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OS ABUSOS DE MEDINA

por falcao, em 09.02.18

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ABUSOS - Durante alguns anos a Câmara Municipal de Lisboa cobrou uma taxa de protecção civil que agora se veio a comprovar ser ilegítima - apesar de na altura da sua criação várias vozes terem alertado o PS de que estava a entrar no território da ilegalidade. O valor cobrado ao longo de três anos, e que os contribuintes tinham de pagar por transferência bancária ou multibanco, da sua conta directamente para a conta do município, vai ter um percurso mais árduo para quem quiser receber a devolução. Em vez de aplicar o princípio da restituição pela mesma via através de transferência para as contas dos contribuintes, a Câmara optou por fazer a devolução por vale postal, o que implicará que os cidadãos vão perder tempo em filas numa estação dos CTT para levantar o numerário ou irem a uma agência bancária depositar o vale. O que levará um autarca a proceder desta forma senão o princípio de que para tirar dinheiro às pessoas tudo deve ser fácil, para o devolver tudo terá de ser  difícil?  Este é no fundo mais um abuso de poder de Fernando Medina e da sua equipa, uma prova da falta de respeito pelos munícipes, uma espécie de punição - e, quem sabe, o secreto desejo que haja quem se esqueça de ir rebater o vale postal a tempo e horas. A devolução total prevista será de 58,6 milhões de euros que foram ilegalmente tirados aos lisboetas pela equipa de Medina - a tal que se gaba de fazer bem as contas. Para cúmulo a Câmara decidiu isentar-se a si própria do pagamento de juros referentes ao tempo em que ficou com o dinheiro alheio. Eis em acção o programa de Medina: cobrar rápido o que é ilegal, devolver devagar, sem juros e com dificuldade, o que é devido aos lisboetas.

 

SEMANADA - O excesso de álcool causa cinco acidentes por dia e as autoridades prendem diariamente 50 condutores com valores proibidos;existem mais de oito mil sem-abrigo em Portugal; um terço das crianças portuguesas entre os 3 e 8 anos vê telenovelas quase todos os dias e 38% usam a internet com regularidade; 12,6% é a percentagem dos jovens portugueses entre os 18 e 24 anos que em 2017 não tinham concluído o 12º ano nem estavam a frequentar qualquer grau de ensino; os crimes contra pessoas, com destaque para ofensas à integridade física, ameaças e coação, estiveram na origem de quase metade dos 147 casos de internamento de jovens em centros educativos verificados em 2017, um aumento de 7% em relação ao ano anterior; em 5090 escolas só 88 têm a maioria dos seus alunos sem negativas;; a Câmara Municipal de Montalegre decidiu manter a trabalhar um técnico superior que terá desviado mais de 61 mil euros dos cofres da autarquia entre 2015 e 2016; Diogo Gaspar, suspeito de desvio de bens do Museu da Presidência, vai trabalhar, a seu pedido, na Direcção geral de Cultura do centro em projectos ligados ao património; segundo o Tribunal de Contas a Autoridade Nacional da Protecção Civil não controlou como foram utilizados os 68 milhões de euros entregues em 2016 aos bombeiros; em 2017 houve 139 pessoas que mudaram de sexo nos registo civil e ao todo foram 514 nos últimos sete anos; oito anos depois de ter sido aprovada por unanimidade no Parlamento uma resolução para reduzir os riscos sísmicos o diploma continua na gaveta sem regulamentação nem aplicação; a Associação de Diplomatas contestou a designação de Sampaio da Nóvoa para a UNESCO, criticando a opção do Governo por um embaixador político.

 

ARCO DA VELHA - Uma mulher de 48 anos permitiu que o seu filho de dez anos conduzisse um automóvel na via pública no meio de Torres Vedras e a brincadeira só terminou quando foi detida pela PSP..

 

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FOLHEAR -  A 21 de Fevereiro de 1925 nascia a revista The New Yorker. Na capa estava um homem, vestido à moda da época, de cartola e com um monóculo a espreitar uma borboleta que esvoaçava na sua frente. 93 anos depois a edição de aniversário deste ano mostra a evolução dos tempos: é a imagem de uma mulher, negra, vestida a rigôr, e a encarar à mesma uma borboleta esvoaçante, ainda com um monóculo na mão. The New Yorker, hoje propriedade de um dos grandes grupos editoriais norte-americanos, a Condé Nast, criou uma sólida reputação de qualidade de escrita e rigôr de conteúdos. Para além de ser um guia sobre o que se passa nos palcos, museus e cinemas de Nova Iorque a revista inclui ensaios sobre temas contemporâneos, artigos de fundo sobre política, partidária e nacional, além de reportagens e investigações e, por vezes, a publicação de contos ou short stories inéditas de alguns dos grandes nomes da escrita norte-americana. Nesta edição que assinala o 93º aniversário há  exemplos de tudo isso. A secção The Talk Of The Town é a que aborda a actualidade - nesta edição em torno do mais recente discurso de Trump, sobre o Estado da União. Destaque ainda para uma reportagem sobre uma expedição solitária à Antártica, e a evocação dos 200 anos sobre a criação de Frankestein por Mary Shelley em 1918, contando como tudo então aconteceu. Finalmente, prova de que a publicidade também pode ser conteúdo editorial é a campanha da Emporio Armani, baseada no conceito de story telling - “Everyone has a different story...and everyone wears Emporio Armani” e que ocupa as quatro primeiras páginas de publicidade desta edição. Vale a pena ver a edição digital, à venda na App Store para iPad por 9,99 euros.

 

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VER - João Fernandes, que trabalhou com Vicente Todoli em Serralves e depois o substituíu, esteve ligado ao crescimento de Serralves enquanto palco da arte contemporânea e há uns anos decidiu aceitar o desafio de ser sub-director  do Museu Rainha Sofia, em Madrid. Agora, nessa qualidade, foi o impulsionador da exposição «Pessoa. Tudo é uma forma de literatura»  que pretende dar a conhecer obras e grandes nomes do Modernismo português. Ali estão apresentados cerca de 300 peças, dos quais 150 de pintura e desenho, de nomes como Amadeo de Souza-Cardoso, Almada Negreiros, Eduardo Viana, ou Santa-Rita Pintor , algumas apresentadas pela primeira vez fora de Portugal. Além da exposição, que fica até 7 de Maio, o programa inclui uma série de actividades paralelas, de conferências a ciclos de cinema - recordo que a ARCO Madrid decorre este mês entre 21 e 25 de Fevereira, reunindo 211 galerias de 29 países - coincidência que potencia também o alcance desta mostra de cultura portuguesa em Espanha. Outras sugestões: na Galeria Belo-Galsterer, até 29 de Março,  obras de Manuel Tainha e um projecto de Jorge Nesbitt (Rua Castilho 71).  Na Galeria Fonseca Macedo, em Ponta Delgada, nos Açores, Daniel Blaufuks expõe “O Monte dos Vendavais” e ,em Lisboa, na Galeria Francisco Fino, José Pedro Cortes mostra as suas novas fotografias sob o título  “Planta Espelho” (Rua Capitão leitão 76, ao Beato).

