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por falcao, em 28.11.04
O TÚNEL



ACÇÃO CÍVICA – Não me cansarei de dizer como acho que a participação cívica dos cidadãos não se esgota nos partidos e, muito provavelmente, é mais importante fora deles do que dentro. Mas tal como dentro dos partidos, na sociedade civil, volta e meia aparecem uns «chico espertos» a querer ganhar fama à custa dos outros. O caso do túnel do Marquês é um bom exemplo disto e deve fazer-nos reflectir. Se o advogado José Sá Fernandes pretendesse de facto contribuir para melhorar alguma coisa tinha mais formas de actuar possíveis do que ter encravado a vida a milhares de pessoas durante mais de seis meses. A sua apetência de se travestir de Robin Hood dos dias de hoje incorre num erro básico: trabalha para si próprio e para a comunicação, não pensa um segundo que seja como as suas acções podem afectar os outros. Ele argumentará que faz isto a bem da sociedade, mas os efeitos práticos são o que são. O preconceito político é mau conselheiro e aparentemente é isso, junto com o impacto mediático que muito preza, que faz mover o advogado.



IMAGINAÇÃO - Com aquela maneira desprendida que tinha de falar das coisas, Albert Einstein dizia que «a imaginação é mais importante do que o conhecimento». Fora do contexto a frase parece deslocada, mas de facto é a imaginação que pode levar à descoberta e à criação de novo conhecimento. O processo de criação vive da imaginação, da capacidade de ver para além do que se sabe, de surpreender. Uma sociedade que aposta sobretudo na conservação e que vai desprezando a criação está a desproteger o futuro, está a comprometer o património das próximas gerações. Nestes tempos que correm vivemos demasiado de coisas efémeras e corriqueiras, e mesmo as políticas culturais, nacionais ou locais, têm uma estranha tendência a privilegiar o previsível e o desinteressante – alguma razão há-de haver para que em tantos domínios se esteja a reduzir a existência de coisas novas e interessantes. Quando a imaginação não é fomentada, estimulada, vai definhando. Acaba congelada.



DAR – Um interessante artigo na «Spectator» desta semana apela ao Governo inglês que introduza benefícios fiscais que permitam voltar a tornar interessante contribuir para a sociedade, financiar instituições culturais, benefícios que estimulem o simples acto de dar. O artigo tem origem na constatação de que muitas obras de arte importantes estão a fugir do país, em grande parte por falta de estimulos para que as pessoas possam contibuir para a sua aquisição e sejam recompesadas por isso. O que o artigo defende é que através das contribuições individuais ou colectivas instituições como os museus poderão adquirir novas peças, desenvolver colecções: «A criação e a manutenção de colecções públicas de arte deve ser um motivo de orgulho nacional, já para não falar de uma fonte de entretenimento e de prazer para os cidadãos», sublinha a revista, conhecida pelo seu posicionamento liberal e a favor da economia de mercado.



JULGAMENTO – A avaliar pelos primeiros momentos teme-se o pior da forma como os media vão seguir o julgamento do processo Casa Pia. Os directos intermináveis, os comentários a encher o tempo, a procura das reacções populares, a falta de rigôr, de síntese, de distanciamento marcaram a primeira manhã. É certo que o que se vai passar no Tribunal da Boa-Hora é um teste ao sistema judicial português e ao funcionamento da justiça; mas é também um sério teste para os media e para os jornalistas.





BACK TO BASICS – Citando Otto Von Bismarck: «A política é a arte do possível»



O MELHOR DA SEMANA – A decisão judicial que permite reiniciar as obras do Túnel das Amoreiras;



O PIOR DA SEMANA – A reacção do advogado José Sá Fernandes à referida decisão, considerando que fez «bom trabalho» ao provocar a paragem da obra durante meses.



A PERGUNTA DA SEMANA – Quem paga os prejuízos causados pela paragem da obra ? Ninguém é responsabilizado por todos os enormes transtornos causados?



RESTAURANTE – Café Três, Tivoli Fórum



LEITURA – O livro «Cruz das Almas», de Patrícia Reis.



TENTAÇÃO – A galeria VPF Cream Arte, na Rua da Boavista 84, 2º, ao Cais do Sodré, em

Lisboa. Um novo conceito na arte contemporânea.



SUGESTÃO – Festival Super 8, uma projecção de curtas metragens em Super 8, dia 27 às 21h30 no Fórum Roma.

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publicado às 21:45


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