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Coisas que funcionam bem

por falcao, em 16.09.11

AVISO – Dedico a coluna desta semana a boas ideias, coisas bem sucedidas, exemplos a seguir – um modesto contributo para gerar um pouco de optimismo, mostrando que existe quem reaja e faça coisas, quem não fique de braços cruzados a lamentar-se. Esta semana estive num debate no Instituto Superior Autónomo de Estudos Politécnicos, sobre os problemas que existem na ligação entre o ensino e as empresas, e a maioria dos participantes apontou como principais questões a falta de desenvolvimento de espírito empreendedor e a ideia generalizada de que um diploma deve gerar automaticamente um emprego. A ideia de que a sociedade deve providenciar tudo foi uma curta ilusão nascida no pós-guerra, nos anos 50, e que se começou a desmoronar menos de 50 anos depois. É escusado pensarmos que a sociedade vai fazer alguma coisa por nós, se não nos esforçarmos por fazer alguma coisa pela sociedade. A melhor coisa que podemos fazer a nós próprios é esforçarmo-nos por conseguir acrescentar valor da forma que pudermos. É de casos destes que hoje vou tentar falar.


 


 POLÍTICA - A Universidade de Verão do PSD é um caso raro na política nacional e, este ano, de lá saíram interessantes declarações de vários dos oradores convidados, de vários quadrantes políticos, aliás. De uma forma geral, ano após ano, a Universidade de Verão do PSD tem sido mais interessante que qualquer congresso partidário, tem feito mais debate e criado mais formação entre jovens aspirantes a uma participação cívica que qualquer outra iniciativa. O seu grande impulsionador tem sido Carlos Coelho, deputado social-democrata, que ano após ano tem criado, durante uma semana, um espaço de debate, de experimentação e de troca de experiências – num país onde estas actividades em, matéria de política, são quase um deserto. Interrogo-me aliás se a chamada “rentrée” política do PSD não devia passar a ter a Universidade de Verão como referência, em vez do decadente jantar do Pontal.


 


LER – A Magnética Magazine é uma publicação digital que já vai no seu número 34. Em termos de uma revista exclusivamente digital é um produto particularmente bem cuidado do ponto de vista de conteúdos, nos textos e nas fotografias, e também no design gráfico. Esta iniciativa, que tem um sustentáculo em publicidade na área da moda, é fruto de uma equipa de cerca de 30 colaboradores, das mais diversas áreas, dirigida por Bruno Pereira. É um exemplo de uma equipa que procura fazer coisas diferentes, escolhe temas interessantes, estimula a curiosidade dos leitores e presta informações úteis através de um site com actualizações regulares de agenda. A edição de Setembro é dedicada ao Oriente e tem como destaque um trabalho com Bi Feiyu, um escritor chinês, autor do livro «Three Sisters», galardoado com o Man Asia Literary Prize de 2010.  Estranho? – Não, revelador de que se pode sempre descobrir algo de novo para mostrar. Comunicação é isto mesmo, não é?


 


VER - Luiz Carvalho é um dos jornalistas que há uns meses, num processo de redução de quadros, saíu do Expresso. Não cruzou os braços, começou a fazer workshops onde ensina técnicas de fotojornalismo e, ao mesmo tempo, foi desenvolvendo uma actividade de freelancer. Durante o Verão, Luiz Carvalho publicou no «Expresso», com quem mantém uma boa relação, uma série de reportagens com o título genérico «Portugueses» (revisitando um trabalho que já tinha sido feito sob a forma de livro em 1985). 26 anos depois Luiz Carvalho foi à procura destes novos Portugueses e encontrou 18, das mais diversas profissões, que por uma razão ou por outra tinham uma história para contar. Na revista «Única» publicou as fotos e um texto baseado no depoimento dos entrevistados e a versão iPad do semanário lá tinha também uma versão com filme. E nos últimos dias a SIC Notícias tem passado esses pequenos filmes, que são a extensão audiovisual das reportagens que o Expresso publicou. Têm entre 2 e 4 minutos cada. Tudo – fotografia, recolha do depoimento, filme -  foi feito por Luiz Carvalho, sozinho, e com uma mesma máquina, a Canon 7D. A pós produção vídeo também foi feita por ele no iMovie da Apple, um programa simples e eficiente residente nos computadores da marca. Trata-se talvez do primeiro trabalho desta envergadura feito por um único jornalista multimédia em Portugal. O resultado é um trabalho com qualidade narrativa e técnica, pensado e feito em multiplataforma, com recurso a materiais acessíveis. Um exemplo, em suma.