 

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OUVIR - Aos 72 anos Sérgio Godinho faz o seu 18º álbum de estúdio, "Nação Valente", o primeiro nos últimos sete anos e seguramente o melhor deste século. O arranque não podia ser melhor - uma canção-manifesto intitulada “Grão da Mesma Mó”, com letra de Godinho, música de David Fonseca, tocada por este e por Nuno Rafael, que produz o disco e está musicalmente presente por todo o lado. Ao todo são dez canções - nove originais e uma versão de “Delicado”, um tema de Márcia, uma das mais interessantes autoras e intérpretes portuguesas dos últimos anos e ao qual Sérgio Godinho se dedica numa interpretação tão pessoal que até parece um dos seus próprios clássicos. Outro ponto alto é “Maria Pais, 21 Anos”, onde as palavras de Godinho se cruzam mais uma vez com as ideias musicais de José Mário Branco naquela que é certamente a mais elaborada e emocional composição deste disco, não por acaso certamente uma espécie de retrato de uma geração para a qual ambos os autores olham com um agudo espírito de observação. Nuno Rafael, Pedro da Silva Martins, Filipe Raposo e Hélder Gonçalves assinam as restantes composições e apenas “Noites de Macau” é da autoria, na letra e música, de Sérgio Godinho num arrebatamento inesperado e quase fadista. A produção, de Nuno Rafael, é exemplar no respeito pelo património de Sérgio Godinho e na sua abertura a sonoridades actuais. CD Universal.


PROVAR - Os ovos são um dos alimentos mais fantásticos - não só pela riqueza da sua composição, como pela capacidade nutritiva que têm: em apenas 70 calorias oferecem seis gramas de proteína e 13 vitaminas e minerais essenciais. Ao contrário do que se pensa não têm uma influência negativa no colesterol do corpo humano - na realidade um ovo  por dia é um precioso auxiliar da alimentação saudável. Gosto de ovo de todas as maneiras mas ultimamente eles são a salvação dos dias em que não sei bem o que hei-de jantar. Esta semana experimentei uma nova tortilha. O primeiro passo é arranjar uma frigideira não aderente, razoavelmente funda que possa ir ao forno. A seguir começa o preparado: para duas pessoas uso quatro ovos de tamanho médio, aos quais adiciono um pouco de água - na realidade bater os ovos com água torna-os mais fõfos e leves, impedindo que fiquem secos. Uma das minhas tortilhas favoritas leva meia courgette cortada em fatias da espessura de uma moeda de um euro, que salteio primeiro na frigideira, de ambos os lados, até começarem a escurecer. Adiciono depois os ovos, bem batidos, e por cima uma chávena de café de ervilhas (podem ser congeladas). Com a frigideira ao lume misturo tudo bem e no fim deito uma farripas de presunto cortado fino e tempero com pimenta preta a gosto e cebolinho. Deixo ficar em lume brando uns cinco/sete minutos até os ovos estarem mais ou menos sólidos e depois vão para o forno com o grelhador superior ligado no máximo durante outros 5 a 7 minutos. Isto deve ser o suficiente para a tortilha ganhar uma bonita côr sem queimar. serve-se com uma salada e uns pickles (no meu caso de pepino) e pão torrado. Em menos de meia hora está pronto um belo jantar para duas pessoas.

 

DIXIT - “Eu não sou daqueles que dormem com um olho aberto. Eu, quando durmo, tenho os três olhos fechados” - Bruno de Carvalho

 

GOSTO - 13 anos depois de ter sido considerado o Chef D’Avenir, em 2005, José Avillez foi agora o primeiro português a vencer o Grande Prémio da Arte da Cozinha da Academia Internacional

 

NÃO GOSTO - Do comportamento de Bruno Carvalho em relação aos sócios na recente Assembleia Geral do Sporting e do ultimato que lançou para fazer impôr as suas propostas.

 

BACK TO BASICS - É muito perigoso para um político, candidato a um lugar, dizer e prometer coisas de que as pessoas se possam vir a lembrar - Eugene McCarthy

 



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AS NOVAS ENCRUZILHADAS DA POLÍTICA

por falcao, em 02.02.18

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ENCRUZILHADA - A maior prova de que vivemos novos tempos veio de uma afirmação proferida esta semana por Assunção Cristas: “conto com o PSD para uma alternativa às esquerdas unidas”. Com esta simples frase a líder do CDS alterou a ordem dos factores e colocou o seu partido na liderança da oposição, que efectivamente tem assumido, colocando o PSD na posição subalterna. A frase, e a sua circunstância, mostram a situação a que o PSD chegou - e que Nuno Garoupa bem dissecou numa série de artigos. Mas outro facto político surgiu esta semana e é o mais significativo na área social-democrata: Carlos Moedas e Pedro Duarte anunciaram que vão apresentar uma moção ao Congresso onde é patente, pelas primeiras coisas que se conhecem, que desejam sair do dogma, agitar as águas e  levar o partido e os seus militantes a pensar. No fundo o que esta moção de Carlos Moedas e Pedro Duarte pretende é começar a trabalhar num novo posicionamento do seu partido. O PSD, com as suas contradições e indefinições chegou àquela situação que atinge por vezes alguns fabricantes automóveis: fazem veículos que andam, mas incaracterísticos, e, num doloroso processo, perdem adeptos e destroem o valor da marca. Andar, anda - mas não seduz nem marca a diferença. Se acrescentarmos a isto a recente proposta de iniciativas da sociedade civil para alterar a lei eleitoral de forma a criar círculos uninominais, podemos dizer que existe um clima de mudança. Vamos é ver se os partidos e a Assembleia da República querem olhar para o passado ou perceber o futuro.

 

SEMANADA - As famílias portuguesas devem mais de 25 mil milhões aos bancos, o maior número dos últimos quatro anos; os bancos estão a conceder uma média de 350 milhões de euros por mês para crédito ao consumo; em 2017 foram importados mais de 60 mil veículos usados do estrangeiro e as marcas que mais subiram foram a Tesla e a Porsche; em 2016 saíram de Portugal 1,7 mil milhões de euros para offshores sob escrutínio da União Europeia; cada jornada de futebol movimenta 340 milhões de euros em apostas e um Benfica-Sporting pode chegar aos 100 milhões de euros; o IMT teve uma receita recorde de 851 milhões de euros em 2017 graças à bolha no sector imobiliário; Castro Marim e Vila do Bispo (no Algarve) e Santa Cruz (na Madeira) foram os três concelhos onde o poder de compra per capita mais desceu nos últimos dez anos; o Estado não sabe quantas crianças estrangeiras estão institucionalizados em Portugal, em situação irregular e sem apoios; 1637 pessoas pediram a nacionalidade portuguesa nos últimos seis meses mas apenas quatro pessoas já a viram reconhecida, um deles um brasileiro arguido no processo Lava-Jato; em 2016 a entrada de portugueses nos Estados Unidos aumentou 17% superando, pela primeira vez desde 2007, os mil pedidos de vistos de residência num só ano; em 2017 registaram-se 678 casos de violência contra profissionais da saúde; a Autoridade da Concorrência tem “sérias dúvidas” na fusão da TVI com a MEO; há um juiz acusado de vender sentenças.

 

ARCO DA VELHA - Estão avariados todos os helicópteros Kamov pertencentes ao Estado e que deviam ser usados no combate a incêndios e transporte urgente de doentes.

 

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FOLHEAR -  A edição de Fevereiro da revista “Wallpaper” é o número dedicado à atribuição dos prémios anuais de design, um dos momentos altos da publicação ao longo de todo o ano. A revista, fundada por Tyler Brulé (que depois fez a Monocle), tem conseguido manter-se como uma referência de grafismo e de montra do melhor que é produzido em termos de arquitectura, design de mobiliário, de  objectos, de acessórios e de moda. Na capa desta edição está a impressionante escadaria desenhada por Gwenael Nicolas para unir os seis andares da nova loja da Dolce & Gabanna em Mayfair, Londres - uma obra que depois é detalhadamente explicada no interior da revista e que obviamente ganhou um dos prémios. Os trabalhos escolhidos para os prémios de design proporcionam uma galeria de ideias e criatividade nas mais diversas áreas, com informação sobre os seus autores - e todos dizem respeito a peças que estão em produção e comercialização. É verdadeiramente impressionante folhear esta edição da Wallpaper e ir descobrindo as boas ideias, quer seja a surpreendente fachada do novo Museu do Design do Victoria & Albert, ou a decoração de restaurantes, quer seja ainda uma ampla mesa de sala de jantar de dimensões variáveis ou até um escorrega feito de vidro. A terminar uma boa notícia: o prémio para o melhor novo hotel foi para o Santa Clara 1728, um projecto de Manuel Aires Mateus, que pertence ao hoteleiro João Rodrigues.

