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O REALITY SHOW DO FILÓSOFO

por falcao, em 29.10.13

Hesitei muito em escrever esta coluna sobre este tema – a autêntica novela protagonizada por Manuel Maria Carrilho. Não gosto de falar da vida das outras pessoas e creio que cada um tem direito a viver como quer, desde que não prejudique os outros. Fui ensinado a ter sempre presente que a liberdade de cada um de nós acaba onde começa a liberdade do próximo. Mas, quando são as pessoas envolvidas que se colocam a posar para fotografias, a fazer relatos e se desdobram em entrevistas sobre questões da sua vida pessoal e familiar, então essas pessoas optam por deixar de ter privacidade e perdem o respeito por tudo – por si próprias em primeiro lugar e pelos outros, que lhe são próximos, e que assim envolvem no turbilhão que desencadeiam à sua volta.

 

Não vou falar de culpas nem de averiguações, que não me interessam especialmente – apenas de uma evidência que nos últimos dias tem sido incontornável. Basta passar por uma banca de jornais para perceber que Carrilho todos os dias adiciona um novo episódio à narrativa que começou a construir para se colocar no papel de vítima. Não faço ideia se ele é vítima de alguma coisa – mas tenho a certeza absoluta que é pelo menos culpado de se expor, de expor os seus filhos e a mulher com quem tem vivido de uma forma que é, no mínimo, brutal. Não sou dado a moralismos, mas choca-me como pode alguém tão friamente maltratar em público uma pessoa com quem manteve uma relação e de quem tem filhos. O que se passa não abona a favor do carácter do sujeito.

 

Quando um filósofo decide fazer na praça pública um reality show mais sórdido e cruel que aquele que foi imaginado por qualquer estação de televisão estamos conversados. Como vão os alunos olhar para este Professor?

 

(Publicado no diário METRO de  29 de Outubro)

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publicado às 11:13


3 comentários

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De Pois! a 29.10.2013 às 13:35

Tão cultos e aristocráticos e ... tão chungas! Os extremos tocam-se, será por isso?
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De Fátima Soares a 29.10.2013 às 14:08

Infelizmente não são apenas eles! Dá-se mais importância e crédito por serem mediáticos mas há todo o tipo destas agressões diárias em casal ou não. Vivemos numa era em que a crítica gratuita e malévola. A chalaça, o denegrir o gozo mais humilhante e despropositado é exercido sobre o outro duma forma absurda e totalmente deixada impune na sociedade! Foram-se os manuais em que havia um mínimo de contenção . Um pouco de respeito e muito de percepção que não se está só a agredir ou a pôr em cheque os outros mas a dar ao mundo, MUITO do que nos falta a nós. Boa semana!
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De Marta a 30.10.2013 às 01:08

Completamente de acordo. Onde está a filosofia afinal?

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