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por falcao, em 15.11.04
SOBRE A POLÍTICA

PROFISSIONAIS – Pela primeira vez desde 1974 temos os partidos entregues a uma geração de políticos profissionais, criada em democracia. Em quase todos os países isto é assim há muito – existe um núcleo duro de políticos profissionais que assegura o funcionamento dos partidos, de algumas instituições (como o Parlamento), que se vai treinando para o exercício do poder. É claro que há falhas- à excepção do Primeiro-Ministro, que foi militante e dirigente partidário, deputado, membro do Governo e autarca, a esta geração de políticos falta uma verdadeira carreira política e profissional fora do estrito círculo partidário. O percurso do dirigente partidário (juvenil, concelhio, distrital, nacional), normalmente é seguido de eleição parlamentar e daí, eventualmente, o salto para o Governo. Faltam os degraus do efectivo exercício executivo do poder a muitos destes políticos e também ao círculo que lhes é próximo. E isso nota-se. Muito.

SENSIBILIDADE – Um dos problemas de termos uma classe política com demasiados políticos profissionais é que corre-se o risco, grande, de eles perderem contacto com a realidade. Ver o país e os cidadãos através dos filtros dos aparelhos partidários é garantia de ter uma noção distorcida. Na política fazem sempre falta profissionais de outras áreas, cidadãos comuns que estejam empenhados no progresso e na participação cívica e os não alinhados são os que mais falta fazem para que ideias novas possam surgir. Uma das razões porque a reforma dos sistema tarda e porque ninguém quer mexer nas remunerações dos cargos políticos é que, se isso acontecesse, mais gente se poderia interessar e a cotação do tráfico de influências arriscava-se a descer. Seria o suicídio dos que vêem o exercício do poder apenas como um trampolim para outros vôos ou para a viabilização de outros interesses. Seria o fim dos assessores desqualificados, dos moços de recados, dos seguidistas.

PARTIDOS – Não é preciso fazer uma sondagem para perceber que os cidadãos desconfiam dos partidos, dos seus dirigentes e não se revêem no funcionamento actual do sistema político. Basta olhar para o aumento continuado da abstenção; basta ver a forma como ao longo destes trinta anos os partidos se foram enquistando; basta ver a falta de novidade ideológica e teórica que sai dos vários Congressos; basta ver como eles se foram progressivamente transformando apenas em rituais mediáticos da consagração do poder; basta ver a reduzida renovação da própria classe política. Se os partidos mantivessem laços estreitos com o pulsar dos vários grupos sociais não estariam sempre tão atrás do senso comum, seriam mais criativos. A forma de organização leninista dos partidos políticos – que a todos contaminou no leque partidário – acabou com os iconoclastas, estabeleceu a obediência cega às hierarquias, marginalizou os divergentes e aniquilou o desenvolvimento de pensamentos alternativos. Ou seja, matou a participação política, o debate, a criação teórica, o pensamento estratégico alternativo. Era bom os Congressos voltassem a servir para separar as águas, para clarificar, para romper e não para consagrar.



BACK TO BASICS – Só da discussão nasce a luz.

O MELHOR DA SEMANA – O plano de trabalho para os próximos dois anos apresentado pela UMIC.

O PIOR DA SEMANA – As informações contraditórias sobre as mudanças no IRS.

A PERGUNTA – No fim de semana, no Congresso do PSD, vai haver clarificação? Surgirá alguma novidade?

SUGESTÃO – O livro «Abrigos», de António Pinto Ribeiro, sobre a influência crescente das cidades e da sua política cultural no mundo em que vivemos.





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