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Televisões, Espiões, Sugestões

por falcao, em 05.09.11

TELEVISÃO – Quem segue os números de audiência da televisão deverá ter estranhado o súbito aumento de espectadores do universo dos canais exclusivamente de assinatura e a diminuição dos canais abertos, generalistas – RTP1 e 2, SIC e TVI. Não há grande mistério – o que aconteceu foi que o painel de audiometria começou a reflectir, desde o início do segundo semestre, a verdadeira proporção do que é a distribuição do sinal de televisão em Portugal. Efectivamente, já menos de metade dos lares acede à distribuição do sinal de televisão por antena, e a maioria utiliza cabo, satélite ou outras tecnologias de distribuição.


Os números actuais estão certamente mais próximos da realidade do que os anteriores. Na realidade, na maioria da população, os três canais generalistas comerciais concorrem com dezenas de canais das mais diversas áreas – notícias, infantis, séries, cinema, desportivos, documentários, etc. O que tem acontecido é que, desde que foram introduzidas estas alterações no painel de audiometria, o Cabo tem andado perto dos 30% de audiência, na maior parte das vezes à frente de qualquer dos canais de sinal aberto. Por exemplo, na semana passada, o Cabo registou 31% de audiência, a TVI teve 22,4, a SIC 21,4% e a RTP 20,1%. Claro que estes números preocupam os canais comerciais de sinal aberto, já que o seu impacte na captação de investimento publicitário é imediato – desde o princípio do ano os canais de sinal aberto têm vindo a perder algum investimento precisamente para os canais de cabo. E, nos canais de cabo o líder de audiências é a SIC Notícias. Na semana passada o segundo lugar ía para o Disney Channel, seguido do Hollywood, o Panda, o Fox, depois a Sport TV e a seguir o AXN. A RTP N só aparece em nono lugar e a TVI 24 em 11º. E quanto mais rigoroso for o sistema de audiometria, com a introdução de novas tecnologias de recolha de dados, mais se acentuará este fosso. É um caminho sem retorno.


 


ESPIÕES – Quando os espiões são notícia, alguma coisa vai mal. Quando um país tem serviços secretos que criam a imagem de servir mais para negócios privados que para outra coisa qualquer, está criada a confusão. Mas, quando as ilegalidades que os espiões cometem são tornadas públicas alguma coisa começa a ir bem. Percebe-se agora que os serviços secretos andam em roda livre, que o controlo sobre a sua actividade é virtual, que ilegalidades são cometidas e escondidas. Na prática percebeu-se que o Estado tem sido conivente com estas situações, que há dois pesos e duas medidas. Era bom que esta investigação não terminasse sem culpados – porque caso contrário quem perde é o regime, que se torna permissivo e conivente com ilegalidades. Tudo se passa como se o Estado se tivesse distraído e resolvesse deixar de funcionar.


 


IMPOSTOS - À medida que os aumentos se começam a fazer sentir percebe-se que as receitas que se esperavam não se cumprem. O aumento do IVA provoca uma diminuição do consumo, nas SCUT com pagamento já em vigor diminuíu o número de veículos, no estacionamento em Lisboa as novas tarifas mais altas geram receitas mais baixas. Há um ponto a partir do qual os consumidores dizem basta. E as receitas que se esperavam ver crescer arriscam-se a ficar abaixo das que existiam anteriormente. Estes aumentos agravam o problema em vez de o resolverem – com uma outra consequência – afectam toda a cadeia da produção e distribuição de bens, terão provavelmente reflexos na perca de mais postos de trabalho e na deterioração da situação económica de vários sectores. Esta semana, no Público, João Carlos Espada escreveu um belo artigo sob o título  "Impostos e Criação de Riqueza", que bem merece ser lido por quem anda com algumas ideias peregrinas no ar e por quem encontra sempre a mesma solução fácil: mais impostos. Excerto: «Não são os impostos a fonte primordial de melhoria da condição de vida do maior número. A riqueza da Europa e do Ocidente - que ainda hoje merece admiração no resto do mundo - não foi produto da redistribuição da riqueza dos ricos para os pobres através dos impostos. Foi produto da criação de riqueza num ambiente de liberdade económica, em regra associada a impostos baixos, justiça célere, e, sobretudo, à ausência de barreiras à entrada de novos competidores. Esta verdade elementar foi precocemente observada por Adam Smith, já em 1776. E foi mais facilmente corroborada depois disso.»


