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TRABALHO – O maior problema que a Europa vai ter nos próximos anos é conseguir conter o desemprego e, ao mesmo tempo, fomentar a criação de novos postos de trabalho – e inacreditavelmente ouço muito poucos responsáveis comunitários a falar deste assunto. Durante décadas a Europa, com poucas excepções, persistiu no modelo da desindustrialização, habituou-se a viver acima das suas possibilidades e, de certa forma, fomentou o desprezo pelas formas mais tradicionais de trabalho, substituindo-as por outras que requerem menos mão de obra e criam menos emprego – e nalguns casos utilizando emigrantes para suprir o afastamento de algumas actividades. O resultado disto é que o sistema passou a ter mais encargos sociais, nomeadamente com os desempregados, e menos receitas já que havia menos gente a contribuir, e, dessa, muita gente a contribuir menos. Inevitavelmente os impostos começaram a subir à medida que os Estados agravaram as suas contas. Cada campanha eleitoral trouxe promessas de novas abundâncias, que geraram novos custos, que provocaram novos desequilíbrios. Medina Carreira dizia esta semana que, na Europa, nos últimos 25 anos, os trabalhadores passaram para os serviços, que exigem menor formação e pagam piores salários, e que a deslocalização da indústria para Oriente levou com ela o investimento. Esta deslocalização, sublinha ainda Medina Carreira, deveu-se em grande parte ao custo das contribuições sociais na Europa, que juntamente com os impostos tiveram grandes aumentos para se manter o Estado Social. O resultado é conhecido: quanto mais impostos houver, menos a economia cresce. Um ex-membro do governo sueco deu esta semana uma entrevista ao «Público», onde explica uma série de coisas que levam a que no seu país a crise seja menor. Uma delas tem a ver com o facto de os apoios a desempregados serem feitos em parceria com os sindicatos – na realidade os sindicatos pagam parte do subsídio de desemprego. Logicamente o interesse de todos os que pagam apoios aos desempregados é que se encontre novo trabalho o mais rapidamente possível – e a falta de trabalho ou a falta de vontade de trabalhar é vista como um estigma social na Suécia, onde a noção ética da importância do trabalho, seja ele qual for, é valorizada.


Um pouco diferente daquilo que por aqui se passa.


 


CENÁRIO – Olho para Portugal e imagino que estamos dentro de um programa de televisão, daqueles onde o cenário é de croma e varia conforme as circunstâncias. Os cenários de croma (um fundo de verde ou azul intenso) permitem colocar electronicamente, por cima dos painéis coloridos, cenários virtuais. Assim, o mesmo espaço tem várias aparências. Portugal vive como se estivesse coberto por um enorme telão de croma onde os políticos vão colocando cenários à conveniência do momento. Neste reality show em que o país se transformou, todos os dias somos surpreendidos por novos relatos de desgraças passadas  e de dificuldades futuras. Assistimos, em directo, nas nossas próprias vidas, à Casa dos Segredos, e os políticos, no Governo ou na oposição, estão numa competição desenfreada para nos irem aos poucos contando as revelações que andam a guardar, para estarem sempre a captar a nossa atenção. Não é a falar do passado que vamos resolver as coisas, mas sim a mudar o presente para termos um futuro diferente. Vejo com agrado alguns ministros, como Nuno Crato, a enveredarem por esse caminho; e vejo com preocupação que outros, como o da Economia ou o das Finanças, sejam mais ministros de protecção ao Estado do que Ministros da sociedade em geral. A propósito de Estado, as últimas semanas são férteis em relatos de abusos de cobrança da segurança social e dos impostos – percebe-se que nesta situação se queiram incrementar as receitas, mas o Estado deve ser o primeiro a não dar o exemplo de arbitrariedade. E deve entender que ele próprio tem que emagrecer, e muito, para que o sector privado possa viver e criar emprego.


