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(DES) POLÍTICA - A um escasso mês das eleições autárquicas continua sem se saber exactamente o que irá acontecer em relação a uma série de candidaturas, suspensas de uma decisão do Tribunal Constitucional sobre a lei de acumulação de mandatos. Não vou tecer comentários sobre a posição dos privilegiados juízes do Palácio Ratton, que estão, na maioria, a banhos em parte incerta e sem sinais de quererem interromper o seu lazer - a coisa é apenas um retrato de um sistema completamente caduco. Mas o que me deixa estarrecido neste processo, desde o início, é a forma como os políticos abdicaram de fazer política e passaram esta responsabilidade para os tribunais. As dúvidas sobre a Lei, feita pelo PS, PSD e CDS na Assembleia da República, deviam ter sido esclarecidas e eventualmente corrigidas pelos seus autores no mesmo sítio onde essa legislação nasceu - o Parlamento. Mas em vez de chamarem a si a responsabilidade, no que parecia uma decisão política óbvia, os nossos políticos, os seus partidos e os respectivos líderes parlamentares deram uma tristíssima imagem de si próprios ao abdicarem da sua qualidade de legisladores, remetendo uma decisão política para os tribunais. Quando isto acontece numa época em que tanto se fala - com preocupação e razão - da judicialização da política, é elucidativo o facto de serem os próprios políticos a, abstendo-se de cumprirem o seu mandato e aquilo que deles se espera, surgirem a promover essa judicialização numa questão básica do regime como é  uma Lei Eleitoral. Em vez de política frontal preferiu-se a vergonha dos arranjos de interesses, da criação de confusão na mais vergonhosa demonstração de cobardia política generalizada de que tenho memória. Não se queixem agora os políticos das férias dos juízes do Constitucional - são eles, os políticos, que deixaram de fazer o que deviam.


SEMANADA - Nas cerca de três centenas de municípios há 80 candidaturas independentes, não apresentadas por partidos, totalizando cerca de 25% do total e representando cerca de 33% do número de eleitores; mais de 80 candidatos têm canais pessoais no Meo Kanal, e o PS é o partido que mais usa esta plataforma tecnológica; Manuela Moura Guedes foi escolhida pela RTP para apresentar a nova série do concurso “Quem quer Ser Milionário”; 27 por cento dos trabalhadores por conta de outrem tiveram cortes salariais em 2012; nos últimos 25 anos o número de casamentos diminuíu 40%; cerca de ⅓ dos serviços do Estado falharam o prazo para a entrega nas Finanças das propostas de orçamento para o próximo ano e o Ministério da Educação foi o recordista nos atrasos; encargos com a saúde na ADSE diminuíram 100 milhões de 2011 para 2012; a circulação de veículos nas auto-estradas caíu 6,3 por cento no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado; a polícia russa confiscou na segunda-feira um quadro satírico em que o Presidente Vladimir Putin surgia a pentear o primeiro-ministro Dmitry Medvedev, ambos vestidos apenas com roupa interior feminina; o Skype fez dez anos e liga 300 milhões de pessoas.


ARCO DA VELHA - No meio do inferno dos incêndios soube-se que um homem ateou uma dezena de fogos ao saber-se traído pela mulher.


VER - Apenas a carolice e a dedicação de uma pessoa, José Delgado Martins, explicam a persistência de um local como a “Casa das Artes de Tavira”. Delgado Martins, que há quase 30 anos é responsável por este espaço, fez com que ele se afirmasse como um porto seguro onde se pode ir vendo, em Tavira, obras de artistas contemporâneos portugueses. O horário de verão é pensado em função dos hábitos estivais, o que faz com que a Galeria esteja encerrada nas horas do calor e que à noite esteja disponível para visitas. Por estes dias, até 7 de Setembro, podem ali descobrir obras recentes de Pedro Calapez sob o título “Espaço Moldado”, numa montagem ritmada e cativante nas três salas por onde as peças se distribuem. Tudo isto se passa na rua João Vaz Corte Real 96, em Tavira.


OUVIR- Rokia Traoré, guitarrista e cantora do Mali, da etnia Bambara, é um dos nomes grandes da música africana contemporânea, tendo começado a sua carreira no final dos anos 90. Desde cedo se interessou por utilizar a tradição musical do seu país em fusão com a música popular de origem anglo-americana. “Beautiful Africa”, o seu novo disco, o quinto, é aquele que mais influências rock aparenta em toda a sua obra, foi produzido por John Parish, que fez carreira e ganhou fama ao lado de nomes como P.J. Harvey, desempenha aqui a função de guitarrista convidado e, sobretudo, como produtor, tem uma influência decisiva na sonoridade final do disco. Traoré canta em inglês, mas também em bambara, e tanto usa instrumentos ocidentais como o tradicional n.gori e, além de Parish, é acompanhada por um grupo de músicos africanos. O resultado é um conjunto de canções de invulgar qualidade e onde me permito destacar os temas Kuama, Melancolie e, sobretudo, a faixa título, sobre a situação no Mali, “Beautiful Africa”. CD Nonesuch, na Amazon.


FOLHEAR - Todos os anos, por esta altura, a revista semanal norte-americana “Time” publica um número duplo, de Verão. Este ano o tema escolhido foi o aniversário dos 50 anos da marcha pelos direitos cívicos dos negros norte-americanos, em Washington, liderada por Martin Luther King. Este número da revista, ainda em distribuição, é um exemplo  - da capa à escolha das fotografias ou à concepção de toda a edição - a escolha dos artigos, a forma como são paginados, a sequência com que são publicados - tudo é um exemplo de grande jornalismo e de grande imprensa. Esta edição da “Time” é a prova de que em nenhum outro media se consegue fazer o que se faz na imprensa - seja hoje em papel ou amanhã em digital. A capacidade de contar histórias, escritas e mostradas nas fotografias, é bem maior aqui que num flash rápido de qualquer estação de televisão. Basta ler a descrição de como nasceu o célebre discurso “I Have A Dream” para se perceber como a maneira de bem contar uma história faz toda a diferença.


PROVAR - O restaurante “O Cesteiro” vive em Vilamoura há mais de duas décadas, constantemente a dar provas de qualidade nos produtos que apresenta e confecciona. Logo na entrada há um balcão onde o fresquíssimo pescado do dia se apresenta à escolha dos clientes. A casa tem uma varanda larga, com vista sobre a Marina de Vilamoura (o restaurante é num primeiro andar), e uma sala ampla e confortável, com uma decoração intemporal que tem resistido bem ao passar dos anos. A relação de qualidade/preço de “O Cesteiro” é assinalável e é certamente uma das razões que levam a casa a manter-se. Mas ficaria mal com a minha consciência se não louvasse a competência do grelhador que, sem escalar o peixe, desempenhou a sua função acima da média: o resultado foi uma dourada fresquíssima bem grelhada, suculenta, sem perder nada do seu sabor ou textura. Antes tinham vindo para a mesa umas honestas ameijoas e umas lulinhas fritas absolutamente sublimes. O telefone do local, no Edifício Vilamarina, é 289 312 961.


DIXIT - “Magistrados do Constitucional deixam-se influenciar por motivações políticas" - Daniel Proença de Carvalho.


GOSTO- Da determinação e do esforço dos Bombeiros

NÃO GOSTO - Da ideia de, em plena época de fogos, ter assinalado os 25 anos do incêndio do Chiado com um simulacro da sua repetição.

BACK TO BASICS - Quando fôr preciso agarrar uma cobra venenonsa usem sempre a mão do vosso inimigo (provérbio persa)

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publicado às 15:38



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