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INCOMPETÊNCIA OU CORRUPÇÃO?

por falcao, em 30.04.13

Uma das curiosidades  mais intrigantes dos últimos dias é a forma como as operações de swaps que mais prejuízos causaram em empresas públicas estão  concentradas em número apreciável ligadas ao sector dos transportes.  Podia ter acontecido noutras áreas, mas a verdade é que desde os Metros de Porto e Lisboa até à Carris ou Refer, é grande a concentração  destas operações em empresas públicas tuteladas pelo Ministério dos Transportes, decisões tomadas praticamente em simultâneo, na época do Governo Sócrates.  Por acaso foi também nos Transportes que surgiram as negociatas com as sucatas e as pressões para que fossem tomadas decisões de favor. No caso dos swaps alguns responsáveis financeiros dessas empresas, à época, já estão identificados.


A mim quer parecer-me que falta contar muita coisa: quem apareceu com o negócio? Quem fomentou o negócio? Quem trouxe os bancos e os seus contratos? Foram os directores financeiros ou eles limitaram-se a obedecer a instruções das suas administrações?  A ideia de fazer do dinheiro dos contribuintes material para apostas arriscadas veio dessas administrações ou através da tutela? Quem montou um jogo de apostas ruinoso nas empresas públicas de transportes?


Quando o dinheiro dos contribuintes se envolve em negócios privados, que terminam com um prejuízo colossal para o Estado e um lucro desproporcionado para os privados, a coisa merece atenção. Pode ter sido incompetência; pode ter sido ambição; mas também pode ter sido corrupção. E convinha esclarecer isso – é que no fim do dia quem toma as decisões e gera prejuízos acaba olhando para a paisagem com ar intrigado – mas os contribuintes são sempre quem tem de  pagar a factura dos disparates que outros fizeram em seu nome.


(publicado no diário Metro de  30 de Abril)

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publicado às 10:56



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