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ELOGIO - Hoje começo esta coluna a elogiar Jorge Coelho.  Na noite de terça-feira ele deu uma notável entrevista à RTP N na qual deixou uma série de recados importantes para dentro do PS – nomeadamente salientando que agora começa um novo ciclo, que terá novas metas e que obrigará o PS a reorganizar-se. Que diferença fazem estas palavras das ameaças veladas emitidas por Santos Silva à saída da posse do novo Governo ou, ainda, da permanente arrogância e pesporrência de Jorge Lacão, no mesmo dia, nas mesmas circunstâncias. Jorge Coelho falou do futuro e recomendou ao PS que pense no que fez e no quer agora fazer. Tenho admiração por homens que são capazes de se retirar como Jorge Coelho retirou, assumindo responsabilidades politicas e saindo de cena em circunstâncias tão graves como foi a queda da ponte em Entre Os Rios.


 


E, quero dizê-lo  (e perdoem-me os leitores o estilo confessional) tenho uma verdadeira e sincera admiração pelos homens e mulheres que aceitaram a responsabilidade de integrar este Governo nesta altura tão complicada, com um programa de acção em boa parte imposto de fora, mas que é provavelmente o estreito caminho que ainda nos pode levar a um futuro melhor. Espero que nesta legislatura se façam menos disparates, que não existam deputados a sonegar gravadores que registam perguntas incómodas de jornalistas, espero que haja responsabilidade, que haja atenção à realidade e, sobretudo, que exista menos arrogância e menos teimosia.


 


A actividade cívica e politica não pode ser entregue a um bando de carreiristas e oportunistas – é bom saber que existe quem saiu do seu conforto para tentar resolver os problemas, Eles estão num batalhão que já partiu para a frente de batalha. Têm o seu quê de guerrilheiros , têm coragem, merecem respeito e oportunidade para mostrar o que valem. Estou à vontade – não votei em quem venceu, pela primeira vez optei pelo CDS e divulguei-o em tempo oportuno. Mas espero que a solução que se encontrou permita uma governação equilibrada e sobretudo eficaz. Porque essa eficácia é a única coisa que nos permite pensar que existe uma oportunidade de vivermos, todos, num país melhor.


 


REGISTO - Uma coisa é certa – já se percebeu que Pedro Passos Coelho é adepto de experimentar, errar, avaliar, corrigir. Não é um método impossível, em politica, mas tem custos elevados e um prazo de validade relativamente curto. Começou a campanha eleitoral neste registo – com a indicação de Fernando Nobre para cabeça de lista pelo círculo de Lisboa – e começou a actividade Parlamentar arriscando – e sofrendo – uma derrota, exactamente pela persistência em manter Fernando Nobre. Algumas pessoas dizem que é sinal de carácter e de fidelidade aos compromissos. Aceito isso, mas também acho que há alguma dose de teimosia – e a teimosia em politica (e noutras coisas da vida), não é boa conselheira.


 


No entanto convém dizer que uma grande parte da responsabilidade do mau começo parlamentar da maioria tem a ver com a falta de carácter do próprio Fernando Nobre – um facto curioso porque foi baseado no seu suposto carácter que ele terá sido escolhido. No entanto o seu percurso, na política e na forma como organizou e dirigiu a AMI, não é o melhor indicador de um bom carácter. Sei que isto poderá chocar alguns, mas é o que penso. No mínimo criou demasiadas situações dúbias. Quando ele foi candidato, felizmente derrotado, às Presidenciais, escrevi que ele fez carreira à custa de um bom aproveitamento mediático do sofrimento alheio – e mais tarde quis prolongar esse aproveitamento na política e foi aí que se perdeu. Que as duas derrotas seguidas sofridas o façam pensar e corrigir a forma como se comporta.


 


SEMANADA – No fim de semana Fernando Nobre esteve com Paulo Portas, nesses dias terá feito contactos com pessoas próximas do PS e seus companheiros de outras lides; depois de todas estas conversas fez constar que teria possibilidades de ser eleito Presidente da Assembleia da República; dirigentes experientes do PSD acreditaram nele e vieram afirmá-lo e até Marcelo Rebelo de Sousa lhe vaticinou vitória. Segunda-feira foi a votos e tornou-se no primeiro candidato a Presidente da Assembleia da República a ser derrotado em duas votações seguidas. A sua expressão facial no momento do anúncio da segunda votação não escondeu a raiva.