 

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VER - Paulo Brighenti tem vindo a revelar-se como um dos mais interessantes artistas plásticos portugueses contemporâneos. Sem abandonar algumas linhas mestras que têm norteado a sua obra vai experimentando novas técnicas e trabalhando sobre materiais por vezes inesperados - como é o caso em “Três Estações Nocturnas”, a exposição que esta semana abriu na Baginski, e que é a sua quarta mostra individual na galeria. A partir do poemário “Noite de Pedra”, do escritor e artista plástico português Luís Veiga Leitão, Brighenti trabalha pintura a óleo aplicada sobre linho, com recurso a uma técnica antiga baseada na utilização de cera derretida, a encáustica. Noutros momentos inventa esculturas com base em matérias naturais, búzios de grandes dimensões, com uma face coberta de grés pintado e ainda, pontualmente, gravura. É uma exposição forte e surpreendente mesmo para quem tem seguido a obra de Brighenti, um momento marcante de afirmação com múltiplas leituras entre a evocação da natureza e a alteração surreal dessa mesma natureza. A exposição (na imagem) ficará até 3 de Março na Baginski, Rua Capitão Leitão 51.

Outra exposição marcante desta semana é “poetry as art as poetry”, de Pedro Proença (aliás John Rindpest), como o próprio artista sublinha. Aqui a matéria prima de Proença Rindpest é a palavra e a manipulação que pode ser feita da sua imagem - quer isoladamente em letras, quer em frases - assumindo a forma de um quase manifesto, com múltiplas citações de clássicos e evocações de textos de origem diversa. A mostra foi organizada pela Galeria Bessa Pereira e está na Fundação Portuguesa das Comunicações (Rua do Instituto Industrial 16). Nas montras do British Bar está a décima série de obras expostas com curadoria de Pedro Cabrita Reis, trabalhos de Vasco Araújo, Joaquim Bravo e Rosa Carvalho. Na Galeria Vera Cortês, em Alvalade, Vihls (Alexandre Farto), mostra “Intrínseco”, oito painéis que pretendem abordar os problemas da vida urbana.

 

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OUVIR - Nos anos 60 a BBC gravou ao vivo, nos seus estúdios, o surgimento da pop e do rock britânicos. Os grandes nomes passaram pelos seus programas e tocaram ao vivo - quer para programas de rádio quer para a televisão. Os Rolling Stones não foram excepção e entre 1963 e 1965 estiveram presentes numa série de programas, como “The Joe Loss Pop Show”, “Top Gear”, “Saturday Club” ou “Blues In Rhythm”. Aos poucos essas gravações foram sendo editadas e no final do ano passado, nos seus BBC Records, a estação britânica lançou a colectânea “On Air” (De Luxe), que agrupa gravações de 32 temas gravados ao vivo pelos Rolling Stones em diversas ocasiões, nos anos já referidos. Aqui estão as canções mais conhecidos dessa época, desde o incontornável “Satisfaction”(num registo feito poucos meses depois do single original e com algumas diferenças),  até “Come On”, passando por versões de canções como “Mercy, Mercy”, “Carol” , “I Just Want To Make Love To You”, “Beautiful Delilah” ou ainda “I Wanna Be Your Man”, um tema que Lennon e McCartney cederam aos Stones e que eles aqui executaram com maior energia que o original dos Beatles. O som é o da rádio de então, muitas vezes com a assistência a manifestar-se ruidosamente e as misturas recuperam o espírito da época. Na verdade estas 32 gravações contam a história de como os Rolling Stones passaram de um grupo que executava com competência versões de clássicos dos blues e de R & B para uma criativa e irresistível banda que então levou o rock’n’roll a novas dimensões. The Rolling Stones , On Air, disponível no Spotify.


PROVAR - Uma das boas coisas dos últimos anos é o renascer de padarias onde o pão é feito de forma artesanal. A mais interessante que surgiu em Lisboa é a Gleba, junto à Praça da Armada, perto de Alcântara. Obra de uma equipa jovem que se dedicou a recriar o método tradicional de fazer pão, a Gleba só utiliza variedades antigas e sustentáveis de cereais cultivados em Portugal. A moagem decorre nas suas próprias instalações, em mós de pedra como as antigas, e o pão é feito na máximo três horas depois da moagem do cereal - o que garante a sua frescura. Na Gleba um ciclo de produção de pão demora um dia inteiro, desde a moagem à preparação da massa e sua cozedura. Farinhas de cereais portugueses, sal marinho integral e água são os ingredientes utilizados nas três variedades habituais da casa : broa de milho do Minho, pão de centeio verde de Trás os Montes e pão de trigo barbela também de Trás Os Montes. Todas as semanas há edições especiais, que podem ser consultadas na página de Facebook da Gleba. Este fim de semana, por exemplo, ao sábado, haverá pão com batata doce amarela e pão de figos e canela; ao domingo pão de figos e amêndoa e pão com bagas de sabugueiro. A Gleba está aberta das 10 às 20 de quarta a domingo e para o fim de semana é imperioso encomendar o pão que se pretende (uma das três variedades habituais já referidas ou as edições especiais)  via SMS para o 966 064 697 . As encomendas devem ser feitas até às 20 horas de sexta-feira. Provem que vale a pena - eu sou fão do pão de trigo barbela, bem cozido, com a crosta escura e estaladiça.

 

DIXIT - “Temos de escolher se queremos dívida ou independência” - António Barreto

 

GOSTO - O Novo Banco vai ceder obras da sua colecção para exposição em museus públicos e a colecção de fotografia, uma das melhores a nível internacional, será depositada provavelmente em Coimbra para que fique disponível ao público em permanência.

 

NÃO GOSTO - Da sucessão permanente de casos de vigarice e de corrupção ligados ao mundo dos clubes de futebol e que se estendem a magistrados e políticos - o futebol tornou-se perigoso fora dos estádios.

 

BACK TO BASICS - É provável que um poeta que lê em público os seus versos possa ter outros maus hábitos (Robert Heinlein).

 

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publicado às 13:15

A semana passada foi exemplar para mostrar que a RTP só consegue sair da sua audiência média dos 11-12% de share quando tem futebol. Graças sobretudo a dois jogos da Taça da Liga (Sporting-Porto e Sporting-Setubal), a RTP conseguiu um share médio de 14,2%, o melhor desde há vários meses. Saber se isto é serviço público audiovisual é uma questão completamente diferente. Nos 15 programas mais vistos da RTP1 não existe uma única ficção – só programas desportivos na área do futebol (três jogos e diversos anexos), informativos, magazines e concursos. À excepção do magazine documental “Planeta Azul”, que tem uma vertente ecológica, todos os outros programas no TOP 15 da RTP são produções destinadas a consumo imediato, sem possibilidade de reaproveitamento posterior a médio prazo. É isto que se torna cada vez mais confuso nos critérios de programação da RTP1, embora  o Conselho Geral Independente, num comunicado recente, tenha considerado que Nuno Artur Silva procedeu à “reconfiguração estratégica da política de conteúdos da empresa, numa ótica de serviço público de media, tarefa que desempenhou de modo altamente meritório”.  O outro facto relevante da semana foi a suspensão do programa da SIC “Super Nanny” – e não deixa de ser curioso que o especial informação que a estação promoveu, para debater os conteúdos e a polémica gerados pelo programa, tenha sido o momento com maior audiência da SIC em toda a semana, superando mesmo a novela “Paixão”.

