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MADEIRA – Existe uma criativa empresa em Lisboa que se dedica a estampar tshirts com frases relativas à actualidade. Esta semana colocou no mercado uma novidade que fez furor no Facebook: estampado sobre um fundo azul intenso, com letras abertas a branco, pode ler-se: “Escavadoras Jardim, a cavar buracos desde 1978”. A frase é mortífera e encerra o sentimento que o resto do país tem em relação à Madeira – todos andamos a pagar uma despesa que está descontrolada. Manda a verdade que se diga que os primeiros anos da governação de Jardim produziram obra a nível das infra-estruturas sociais – desde escolas a centros de saúde, passando por habitação social. Mas a partir de certa altura as grandes construtoras tomaram conta da ilha como, em geral, quiseram tomar conta do país. O mito das obras públicas como motor de desenvolvimento produziu os resultados que todos sabemos e a Madeira não escapou. Construíram-se estradas talvez não fundamentais e desencadeou-se um corrupio de grandes obras, mas, infelizmente, soube-se há dois anos, não se fez nada que pudesse prevenir a situação de catástrofe que a ilha da Madeira sofreu com as inundações. Alberto João Jardim, de há uns anos a esta parte, deixou de ser um político com obra para mostrar e passou a ser um político com obras para adjudicar – e sem dinheiro para as pagar. Falando depressa, Jardim passou o seu prazo de validade e não teve a honestidade política de se retirar no auge da obra útil que também fez; pior, no seu partido, todos temeram contrariá-lo e permitiram que ele agravasse os erros – políticos e económicos. Jardim foi fazendo afirmações cada vez mais estranhas do ponto de vista político, ameaçando com uma independência que não sobreviveria sem o dinheiro que o Governo da República lhe foi entregando. Percebe-se agora que as entidades supostas fiscalizar as contas da região andaram a dormir na forma durante muito tempo e o próprio Presidente da República se deixou ficar no engano porque lhe dava jeito - e Passos Coelho fez bem em se demarcar. O que eu sei é que Alberto João Jardim anda a fazer uma média de 1,5 inaugurações por dia na sua actual campanha eleitoral. Se ganhar, como é provável, fica-se com a certeza que, em política, o crime compensa.

TGV- Eu sou dos que acha que a única linha de TGV que faz sentido é a  Lisboa-Madrid. Quando o actual Primeiro Ministro, então ainda apenas líder da oposição, começou a pôr em causa a possibilidade da sua construção nesta altura achei que ele dizia coisas com sentido e presumi que provavelmente os seus assessores teriam estudado as implicações de uma suspensão da obra. Vai-se percebendo que os estudos, se existiram, foram atabalhoados – pelos vistos não tiveram em conta acordos firmados com Espanha nem a possibilidade de manter os financiamentos comunitários para a obra. Desde há cerca de um mês que se intui que o discurso do Governo sobre o TGV está em processo de permanente evolução e a ideia mais recente é que talvez se avance só com uma única via, em vez da dupla via normal. Voz amiga, ao saber da novidade, exclamou logo: «só se for de sentido único para nos pirarmos daqui para fora». Coloquei a frase no Facebook e foi um sucesso. Eu sobre esta matéria não tenho mesmo certezas – mas tenho muitas dúvidas e as maiores delas, nesta questão da via única, é a de saber se, no longo prazo esta solução não encarecerá ainda mais a conclusão da obra a duas vias e se, por outro lado, em matéria de segurança não existem dúvidas. Com o que o passado recente trouxe em matéria de falta de estudo eu cá por mim limito-me a recomendar prudência, bom senso e humildade no estudo da situação.

ARCO DA VELHA – Devido à falta de material circulante, sapadores bombeiros de Braga começaram a utilizar ambulâncias funerárias como veículos de apoio no combate a incêndios.

