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Eu gosto de bicicletas, nada me move contra elas e são uma bela forma de passear, descontrair e fazer exercício físico. Mas as principais cidades portuguesas têm no entanto um incontornável obstáculo à utilização de bicicletas no dia-a-dia: nestas cidades, nomeadamente em Lisboa e no Porto, elas são apenas uma boa opção de transporte quotidiano, nos dias de trabalho, para especialistas em mountain-bike. Querer adoptar, para cidades cheias de subidas e descidas, onde grandes áreas planas são raras, a utilização regular e numericamente significativa de bicicletas é manifestação de falta de realismo.


 


Vem isto a propósito das célebres ciclovias promovidas em Lisboa pelo vereador Zé que não faz falta. Eu gostava de saber quanto já se gastou nestas ciclovias e gostava de ter um estudo isento sobre a sua utilização. Como se sabe a esmagadora maioria delas está construída em função de actividades de lazer. De um ponto de vista prático, de utilização dia a dia, as ciclovias não levam a lugar algum – e não têm que levar. Junto ao rio e em algumas áreas residenciais podem fazer sentido, mas fora disso compreendem-se mal. Por exemplo, a menos que a ideia seja divulgar as mountain-bikes em Portugal, não se entende a construção de uma ciclovia na íngreme subida pela Marquês da Fronteira acima.


 


Eu gostava de saber o impacte ambiental da construção destas ciclovias – nos materiais usados para as asfaltar, na maquinaria utilizada, e no caso concreto acima referido, no aumento da emissão de gases de escape nos intermináveis engarrafamentos que durante meses a sua construção implicou.


 


Em Londres, cidade plana, onde a autarquia implementou um interessante esquema de aluguer de bicicletas ao dia, e que funciona muito bem,  não existem ciclovias destas, antes uma faixa de circulação, assinalada por uma linha contínua, junto ao passeio e ao lado do corredor de Bus. Ou seja – soluções práticas e inteligentes, em vez de megalomania, desperdício e falta de realidade.

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publicado às 16:38


1 comentário

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De Anónimo a 01.07.2011 às 09:45

Não sou um utilizador habitual das ciclovias. Utilizo-as ao fim-de-semana nos tais passeios descontraídos de que o sr . Manuel Falcão (doravante MF ) fala, mas que me parece bem que nem nesse sentido as usa. E não sou porque morando em Lisboa e trabalhando em Oeiras não tenho ciclovias que me "sirvam".
A orografia lisboeta é uma falsa desculpa tantas vezes usada por todos aqueles que são contra a utilização do espaço lisboeta para qualquer outra coisa que não sejam veículos motorizados.
Não é necessário ter uma BTT de raiz para subir a Marquês de fronteira. Experimente fazê-lo com uma bicicleta urbana e verá como está enganado
O custo da construção da ciclovia é outra falsa desculpa, já que pelas suas características de pavimento, o valor por Km deverá ser inferior ao de igual extensão de estrada.
Lisboa precisa de uma verdadeira rede de ciclovias e não de troços isolados e que obrigam os seus utilizadores a confrontarem-se com os automobilistas que se consideram donos e senhores da estrada. Mesmo através da construção de troços que
E que tal se se insurgisse contra a necessidade de colocar separadores de betão nas ciclovias, que só servem apara impedir a falta de civismo dos automobilistas que se deleitam a desrespeitar a existência de tais espaços, aproveitando-os para circulação automóvel e\ou estacionamento.
E que tal Sr. . MF se se insurgisse contra a "plantação" (e "replantação" já que são arrancados por diversas vezes) de pilaretes que tentam impedir o estacionamento abusivo das viaturas automóveis nos passeios? Não será um desperdício de dinheiro? Não deveríamos acreditar que os automobilistas são seres cívicos que só ocupam o espaço que lhes é destinado? Não me parece que o resultado de tal atitude fosse dos melhores...
Muito se insurge contra o vereador José Sá Fernandes (doravante JSF ) ... Será porque este é das poucas pessoas que afronta os grandes interesses económicos instalados?
É um facto que foi graças ao JSF que o túnel do Marquês custou mais caro e demorou mais tempo a ser construído.
Mas foi também graças ao JSF que o referido túnel não tem circulação de camiões e tem a velocidade limitada. Tudo soluções que deveriam ter sido pensadas, em prol da segurança daqueles que por lá circulam, pelo equipa do Pedro Santana Lopes, evitando assim derrapagens em tempo e em dinheiro.
Sem duvida que o JSF incomoda muita gente. Mas ainda bem que existem pessoas como ele. Se o mundo estivesse entregue a pessoas como o MF não havia "rei nem roque". Os grandes interesses económicos faziam "gato sapato" de tudo o que nos rodeia.
O problema do MF é o mesmo de muitos dos portugueses. Só conseguem ver o mundo pelos óculos do partido que representam Enquanto não conseguirmos ultrapassar o "síndroma do partido" não chegamos a lado nenhum.
Temos de aprender a aproveitar as boas ideias, independentemente da cor politica de quem as teve.
E as ciclovias são uma muito boa ideia, não só do ponto de vista ambiental como do ponto de vista físico para quem as usa habitualmente.
Já agora MF veja com atenção as ciclovias de Londres, de Barcelona, etc. E não desculpe as suas teorias com orografias e custos de construção. Isso é conversa fiada que só serve para enganar os menos esclarecidos sobre o tema.

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