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THRILLER – Nem Dan Brown se lembraria de uma história que consegue juntar uma guerra pessoal entre os donos de dois grupos de media, os serviços secretos e a maçonaria ,  numa teia de interesses, favores e ligações pouco claras com áreas do programa do Governo, como a privatização da RTP, em pano de fundo. Acresce que pelo meio existe uma campanha lançada no twitter, com autores desconhecidos (mas que deixaram rasto), e que atacava uma das partes – Balsemão e a Impresa -  e defendia a outra – a Ongoing e Silva Carvalho, como relatou esta semana Luis Paixão Martins na edição online da Briefing. Nunca a silly season tinha tido uma produção deste calibre.


 


DINHEIRINHO  – Vale a pena lembrar qual foi a actuação do regulador, o Banco de Portugal, quando se percebeu, há uns anos atrás, que o BPN estava com problemas: assobiou para o ar e deixou o poder político fazer o que lhe convinha, como antes tinha fechado os olhos a todas as irregularidades que levaram o Banco à situação em que ficou. Os responsáveis directos continuam por julgar, mas as suas acções já custaram milhões aos contribuintes portugueses. E quem andou a fechar os olhos ao que faziam, como sempre acontece em Portugal, foi premiado com sinecuras no estrangeiro. O custo final do BPN, pago por todos os portugueses, serviria para o Estado pagar o que deve – uma dívida que está a asfixiar a economia e que é um dos mais sérios problemas, sobre o qual, infelizmente, não se vê serem tomadas medidas. Neste assunto há infelizmente dois pesos e duas medidas: ao BPN o Estado pagou logo e aparentemente vai pagar mais agora; mas os atrasos das transferências do Estado para empresas, organismos e instituições continuam, e estão a ter repercussões terríveis.


 


SEMANADA- As falências de empresas portuguesas cresceram 71% no 2º trimestre, ultrapassando a barreira das 2000 nesse período; O BPN foi vendido por um valor que significa aproximadamente 250.000 euros por cada balcão; o Ministro da Economia foi ao Parlamento apontar objectivos mas esqueceu-se de dizer como tencionava atingi-los; não há crise no futebol: Porto, Benfica  e Sporting já gastaram mais de 80 milhões de euros em novos jogadores; os 500 primeiros exemplares do Zé Povinho a fazer um manguito à Moody’s, vendidos a 33 euros cada, esgotaram em uma semana, caso para dizer que as Faianças Bordallo Pinheiro merecem uma subida de notação.


 


CRISE – A novidade da semana é que Obama já não empolga. Bem se esforçou por mobilizar e agitar os seus concidadãos por causa da questão do tecto da dívida norte-americana, mas já não conseguiu e teve que se contentar com a velha política para resolver o problema. Nisto os Estados Unidos e a Europa estão no mesmo barco: liderança fraca, ausência de rumo, falta de criatividade, conformismo resignado.


 


PERGUNTINHA – Agora que já se percebeu que o Tratado de Lisboa foi rasgado aos bocadinhos recordem-me lá em quanto ficou a brincadeira e recordem-me a quem é que o Governo de Sócrates adjudicou as principais fatias da despesa.


 


ARCO DA VELHA – A próxima série do programa «Peso Pesado» já tem 15.000 inscritos.


 


AGENDA – O Festival dos Oceanos conseguiu convencer uma série de instituições lisboetas a, até 11 de Agosto, fazerem noitada. E assim uma trintena de locais como o MUDE, o Museu Colecção Berardo, o Museu do Oriente, O Museu das Marionetas, o Museu nacional de Arte Antiga, o Museu dos Coches e os Jerónimos, o Museu do Azulejo, o Museu do Fado e até o Museu Maçónico, estarão abertos aos visitantes até às 24h00. Todas as informações em www.festivaldosoceanos.com .


 


VER – Até 25 de Setembro o Museu Nacional de Arte Antiga apresenta a exposição «Confrontos: Bosch e o seu Círculo», que coloca o Tríptico das Tentações de Santo Antão, da colecção do MNAA, em confronto com o Tríptico do Juízo Final e o Tríptico das Provações de Job, ambos da colecção do museu de Bruges. A exposição debruça-se sobre as variantes e os traços comuns de processo criativo destes trípticos, com recurso também a exames laboratoriais. É a primeira vez que se juntam, em Portugal, três grandes pinturas de Bosch e do seu círculo, pretexto para uma viagem pelo universo fantástico destas obras do século XVI.


 


LER – Muito boa a edição da revista «Egoísta» de Junho. O tema é o traço que, como bem diz Mário Assis Ferreira, o seu Director, «pode ser um embrião da arte, a hesitação de um gesto um desvendar da alma». Gostei muito dos traços de João Loureiro, de Luis Alves, de Marco Mendes e Rute Reimão e muitíssimo dos de Ricardo Cabral. A revista tem também traços de nomes como Júlio Pomar, Malangatana, Joana Vasconcelos e Henrique Cayatte e surpresas traçadas por José Eduardo Agualusa – além de uma história desenhada por Rodrigo Prazeres Saias. É uma revista quase sem palavras e que usa bem as poucas que imprimiu, como esta frase de Millôr Fernandes, que está logo na primeira página: «Viver é desenhar sem borracha».


 


OUVIR – Henry Mancini foi um dos grandes compositores de bandas sonoras para filmes e séries de televisão, alguém que verdadeiramente lhes deu outro significado. Com Johnny Mercer fez canções como «Days Of Wine And Roses», «Charade» ou «Moon River» ou temas instrumentais como «The Pink Panther», «Peter Gunn», «Dreamsville» ou «Soldier In The Rain». Em 1964 Quincy Jones, então ainda um jovem músico, com 31 anos, juntou a sua banda e pegou nestes e noutros temas, fez novos arranjos e transformou por completo algumas das composições de Mancini. Fê-lo de uma forma brilhante, com o seu enorme  talento criativo concentrado em reinventar o que já era conhecido. O resultado é empolgante, deste a forma como introduziu um inesperado swing em «Moon River», até à maneira como aumenta o ritmo de «Charade» ou à forma divertida e contagiante como passa por «Pink Panther». A Verve/Universal pegou no disco original «Quincy Jones explores the music of Henry Mancini» e voltou a colocá-lo no mercado.


 


PROVAR – A Cantina LX é um bom porto onde rumar nestas noites estivais em Lisboa. Despretencioso e com comida honesta, com um serviço simpático, instalações amplas e confortáveis, é o local ideal para um jantar de amigos – de meia dúzia até duas dezenas sempre se arranja espaço, sem apertões. Na mesa hão-de estar boas azeitonas temperadas, pão fresco mas que pelo sabor parece dos tempos antigos, um prato de vários enchidos assados e uns queijinhos saborosos. A lista tem muitas possibilidades, as propostas do dia são sempre de ter em conta, mas se apanhar asa de raia não hesite. Nos pratos mais ou menos fixos as bochechas de porco preto e as almofadinhas de bacalhau com arroz de amêijoas são escolhas seguras. O vinho da casa apresenta-se bem, mas há uma lista de opções a preços módicos. Dificilmente a conta passará dos 20 euros. A Cantina LX fica em Alcântara, logo à entrada da LX Factory, do lado esquerdo e está aberta de terça a sábado. Aceita reservas no telefone 213 628 238.


 


BACK TO BASICS – A única maneira segura de prever o futuro é inventá-lo (Alan Kay)


 


(Publicado no Jornal de Negócios de 5 de Agosto)


 


 


 

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publicado às 11:28



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