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GREVE - À hora a que escrevo ainda não sei o que aconteceu de facto. Mas posso, sem grande risco, pensar que a greve de quinta-feira atingiu sobretudo serviços do Estado e empresas públicas. Dantes, as greves gerais não eram assim - paravam fábricas, paravam empresas privadas, paravam países. Agora conseguem parar os transportes e, por via disso, inviabilizam que algumas pessoas vão trabalhar, apesar de não quererem fazer greve. A verdade é que, historicamente, o desenvolvimento do transporte privado tramou os sindicatos e restringiu o universo grevista. Li esta semana que só 10% dos trabalhadores do sector privado são sindicalizados - e os sindicatos bem podem dizer que a culpa é das empresas que atemorizam oa assalariados, mas ninguém em seu perfeito juízo acredita nisso como regra geral. Mais provavelmente, muitos colaboradores de empresas privadas estão apostados em conseguir, nesta difícil conjuntura, que as empresas onde trabalham consigam produzir, vender, facturar e, consequentemente, pagar. Hoje ainda continua a haver quem queira apenas um emprego; mas há muita gente que prefere trabalhar, percebendo que só a sua produtividade ajuda a que a situação geral melhore. É triste que seja na administração pública, mais improdutiva que a actividade privada em termos objectivos, que a greve alcance indícies palpáveis. É o melhor sinal da urgente necessidade de uma reforma e redimensionamento do Estado, muito para além do que os partidos, tementes das suas clientelas eleitorais, estão dispostos a arriscar. Em Portugal continua a falar-se muito de direitos e pouco de responsabilidades. Ao ler declarações, destes dias, do líder da CGTP, Arménio Carlos, dei comigo a pensar que quando um dirigente sindical aparece a pedir eleições, não está a fazer reivindicações, está a fazer política, necessariamente partidária. É nestes dias que vale a pena recordar as palavras de Oscar Wilde, ao sublinhar que “dever é o que esperamos dos outros, não o que nós mesmos fazemos”. Para terminar a conversa: uma semana depois do aviso, continuo à espera de ver como vai ser a prometida comunicação diária do Governo nestes tempos agitados. Terá feito greve?

 

SEMANADA - O Benfica tem 104 jogadores a contrato, o FC Porto tem 69 e o Sporting tem 62 - 235 jogadores apenas nestes três clubes;  o número de milionários em Portugal, usando o critério de património financeiro superior a um milhão de dólares, cresceu 3,4% no ano passado e é agora de 10.750 pessoas; 45 % das casaas do Algarve são residências secundárias; segundo o Banco de Portugal as empresas privadas e as famílias estão a conseguir reduzir a dívida, mas o estado continua a aumentá-la; a dívida pública, que no final de 2013 devia ser de 123%, já atingiu os 127%; o Secretário de Estado da Economia, Franquelim Alves, considerou que a “descida do IRC é um sinal crítico para a política económica” na captação de investimento; o Ministro das Finanças Vitor Gaspar disse na Assembleia da República que ainda não vê margem para poder baixar impostos”; a Secretária de Estado do Tesouro disse no Parlamento que o cancelamento de 69 contratos swaps não custou dinheiro aos contribuintes, embora provocasse uma perca de mil milhoes de euros, suportada pelo Estado; o negócio da construção prevê uma quebra de 15% neste ano.

 

ARCO DA VELHA - A colecta do IRS aumentou 30,6%, a do IRC apenas 8,2% e a de todos os outros impostos caíu 92% - e mesmo assim Vitor Gaspar diz-se satisfeito com a execução orçamental, feita à custa da cobranças mais simples.

VER - Lisboa vive um momento alto em matéria de exposições de fotografia. No Museu da Electricidade inaugurou “Pátria Querida”,  uma boa amostra do trabalho do espanhol Alberto Garcia-Alix, que se celebrizou a mostrar a movida madrilena. Se o que faz a fotografia é o modo de ver, a maneira de transmitir o que se observa, aqui o objectivo está bem conseguido. Na Gulbenkian, inseridas na programação “Próximo Futuro”, estão duas exposições imperdíveis - uma mostra dos Encontros de Fotografia de Mamako, que traça um retrato da África pós colonial, e “Present Tense”, uma mostra comissariada por António Pinto Ribeiro (o amentor do ciclo “Próximo Futuro”) e que desbrava caminhos contemporâneos da observação do espaço e das pessoas no continente africano. Finalmente, em “A Pequena Galeria” (24 de Julho nº 4C) está “De Maputo”, que agrupa fotografias de José Cabral e Luis Basto, com breves mas importantes evocações de Rogério Pereira e Moira Forjaz.