 


 


TELEVISÃO – Três temas: primeiro, ao contrário do que estava previsto, o novo sistema de monitorização das audiências televisivas não vai estar operacional a partir do princípio de Janeiro, como era previsto, confirmando os piores receios sobre a forma como a escolha da nova entidade responsável por este serviço foi feita. Vale aqui a pena recordar que, por mais paradoxal que isto seja, foi por pressão dos anunciantes (que são quem teoricamente mais precisa de dados seguros para salvaguarda da eficácia dos investimentos publicitários que efectuam) que foi escolhido um sistema não testado em lugar algum por uma mera questão de diferença de preço, ainda por cima reduzida.  Em segundo lugar quero chamar a atenção para a confusão criada na introdução da televisão digital terrestre, um processo que já teve custos enormes, que já vem atrasado, e que agora, da forma que está, serve para muito pouco. E em terceiro lugar registo que no universo do serviço público, nesta semana, a RTP 1 se manteve no segundo lugar de audiências, mas a RTP2 caíu para a 9ª posição no universo do cabo, enquanto a RTP Informação, no mesmo universo do cabo, consegue estar abaixo do canal que só passa em contínuo o reality show Secret Story. Enquanto isto se passa, nada se sabe sobre o modelo que vai ser seguido na privatização, não foi dado nenhum novo passo e muito pouco está efectivamente definido sobre o que deve ser o serviço público de televisão.


 



SEMANADA – Dezenas de galos capões vivos foram vendidos numa feira de Freamunde entre 40 a 50 euros a unidade; os portugueses, juntamente com os mexicanos e romenos são os que tem uma vida sexual mais activa praticando sexo pelo menos duas vezes por semana, segundo um inquérito de uma empresa farmacêutica; na actual conjuntura económica a ASAE voltou a dar nas vistas depois de deter o conhecido empresário Olivier por existir gente a dançar num dos seus restaurantes; o detido anunciou ir preparar uma festa «prison break»; os chineses ofereceram mais que os alemães pela EDP; Ilda Figueiredo, do PCP, deixa de ser deputada europeia ao fim de 12 anos;  a casa de um investigador da PJ que trabalhou no processo Face Oculta foi assaltada e revirada, computadores incluídos, de uma ponta à outra; Alberto João Jardim foi filmado para as televisões a cantar o Jingle Bells.


 


ARCO DA VELHA – Em Vila do Conde um militar da GNR, que era o campeão das multas sobre infracções de trânsito, serviu de motorista ao seu capitão e guiava frequentemente veículos da corporação, até se descobrir que não tinha carta de condução.


 


VER – Numa viagem, entre a estrada e o deserto, as pequenas cidades, as caras e os corpos, os automóveis e os reclames luminosos, as imagens sucedem-se e a fotografia é o melhor diário para registar as sensações – e definir paixões. «Passion» nasce destes registos – e é o título da nova exposição de Albano Silva Pereira, fotógrafo e organizador dos Encontros de Fotografia de Coimbra desde 1985. A exposição - e a viagem é recorrente no trabalho de Albano da Silva Pereira - estará até 30 de Janeiro na Galeria Graça Brandão, na Rua dos Caetanos 26, no Bairro Alto, em Lisboa.


 


LER – A edição de Janeiro de 2012 da revista britânica «Uncut», já à venda, é fundamental para quem queira seguir o estado da música contemporânea – faz um balanço informativo e crítico dos discos de 2011, atribuindo o galardão de melhor CD do ano a «Let England Shake», de P. J. Harvey, que aliás é entrevistada na mesma edição, revisitando toda a sua carreira. A revista é acompanhada por um CD oferta que inclui 15 temas extraídos de outros tantos álbuns de outros tantos artistas, todos indicados entre os melhores deste ano que está a acabar. Por €7.50 é difícil pedir mais.


 


OUVIR – Na última semana o chef Anthony Bourdain fez mais pela divulgação do novo disco dos Dead Combo do que qualquer serviço público. «Lisboa Mulata», editado há cerca de dois meses, é o mais recente trabalho de Tó Trips e de Pedro Gonçalves e foi a banda sonora que acompanhou o conhecido cozinheiro, autor do programa de televisão No Reservations. Espero que a música do programa sobre Lisboa seja deste disco, um dos melhores álbuns portugueses do ano, sobretudo graças a um sentido de festa e de prazer musical raros hoje em dia.


 


BACK TO BASICS –  Um problema não pode ser resolvido no mesmo nível de pensamento que esteve na origem desse problema – Albert Einstein 

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publicado às 16:32



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