 


SEMANADA – Em dez semanas de governação o Governo criou onze grupos de trabalho; desde Janeiro faliram 2917 empresas; quase duas dezenas de figuras públicas de vários sectores confessaram ao “Diário de Notícias” que suspeitam estar sob escuta telefónica; na Liga, em nove pontos possíveis, o Sporting só somou dois e continua a achar que a solução é comprar mais jogadores.


 


ARCO DA VELHA – O suspeito de ter sequestrado e violado durante três dias uma turista italiana em Lisboa foi identificado pela polícia, levado a tribunal e solto com a obrigação de se apresentar na esquadra de quinze em quinze dias; deu morada falsa e nunca mais apareceu. Isto é um Estado de Direito?


 


VER – Três razões para ver o site www.artecpital.net: o artigo sobre a exposição dos candidatos ao prémio EDP Novos Artistas 2011, outro sobre a exposição de Pedro Portugal no Gabinete da Politécnica e sobretudo o artigo de Augusto M Seabra sobre a obra de arte na era digital. Muito interessante também o vídeo que explica – e mostra – o processo de trabalho de José Roca, o curador-geral da 8ª Bienal do Mercosul e o artigo sobre a exposição de João Penalva no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian. Mas há outros bons motivos de leitura e navegação neste site dedicado à arte contemporânea.


 


LER – A Vanity Fair deste mês tem Jennifer Lopez na capa, com um porfolio fotografado por Mario Testino. Mas além disso tem um belo artigo de Michael Lewis sobre como a Alemanha domina a Europa. Na mesma edição Annie Leibowitz fotografa o pintor John Currin e Jean Stein usa as fotos de William Eggleston num belíssimo artigo sobre o ambiente que se vivia no célebre clube Tropicana, em Havana, poucos meses antes de Fidel castro ter tomado o poder. Outro tema interessante abordado pela revista é o relato dos ataques de hackers chineses a segredos norte-americanos.


 


OUVIR – Em 1964 Count Basie e a sua orquestra fecharam-se em estúdio e gravaram Basie Land, um álbum de 10 temas compostos e orquestrados por Billy Byers. Na verdade Count Basie decidiu nessa altura refrescar o som da banda e entregou a direcção de todo o projecto a Byers – que se saíu bem da experiência, conseguindo transmitir uma energia e uma profundidade musical diferente do que acontecia até aí – os temas “Basie Land”, “Rabble Rouser” e “Gymnastics” são bom exemplo disso mesmo. Destaque ainda para “Sassie”, um blues em  homenagem a Sarah Vaughan. O disco ainda hoje alimenta alguma polémica entre os fãs do estilo tradicional de Count Basie, que olharam com desconfiança para a lufada de ar fresco que Byers imprimiu á gravação. O disco foi agora reeditado, na série Verve Orinals, pela Universal. Como diria John Lennon num célebre álbum dos Beatles, «A splendid time is guaranteed for all».


ound Dog ou Heartbreak HotelH


 


PROVAR – Alguns inocentes acham que o peixe chamado anchova se resume à tirinha deliciosa que vem acondicionada dentro de caixas de conservas – e em Portugal temos vários bons fabricantes. Eu gosto muito de conserva de filetes de anchova, mas gosto ainda mais da anchova fresca, grelhada, sem condimentos, simples e deliciosa. A anchova, da família do biqueirão, mas maior, é um peixe de sabor especial. Quem nunca o experimentou fresco nem sabe o que está a perder. Em Lisboa é difícil de encontrar mas no Algarve encontra-se com alguma paciência – embora seja um daqueles peixes a que dantes ninguém ligava e que agora toda a gente quer. Este ano deliciei-me com uma anchova muito bem grelhada – escalada mas sem estar queimada – no Restaurante Pedro, em Cabanas de Tavira. Se estiver pelo Algarve vale a pena ligar para lá e saber se têm anchova – reserve, se houver. O telefone é o 281 370 425 e a morada é Rua Capitão Batista Marçal 51, no sítio onde a marginal de Cabanas bifurca.


 


BACK TO BASICS – A força dos governos é inversamente proporcional ao peso dos impostos -  Guy de Girardin.


 


 


 


 


 


 


 


 


 


(Publicado No Jornal de Negócios de 2 de Setembro) 

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