é dedicada à cultura e tem a curiosidade de incluir uma série de notas sobre o processo criativo de figuras como Paul Simon, Frank Ghery ou Tim Burton, entre outros. Para além disso ainda encontra pequenos contos inéditos, nomeadamente um de Stephen King. Intitulado «the Culture Issue» esta é uma edição a não perder.


 


VER – «Five Rings», a nova exposição de Rui Chafes e Orla Barry, que estará no Museu Berardo até 21 de Agosto, é uma surpreendente combinação de palavras, objectos da natureza e das formas inesperadas que são a imagem de marca de Chafes. É curiosa a importância da palavra nesta exposição – até porque Rui Chafes tem sempre presente nas suas obras a evocação de palavras e frases de «Fragmentos» de Novalis, que ele próprio traduziu para edição em Portugal há uns anos. Ao longo das várias salas desenha-se uma narrativa de sensações que culmina numa explosão, inesperada, onde a luz e as formas do metal trabalhado se combinam num jogo de sensações. Esta é a segunda colaboração de Chafes com a irlandesa Barry, a primeira foi realizada em 2001, há dez anos. O nome e o percurso criado para a exposição fazem também pensar se não terá existido uma propositada alusão ao «Book Of Five Rings» do samurai Miyamoto Musashi, escrito em meados do século XVII e que é considerado um dos grandes textos orientais, do ponto de vista filosófico e estratégico.


 


OUVIR – Tenho muitos discos, mas poucos que tenham provocado uma impressão tão forte como este «Philarmonics», de Agnes Obel. Ele é um


a dinamarquesa de 30 anos que, depois de ter passado algum tempo em projectos colectivos, iniciou no ano passado a sua carreira a solo com este álbum que escreveu, produziu e, claro interpretou. Agnes Obel começou por tocar piano, depois durante algum tempo interessou-se pelo baixo eléctrico em duas bandas por onde passou e com quem gravou. Não conheço esses discos e da primeira vez que a ouvi, o que logo me impressionou foi a sua voz, expressiva, contida, emocionante. O disco é de uma enorme simplicidade, tão simples que se arrisca a passar despercebido. Em muitas canções mal se notam arranjos, o piano e a voz de Obel criam um ambiente austero e muito elegante. Mesmo nas faixas em que existe uma discreta percussão ou subtis acordes de violoncelo, mantém-se essa simplicidade. Nada distrai das palavras, às vezes intensas e perturbadoras, nem da voz e das melodias. O disco propositadamente valoriza a natureza e a beleza de canções como Riverside,, Over The Hill, Philarmonics ou Wallflower. A única canção que não foi escrita por Agnes é Close Watch, um original de John cale que aqui tem uma versão invulgar e atraente. CD PIAS, via Amazon.


 


PROVAR – O Sushi Café ganhou fama e proveito de ser um bom restaurante de sushi nas Amoreiras e, de outra forma, num corner no Colombo. Agora resolveu abrir porta para a rua e inaugurou há poucas semanas um novo espaço, amplo, na Rua Barata Salgueiro 28. Vamos primeiro à decoração – como o ambiente conta, esta é uma área onde se percebe logo, desde o primeiro momento, que tudo está pensado para garantir um espaço confortável e agradável para os clientes, em termos de luzes, som e das formas escolhidas para traçar o percurso e amenizar as paredes. Mas como o que, de facto, é importante num restaurante é a oferta culinária, vamos a ela. Para além da boa selecção de sushis e sashimis, ou da leveza das massas das gyosas, já conhecidas das outras casas da mesma empresa, neste espaço mostram- se outros terrenos da comida japonesa ou da aplicação de técnicas japonesas a alguns pratos portugueses – exemplos são as boas propostas baseadas em bacalhau. Estas propostas novas na carta merecem exploração –nomeadamente a forma como são cozinhados e apresentados alguns peixes e também a diversidade de pratos de carne oferecidos. Nas sobremesas não resisto a fazer destaque para o gelado de gengibre, que na minha opinião vende o bolo de chocolate, talvez doce de mais e com um toque a caramelo que distrai do essencial. Decididamente a Rua Barata Salgueiro está a ficar um pólo de restaurantes a incluir em qualquer roteiro. Telefone 211 928 158.


 


BACK TO BASICS – Os mentirosos são sempre pródigos em juras (Corneille)

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publicado às 14:34


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