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INDIGNADO – Eu sinto-me indignado cada vez que estou a ver um telejornal e vejo uma série de pessoas, que agora se afirmam muitíssimo indignadas e chocadas, mas  que, nos últimos anos, no Governo ou em outras funções, na política ou nos sindicatos, contribuíram para o descontrolo orçamental, para a diminuição da produtividade, pessoas que anos a fio defenderam só direitos sem confirmarem deveres, que arquitectaram um sistema laboral onde o objectivo era trabalhar menos horas, produzir menos e ganhar e consumir mais. Estamos a viver a prova de que distribuir o que nāo temos ė uma pėssima ideia com catastróficos resultados.


Agora é preciso pôr um ponto final na fantasia e está a ser doloroso. Vai ser ainda mais doloroso e ninguém em seu perfeito juízo poderá dizer quanto tempo vai durar esta austeridade. Muitos dos protestos que se anunciam parecem ignorar a realidade em que estamos. Parecem nāo ter em conta a necessidade de mudar. Persistem em perseguir objectivos que têm pouco a ver com a realidade. Uma coisa é ter uma utopia, outra é fazer dela um programa político e convencer os cidadãos que essa utopia pode ser alcançada e é o milagre que nos pode salvar. Acontece que essa utopia é que nos levou até onde estamos. Brincar com os sentimentos das pessoas é sempre reprovável. Em política produz resultados péssimos.


 


 


RESPONSABILIDADE - Nos últimos dias tem-se falado muito na necessidade de averiguar responsabilidades pelo estado a que as finanças do país chegou. Algumas pessoas insurgem-se contra isso e, paradoxalmente, algumas sāo as mesmas que há meses atrás apontavam a Islândia como exemplo por ter julgado alguns dos responsáveis pela derrocada do sistema financeiro do país. É de facto importante avaliar quem fez o quê, atribuir responsabilidades políticas e, nalguns casos, eventualmente, responsabilidade civil. Investigar estas situações é um dever do regime - não por vingança, mas por dever de conhecimento e obrigação cívica. Para nāo repetirmos os mesmos erros e nāo permitirmos os mesmos comportamentos é fundamental sabermos o que de facto se passou. Retardar o encontro com a realidade, como durante meses o anterior Governo de Sócrates andou a fazer, é uma forma perigosa - e criminosa - de manipulaçāo. Ao longo dos anos Sócrates desempenhou um papel, criou ele próprio um personagem, uma espécie de avatar da modernidade, das reformas em causas fracturantes e politicamente correctas, ao mesmo tempo que evitava reformar o regime e fechava os olhos ao que se passava em nome da concretizaçāo dos seus projectos. Pessoas que entendem do assunto dizem que o comportamento de Sócrates tem pontos de contacto com a esquizofrenia. Seja como fôr, ele e o seu Governo nāo melhoraram a situaçāo em que encontraram Portugal. Entregaram-se a comprometer o futuro de todos para gáudio de alguns. E esse balanço tem que ser rigorosamente feito.


 


 


SEMANADA – Cavaco Silva teceu críticas ao orçamento de Estado; João César das Neves teceu duras críticas ao OE; António José Seguro teceu fortes críticas ao OE; Sarkozy e Merkel encontram-se a sós uma vez por semana; subsídios políticos às energias renováveis já representam 50% da despesa mensal da electricidade ; a Câmara de Lisboa não sabe quantos inquilinos tem; o número de desempregados ultrapassou os 700.000; Rui Rio defendeu reforma profunda e urgente do regime político; militares preparam protestos contra a austeridade.


 


ARCO DA VELHA – No Brasil, a equipa de Dilma Rousseff vai a caminho de perder o sexto ministro, em menos de um ano, por suspeita de corrupção.


