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CULTURA - «Em tempos de crise, qual o papel da arte e da cultura? – este é o debate proposto pelo ministro Dinamarquês da Cultura, uma iniciativa no âmbito da Presidência da Comunidade Europeia, que a Dinamarca agora exerce. Uffe Elbaek, o Ministro dinamarquês, convidou um grupo de 12 personalidades, provenientes de diversas áreas académicas e profissionais, mas com uma ligação clara a diversas áreas da criatividade, seja na actividade artística ou na cultura. O desafio que foi colocado a este grupo vai ser escrever um manifesto, a divulgar em Junho, sobre como o sector cultural e criativo pode ser fulcral na criação de energia em época de crise. O grupo é constituído por um arquitecto espanhol, um coreógrafo sueco, um especialista em design industrial britânico, um artista dinamarquês, um gestor cultural belga, um representante das Nações Unidas, um historiador libanês que já dirigiu actividades da fundação Ford, um director do Museu Britânico, um fotógrafo nepalês, um ex-governante e jornalista esloveno da  área cultural, e um produtor audiovisual independente dinamarquês. Nenhum dos nomes é de alguém terrivelmente conhecido. Mas todos são activos nas suas actividades profissionais, têm responsabilidade em instituições e empresas, O ecletismo da escolha e o facto de ter cidadãos de países não europeus (como o Líbano ou o Nepal) é bom um sinal de abertura a outras culturas. Esta ideia é uma boa ideia.


 


LEI - Está em discussão no Parlamento uma proposta de Lei, cujo primeiro subscritor é a deputada socialista Gabriela Canavilhas, que prevê que qualquer consumidor tenha de pagar um valor adicional sempre que adquirir um equipamento que contenha dispositivos de  memória digital que permitam armazenar conteúdos. Mesmo aqueles que utilizam os equipamentos para guardar conteúdos próprios, ou para adquirir conteúdos com um preço que inclui já o direito de autor, terão de pagar a referida taxa. Quanto maior a capacidade de memória do dispositivo, maior será a taxa – uma taxa aplicada ao gigabite de memória. Começo por esclarecer que sou a favor da defesa dos direitos de autor, da defesa dos direitos de propriedade intelectual e industrial. Mas acho que a proposta de lei da autoria da deputada socialista Gabriela Canavilhas é manifestamente fruto de falta de informação e desajustamento no tempo. Muito do que hoje em dia compro – livros, revistas, discos, é adquirido em suporte digital, para aparelhos como o iphone, o iPad ou o Kindle, que permitem armazenar e utilizar essas compras em qualquer altura em qualquer lugar. O que Canavilhas pretende é taxar ao gigabite os mecanismos de armazenamento digital – ora isto só pode ser fruto de uma enorme ignorância e de manifesta má fé. Ao estarem tão distantes da realidade e dos autores e criadores que só existem em universo digital, e que são cada vez mais, as entidades que apoiam este projecto estão de facto a prestar um mau serviço à defesa dos direitos de autor. Um dia destes, quando as memórias dos aparelhos forem ultrapassadas pela «nuvem», que vão taxar? O acesso à internet? A utilização dos aparelhos? Voltamos ao tempo do imposto sobre os isqueiros? Nada diz faz sentindo, e é confrangedor como esta ex-Ministra da Cultura socialista está desfasada da realidade:  recordo apenas que as mais recentes obras de David Hockney foram trabalhadas em iPads e que o artista português Jorge Colombo usa o iPhone para desenhar. Canavilhas quer taxar instrumentos de trabalho de artistas?


 


CARNAVAL - Talvez por ser Carnaval, António José Seguro resolveu dar um ar da sua graça. Com a clarividência que lhe conhecemos considerou que «os portugueses já estão habituados a que o primeiro-ministro chegue tarde a decisões óbvias». A frase é cómica – porque se aplica que nem uma luva à actividade de José Sócrates nos últimos anos em que governou. O problema é que Seguro se queria referir a Passos Coelho, depois de uma patética reunião entre o PS e a troika onde foi evidente o difícil equilibrismo dos socialistas entre os compromissos assumidos e a oposição que gostariam de conseguir fazer. Mas também é muito engraçado que a frase de Seguro tenha sido proferida na mesma semana em que Mário Soares resolveu colocar em acta que teve um papel, decisivo segundo afirma, na decisão de pedir ajuda externa, tantas vezes adiada por Sócrates. Não consigo deixar de achar isto tudo muito curioso: vai-se a ver e afinal foi Soares quem abriu as portas à troika e enfiou a realidade na cabeça de Sócrates. Será que Seguro ainda vai dizer que Soares chegou tarde à fala com Sócrates?


