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POLÍTICAS - Nem sei de que me apetece falar - se do súbito interesse manifestado por  Passos Coelho em conversar com José Eduardo dos Santos, se do facto de José Sócrates se afirmar como “o chefe democrático que a direita sempre quis”. Um amigo meu diz que ele deve ser ambidestro, mas, justiça seja feita, não será o único. Tenho que me render à evidência: o que se passa no reino da política, das decisões do Governo e do discurso da oposição partidária ou sindical ultrapassa a minha capacidade de compreensão. Sei bem que há boa gente de um lado e do outro - mas a forma como gerem a coisa pública e fazem o discurso político está a provocar danos profundos na capacidade de as pessoas compreenderem o que se passa e de se interessarem em ser parte da solução em vez de contribuírem para o problema. Alguém no Governo tem que vir dizer que a culpa não é dos cidadãos que se iludiram com promessas, é de quem as fez e de quem - de todos os lados do espectro partidário - prometeu o que não se podia. As autárquicas deram o primeiro aviso de forma bem clara - os partidos já não controlam o que controlavam. Tudo isto vai levar a um desinteresse ainda maior das pessoas, dos eleitores -  e a resignação é o pior que pode acontecer a uma sociedade: fica amorfa, sem energia, deixa de produzir, de estar atenta, de criar coisas novas. Estamos à beira de ficar um país de desinteressados, de deixar de pensar em estratégia, de deixar de inovar e surpreender. Vendemos - bem -  paisagens e clima. Mas em matéria de “start ups” Portugal quase não existe - embora seja abundante em empresas em dificuldades. Gastamos recursos e energias a tentar salvar o passado em vez de construir o futuro.

 

SEMANADA - Foi apresentado o Orçamento de Estado; no Conselho de Ministros extraordinário deste fim de semana Paulo Macedo criticou a equipa do Ministério das Finanças; a taxa adicional de 3,5% sobre o IRS, introduzida por Vitor Gaspar, mantém-se no próximo ano; a contribuição para o audiovisual, cobrada na fatura da electricidade e destinada a financiar a RTP, vai aumentar 18%; o IVA da restauração mantém-se a 23%;  o Orçamento de Estado para 2014 prevê um aumento da receita, paga pelos contribuintes, de 612 milhões de euros; um mês após o início das aulas ainda há escolas onde faltam professores; Vale e Azevedo é ajudante do padre nas missas da prisão da Carregueira e é o responsável pelas hóstias e o vinho usado na comunhão; José Sócrates lança o seu livro sobre a tortura na próxima semana; Mário Soares disse que António Costa é o melhor candidato do PS às presidenciais; nestas autárquicas as câmaras municipais sem maioria absoluta quase duplicaram; muito curiosas as reacções à ideia de acabar o fim das subvenções vitalícias a políticos; em 2012 verificaram-se 1076 mortes por suicídio e 121 mortes por agressão; no ano passado verificou-se um aumento dos suicídios em pessoas acima dos 90 anos de idade.

 

ARCO DA VELHA -  A Universidade de Coimbra tem em atraso, há vários anos, a entrega de mais de duas dezenas de milhar de diplomas de fim de curso aos alunos que já os pagaram.

 

OU(VER)- Há discos que deixam marca. Discos que não esperavam, sons que não tínhamos pensado poder coexistir. Amália cantou com Alain Oulman ao piano e há imagens de Augusto Cabrita que  testemunham esses momentos de encontro marcante, que aliás mudaram para sempre a carreira de Amália. O Fado toca-se com guitarra - mas o desafio de Julio Resende foi o de mostrar como o piano também pode ser fadista - tal como Oulamn tinha já apontado. Resende vem - e é - do jazz, mas tem uma tradição de interpretar temas da música popular portuguesa - com uma sensibilidade rara. “Amália, por Júlio Resende” é um disco inesperado. E é cativante : não se lhe consegue resistir, é impossível conter a emoção quando ele começa a tocar o “Ai Mouraria” ou “Barco Negro” ou “Foi Deus”. Mas há um momento, acima de todos os outros, que tem uma força e uma capacidade de atracção especial: quando o piano de Resende se junta à voz de  Amália a cantar o “Medo”, um fado de Reinaldo Ferreira e Alain Oulman, gravado em 1966 e editado pela primeira vez em 1997 no álbum “Segredo”. A tecnologia tem destas coisas - consegue juntar no mesmo espaço dois momentos tão diferentes - três, se contarmos com o trabalho atrevido e audaz de Pedro Cláudio ( que assina também as fotos e o grafismo do disco), na edição de um videoclip que junta os dois tempos, a voz e o piano. Vejam-no, porque é absolutamente imperdível - basta irem ao YouTube e procurarem Julio Resende - O “Medo” é o primeiro a aparecer. (CD Edições Valentim de Carvalho).

