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CRISE – A crise é o que é e nasceu como todos sabemos. Mas mesmo assim seria curioso saber que notação seria dada à Moodys e a outras agências de rating pelo seu desempenho na avaliação dos riscos do subprime e de tudo o que se lhe seguiu. As agências de rating são um fruto do sistema e replicam os comportamentos especulativos alimentados pelo próprio sistema. Se o sistema não ganhar racionalidade, não serão certamente as agências de rating a implementar essa racionalidade, que em boa verdade é contrária à sua razão de ser. Mas também é escusado imputar todas as culpas da crise a organismos como essas agências, que na realidade funcionam mais como grupos de pressão do que como barómetros da realidade.


 


Gostava de deixar aqui uma nota. O foco no comportamento das agências de rating é certamente importante – mas não pode obscurecer nem desviar as atenções de uma outra coisa:  actualmente vivemos, sofrendo, o resultado dos disparates de uma geração de políticos deslumbrados que colocaram a Europa, e os negócios que ela proporcionou, à frente de Portugal. São os mesmos políticos que hoje se queixam que a Europa é mal governada porque já não são eles nem os seus contemporâneos que lá estão – e sobretudo não querem assumir que foram ingénuos ao acreditar que a Alemanha e a França seriam solidárias quando nunca o foram na História. A Europa, como hoje está, é fruto da forma como foi construída, para beneficiar a ambição da Alemanha e o posicionamento da França. O problema foi que por cá se espalhou a ideia de que seríamos os grandes beneficiários – sem ninguém verdadeiramente se ter preocupado em fazer bem as contas.


 


LISBOA – A gestão do espaço público em Lisboa começa a ser um caso de polícia. Já nem vou falar do despudor com que se aluga a Avenida da Liberdade a uma cadeia de supermercados. Vou-me limitar a falar sobre a forma arbitrária como se trata da questão das esplanadas. Aparentemente há critérios diferentes em vários pontos da cidade; os regulamentos, quando existem, são confusos e por vezes contraditórios; os tempos de resposta da Câmara, no pelouro do vereador Sá Fernandes, a pedidos e licenciamentos ultrapassam o razoável; há decisões que parecem persecutórias e baseadas em critérios pessoais.


 


O resultado de tudo isto é que o espaço público da cidade está transformado num caos onde nalguns sítios as esplanadas são apenas suporte publicitário a marcas de refrigerantes ou de cerveja, e noutros locais, onde até há cuidado com o mobiliário utilizado, tudo é proibido e dificultado. As coisas não estão a funcionar bem e há suspeitas, legítimas, de parcialidade ou perseguição na apreciação e nas decisões tomadas. O Presidente da Câmara de Lisboa faria bem em retirar a Sá Fernandes a gestão dos espaços públicos da cidade, antes que ele faça mais estragos e comece a provocar situações graves do ponto de vista da vida económica de Lisboa.


 


 


SEMANADA – A Moody’s desceu o rating de Portugal; a Moody’s desceu o rating de empresas e bancos portugueses; a Moody’s desceu o rating da Irlanda; os bons espíritos só se começaram a preocupar por essa Europa fora quando Espanha e Itália começaram a aparecer como potenciais futuros alvos; os dirigentes Europeus continuaram, após meses de degradação da situação, sem ser capazes de tomar uma posição política ou sequer de chegarem a um acordo sobre medidas conjuntas a tomar.


 


ARCO DA VELHA – O Provedor de Justiça recebeu desde 2009 até agora tantas queixas contra a EMEL como nos seis anos anteriores.


 