 

OUVIR- Lembram-se de Lloyd Cole? Com os Commotions conquistou fama graças a belas canções, intimistas q.b. Numa carreira a solo incerta, manteve a descrição e o seu novo disco, ironicamente intitulado “Standards”, não é um repositório de versões de lugares comuns, mas sim a tentativa de deixar para a memória do seu público algumas canções. A viver nos Estados Unidos desde há anos, o disco é marcado pelos sons do pop e rock americanos, mais do que pelo suave pop britânico que deu fama a lloyd Cole. Nõo é certamente por acaso que a única versão de canção alheia nestes “Standards” é “”California Earthquake”, de Cass Elliott, dos The Mamas & The Papas, um velho tema de 1968. Dos temas novos, que mostram como aos 52 anos ainda se consegue comabter o destino, destaco “Blue Like Mars”, “Women’s Studies”, “Opposites Day” e “No Truck”. A vasta legião de fãs de Cole em Portugal não ficará desiludida com este disco.

 

FOLHEAR - Qualidade de Vida em 2013, onde se pode encontrar?

Pois é, Costa, em ano de eleições Lisboa saíu da lista das 25 melhores cidades para viver elaborada pela “Monocle”. Eu, lisboeta, tenho pena. Aguentámos lá uns anos, mas não sobrevivemos ao mandato do Costa e do Sá Fernandes. Tenho muitoa pena de ver a minha cidade transforamada num fim de semana em cartaz publicitário de um hipermercado, como vai acontecer este sábado. Estas coisas pagam-se. Para o Continente é barato, para Lisboa, é caríssimo. A “Monocle” sublinha que uma boa cidade deve viver sete dias por semana, sem interrupções, para os seus habitantes. O que se vai passar sábado na Avenida  é uma interrupção da cidade. Além de uma foleirice, é um abuso. Rewsta-nos a satisfação de o Deli Delux ser referida como a sexta melhor loja de comida e bebida no “The Monocle Food And Entertaining Guide 2013”, com destaques para o vinho deo Porto da Taylor’s e para as conservas da Tricana. O City Survey da edição dupla de Verão, agora distribuída, é sobre o Rio de Janeiro. E, claro que me dói um pouco ver Madrid citada várias vezes e Lisboa assim esquecida. olhem, agradeçam ao Costa.

 

PROVAR - Onde é que uma cerveja moçambicana e a vista do casario de Lisboa, com o Tejo por pano de fundo combinam? A resposta é num belo terraço, perto do Castelo, no alto do antigo mercado do Chão do Loureiro, hoje um parque de estacionamento bem útil para se poder ir à zona da Costa do Castelo? Ali pode beber uma “laurentina” bem fresquinha”, mas também uma “dois MM”. No restaurante, que dispõe da mesma vista, tem uma boa selecção de vinhos - mas aceite a sugestão dos vinhos Casa da Ínsua, do Dão, que têm uma excelente relação qualidade-preço. Provou-se a galinha em caril com amendoim, o chacuti de vaca e o camarão à Laurentina e tudo merece elogios. O serviço, como diz voz amiga, é acima de simpático. O Zambeze está aberto todo o dia, alternando entre café, esplanada e restaurante, fica ao alto da Calçada do Marquês de Tancos e tem o telefone 218 877 056.

 

DIXIT - Procuro político honesto para votar - Cartaz em manifestação no Brasil

 

GOSTO- Os Moonspell e seus convidados são os escolhidos para, amanhã, sábado, encerrarem as Festas de Lisboa junto à Torre de Belém.

 

NÃO GOSTO - Já repararam que Antonio Costa protege o piquenicão e as hortas postiças do Continente, ao mesmo tempo que a Câmara arrasar hortas comunitárias?

BACK TO BASICS - Por mais interessante que a estratégia pareça, devemos sempre olhar para os resultados que proporciona - Sir Winston Churchill


(Publicado no Jornal de Negócios de 28 de Junho)

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