 

/(publicado na revista Sexta Tv & Lazer do Correio da Manhã de 2 de Fevereiro de 2018)

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publicado às 10:53

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Em 2021, quando terminar o mandato do próximo Conselho de Administração da RTP, como vai ser a televisão? Tudo indica que os canais generalistas continuarão a perder espectadores e que o tempo consagrado por cada pessoa a ver estações de televisão tradicionais continuará a diminuir. Em contrapartida o visionamento em streaming, da Netflix, Amazon ou de outras plataformas que surjam entretanto continuará a crescer. Há cada vez mais ecrãs onde se podem ver conteúdos e cada espectador escolherá o que quer, e não o que um programador de um canal lhe oferece. Assim sendo, o que se pode esperar? Qual o papel do serviço público audiovisual neste contexto de profunda transformação do consumo de mídia?

 

A RTP é o espelho do país: regra geral vive para o presente, com saudades do passado e a ignorar o futuro. E, no entanto, hoje em dia existe uma conjuntura que podia ser favorável: a integração da RTP na tutela do Ministério da Cultura criou a oportunidade ideal para lançar uma política integrada de desenvolvimento do audiovisual nacional, em que o serviço público de televisão ocupe um lugar determinante. Não é preciso ir muito longe - basta ver o que se passou nas últimas duas décadas em diversos países europeus onde se conseguiu casar da melhor forma a actividade dos organismos de apoio à produção audiovisual com os respectivos operadores de serviço público.

 

Felizmente a RTP que temos hoje é bem diferente, e regra geral melhor, do que aquela que existia na viragem do século. O serviço público de rádio e de televisão encontra-se unificado numa só empresa, os problemas financeiros de final dos anos 90 do século passado foram ultrapassados, as instalações inauguradas em Março 2004 foram um passo em frente na reorganização da empresa e do seu funcionamento. É certo que definir serviço público de televisão é quase uma missão impossível: cada cabeça, sua sentença. Mas seria útil que existisse uma série de princípios básicos - para além da independência face ao poder político ou o dever de contribuir para a coesão nacional. Uma das questões que poderia ser mais evidente - proporcionar uma alternativa clara aos canais privados - continua a ser , talvez, o lado onde mais falta avançar na criação de uma nova identidade para o operador de serviço público.

 

O primeiro canal privado, a SIC, começou a emitir em 1992. No ano seguinte entrou a TVI. Até final do século passado a RTP foi sempre um concorrente declarado e aberto dos canais privados. A matriz de canal único moldou a RTP entre o início das suas emissões regulares, em 1957, e o arranque das estações privadas. Foram três décadas e meia de monopólio que deixaram a sua marca no código genético da empresa e dos seus quadros - de tal forma que a primeira reacção da RTP ao surgimento das privadas foi fazer-lhes guerra em termos de audiência, desenvolvendo nos primeiros anos uma feroz contra-programação. Mais tarde,  a limitação da publicidade na RTP1 a seis minutos por hora (nos privados é 12), ajudou a atenuar o efeito de concorrência mas não o eliminou.

A RTP continua a tomar muitas decisões não em função da sua matriz de objectivos de serviço público, mas para ocupar espaço às estações concorrentes. A aquisição de direitos desportivos, nomeadamente de futebol, é o caso mais evidente. Se ainda pode ser aceite (e eu acho que é discutível), a compra dos direitos que envolvam a selecção nacional de futebol, já não consigo encontrar explicação para a aquisição de competições internacionais entre clubes. A presença da RTP1 neste mercado de direitos inflaciona o seu valor e entra na esfera do que devia ser deixado aos canais privados generalistas ou temáticos - como aliás acontece na maior parte da europa. A fatia do orçamento da RTP dedicado à aquisição de direitos desportivos, para além do esforço suplementar em termos técnicos e de equipas, é uma das causas para a inexistência de financiamento para áreas cruciais de interesse público - como a programação infantil e documentários, para não ir mais longe. Ainda por cima é fácil verificar que o reflexo das transmissões desportivas na audiência média anual é praticamente nulo e, do ponto de vista das receitas publicitárias, a operação é pouco interessante face aos custos totais envolvidos. Terminar com a competição de conteúdos entre a RTP e os privados em áreas predominantemente comerciais seria uma elementar medida da tutela, dos reguladores e da gestão da empresa.

É aqui que entra um ponto fulcral: é preciso definir se a RTP1 deve ser uma estação com uma preocupação comercial ou social - e a resposta certa não é dizer ambas porque isso proporciona a programação esquizofrénica a que se assiste há muitos anos. Sem esta definição nunca vai haver melhorias substanciais, para além de mexidas pontuais que têm existido com maior ou menor sucesso. E isto é fundamental para se saber como a RTP1 pode ser complementar e alternativa em relação aos canais privados.

Esta decisão de fundo tem implicações directas no que deve ser a RTP2 - nomeadamente saber em que ponto ela se deve posicionar para, por sua vez,  ser complementar e alternativa em relação à RTP1 . O que está em causa na definição destes dois canais são coisas tão importantes como saber onde cabe a produção de ficção, a programação infantil de qualidade, onde cabem documentários de divulgação vocacionados para o grande público, onde cabe programação cultural mais segmentada, onde cabe produção experimental e inovadora, portuguesa e internacional. E, claro, tudo isto tem interferência global naquilo que devia ser o papel fundamental do operador audiovisual de serviço público: afirmar-se como um regulador de mercado na área da produção independente, garantir a constituição de um património de produção audiovisual de utilização futura e não apenas circunstancial, que assegure a presença da língua e da cultura portuguesas no espaço multimedia digital contemporâneo

Olhem para as grelhas da RTP1 e RTP2 e contabilizem o que é produção de fluxo (que se consome e morre no momento em que é emitida) e o que é produção de stock (que pode ser reexibida noutras alturas e noutros canais de distribuição sem prejuízo de actualidade a médio prazo). Se compararem com o que se passa noutros países europeus verão que Portugal está na cauda dos operadores de serviço público nesta divisão entre fluxo e stock.

É verdade que a informação da RTP melhorou substancialmente nos últimos anos - mas falta dar o passo de sair dos estúdios de Lisboa e do Porto quotidianamente, e não só em momentos de desgraça, para mostrar o dia a dia do resto do país. A RTP Informação devia ser o canal nacional, regional e local, o ponto de união audiovisual entre ilhas, continente, norte, centro e sul.

QUATRO PONTOS PARA UMA REFORMA DO SERVIÇO PÚBLICO

Primeiro ponto: As linhas de orientação da tutela (enquanto representante do accionista Estado), dos orgãos de supervisão e de gestão deveriam ser genéricas, mas devem ser fiscalizadas em tempo útil e efectivamente cumpridas. Há decisões a tomar de forma transparente: A prioridade num determinado mandato é a produção de ficção ou a de documentários? A aquisição de direitos desportivos ou a programação infantil? A informação da macro política e da macro economia nacional ou uma visão do mundo e um acréscimo de importância à informação local e regional que contribua para aumentar a coesão nacional?

 

Segundo ponto: Definir o que se quer de cada canal de televisão e de cada canal de rádio - que audiências se pretendem, que conteúdos são prioritários e o que se perspectiva fazer em matéria de desenvolvimento de utilização do canal digital. Como é a divisão, por exemplo, dos grandes temas acima enunciados pelos diversos canais? Qual a linha de acção da RTP1?  O que cabe à RTP2? Como deve ser a RTP Informação? E os canais internacionais, hoje em dia? E os canais de rádio, que se pode fazer para os melhorar? Como equilibrar a conquista de novos públicos e a manutenção do interesse dos espectadores fiéis do serviço público?

Terceiro ponto: Em função das prioridades estabelecidas é fundamental um orçamento transparente e que tenha correspondência com a realidade. Em televisão os custos são sempre elevados e não há, objectivamente, dinheiro para tudo. Como será a repartição de investimento entre géneros? Corresponde às prioridades? Como será a distribuição de investimento entre os diversos canais de televisão e os de rádio? As verbas propostas são adequadas à missão estabelecida para cada um?