SEMANADA – A Espanha anunciou que prepara restrições a novos parques eólicos; Lisboa viu as receitas municipais diminuírem 37,5% milhões de euros devido à quebra da actividade económica e diminuição da derrama; virou moda esconder números - confirmou-se que no Instituto do Desporto existiam 635 facturas por processar no valor superior a seis milhões de euros; em várias cidades a iluminação pública foi reduzida e nalguns casos anulada para conter os novos custos que decorrem do aumento do IVA na electricidade; 85% dos portugueses acham que os sacrifícios não estão a ser repartidos de forma

LER – Quando folheei a edição da Monocle, de Outubro, fiquei com vontade de a enviar a diversos responsáveis por alguns grupos de comunicação em Portugal. O tema central é “O Novo Modelo dos Media”, com exemplos analisados em diversos países. No texto de introdução, Tyler Brulé, o director da “Monocle” enfatiza a necessidade sublinhar os exemplos em que o investimento em boas práticas de jornalismo, em talento e em imaginação são aqueles que fazem ganhar audiência. O ponto central é este: é o conteúdo que dita a audiência e não apenas as plataformas de distribuição ou as formas como os conteúdos são empacotados nos vários serviços possíveis. Esta abordagem “back to basics” pode parecer estranha nestes dias, mas os exemplos relatados dão que pensar – e dar que pensar é de qualquer forma o objectivo de qualquer revista que se preze.

VER – Uma coisa que cada vez se torna mais saliente na obra de Ana Vidigal é o seu sentido de humor, que molda as peças, a escolha das técnicas e das cores, os desafios que nascem dos nomes das obras, escolhidos como parte da própria criação artística. «Estilo Queen Anne», um título que por si só é um programa, é a sua nova exposição, que ocupa, em contextos diferentes, as duas salas da Galeria Baginski com duas dezenas de trabalhos, entre a pintura, a colagem e desenho, com incursões pela pop art e pelo imaginário da banda desenhada - aqui usando autocolantes da BD bem comportada e personagens da BD mais marginal. Na outra sala da exposição Ana Vidigal ensaia suportes e técnicas gráficas de impacto visual, simulando o universo das imagens fotográficas e ambientes de fantasia. Depois da sua mostra antológica no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, em 2010, esta exposição mostra os novos e  curiosos percursos que Ana Vidigal está a ensaiar, claramente em ruptura com o status quo instalado. Galeria Baginski, Rua Capitão Leitão 51-53, de 22 de Setembro até 5 de Novembro.

OUVIR – Em Abril deste ano Wynton Marsalis e Eric Clapton gravaram um disco de blues no Lincoln Center, em New York. À partida o desafio era aliciante – combinar a sonoridade do trompete com a da guitarra eléctrica, enquanto solistas numa formação clássica de jazz que combinava mais três metais, teclas, baixo, banjo e bateria. A boa notícia é que o resultado é magnífico – recorrendo a arranjos típicos das formações de jazz de New Orleans. Mantendo uma fidelidade absoluta ao espírito dos blues, Marsalis e Clapton fizeram uma reinterpretação inovadora de clássicos como “Ice Cream”, “Joe Turner’s Blues” ou “Corrine, Corrina”, já para não falar de temas do próprio Clapton, como “Layla”, aqui numa das suas melhores versões de sempre. As vozes são as de Marsalis e de Clapton, com a participação especial do grande Taj Mahal em três. Vale a pena ter a edição especial, que combina o CD áudio com o DVD do concerto. Numa recente entrevista à “Vanity Fair”, Marsalis dizia que os blues eram o grande amor da sua vida – “It cost a lot to find and much more to maintain”. Este disco é prova disso mesmo. CD Reprise, via Amazon UK.

PETISCAR – Ao fundo da Guerra Junqueiro, do lado esquerdo de quem desce, há uma pequena loja que se chama “Mercearia Criativa” que vale a pena ser visitada. Não é uma loja gourmet, como os seus proprietários gostam de sublinhar, é uma mercearia com produtos portugueses bem escolhidos, desde as batatas doces de Aljezur a queijo Monte da Vinha, passando por pão de Castro Verde, conservas tradicionais, os deliciosos croquetes de figo algarvios  e vinhos escolhidos. A Mercearia Criativa tem uma pequena esplanada onde se realizam degustações e se pode provar um petisco dos vários disponíveis no local. Se seguirem a sua página no Facebook irão tendo informação sobre as actividades. A Mercearia Criativa fica no nº 4A da Guerra Junqueiro, já perto da Alameda, e está aberta de segunda a sábado entre as 10 e as 20h00.

BACK TO BASICS – O desenvolvimento da economia é a coisa mais importante de um país e o crescimento da dívida pública o maior dos perigos – Thomas Jefferson


 


(publicado no Jornal de Negócios de 23 de Setembro)

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