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LISBOA, UMA CÂMARA NOSTÁLGICA

por falcao, em 04.10.11

Na semana passada fui ver o novo filme de Woody Allen, “Meia Noite em Paris”. O filme foi rodado na capital francesa,  com diversos apoios oficiais e a presença, num simbólico papel de guia, de Carla Bruni. Como se sabe Woody Allen anda há uns anos a realizar bilhetes postais sobre cidades europeias, aproveitando de forma hábil os financiamentos que as respectivas “film commissions” e outras entidades lhe prestam.


 


O filme não tem grande interesse e parte de uma situação de regresso ao passado. O personagem principal é um escritor norte-americano em crise criativa, farto de fazer guiões para Hollywwod, actividade que lhe dá sucesso e dinheiro mas de que ele não gosta. Num passe de mágica, ao bater da meia noite, ele é apanhado para dentro de um clássico modelo de carro francês dos anos 20, que o leva de volta a essa época – cruzando-se em ambientes boémios com nomes como Hemingway, Gertrude Stein, Cole Porter, Picasso, Dali e vários outros.


 


O ponto curioso de tudo isto é que o personagem principal, o tal escritor, é um apaixonado por aquilo a que chama “Lojas da Nostalgia” – onde pode viver como se estivesse no passado, rodeado de objectos de época, num universo de fantasia que lhe permite escapar da realidade.


Este Woody Allen tem no entanto um mérito: fez-me ver que vereadores lisboetas como José Sá Fernandes, Nunes da Silva ou Manuel Salgado, vivem com o objectivo de transformar Lisboa numa “Loja de Nostalgia”. Uma série de medidas que tomam parecem inspiradas no regresso ao passado, sem carros, com poucas pessoas, a forçar as suas obsessões pessoais no mundo contemporâneo, num delirante regresso ao passado que é a principal linha política da vereação de António Costa, em Lisboa.


 


É engraçado como um sector que se afirma de esquerda acaba por ser essencialmente conservador, incapaz de pensar em soluções contemporâneas, preferindo a ilusão romântica dos bons selvagens. Em Lisboa, tal como no filme, vamos comprovando que quando vivemos para mundos que já não existem, a coisa sai furada.


 


(publicado no diário Metro de 4 de Outubro)


 



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