 

Quarto ponto: Como é a governação do operador de serviço público? Deve a administração interferir quotidianamente nos conteúdos como tem acontecido quase sempre? Faz sentido existir um administrador para a área de conteúdos ou faz sentido criar o cargo de Diretor Geral de Conteúdos de Informação e Programação, que concilie os diferentes canais e tenha uma visão global da produção, assegurando junto da administração que as linhas estratégicas e as prioridades tenham correspondência orçamental?

 

Termino sublinhando que a própria noção de serviço público evolui necessariamente com o tempo e com o desenvolvimento da tecnologia. Há uma declaração simples, tirada do Public Broadcasting Service norte-americano, que me parece resumir tudo o que é preciso: “ter programas que usam técnicas inovadoras, que satisfaçam os interesses dos espectadores numa diversidade de temas - que vão das notícias de actualidade nacional e internacional a assuntos de interesse público e social, passando pela História, a tecnologia, a ciência, a ficção, a criatividade, as artes plásticas e performativas e a programação infantil”.

 

Manuel Falcão foi jornalista, fundador e Presidente da Associação de Produtores Independentes de Televisão. Foi também membro do Conselho de Opinião da RTP e integrou o Grupo de Trabalho sobre o serviço público de televisão presidido por Helena Vaz da Silva. Foi Director de Programas do canal 2 da RTP. Desde 2005 é Diretor-Geral da agência de meios Nova Expressão.

 

Este texto foi publicado no diário Público de 2 de Fevereiro de 2018.

 

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publicado às 10:42

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ELEIÇÕES - Não é novidade dizer-se que existe um descrédito generalizado no parlamento, nos partidos e nos políticos. Nesta conjuntura, duas associações, a Sedes - Associação para o Desenvolvimento Económico e Social e a APDQ - Associação por uma Democracia de Qualidade,  apresentaram um projecto de reforma eleitoral que preconiza um sistema de representação proporcional personalizada, inspirado no modelo alemão, que conjuga as listas territoriais com os círculos uninominais e um círculo nacional de compensação, para garantir um equilíbrio final das representações partidárias. Não é a primeira vez que a questão da introdução dos círculos uninominais, permitidos pela revisão Constitucional de 1997, é apresentado como uma solução para a crise de confiança dos eleitores em relação aos deputados. O objectivo é fazer uma reforma do sistema eleitoral que reforce o poder de escolha dos eleitores e responsabilize os eleitos - cada eleitor exerce o duplo voto no boletim, assinalando, por um lado, a força política preferida, na lista do círculo territorial intermédio e, por outro, o deputado que escolhe no respectivo círculo uninominal. Esta proposta já foi apresentada ao Presidente da República e pretende ser apreciada no Parlamento. Um dos seus objectivos, segundo Ribeiro e Castro, um dos seus promotores, é  provocar uma transformação profunda na formação das listas, com os partidos a terem que ser mais cuidadosos com os candidatos que apresentam, privilegiando a sua relação com os eleitores e não com os equilíbrios internos de forças do aparelho. Por mim penso que a adopção desta proposta seria um grande passo em frente no nosso sistema - resta saber se os partidos políticos têm coragem para darem este passo ou se preferem manter o imobilismo e o caduco sistema eleitoral actual.

 

SEMANADA - Em 2017 registaram-se mais 24 mil mortes que nascimentos e a população portuguesa está a encolher há nove anos consecutivos; os tempos de espera por consultas da especialidade em algumas unidades do Serviço Nacional de Saúde chega a ultrapassar os quatro anos; de acordo com o gabinete de estatísticas da UE, as maiores dívidas públicas são as da Grécia (177,4% do PIB), Itália (134,1%) e Portugal (130,8% do PIB); a Direcção Geral do Orçamento cativou 100% das verbas do Turismo do Norte, colocando em risco o pagamento de salários e ameaçando fechar os postos do aeroporto e do centro do Porto; a Associação Nacional dos Municípios diz que o plano do ministro Eduardo Cabrita, de limpar matas em dois meses, “não é exequível”; em 2017 Marcelo Rebelo de Sousa teve mais tempo de presença nos espaços informativos das televisões que Cavaco e Sócrates juntos dez anos antes; um estudo revelado esta semana indica que em Portugal existem cerca de 48 mil esquizofrénicos, 16% dos quais sem qualquer acompanhamento médico; um estudo do ACP indica que 80 por cento dos portugueses utilizam o automóvel próprio em deslocações para o trabalho; a DECO recebeu 405 mil queixas em 2017, 8o% delas terminaram a favor do consumidor e o sector das telecomunicações é o principal alvo de reclamações.

 

ARCO DA VELHA - Uma juíza de Beja solicitou ao hospital local uma perícia psiquiátrica a um homem falecido há dois anos e da notificação fazia parte a indicação do cemitério onde está sepultado e a localização da campa.

 

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FOLHEAR - A Monocle de Fevereiro tem o tema do futuro dos mídia na capa. e inclui diversos artigos interessantes sobre o assunto. A Monocle, que preserva ciosamente a sua existência na edição impressa, que não é disponibilizada na net, que não tem site com conteúdos da revista, tem em paralelo uma intensa e diversa actividade digital como uma rádio online, uma área video com numerosos pequenos filmes entre o documentário e a informação, além de diversas newsletters digitais. No editorial Tyler Brulée defende a sua ausência de plataformas como o Instagram porque considera que as marcas de comunicação não devem revelar demasiado sobre elas próprias. O problema com as redes sociais, sublinha, é que o facto de estarem constantemente activas obriga a dizer mais do que aquilo que muitas vezes se pretende. Outros temas desta edição - o portfolio de moda é inteiramente fotografado no Restelo, parte dele na zona comercial junto ao Careca; e existe um artigo sobre a recuperação do antigo cinema Odeon para Hotel e restaurante com incorrecções factuais - a mais humorística das quais é dizer que Salazar frequentava o cinema com “a sua mulher e netos” - enfim, vai para o rol de anedotas daquilo que correspondentes mal informados são capazes de escrever. Muito bom o suplemento patrocinado dedicado à importância do design na Lufthansa.

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VER - Até domingo 28 de Janeiro ainda pode ver uma das últimas representações da versão de “Sonho De Uma Noite de Verão”, a comédia romântica de Shakespeare escrita no final do século XVI, numa versão da produtora teatral Espaço Em Branco com encenação de Luis Moreira. Destaco a adaptação do texto, a partir de uma tradução de Fernando Villas Boas.que mantém o espírito de Shakespeare bem ajustado a esta época sem perder o enquadramento original. O trabalho de todos os actores é muito bom. Como Luis Moreira faz questão de fazer notar no programa do espectáculo, o motor do texto é o ciúme e a tensão que ele cria na relação entre personagens. Mais não digo, esta peça, nesta encenação merece ser vista, e está no Teatro do Bairro, rua Luz Soriano 63. Sexta e sábado às 21h30, Domingo às 17h00.  Reservas espacoembranco.teatro@gmail.com ou 916 911 100. Já agora a companhia Espaço em Branco não é subsidiada e as representações têm estado cheias.

Outras sugestões: em Matosinhos, a Galeria-livraria O Manifesto (Rua França Junior 1) apresenta até 31 de Março “Coming Home” de David Guttenfelder, um importante fotógrafo norte-americano que mostra imagens da Coreia do Norte feitas durante os anos em que lá foi correspondente da Associated Press e, depois, do seu país, os Estados Unidos, quando regressou ao fim de 20 anos no estrangeiro. Todas as fotografias foram feitas com smartphone e vale a pena seguir o seu Instagram em dguttenfelder.