 


Resta a dúvida: enganou ou foi enganado? Eu acho apenas que foi ingénuo e que a única coisa que lhe cabia, desde o dia em que foi eleito deputado, era desvincular o líder do PSD do acordo que terão feito. Aí teria dado prova de grandeza. Persistindo na ambição, acabou humilhado. E não ajudou quem, em má hora, o escolheu para deputado. A cara que fez quando percebeu o resultado de Assunção Esteves diz tudo sobre a sua pessoa. Felizmente está registada em fotografia, publicada na imprensa.


 


ARCO DA VELHA – Os gastos públicos ilegais quase triplicaram em 2010 face a 2009 – o Tribunal de Contas detectou quase 3 mil milhões de euros de despesa pública irregular.


 


CULTURA – Interessam-me mais os actos do que os símbolos. Em matéria de politica cultural o que sei é que nestes últimos anos tivemos muito simbolismo mas muito pouca obra. Tivemos um Ministério que fez menos que muitas Secretarias de Estado. O Ministério da Cultura teve titulares com menos poder ou capacidade politica do que muitos Directores-Gerais. Uma Secretaria de Estado da Cultura na dependência directa do Primeiro-Ministro tem maior peso politico e capacidade de interlocução com as áreas com que tem de se entender (Finanças, Negócios Estrangeiros, Turismo, Educação,, Economia, Audiovisual), do que um Ministério que é o último na lista das precedências do Estado.


 


Espero que Francisco José Viegas desempenhe bem o lugar, embora não resista a uma maldade: não é preciso muito para fazer melhor que Gabriela Canavilhas. Espero que a diferença seja sensível e que, sobretudo, tenha em conta as novas áreas da criatividade e não apenas o património, edificado ou editado.


 


LER – A Monocle de Julho tem a lista das 25 melhores cidades para viver. Lisboa lá está, ainda entre as cinco últimas. Lê-se o que a revista publica sobre Lisboa (e as notas que surgem sobre o país no site) e percebe-se que a Monocle é, quanto a Portugal, felizmente para nós, vítima de uma descriminação positiva que se constata na forma como os seus correspondentes engolem a propaganda dos poderes. Tenho alguma curiosidade em ver como esses correspondentes se adaptam à alteração política no país. O entrevistado português desta edição é o vereador Zé que não faz falta, muito elogiado por fazer corredores para bicicletas que não levam a lugar algum e só servem para enfeitar as ruas – basta ver o movimento que têm. Mas como diz o outro, mais vale que falem mentiras do que se esqueçam que existimos.


 


OUVIR – “Dois Lados” é o título de uma interessante colecção de música brasileira lançada pela Universal. Num dos discos estão as melhores interpretações de quem compôs as canções e, no outro, estão as melhore versões de quem interpretou canções desse compositor. Eu escolhi o disco de originais de Toquinho, que me é particularmente grato – ele é um dos grandes compositores brasileiros, experimentou novos arranjos e foi quem melhor soube traduzir em música os poemas de Vinicius de Moraes. O segundo disco tem versões de nomes como Chico Buarque, Quarteto em Cy com os MPB4, Trio Mocotó e Maria Bethania, entre vários outros. No caso de Toquinho, confesso, as suas versões originais, são as melhores interpretações, a todos os níveis.


 


PROVAR- Já que começou a nova legislatura não fica mal recomendar aos senhores deputados que, quando tiverem vontade de um bom bife, têm, mesmo ao pé do Parlamento, uma histórica e venerável instituição que dá pelo nome de Café de S. Bento., no 212 da rua com o mesmo nome. O serviço é atencioso e rápido, a qualquer hora até bem tarde, as batatas fritas são estonteantes e a carne é garantida. A não ser para apetites vorazes, o meio bife chega muito bem para saciar o apetite dos nossos eleitos. Se quiserem uma coisinha mais comedida podem escolher o prego do lombo, um a peça exemplar desse género tão português. Claro que correm o risco de ter por perto jornalistas e deputados de outras bancadas, mas isso faz parte do convívio democrático. Pormenor importante – a cerveja é de estalo. O telefone é 213 952 911.


 


 


BACK TO BASICS – Devemos sempre expor as nossas opiniões permitindo uma razoável dose de dúvida – Bertrand Russell

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publicado às 11:08


1 comentário

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De Carlos Pires a 27.06.2011 às 17:08

Realmente o Jorge Coelho é um modelo. O modo como foi para a Mota Engil e lá utiliza os seus contactos políticos, nomeadamente da altura em que foi ministro, é um modelo da promiscuidade entre o estado e interesses privados e privadissimos, que tanto contribuiu para o descalabro das contas públicas.

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