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FIADO - Todos os dias aparecem nos jornais relatos de dívidas acumuladas em todo o género de organismos públicos – da saúde à segurança, passando pelos próprios serviços centrais dos ministérios. Ao longo dos últimos anos é como se alguém se tivesse esquecido de fazer contas ou, então, tivesse decidido passar a viver fiado.  Esta estranha forma de vida depressa passou do Estado para a sociedade e o resultado está à vista. Wimpy, uma personagem das histórias de Popey, parece ter sido o inspirador da maneira de viver do Estado nos últimos anos. Uma das frases preferidas de Wimpy era : terei todo o prazer em te pagar para a semana o hambúrguer que quero comer hoje. Tirar o síndroma Wimpy da vida portuguesa, e sobretudo do Estado, vai demorar tempo mas é fundamental. Popey comia espinafres para ficar mais forte – reduzir custos no Estado todos os dias é a dose de espinafres que se recomenda ao Governo.


 


MEMÓRIA - Acho muita graça a todos os que agora aparecem cheios de pruridos em relação à Caixa Geral de Depósitos. Não me recordo de ver esses notáveis críticos de hoje muito preocupados quando a Caixa tinha Armando Vara como figura de destaque, quando a CGD financiou especuladores bolsistas, quando financiou o ataque ao BCP – para onde Santos Ferreira, então presidente da Caixa, havia de transitar, ou quando se meteu como parceira financeira de negócios mais que privados. No tempo da especulação andaram muito caladinhos, agora que se prepara o arrumar da casa apareceram logo aos gritinhos.


 


FIDELIDADES - Uma coisa extraordinária nestas recentes eleições do PS é a forma como nenhum dos candidatos ousou sequer fazer o balanço da última década do partido a cuja liderança ambicionavam ascender. De Seguro e Assis não ouvi uma palavra sobre Sócrates. Apesar das loas tecidas ao anterior Primeiro Ministro e ao seu estilo de governação no último congresso do PS, não ouvi nenhum dos candidatos a líder proclamar-se como sucessor de José Sócrates. Não ouvi nenhum dos candidatos elogiar nada do que o anterior chefe do governo tenha feito. Não ouvi nenhum dizer que quereria retomar o seu projecto para Portugal – aliás não ouvi nenhum falar de qualquer projecto que não fosse fazer oposição. Mas já ouvi, esta semana, depois de ser eleito, António José Seguro a atacar as medidas do Governo e a distanciar-se dos planos de austeridade. Pareceu-me um discurso muito parecido com os momentos de desvario, afastados da realidade , a que Sócrates nos habituou. E é sempre curioso verificar como Seguro opta por nada dizer do que Sócrates fez e estar já todo entusiasmado a atacar o que se começa a fazer. Seguro vai mostrando como prefere a politiquice à política. Nada que me espante.


 


FACILIDADES - Um dos mistérios do processo da recomposição do mapa das freguesias de Lisboa é descobrir como é que António Costa se conseguiu entender com a distrital do PSD de Lisboa, mas não conseguiu um entendimento com os seus camaradas de partido, de Loures, para a criação da necessária freguesia da Expo. Será que não a acha necessária ou esqueceu-se que aqueles que lá vivem, na sua maioria, são lisboetas que votam aqui? Tenho para mim que há uma explicação – mais vale uma negociata partidária debaixo da mesa do que uma discussão séria sobre matérias importantes. 


 


ARCO DA VELHA – Alfredo Barroso, muito enfastiado e aborrecido, considerando-se ofendido por não ser tratado por «Dr.» num debate televisivo.


 


VER – Muito interessante a exposição «New World Parkville» de Margarida Correia, que estará até 18 de Setembro no Museu da Electricidade. Através de fotografias e objectos Margarida Correia revisita a comunidade portuguesa em Parkville, Hartford,  no Connecticut. O projecto começou em 2009 como um projecto de arte pública encomendado pela Real Art Ways, uma organização alternativa de artes de Hartford. Margarida Correia mergulhou na comunidade emigrante portuguesa, fotografou-a, recolheu objectos, copiou documentos e no fim deteve-se em algumas figuras marcantes, como o locutor de uma rádio local, Manuel Gaspar, ou o filho da fadista Maria Alves. A fotografia é neste projecto apenas um parte dos meios utilizados para retratar a memória desta comunidade, numa exposição que, no fundo, mostra um dos lados da saudade.