 


OUVIR – Trabalhei alguns anos no jornalismo musical e na indústria discográfica. Habituei-me a pensar que quando a crise espreita surgem as grandes oportunidades para os independentes. Nestas ocasiões as editoras independentes, ágeis, criativas, entusiastas, ganham uma vida especial na descoberta de talentos e na apresentação de trabalhos que doutra forma talvez ficassem desconhecidos. Tem graça que a música popular contemporânea é das actividades onde felizmente não há subsídios do Estado e onde eles não são, por via de regra, solicitados. Até aí a independência dá outro sabor às coisas. Vem isto a propósito de um grupo que se chama Rose Blanket, um projecto musical que gira à volta de Miguel Dias desde 2003. O seu novo disco, o terceiro, chama-se « Nothing Ahead/Nothing Behind» e  é um duplo CD, editado de forma independente, e as gravações decorreram entre Dezembro de 2008 e Fevereiro de 2011, entre Barcelos e Lisboa. O projecto envolve vários outros músicos portugueses, a voz inesperada e magnífica de Filipa Caetano e duas cantoras norte-americanas, Jennifer Charles (dos Elysian Fields) e Dana Schechter (Bee and Flower, colaborações em American Music Club). O resultado é fruto de um processo criativo feito da experimentação, repetição, correcção, às vezes obsessivo, mas surpreendentemente envolvente. «Feel My Way Around» é o nome da canção que serviu de base para o vídeo, realizado por Joana Linda (vencedora do Shortcutz Maio de Lisboa com a curta metragem «Boudoir») e que pode ser visto no site www.roseblanket.net. Moral da história: vários músicos, várias cantoras, um disco editado, um vídeo feito, uma série de espectáculos que vão surgir – tudo feito de forma independente, com determinação e paixão. É isto que torna o universo da música popular tão atraente.


 


VISITAR – Todos sabemos como as empresas públicas de transporte vivem em situação deficitária. Pois a MOP, concessionária da publicidade no Metro de Lisboa, propôs à empresa a possibilidade de, nalgumas estações, associar o nome pelo qual são conhecidas, e que depende da sua localização, a um patrocinador. Chama-se a isto, em termos publicitários, «naming rights», uma acção utilizada numa série de situações por esse mundo fora, com satisfação para todas as partes envolvidas – as empresas detentoras dos espaços (que recebem dinheiro) e as patrocinadoras (que ganham notoriedade). No caso do Metro a operação foi pensada com cuidado, para não ser intrusiva, nem na estação, nem nos utilizadores, nem sequer no design das novas placas que associam o nome da estação Baixa –Chiado ao patrocinador PT. A arquitectura da estação, desenhada por Siza Vieira, impunha ela própria limitações à forma de intervenção do patrocinador. A solução encontrada pela PT foi inteligente e esteticamente conseguida, graças também à facilidade com que trabalha com novas tecnologias. Usando projecções de imagem e de luz em vários pontos da estação e sempre com recurso ao azul que é a cor identificadora da marca PT, prestam-se uma série de informações úteis aos utilizadores do Metro, mas também se propõem, no próprio espaço da estação, uma série de performances e actuações, num conjunto de actividades idealizado e programado, neste mês, pelo artista Vasco Araújo – outros se lhe seguirão nos meses seguintes. A estação ficou mais rica em animação, em informação e o Metro com mais dinheiro para a manter operacional.


ARCO DA VELHA - Se Portugal tivesse uma lei de responsabilidade fiscal que punisse os violadores das leis orçamentais com a não reelegibilidade durante 10 anos muita coisa tinha sido diferente, no continente e nas ilhas, nestas últimas duas décadas. Como afirmou esta semana Silva Lopes, precisamos de penalizações para políticos que não cumprem regras.


 


BACK TO BASICS – Parece ter-se trocado o valor das coisas pelo preço das coisas – Adriano Moreira


 


(Publicado no Jornal de Negócios de 16 de Setembro)


 

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