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O LABIRINTO DA AVENIDA

por falcao, em 04.12.12

Na semana passada acompanhei, numa volta por algumas zonas de Lisboa, um responsável estrangeiro de um grupo de grandes marcas de moda. É francês,  vive entre Paris e Londres,  e tinha interesse em ver como são as lojas no Chiado e na Avenida da Liberdade. Quando saímos do Chiado e descemos para a Avenida, ele não queria acreditar no cenário: o trânsito das laterais ao contrário da via principal, constantemente a fazer círculos, filas imensas, confusão de pára-arranca a meio da manhã, de um dia de semana, com trânsito moderado mas engarrafado. Escusado será dizer que o visitante não ficou bem impressionado.


Com tanto motor ao ralenti e tanto pára-arranca não acredito que haja descida significativa da poluição e não me admirava mesmo que, nalgumas zonas, tenha aumentado. A entrada das laterais nos cruzamentos e no troço central da avenida é um foco constante de filas - a situação do cruzamento da Barata Salgueiro é um bom exemplo do que não devia acontecer.


O autor deste esquema de circulação na Avenida da Liberdade, em que se têm de dar voltas sucessivas a quarteirões, em que não se consegue fazer percursos de modo linear, em que não há sinalização de semáforos no encontro das vias laterais com as perpendiculares, de certeza que não mediu bem as coisas, não teve capacidade de previsão. Fez um desenho muito bonito no papel, mas não contou com a realidade.


Se a Câmara de Lisboa não quer carros a circular tem bom remédio: proíba zonas inteiras, mas já agora deixe também de cobrar o respectivo imposto de circulação. O que existe é um labirinto maquiavélico capaz de dar cabo da paciência a um santo. Estamos todos perante um desvario que custou caríssimo e que prejudica a vida aos lisboetas. É para isto que serve um executivo municipal? É com esta obra que Costa se recandidata?


(Publicado no diário Metro de 4 de Dezembro)

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