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OS SENHORES DOUTORES E TEMAS DIVERSOS

por falcao, em 06.07.12

DOUTORES – Razão tinha Álvaro Santos Pereira quando, vindo fresquinho do Canadá, entrou no Ministério da Economia pedindo por o tratarem por Álvaro, sem qualquer título académico em prefixo. Esta mania portuguesa de tratar toda a gente por um título académico dá nefastos resultados na política e torna-se ridículo no dia a dia. Fruto dos costumes,  os políticos sentem-se obrigados a ostentar um título e fazem tudo para o adquirir. O assunto afecta de forma especial aqueles que passaram o tempo normal de estudo nas juventudes partidárias e que desleixaram os exames em função da actividade política – e isso não é um pecado. Mais tarde inscreveram-se de novo numa faculdade para obterem o canudo, cuidando mais do título do que do saber. Pegando em casos recentes, Sócrates escondeu as peripécias do seu inglês técnico, ao menos Miguel Relvas assumiu as coisas como elas aconteceram. Mas o essencial da questão não é isso. O essencial é que o que conta num político é a dedicação à causa pública, ideias concretas para Portugal, honestidade e capacidade de liderança – além de intuição política, claro. O resto, é secundário. Com a proliferação de cursos e a abundância de licenciados, a triste verdade é que, agora, até os anúncios de convívios eróticos têm meninas que se apresentam como licenciadas para se valorizarem face aos potenciais clientes e à concorrência. Nada disto faz sentido.


 


SEMANADA – Os negócios imobiliários caíram 44% em 2011; as vendas de carros em Portugal caíram 43,9% no primeiro semestre; o crédito ao consumo caíu 15,2% em 2011; existe escassez de professores de mandarim em Portugal face ao aumento da procura; a empresa chinesa State Grid, accionista da REN, vai investir 12 milhões de euros na criação em Portugal de um centro tecnológico; no primeiro semestre deste ano, as falências judiciais aumentaram 83% face ao mesmo período de 2011, alcançando praticamente a barreira das dez mil e a um ritmo de 53 por dia; está a diminuir o número de imigrantes em Portugal, sobretudo de brasileiros; a Bolsa de Lisboa perdeu 27 empresas cotadas na última década; a grande distribuição vendeu menos 173 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano em comparação com igual período do ano passado; um enfermeiro contratado pelo Estado via uma empresa de prestação de serviços ganha menos à hora que uma mulher a dias.


 


ARCO DA VELHA – Por causa de uma directiva europeia sobre as gaiolas nas quais devem estar as poedeiras,  cerca de três milhões de galinhas arriscam ser abatidas no fim do mês, cerca de metade do total que existem no país.


 


VER –  Duas sugestões bem diversas na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, inauguram exposições este fim de semana. A primeira resulta das interpretações que, com trabalhos inéditos, Paula Rego e Adriana Molder fazem de «A Dama Pé de Cabra», um conto recolhido por Alexandre Herculano nas suas «Lendas e Narrativas», de 1851.  E a outra resulta de um desafio feito a Pedro Calapez para interagir com uma das mais marcantes obras de Paula Rego, “Anjo”, de 1998.  Em «Innervisions», um outro olhar sobre a colecção da casa das Histórias, Pedro Calapez justapõe «Dark Skies», uma série inédita de trabalhos concebida especificamente para este momento como uma instalação.


 