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OUVIR - Numa recente leitura online da revista de jazz  “Downbeat” descobri “Directions”, um disco assinado por João Barradas na editora nova-iorquina Inner Circle Music. E quem é João Barradas? Ribatejano, natural de Porto Alto, a fazer agora 26 anos e já com uma carreira longa, que incluíu formação na área da música clássica e do jazz,  João Barradas é um dos mais conceituados e reconhecidos acordeonistas europeus. Em 2016 gravou, para a Inner Circle Music, o seu primeiro álbum enquanto líder - “Directions”, que teve produção de Greg Osby e contou com as participações de Gil Goldstein e Sara Serpa. O grupo é formado por João Barradas (acordeão), André Fernandes (Guitarra), João Paulo Esteves da Silva (Piano), André Rosinha (Contrabaixo) e Bruno Pedroso (Bateria). . O disco começa por uma faixa que é uma espécie de manifesto, pontuada pela voz de Greg Osby. O acordeão está sempre em destaque, desde a balada  “Varazdin’s Landscape” , às sonoridades folk de “Amalgamat” (onde surge a voz de Sara Serpa) ou a evocação de Piazzolla e o seu novo tango em “The Red Badge Of Courage”. Outro acordeonista, Gil Goldstein, faz um arrebatador dueto com Barradas em “Tiling For The Plane” e Greg Osby participa ainda, enquanto saxofonista, em duas faixas, “Unknown Identity” e “Ignorance”, ambas a sublinhar a ligação de Barradas ao jazz e à música improvisada. Nas plataformas de streaming pode não só ouvir este disco como o outro álbum gravado para a Inner Circle Music, “Home - An End For A New Beginning”.

 

PROVAR - Finalmente fui ao andar gourmet do El Corte Ingles, no sétimo piso do edifício em Lisboa, onde só se chega depois de percorrer toda a restante loja. Resolvi deixar de lado as modas insensatas de nomes como Kiko Martins, as propostas geralmente sensatas de José Avilez e concentrei-me em ver o que ali soprava do lado de Espanha. Amante da Galiza fui direito ao Atlántico, uma criação de  Pepe Solla (uma estrela Michelin no Casa Solla, em Pontevedra) dedicada aos petiscos galegos com uma interpretação muito pessoal. O Atlántico está logo à saída das escadas rolantes e tem uma área confortável que contrasta com a amálgama barulhenta dos chefes da moda e sobretudo com o ruído do salão de festas mexicano ali instalado no meio. Salvaguardados da poluição, já bem sentados, constatei que a escolha do Atlántico tinha sido boa. Não se provaram os mexilhões com caril verde que são a marca de Solla, mas outros petiscos deram boa prova de si. No couvert vinha bom pão, azeitonas levemente picantes e uma surpreendente manteiga com algas. A seguir vieram uns bons croquetes de marisco, acabados de fazer, e umas zamburinas (pequenas vieiras, habituais na Galiza), temperadas com um molho de azeite e alho, que estavam suculentas, o tempero q.b para não tirar o sabor de mar que as caracteriza. No fim um atum com paprika agridoce e algas foi um remate perfeito para uma noite de petisco galego. A lista de vinhos inclui nos brancos portugueses um alvarinho, um douro, um dão e um alentejo, todos bem escolhidos, e quatro propostas da Galiza - distribuição que tem uma réplica semelhante nos tintos. Para a próxima experimento as tapas de Aitor Ansorena, um embaixador da cozinha basca, com o seu Imanol, onde me dizem ter que experimentar alcachofras fritas.

 

DIXIT - "Não quer dizer que o pinhal não vá ser pinhal. O pinhal vai ser pinhal e só é pinhal se tiver pinheiro. Mas, para nós termos um bom pinhal e um bom pinheiro que seja, também ele, resistente ao fogo, é preciso que este pinhal não seja só de pinheiro". - António Costa

 

GOSTO - Há quatro portugueses entre os jovens mais brilhantes da União Europeia, segundo a revista Forbes: o bailarino Marcelino Sambé que está no Royal Ballet de Londres, as empreendedoras Filipa Neto e Lara Vidreiro da Chic By Choice na área do comércio electrónico e Francisco Rodrigues dos Santos, líder da Juventude Popular, na categoria Direito e Política.

 

NÃO GOSTO - Um ano depois de ter sido detectado um problema informático que omitiu dados sobre o apagão das offshores, envolvendo informação sobre dez mil milhões de euros, as Finanças não dizem se há investigação aberta ou responsáveis apurados e a justiça não constituíu arguidos.

 

BACK TO BASICS - Os conselhos devem ser julgados pelos resultados que provocam e não pelas intenções que os originam - Cícero

 

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A POLÍTICA DE NAMORO À BEIRA RIO

por falcao, em 19.01.18

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FUTURO - Rui Rio fez uma curiosa afirmação esta semana, depois de conhecida a sua vitória no PSD : “è preciso namorar bem para que o namoro dê certo”. A frase resume o programa político de Rio, também salientado por vários dos seus apoiantes: colocar-se em posição eleitoral sedutora para que nas próximas legislativas António Costa o possa desejar e envolver. O resultado das eleições do PSD é a consequência natural das mudanças introduzidas na política portuguesa com a solução de alianças despoletada por António Costa e que conseguiu transformar uma derrota eleitoral numa vitória. Definitivamente vivemos um novo tempo, com um apagamento cada vez maior das ideias, um tempo onde a política se resume ao tacticismo do momento, em que os partidos se dispõem a abdicar da sua identidade para conseguirem sentar-se à mesa do poder. Como o caso do PCP mostrou nas recentes autárquicas esta solução leva ao apagamento das diferenças entre partidos e produz uma quebra na influência dos que não lideram o processo. Tirando isto, e regressando ao PSD, os próximos tempos mostrarão a construção de um partido domesticado - Rio é autoritário e é perigoso confundir a arrogância que ostenta com uma coragem que ainda não se viu. Para todos os efeitos Rio chega ao poder no meio de chapeladas diversas, protagonizadas pelo seu próprio diretor de campanha e não desmentidas. Rui Rio tem a doença infantil dos historiadores, é como um arquivo histórico - olha para o passado sem pensar no presente e a ignorar o futuro.

 

SEMANADA - O Presidente da EMEL foi fotografado numa ciclovia, a pedalar numa das bicicletas alugadas pela empresa, e a proclamar que os seus agentes “raramente” andam a fazer caça à multa; a provedoria de justiça defendeu que a cobrança de multas por empresas municipais põe em causa a protecção dos particulares contra situações abusivas; Fernando Medina avisou que o chumbo da taxa de proteção civil cria a necessidade de aumentos nas taxas e impostos camarários; em Portugal o sector automóvel vale 5.9% do PIB e emprega 72 mil pessoas; mais de 40% do novo crédito ao consumo destinou-se a comprar carro; os preços de combustíveis nas zonas mais próximas de Espanha é cerca de 20% mais barato que nas grandes cidades; em ano e meio houve mais de meio milhão de contraordenações graves e muito graves nas estradas, mas só 3% dos infractores perderam pontos na carta de condução; o PS continuou a insistir na Lei do Financiamento partidário; dados agora divulgados mostram que até ao final de Novembro tinham visitado Portugal em 2017 cerca de 19,5 milhões de turistas; em 2017 o castelo de S. Jorge recebeu quase dois milhões de visitantes, 95% dos quais estrangeiros, o que o torna no monumento mais visitado do país; o mosteiro dos Jerónimos recebeu um milhão e cem mil visitantes; metade da população portuguesa só tem polícia a mais de 5 kms de casa; mais de 60% da bancada do PSD não apoiou Rui Rio nas directas.

 

ARCO DA VELHA - A Associação Mutualista recusou prestar informações à entidade contratada pela Santa casa da Misericórdia para avaliar a Caixa Económica Montepio Geral.