 


SEMANADA –Quadros da Refer arguidos no Face Oculta ganham 3000 euros por mês e não trabalham; no Algarve há cem hectares que não se sabe a que concelho pertencem; edifício que se destinava à PSP de Cascais e cuja construção foi entregue a um amigo de Sócrates nunca foi acabado e provavelmente será demolido depois de já ter consumido dois milhões de euros do erário público; o Teatro de S. Luiz tem despesas superiores a 2,2 milhões de euros e receitas de 176 mil euros; o Teatro Maria Matos tem despesas de 1,8 milhões de euros e receitas de 153 mil euros.


 


ARCO DA VELHA – O Parlamento fez um elaborado estudo onde conseguiu concluir que pôr os deputados a beber água da torneira seria mais caro que beberem água engarrafada. Aos poucos lá se vai percebendo como chegámos ao ponto em que estamos.


 


DESCOBRIR  – Na zona de Lisboa há um jornal local que se destaca pela proximidade aos seus leitores. Trata-se do «Notícias do Parque», destinado à zona da Parque das Nações, e que já vai no seu décimo aniversário, com uma tiragem de dez mil exemplares em papel e um número crescente de visitas em www.noticiasdoparque.com . Um estudo recente afirma que 80% da população do Parque das Nações contacta regularmente com o título – que agora lançou uma campanha de incentivo ao comércio local. Um estudo recente destaca a importância do noticiário local na afirmação e fidelização da imprensa junto dos leitores.


 


OUVIR – Quando era adolescente o tenor Roberto Alagna costumava cantar boleros, rancheros e tangos em clubes parisienses. Mario Lanza era o seu ídolo e Alagna gostava daquelas canções que apelavam á dança e ao corpo. Com o andar dos anos, este filho de pais sicilianos, nascido em Paris, transformou-se num tenor aclamado e muitas vezes polémico. «Pasion», o CD agora editado, reúne o repertório popular que Alagna interpretava nas noites da sua juventude, com clássicos como «Piensa em Mi», «Quizás, Quizás, Quizás», «La Cumparsita», «Besame Mucho» ou «Paloma Negra», entre outros. No clássico «Historia De Un Amor», Alagna canta em dueto com a cantora americana de ascendência mexicana Lila Downs. Os arranjos destas canções populares, de Yvan Cassar,  respeitam os originais e o próprio Alagna interpreta estes temas sem tiques operáticos, mantendo-se fiel  ao espírito original destas canções. CD Deutsche Grammophon, na FNAC.


 


LER – Neste momento em que continua a discutir-se o futuro da RTP e em que se encontra em debate a nova lei do Cinema, Artur Castro Neves, um dos homens que mais estuda e acompanha o sector, publicou, na Afrontamento. um livro exemplar: «Políticas Públicas e Regulação no sector audiovisual e multimédia». Trata-se de um levantamento exaustivo de situações existentes, mas sobretudo de um enunciado de propostas concretas, estratégicas, para que a língua portuguesa exista no audiovisual e no novo mundo digital. O livro, que há-de provocar polémica, não se fica pela análise da situação – como é próprio do seu autor, sugere acções e políticas. Bem fariam os decisores se lessem este trabalho com atenção. É bem mais útil e enriquecedor que um recente relatório de má memória.


 


PROVAR – A Praça de S. Paulo, em Lisboa, bem próximo da nova movida lisboeta do Cais de Sodré, tem desde há um ano um simpático restaurante dedicado à nobre arte do petiscar – a Taberna Tosca. Aqui vai-se picar e a escolha é farta – desde anchovas a um presunto de porto preto transcendente, passando por umas honestíssimas pataniscas de bacalhau ou uns bem temperados cogumelos salteados. Boa escolha de vinhos a copo, incluindo espumantes nacionais. Serviço simpático, decoração confortável, um belo sítio para ir petiscar com os amigos ao fim da tarde ou à noite. Ao almoço há umas propostas de refeições rápidas que têm feito sucesso. Praça de S.Paulo 21, telefone 218 034 563.


 


BACK TO BASICS - «Se a arte é suposta alimentar as raízes da nossa cultura, então a sociedade deve proporcionar aos artistas a liberdade para criarem de acordo com a sua visão» - John F. Kennedy




 


 (Publicado no Jornal de Negócios de 24 de Fevereiro)

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