 


LER – O tema de capa do número especial da Egoísta, com a data de capa de Setembro, não podia ser mais actual: “Juízo” – uma coisa que notoriamente nos tem faltado ao longo das últimas duas décadas . Logo no início da edição está uma “Tabuada de Multiplicar”, onde Rui Zink resume assim o estado da nação: “Se fores casto e mui cauto/E esperares sempre a tua vez/Não voarás talvez mui alto/ Mas serás um bom português”. Em termos de imagens o portfolio de Mark Laita é excepcional e o de Augusto Brázio uma colecção de preciosidades. Também gostei do “esta noite” de Maria Manuel Viana e de “A Bolsa E A Vista” de Ricardo Costa. Uma bela edição especial, esta da “Egoísta”.


 


VER – No Museu da Electricidade a Fundação EDP inaugurou na semana passada três exposições muito diferentes entre si e que se prolongam até Dezembro. José Loureiro apresenta uma gigantesca instalação pictórica – não encontro outro nome - com base em 162 fragmentos de tela pintada a óleo, que exploram as sensações de cor e de luz numa enorme parede. Julião Sarmento apresenta um muito curioso trabalho, “What Makes a Writer Great”, em que imagens, originais ou replicadas, privadas ou públicas, se combinam com frases e palavras, na construção de uma narrativa que faz lembrar por vezes o conceito de edição cinematográfica – diálogos curtos, constante mutação de planos. Finalmente Edgar Martins apresenta um trabalho de fotografia, encomendado pela própria EDP (bem encomendado, de resto), que tem o título “The Time Machine” e que faz uma viagem ao universo das barragens, mostrando o que se esconde para além da banalidade das máquinas, do cimento, dos espaços. É uma visão própria, cuidada, exemplarmente encenada e talvez uma das melhores exposições de fotografia, de autor português, dos últimos anos.


 


OUVIR – Quando ouço dizer que meia dúzia de nomes sonantes se juntam para fazer um super-grupo tenho uma tendência para ficar de cabelos arrepiados e esperar o pior – algo de chato, excessivo, uma feira de egoísmos. Foi um pouco de pé atrás que me meti a ouvir “SuperHeavy”, o disco que resulta da reunião de Mick Jagger com Dave Stewart, Joss Stone, Damian Marley e A.R. Rahman. Que esperar da junção de um Rolling Stone, com um Eurythmic, mais uma estrela britpop-soul, um herdeiro de reggae e o recordista indiano de composição de bandas sonoras? Mick Jagger disse numa recente entrevista que alinhou neste projecto porque queria juntar estilos musicais diferentes – e isso garantidamente conseguiu. O mais incrível é que o disco é divertido, tem meia dúzia de boas canções, sente-se que deu gôzo aos músicos gravarem, e o mais engraçado é que dá bastante gôzo ouvi-las – como o single “Miracle Worker”, a influência indiana em “Satyameva Jayathe”, o lado da mística rock de “One Day. One Night” ou a suavidade de”Never Gonna Change”. Boas canções, muito bem tocadas e interpretadas, ritmos inesperados e sonoridades supresa – há muito tempo que não encontrava isto tudo num só disco.


 


PROVAR – Vou confessar um dos meus pequenos vícios: enguias de conserva. Gosto delas sozinhas, como aperitivo, ou então numa salada de alface fresca ripada. Também vão bem com um pão escuro cortado fininho ou então acompanhadas de pickles. Aquelas de que gosto mais são as enguias em molho de escabeche da Murtosa, fabricadas pela Comur, orgulho da nossa indústria conserveira. A mesma fábrica tem uma proposta alternativa interessante: filetes de enguias fumados, em caixas um pouco maiores, e que ficam particularmente bem numa salada. As latas pequenas de enguias de escabeche também estão disponíveis numa versão picante, mas eu prefiro a normal. Se juntar muitos apreciadores de enguias também pode adquirir uma réplica dos antigos barris, com 1,250 kgs. Um festim!


 


BACK TO BASICSÉ absolutamente impossível ter uma nova crise na próxima semana, a minha agenda está completamente cheia – Henry Kissinger


 

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publicado às 15:05



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