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FOLHEAR - Gosto de almanaques. Desde pequeno que me fascina ler por antecipação o que se vai passar ao longo do ano, procurar receitas apropriadas a cada mês, saber das épocas ideais para tratar de algumas plantas e por aí fora. Aqui há umas décadas publicavam-se em Portugal vários almanaques e anuários, depois a coisa caíu em desuso e fiquei limitado a infalivelmente comprar o “Borda d’Água” quando ele começava a ser posto à venda por essas ruas. Agora a editora Guerra & Paz teve a boa ideia de ressuscitar o género e lançou o “Almanaque Português”.  Em cada mês há um calendário com dias comemorativos e outro com os santos, além de recomendações para a horta, pomar e jardim, provérbios populares, a listagem de feriados municipais e sua razão de ser, elencagem das festas e feiras e ainda um repositório de efemérides. Meses à parte, o Almanaque apresenta artigos sobre história, gastronomia, astronomia, astrologia,  anedotas e conselhos úteis que podem ir desde como tirar certas nódoas até como fazer uma mala. Este Almanaque Português, fonte de sabedoria, ensinamentos e diversão, está à venda por 15,50 euros - o que dá 1.29 euros por mês se o amortizarmos no primeiro ano, apesar de ele durar para muito mais tempo.

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VER - Para a semana abre na Sociedade Nacional de Belas Artes uma exposição de uma centena de cartazes desenhados por Raul de Caldevilla que é considerado o primeiro grande publicitário português. A iniciativa é da Academia Portuguesa de Cinema (APC), em parceria com o Museu da Publicidade. Grande parte da obra apresentada foi criada na Empreza Technica Publicitária – ETP, fundada por Raul de Caldevilla no Porto, em 1912. A ETP é uma das primeiras agências de publicidade do país a produzir cartazes de grande formato e foi pioneira na introdução da publicidade exterior. Em 1917 expandiu-se, mudou de instalações e passou a chamar.-se Propagandas Caldevilla. Em 1921 criou a Caldevilla Filmes, produziu documentários e ficção e chegou a projectar o que mais tarde viria a ser a Tóbis, no Lumiar. Filho de um casal espanhol, Raul de Caldevilla nasceu no Porto em 1877, cidade onde viveu até à sua morte em 1951. Foi jornalista, autor dramático, publicitário e produtor de cinema. Na sua actividade não só promoveu os filmes que produzia, entre os quais o primeiro filme dedicado à temática do fado, em 1923, como criou a campanha para o lançamento do filme “Rosa do Adro”, da sua concorrente Invicta Filmes, que anunciou sob o lema “romance português, filme português, cenas portuguesas, actores portugueses. A exposição “Raul de Caldevilla – Cartazes de Sonho” estará na SNBA entre 23 de Janeiro e 12 de Fevereiro e em simultâneo decorre um pequeno ciclo na Cinemateca Portuguesa, mesmo em frente.

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OUVIR - Paulo Furtado é das personagens mais fascinantes da música portuguesa do século XXI. A sua actividade tem-se desdobrado entre os Wray Gunn, banda injustamente pouco acompanhada em Portugal, e a sua própria carreira a solo enquanto The Legendary Tigerman. Nesta vertente a solo, até 2014, Paulo Furtado tocava em palco sózinho, guitarra, harmónica e bateria - um verdadeiro homem orquestra dos tempos modernos, combinando mecanismos de percussão com alguma  tecnologia. A partir de 2014, depois  do álbum “True,  passou a colaborar com Paulo Segadães na bateria e João Cabrita no saxofone - ambos tocam também no novo disco “Misfit”. A edição inclui um CD com 11 originais e um DVD que mostra um road movie fruto do percurso de construção e gravação do disco nos Estados Unidos, realizado por Pedro Maia e filmado por Rita Lino, com o próprio Paulo Furtado como protagonista. O filme documenta o processo criativo, acompanhando a composição das onze canções nos quartos de motel na California em que Furtado se foi alojando durante a rodagem, sendo posteriormente gravadas no estúdio do Rancho de La Luna, em Joshua Tree. The Legendary Tigerman (como os Wray Gunn aliás) tem uma intensa actividade fora de Portugal e uma agenda cheia de concertos. Vale a pena dizer aqui que a fotografia e o cinema há muito fazem parte dos interesses criativos de Paulo Furtado e este “Misfit” junta os vários mundos onde ele se move - e se quiserem ver as suas fotografias espreitem o Instagram de The Legendary Tigerman. Em “Misfit” falamos de rock com forte influência de blues, um som denso com canções magníficas como o manifesto enunciado em “Fix of rock’n’roll”, a envolvência de “The Saddest Girl On Earth”, “Black Hole” e do hipnótico “Red Sun” ou os irresistíveis “I Finally Belong To Someone” ou “Child Of Lust”.


PROVAR - Uma boa e resistente caçarola é um utensílio imprescindível numa cozinha. Não estou a falar de uma panela. Estou a falar de um recipiente de ferro, grosso e pesado, revestido a bom esmalte, com uma tampa que vede bem e que se pode usar no cimo do fogão ou no forno. É coisa para se cozinhar de forma lenta, aproveitando bem os sucos dos alimentos que estão a ser preparados. A boa caçarola é uma testemunha da vantagem de não se usar alta temperatura - razão tinham os antigos que cozinhavam a sopa de pedra original num pote de ferro forjado colocado por cima das brasas das lareiras das cozinhas de antão. A Le Creuset, fundada no início do século XX em França por dois belgas,  é uma das mais prestigiadas marcas que produz caçarolas de ferro esmaltadas, estas “cocottes”, também conhecidas por “dutch ovens “ noutras paragens. Tive a sorte de receber uma como prenda de Natal e antevejo grandes mudanças  na minha actividade culinária nos próximos meses. Este tipo de caçarola é o ideal para cozinhar carne e legumes ao mesmo tempo, num lento e suculento estufado ou num denso guisado. Se pesquisarem na net há imensas receitas para dutch ovens, muito tentadoras,  e que têm em comum a importância de cozinhar a baixa temperatura durante muito tempo. Um dia destes falo de algumas receitas bem sucedidas na minha Le Creuset. Cheira-me que isto é o princípio de uma bela amizade.

 

DIXIT - “O próximo PGR nascerá estigmatizado por uma espécie de reserva de desconfiança. A escolha ficará para sempre sob suspeita. Para salvar ou condenar Sócrates? Para liquidar ou ressuscitar Salgado e o Grupo Espírito Santo?” - António Barreto.

 

GOSTO - A coreógrafa cabo-verdiana Marlene Monteiro Freitas receberá o Leão de Prata na Bienal de Dança de Veneza.

 

NÃO GOSTO - António Costa não respondeu às perguntas colocadas no Parlamento, sobre o jantar da Web Summit no Panteão, dentro do prazo estabelecido para o fazer;

 

BACK TO BASICS - “Quando os políticos se queixam que a televisão dá da política a imagem de ela ser um circo, é preciso ter em conta que o circo já lá estava e que a televisão se limita a mostrar que nem todos os participantes no espectáculo estão convenientemente treinados” - Edward R. Murrow

 

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DUAS PERGUNTAS  - Nas eleições do PSD há duas perguntas que me surgem constantemente e que, para mim, são as decisivas para se fazer uma escolha:  Porque é que a esquerda prefere Rui Rio? Qual dos dois candidatos tem por objectivo derrotar António Costa? Confesso que a figura de Rui Rio não me agrada, e não é de agora. Assemelha-se a uma rolha que vai flutuando ao sabor do movimento das águas, sem nunca se comprometer demasiado. Não gosto da forma como no Porto impôs os seus gostos pessoais por competições automóveis e aviões a outras actividades, fazendo as correspondentes alocações financeiras, e, em simultâneo, subalternizou a política cultural que quase desapareceu do município enquanto Rio foi seu presidente. Nunca gostei do seu enlevo por António Costa e hoje compreende-se  que esse enlevo evoluíu para linha política, concretizada numa estratégia de possibilitar condições para uma aliança entre PS e PSD. O argumento ridículo de que essa seria a forma de afastar o BE e o PCP da esfera do poder colide com a evidência maior que é a de que a única forma de garantir uma derrota da frente de esquerda é o PSD lutar para obter uma vitória clara e não uma posição negocial. Isto no fundo é Rui Rio: um defensor de arranjinhos, alguém que se satisfaz com o segundo lugar e não tem rasgo para lutar pela vitória. É isso que mais impressão me faz. Rio hesita perante o conflito, prefere a conciliação. E, no país, não há eleições que se ganhem com este pensamento. Espero que dentro do PSD não ganhe a linha do compromisso de Rio. Não sou filiado em nenhum partido, tenho votado muitas vezes no PSD, e não me apetece votar num partido cujo projecto político, como é o de Rui Rio, seja aliar-se ao PS. Se fosse militante do PSD votaria em Pedro Santana Lopes.

