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por falcao, em 06.01.12

TDT  – Todo o processo da Televisão Digital Terrestre é um grande mistério. As premissas técnicas são conhecidas há anos, as possibilidades idem, a data de implementação também. Demorou-se tanto tempo no processo, registaram-se tantos avanços e recuos, anulações de concursos, alterações de condições, que finalmente se tornou no nado-morto a que estamos a assistir. Arons de Carvalho, agora na ERC, estranha tudo o que se passou e lembra que o desenho do serviço público de televisão poderia ser outro, se a TDT tivesse evoluído de outra maneira. Mas ele próprio foi membro do Governo de Guterres, onde se registaram alguns dos problemas que levaram onde estamos, depois bem continuados pelos governos seguintes, sem excepção. O que vai existir em Portugal é uma TDT mitigada, com menos potencial técnico, a que só aderirá quem não tiver condições para ter linha de telefone fixo ou serviço de televisão por subscrição. O que se passa é uma anedota – e a Anacom, responsável de facto pelo processo, devia ser investigada para se saber como aqui se chegou. Quer-me parecer que estamos perante mais um daqueles casos, tão usuais em Portugal, em que toda a gente se queixa e protesta mas nunca se apuram responsabilidades.


 


TELEVISÃO -  Os dez programas de televisão mais vistos em 2011 foram todos de futebol, com predomínio para os jogos da selecção nacional. A TVI liderou em novelas e reality shows, mas a informação foi da RTP. A SIC conseguiu voltar ao segundo lugar e o conjunto dos canais do cabo estabeleceu-se como uma alternativa seguida por um quarto dos espectadores com acesso ao serviço de televisão por subscrição, praticamente já 70 por cento do total do universo.


 


INESPERADO - O caso Pingo Doce/Soares dos Santos mostra três coisas: em primeiro lugar, quem tem discursos moralistas, como o patriarca do grupo, deve ter cuidado com as acções que toma, ainda por cima quando fez há pouco tempo uma campanha publicitária a gabar-se do seu nacionalismo para tentar captar a simpatia de quem prefere comprar português; em segundo lugar, quem faz Fundações que beneficiam de vantagens fiscais na sua actividade podia ser coerente, em relação aos benefícios que recebe numa actividade, no resto dos seus comportamentos e actividades; e, finalmente, quem toma decisões como a que levou o capital do grupo para a Holanda, devia pensar na sua comunicação antes, para depois não vir com discursos atabalhoados – este é um exemplo perfeito de tudo o que não se deve fazer à imagem de uma marca. Quanto ao resto – cada um gere como entende, convém é manter alguma coerência entre as palavras e os actos.


 


AUDIOVISUAL – Como se adivinhava desde a catastrófica gestão de Gabriela Canavilhas na Cultura, o Instituto do Cinema e do Audiovisual não tem condições para abrir novos concursos de financiamento à produção. Na origem desta situação está a forma como foi construído o FICA (Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual), por iniciativa da então Ministra Isabel Pires de Lima; paralisado quase desde o início, o FICA viu a sua situação agravar-se durante o consulado Canavilhas, que acabou por sair do Ministério sem tomar nenhuma medida sobre o assunto. Na prática o FICA está de existência suspensa e esta é uma boa altura para repensar todo o edifício dos apoios à produção de obras audiovisuais, adequando-o à realidade dos tempos, mas também, se possível, traçando uma estratégia que estabeleça prioridades e objectivos e não se baseie apenas, como infelizmente tem acontecido, em critérios sempre subjectivos de avaliação de interesse artístico. Esta falência do FICA pode ser a oportunidade de ouro para iniciar uma mudança séria e profunda em toda esta área.


 


TELEFONE – Se há um mês me dissessem que iria passar uma semana sem telefone teria ficado um bocado nervoso. Desde que existem telemóveis nunca me tinha acontecido ficar mais do 24 horas sem o aparelho funcionar. Mas desta vez, numa viagem, o cartão SIM desmagnetizou-se, talvez num dos sistemas de segurança dos aeroportos, e lá fiquei se poder telefonar – felizmente que há wi-fi e que graças ao iPhone conseguia contactar e ser contactado por email. E, tirando não ter recebido a tempo os SMS a desejar Bom Ano, tudo o resto funcionou perfeitamente só por email. Nestes dias sem telefone li, no New York Times, um interessante artigo que espelha este consumo de transmissão de dados e de redes wi-fi – os grandes operadores de cabo norte-americanos, que são também os grandes fornecedores de ligações de internet aos seus clientes, estão a contratar técnicos cada vez mais qualificados - é que dantes bastava esticar o cabo e ligar o aparelho à televisão e agora, quando se faz uma instalação numa casa, é preciso ligar a televisão, mas também criar uma rede wi-fi que alimente os diversos computadores, os  tablets, as consolas de jogos e os smartphones – às vezes mais de uma dezena de aparelhos diferentes. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades – o que é giro é que o falar é cada vez mais substituído pelo escrever. Tem a sua graça…