 

FOLHEAR - A edição de Novembro da Wired britãnica é dedicada às melhores startups europeias (num sentido bastante alargado do continente) que se desenvolvem naquelas que a revista considera serem as dez melhores cidades em termos da economia digital - Londres, Moscovo, Berlin, Estocolmo, Paris, Helsinkia, Tel Aviv, Istambul, Amsterdão e Barcelona. Em cada uma são apontados vários exemplos de startups, já em funcionamento. Voltemos à edição - um dos outros pontos de interesse é a entrevista com Astro Teller, o homem que dirige o laboratório da Google onde são desenvolvidos os projectos mais arriscados, como os carros sem condutor. Com um design gráfico mais rasgado e aberto que a sua congénere norte-americana (aliás a edição original), esta Wired feita no Reino Unido ganhou agora o prémio de Marca do Ano em Media. Além de temas ligados à tecnologia e aos negócios à volta da tecnologia, esta Wired dedica bastante atenção ao design e às suas tendências em termos industriais. Para terem uma ideia da latitude de temas da revista e da forma como cruzam influências, a conferência “Wired 2013”, que decorreu esta semana, teve oradores como a cantora Bjork, o pianista Lang Lang, um dos fundadores do Huffington Post e do Buzzfeed, vários professores do MIT, neurocientistas, entre cerca de três dezenas de palestrantes - numa iniciativa patrocinada em Londres pela Telefonica espanhola. Para além de numerosas notas sobre novos gadgets, a revista explora as diferentes formas como o dinheiro pode girar no futuro nas transacções electrónicas e debate questões como esta: “Os professores devem recompensar as respostas certas ou as boas perguntas?”.

 

PROVAR - Em Portugal, antes da adesão à União Europeia e das romarias estatais a Bruxelas, os mexilhões eram um petisco que se podia provar perto de Lisboa, tipicamente de cebolada, na zona de Sesimbra, sendo os bichos, na época, oriundos da lagoa de Albufeira. A adesão europeia tirou-nos a cebolada e trouxe-nos a descoberta das moules - os mexilhões feitos à maneira belga, com vinho branco, manteiga, salsa e natas e acompanhados por batatas fritas - as célebres moules marinières. Ao longo dos anos vários restaurantes lisboetas abordaram o petisco, nomeadamente A Travessa, mas poucos com o saudável fanatismo dos “Moules &”. Há uns meses abriu em Cascais o “Moules & Gin”, à boleia da moda do Gin que este ano acelerou e se tornou um ritual. Mas como a bebida de excelência para o petisco do mexilhão é a cerveja, abriu agora em Lisboa, em Campo de Ourique, o Moules & Beer. A particularidade é que as cervejas são maioritariamente belgas, mas também há holandesas e alemãs de várias qualidades e sabores; portuguesa apenas a cerveja artesanal Sovina, já aqui louvaminhada em escrito anterior. Para fugir à norma a prova recaíu em mexilhões à bulhão pato, que estavam bem, e em mexilhões Thai, temperados com lemongrass e gengibre , que estavam muitissimo bem. As batatas fritas, aos palitos finos, são competentíssimas mas quem quiser pode pedir uma pasta que fica no fundo do prato a embeber-se no molho. Quem não pode ou não quer comer mexilhões tem à disposição um naco da vazia fatiado, que acompanha com molho de mostarda e manteiga de alho - e vem com as mesmas batatas fritas. O telefone é o 213 860 046 e a morada é  Rua 4 de Infantaria 29 D, logo a seguir ao Jardim da Parada.

 

DIXIT - “Foi você que pediu uma reforma do Estado? - Não vendemos, diz no fundo o Governo neste Orçamento” - António Costa Pinto, politólogo.

 

GOSTO - Chegou a época das romãs e dos dióspiros.

 

NÃO GOSTO - Google quer vender foto e informações dos seus utilizadores para fins comerciais.

 

BACK TO BASICS - O investimento no conhecimento é sempre o que tem melhor rendimento - Benjamin Franklin


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