 


LER – Quem financiou o ataque às Torres Gémeas de Nova York? A revista «Vanity Fair» de Agosto dedica 13 páginas ao assunto e explora detalhadamente as várias possibilidades, na pré-publicação do livro «The Eleventh Day» de Anthony Summers e Robbyn Swan. Os autores falam dos estados árabes que ao longo dos anos foram dando dinheiro a Bin Laden, e revelam que um relatório de 28 páginas da comissão de inquérito do senado continua a ter partes censuradas e secretas, dez anos depois do atentado. Já para não falar dos expedientes da casa Branca, nessa altura habitada por George Bush, para afastar algumas provas levantadas pelos investigadores.


 


OUVIR – Neste caso a melhor palavra seria OUVER – porque o destaque desta semana vai para um DVD que agrupa o melhor das três históricas exibições de Elvis Presley, em 1956 e 57, no célebre programa de televisão norte-americano «The Ed Sullivan Show». Foi aí que Elvis passou a ser um fenómeno – no primeiro dos programas de Ed Sullivan em que apareceu Elvis teve uma audiência de 80% do total dos espectadores, aproximadamente um em cada três americanos seguiu a apresentação. Transmitido no Domingo à noite o programa era destinado às famílias –e a sensualidade de Elvis chocou puritanos e ganhou-lhe o reconhecimento de toda uma geração. Um mês e pouco depois, a 28 de Outubro, repetiu a dose e mostrou como as suas ancas se moviam, ao som de «Hound Dog». Rebentou a escala das audiências e nos Estados mais conservadores queimaram-se retratos de Elvis. A sua derradeira presença no «The Ed Sullivan Show» foi a 6 de Janeiro de 1957 e o realizador teve o cuidado de filmar Elvis Presley apenas da cintura para cima – só não contou com os trejeitos que ele fez com a boca. «Elvis – The Ed Sullivan Show Classic Performances» agrupa ainda imagens inéditas de uma das primeiras actuações do cantor em 1955 e alguns filmes que o mostram, anos depois, com Priscilla e vários amigos.


ound Dog ou Heartbreak HotelH


 


NAVEGAR – Já imaginou o que é estar na praia, num belo banho de mar, e passar ao pé de si um carrinho de gelados anfíbio? Naqueles dias de muito calor nada como um magnum sem ter que ir ao areal, não é? Se folhearem a mais deliciosa revista portuguesa online – www.magneticamagazine.com – poderão ler o especial sobre gelados e esta geladaria anfíbia.


 


PROVAR – Numa destas noites de Agosto vale a pena ir ao Faz Gostos, o restaurante que Duval Pestana fez em Lisboa para mostrar o que é a melhor cozinha do Algarve. Baseado em peixe e mariscos fresquíssimos, o Faz Gostos, nesta época do Verão, só funciona aos jantares. Se  gostam de frituras de peixe, experimentem os filetes de peixe galo com arroz de amêijoas e peixinhos da horta, ou as lasquinhas de pescada com açorda, uma verdadeira especialidade. Nas entradas deixem-se levar por um cone de massa folhada finíssima recheado de sapateira fresca e, na sobremesa, experimentem o semi frio de alfarroba. Seguramente este é hoje em dia dos melhores sítios em Lisboa para comer bom peixe muito bem cozinhado. Serviço eficaz, sala muito confortável e bonita. Rua Nova da Trindade nº11 (frente à Cervejaria Trindade), telefone 213 472 249


 


BACK TO BASICS – Só podemos realmente ter opiniões imparciais quando se trata de coisas que não nos interessam – Oscar Wilde


 


(Publicado no Jornal de Negócios de 29 de Julho)


 

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publicado às 14:10


1 comentário

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De puta que te pariu a 01.08.2011 às 17:38

tens o d estampado na testa cabrão.

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