 


SEMANADA – Os clubes de futebol profissionais devem 33 milhões de euros ao fisco; uma instituição religiosa que foi burlada pelo BPN vai ser ressarcida com dinheiro dos contribuintes; o Parlamento começou o ano debaixo de uma polémica sobre os serviços secretos e a maçonaria; 376 cursos universitários fecharam por falta de alunos; na última semana de Dezembro, antes da entrada em vigor do novo Orçamento de Estado, aumentou o número de empresas portuguesas que se exilaram na Holanda.


 


ARCO DA VELHA – Na noite de fim de ano, em Albufeira, dois militares da GNR, de folga, alcoolizados, provocaram um atropelamento e em seguida tentaram pôr-se em fuga e simular que nenhum era o condutor.


 


PALAVREADO - «Dos outros Ministros, não me lembro» - Vasco Graça Moura, no seu balanço do ano, depois de deixar elogio a Vitor Gaspar, Paulo Macedo e a Nuno Crato.




LER – A edição norte-americana da revista «Wired» de Janeiro dá a sua capa ao papel das redes sociais nas movimentações políticas e nos protestos, um pouco por todo o mundo. Bill Wasik, o autor do artigo, começa por fazer notar um paradoxo: «a tecnologia pessoal do século XXI – os nossos laptops, tablets, smartphones, browsers e aplicações – fazem tudo o que é possível para nos manter afastado de multidões», desde fazer compras a conhecer novas pessoas ou estabelecer relações. A questão é como se passa deste patamar para a organização de acções colectivas. Vale a pena ler. Outro artigo imperdível desta edição é «Slumdog Economics», uma entrevista com Robert Neuwirth, autor do livro «Stealth Of Nations: The Global Rise of the Informal Economy». A esta economia informal chama o autor o «Sistema D», e afirma que ele existe um pouco por todo o lado, e que, na sua opinião, desenvolve o empreendedorismo, cria emprego e alivia os custos dos Estados mesmo que pouco contribua em impostos. O «Sistema D» movimentará cerca de 10 triliões de dólares por ano e, se fosse um país, seria a segunda maior economia, logo depois dos Estados Unidos. Fascinante e a dar que pensar, mesmo que Vitor Gaspar e os burocratas europeus fiquem com os cabelos em pé só de pensar nisto.


 


OUVIR – Começo o ano com um regresso ao jazz, neste caso a um grupo de músicos brasileiros radicados nos Estados Unidos, que trabalham com o norte-americano Erik Charlston – os JazzBrasil. O disco é uma homenagem ao grande Hermeto Pascoal, de quem interpretam seis temas históricos – os outros dois incluídos no álbum são «Frevo Rasgado» de Egberto Gismonti e «Paraíba», de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, este o único tema cantado. Realce para os arranjos e para a qualidade da interpretação musical e para a forma como o vibrafonista Erik Charlston dirigiu as operações e obteve um resultado invulgar. CD Sunnyside, na iTunes.


 


PROVAR – Tenho um gosto especial por pequenas cervejarias de bairro, simples, despretenciosas, que não se metam em cavalarias demasiado altas e que tenham um serviço simpático e um preço sensato. Está-se mesmo a ver que  esta descrição está feita de propósito para não incluir esse anacronismo que é a Cervejaria da Esquina, em Campo de Ourique. Em contrapartida, assenta às mil maravilhas numa pequena cervejaria de Campolide que tem o natural nome de «Paladares do Mar». Fica na Rua marquês da Fronteira nº173, e tem o telefone 210 505 038. Bifes muito recomendáveis, cerveja impecável, marisco fresco e variado. E uma decoração confortável e simpática.


 


BACK TO BASICS – A adversidade desperta em nós capacidades que, em circunstâncias favoráveis, teriam ficado adormecidas  (Horácio)


 


(Publicado no JHornal de Negócios de 6 de Janeiro)


 

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publicado às 17:52


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