LER – Quem deve gerir uma empresa? Aqueles que sabem do produto que origina a facturação da empresa, ou aqueles que contam os feijões? A discussão é antiga mas é o tema central de um livro de Robert Lutz, « Car guys vs bean counters - the battle for the soul of american business». Lutz foi vice-presidente da General Motors, da Ford, da BMW e da Chrysler e esteve 47 anos na indústria automóvel, sempre com bons resultados. No livro defende a tese de que os contadores de feijões, oriundos dos MBA’s (sim, chama os bois pelos nomes…), estão apenas focados nos resultados de curto prazo, em vez de se preocuparem com o produto e os consumidores – e que a corrida à obtenção de resultados trimestrais está a destruir o tecido produtivo sem criar nada de valor. Lutz aponta Sillicon Valley como um local onde se criam empregos, se aumenta a produtividade e riqueza, exactamente porque o foco está na criação da relação entre os produtos desenvolvidos e os consumidores. E cita, a propósito, o caso da Apple, que há uns anos atrás ía sendo levada ao tapete quando foi gerida essencialmente por MBA’s e que foi salva com base na criação de novos produtos e na relação com os consumidores, os sagrados mandamentos de Steve Jobs. O livro pode ser polémico, mas nestes tempos em que toda a gente se queixa da falta de crescimento económico, tem a vantagem de voltar a colocar na ordem do dia a velha questão de saber quem pode melhor desenvolver o negócio.


 


 


VER – As galerias da Rua da Boavista 84 são um dos melhores locais de Lisboa onde, em matéria de arte, se podem vislumbrar pistas diversas para ver o mundo e a criação artística. Por estes dias a Plataforma Revólver espalhou-se por dois espaços do edifício Transboavista. No primeiro está a exposição «At The Edge Of Logic», que agrupa obras de sete artistas com utilizações muito diversas da fotografia, com destaque para Ania Dabrowska, Benjamin Baker, Rita Soromenho e Tess Hurrell. Um piso acima, no mesmo edifício, a fotografia é de novo o tema de «Quinze Ensaios», uma mostra de trabalhos realizados na primeira edição da pós graduação «Fotografia, projecto e arte contemporânea», de alunos do Instituto Superior de Estudos Politécnicos. São trabalhos estimulantes, com destaque para Cátia Mingote, Cláudia Rita Oliveira, Jorge Gonçalves e Diogo Simões. Finalmente este ciclo de exposições tem o ponto alto, na VPF Creamarte, com uma instalação de Gustavo Sumpta, «Um Sopro na Valeta», que é um trabalho verdadeiramente surpreendente, intimamente ligado com os tempos que vivemos e com a imposição de normas cada vez mais apertadas.


 


OUVIR – A ideia de partida era arriscada: Aldina Duarte pediu a uma série de autores, como Manuela de Freitas, Maria do Rosário Pedreira, José Mário Branco e José Luis Gordo, para construírem letras escritas a partir de obras literárias, mas que obedecessem á métrica e à rima das estruturas poéticas das melodias do fado tradicional.  Aldina Duarte, que também se meteu à escrita, seleccionou as melodias para as letras entretanto criadas a partir de obras de Eurípedes, Tennesse Williams, Herman Hesse ou Eugene O’Neill, para citar apenas algumas das inspirações. O resultado é que nasceram alguns belos novos fados e permito-me destacar «Fogo Sem Fumo», de José Mário Branco e «Ainda Mais Triste», de Manuela de Freitas. Desde 2008 que Aldina Duarte não gravava e este CD «Contos de Fado» mostra uma voz mais segura e contida, exemplarmente sóbria numa época em que, nos mais recentes discos de fado, abunda a exuberância excessiva e desnecessária.



PROVAR – Finalmente fui experimentar o Darwin Café, o restaurante da Fundação Champallimaud, junto ao rio, antes da antiga Docapesca. Este é um daqueles locais que começa por se comer com os olhos - a arquitectura do edifício, a forma como se relaciona com o rio e com a Torre de Belém, mas também a arquitectura da sala, com o pé direito imponente e a luminosidade ribeirinha. A sala é confortável e ampla, a decoração é inspirada – desde os candeeiros às paredes falsas. Uma vez bem sentados (desde que tenha sido feita reserva atempada), passamos à comida. Nada é excepcional, mas tudo pareceu bem – nomeadamente o lombo de bacalhau fresco em crosta de broa e os tentáculos de polvo com échalottes. Nos doces a torta de cenoura com gengibre estava acima da média. A carta de vinhos é puxadota no preço, nalguns casos de forma desproporcionada. O serviço é hesitante, às vezes distraído, mas o local é tão agradável e confortável que o sofrimento é minorado. Tel. 210 480 222


 


BACK TO BASICS – Neste mundo circulam muitas mentiras, mas o pior de tudo é que metade delas são de facto verdades – Winston Churchill

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