OUVIR – Se eu escrever que «Banga», o novo CD de Patti Smith é provavelmente o seu melhor trabalho desde “Horses” estarei a cometer uma heresia? A avaliar pelo que tenho lido aí nalguma crítica lusitana inspirada pela surdez, deverei ser crucificado e alvo de impropérios diversos. Corro o risco e assumo: “Banga” é um grande disco, onde Patti Smith faz de forma superior aquilo que a caracteriza – um rock apaixonado, emotivo, sentido, sempre com a guitarra do eterno Lenny Kaye a guiar o caminho. Tive a sorte de encomendar na Amazon a edição especial, que na verdade é um pequeno livro, com fotos e polaroids, que conta como o disco começou a tomar forma – a bordo de um cruzeiro, em 2009, quando Patti Smith e Lenny Kaye foram convidados por Jean Luc Goddard no agora célebre Costa Concordia, para filmar algumas cenas do filme «Socialism». Foi em frente da costa da Sicília que algumas destas canções foram compostas. As canções têm relações directas com a vida de Patti Smith - «Seneca» é sobre o seu afilhado Seneca Sebring, «This Is The Girl» é uma homenagem a Amy Winehouse, «Nine» é um presente de aniversário a Johnny Depp, que aliás toca guitarra e percussão na faixa que dá o nome ao disco, “Banga”. Outros grandes temas são por exemplo «Amerigo», April Fool» (com um solo de Tom Verlaine) ou «Tarkovsky». O álbum termina com uma versão de homenagem a um clássico de Neil Young, “After The Goldrush” – mas a edição especial tem uma faixa extra, “Just Kids”, o nome da autobiografia da própria Patti Smith. E esta faixa, como quase todo este disco, mostra como ela, aos 65 anos, continua a ser capaz de combinar a poesia com a sensualidade e energia do rock como nenhuma outra artista.


 


FOLHEAR –O que é “Fast Company”? Um nome de um filme? Um nome de uma canção dos Eagles? Ou uma revista sobre tecnologia, design e negócios? Pois as três coisas encaixam no título, mas é sobre a revista que vou falar. Foi criada em 1995 por ex-editores da Harvard Business Review e em 2000 a Bertelsmann comprou-a aos fundadores por 350 milhões de dólares, um número recorde na época. De entre as iniciativas da Fast Company contam-se a Most Innovative Companies, a Most Creative People in Business e Masters of Design. A revista tem ganho numerosos prémios e a sua área digital inclui a Co.Exist, a Co.Design, a Co.Create e a Co.Lead, além de um site verdadeiramente genial chamado 30 Second MBA. Pode dizer-se que o conjunto de iniciativas e sites da revista é um exemplo de como transformar uma publicação em papel  tradicional numa organização digital influente. A edição de Junho era dedicada precisamente às 100 pessoas mais criativas na área dos negócios e é uma espécie de guia de tendências. Vou dizer os três primeiros – Ma Jun, o Director da agência ambiental chinesa, Rebecca Van Dick, que dirige o marketing para consumidores do facebook e Adam Brotman, Chief Digital Officer da Starbucks. Esta edição é preciosa.


 


PROVAR – Descobrir sabores orientais no meio de Azeitão é obra; conjugá-los com a tradicional e saborosa carne do rabo do boi é ainda mais curioso. Mas o resultado final é simpático – os folhados de rabo de boi foram uma excelente surpresa e a sopa Thai, bem condimentada, foi apreciada. Os vinhos, da região, estão a preço comedido, o serviço precisa de melhorar mas o balanço geral é positivo. A equipa, a começar pelo Chef, é jovem, e decidiu arriscar no mesmo espaço que já teve vários protagonistas, desde os tempo do pintor João Vieira até outros mais recentes do restaurante Azeitão, cuja equipa está agora no Clube de Golfe da Quinta do Peru, ali perto. O Eden, assim se chama agora o espaço, fica na Praça da República nº8, em Vila Nogueira de Azeitão, tem o telefone 919 932 182 e é liderado pelo Chef Maurício do Vale (não tem relação com o crítico tauromáquico). Quer-me parecer que lá hei-de voltar mais vezes.


 


GOSTO –   Em 2016 Angola deverá ultrapassar a África do Sul como maior economia de África.


 


NÃO GOSTO – De todo o processo da greve dos pilotos da TAP, cuja reivindicação foi o afastamento de responsáveis das operações de vôo sem cuidar dos prejuízos causados.


 


BACK TO BASICS –  Para se ser um líder tem que se ter a capacidade de fazer com que haja pessoas que nos queiram seguir; mas ninguém quer seguir alguém que não sabe para onde vai – Joe Namath


 

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publicado às 16:50


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