 

SEMANADA - Mais de 80 médicos do serviço Nacional de Saúde pediram exclusão de responsabilidade, para se defenderem das falhas nos serviços e da falta de meios nos hospitais; o Ministério das Finanças, ao atrasar a autorização de verbas, está a bloquear a implementação dos planos de contingência da gripe que estavam planeados em vários hospitais - afirmou o bastonário da Ordem dos Médicos; a bastonária da Ordem dos Enfermeiros afirmou que sempre que membros do Governo visitam uma urgência hospitalar os doentes são retirados dos corredores de espera e levados para outros locais menos visíveis, até “para debaixo das escadas”;  “Coisa estranha esta: há tudo mais, mais, mais, mas a verdade é que a Saúde está menos, menos, menos” - disse Assunção Cristas em resposta a António Costa no debate quinzenal na Assembleia da República; em Portugal, um quarto dos jovens não tem emprego; Portugal foi o país onde o desemprego jovem mais cresceu na União Europeia; “Somos um país de treinadores de bancada” - afirmou Constança Urbano de Sousa, ex-Ministra da Administração Interna, dizendo-se vítima de sexismo nas críticas feitas à forma como geriu a resposta aos incêndios de 2017; caíu um pedaço de tecto na Escola Superior de Dança de Lisboa e chove em vários locais do edifício onde são dadas aulas; segundo a CAP, dos 15 milhões de euros anunciados como ajuda do Governo aos agricultores para a situação de seca, apenas foram pagos cerca de 20 mil euros; Portugal é o terceiro país que mais paga a agentes do futebol e num só ano foram pagos quase 50 milhões de euros em comissões; 25% das casas vendidas em Portugal no ano passado foram compradas por estrangeiros.

 

ARCO DA VELHA - O inspector geral do trabalho foi demitido por revelar informações pessoais de uma trabalhadora sob a sua tutela e agora indigna-se por ter sido afastado.

 

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FOLHEAR - Sou fã dos livros de Astérix desde que os comecei a ler há mais de quatro décadas. Mesmo depois da morte de Goscinny, continuei a seguir o caminho que Uderzo foi traçando, com ajudas de novos colaboradores. E cheguei a este novo “Astérix e a Transitálica”, o 37º álbum da colecção. Editado no final do ano passado, só esta semana o fui comprar à Pó dos Livros e fiquei contente quando o livreiro me disse que esta nova aventura estava a ter mais saída que as anteriores -  "Astérix entre os Pictos" (2013) e "O Papiro de César" (2015), também assinados por Jean-Yves Ferri (argumento) e Didier Conrad (desenho). Neste novo livro Astérix e Obélix rumam à Península Itálica, de que até agora apenas conheciam Roma, que visitaram em "Astérix Gladiador" (1964) e "Os Louros de César" (1972). O pretexto é a participação numa corrida de quadrigas, organizada por Júlio César para provar a excelência das vias romanas - uma espécie de rallye onde até participa uma equipa da Lusitânia, por sinal um bocado avariada mas com um inesperado protagonismo final graças à perseverança que nessa época já era a nossa imagem de marca… No livro surge retratada , que me lembre pela primeira vez numa aventura de Astérix, a actividade de jornalistas - no caso a fazer o relato da competição e a entrevistar concorrentes. E o final é completamente inesperado - até nos novos amores que despertam Obélix… o melhor será lerem.

 

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VER -  Não é fácil falar de um conceito quando abordamos imagem e sobretudo a imagem fotográfica. Não estamos apenas a falar de uma maneira de ver, o que está em causa é o que se vê para, depois, se mostrar. E, em última análise, avaliar se faz sentido mostrar o que se vê.  Cláudio Garrudo optou por mostrar o que viu em momentos do céu deixando a cada um dos visitantes da sua mais recente exposição a responsabilidade (ou a possibilidade) de se encontrar nas fotografias. Chama-se “Luz Cega” e está exposta na Ermida Nossa Sra. da Conceição até 21 de Fevereiro (Travessa do Marta Pinto 21, ao Restelo, por trás dos Pastéis de Belém). José Manuel dos Santos, no texto do catálogo da exposição, afirma que estas fotografias “são as imagens de um telescópio interior que só se tornam nossas quando as imaginamos dos outros”. Cláudio Garrudo usou na impressão destas fotografias uma técnica antiga, a cianotopia - um processo de impressão fotográfica em tons azuis, que produz uma imagem em ciano, uma blueprint.  Além de fotógrafo, Cláudio Garrudo colabora activamente em diversas áreas da produção cultural, tem trabalhado com a Galeria das Salgadeiras e é coordenador da nova colecção PH, da Imprensa Nacional, recentemente inaugurada com uma edição sobre a obra de Jorge Molder. Outras sugestões: nas três montras verticais do British Bar Pedro Cabrita Reis escolheu para esta nona mostra das suas apresentações neste local obras de Noé Sendas, Vasco Futscher e Rui Calçada Bastos - que poderão ver até ao final deste mês. E as 85 muito desiguais obras de Miró continuam no Palácio da Ajuda até 13 de Fevereiro.

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OUVIR - “Chasing Trane” é um documentário sobre a vida e obra de John Coltrane, escrito e realizado por John Scheinfeld, exibido na estação de televisão pública norte-americana PBS no ano passado. A produção contou com o apoio da família do músico assim como teve acesso ao arquivo das várias editoras discográficas para que ele gravou. Trane, assim era conhecido o saxofonista e compositor  pelos seus amigos, morreu em 1967 com 40 anos, no auge de uma carreira marcada pela diferença. O documentário mostra o impacto que a música de Coltrane teve na sua época e nos seus contemporâneos e mostra ainda as experiências, paixões e forças que marcaram a sua vida e a sua sonoridade - que muitos apelidaram de revolucionária. A banda sonora do documentário foi agora editada e inclui 11 temas interpretados pelo próprio John Coltrane. Os onze temas são “Love Supreme”, “Russian Lullaby”, “Trane’s Slo Blues”, “Giant Steps”, “My Favorite Things”, “My One And Only Love”  (com Johnny Hartman, o único vocalista com quem o saxofonista aceitou gravar), “Alabama”, “After The Rain”,  “Moment’s Notice” e versões ao vivo de “I Want To Talk About You” e de  “Chasin’ The Trane”. Este CD-banda sonora é uma espécie de introdução acelerada ao génio de Coltrane, patente nos diversos géneros que percorre. No fundo está aqui uma selecção das suas melhores gravações, com bons exemplos da inovação que trouxe ao jazz.

 

PROVAR - Comida de inverno é comida de tacho e comida de tacho é boa em restaurantes populares. Armado destes princípios básicos mão amiga encaminhou-me para o “Caçoila”, em Paço de Arcos. A ideologia da casa é simples: bons petiscos, cozinha regional portuguesa, doçaria tradicional. Não há refeição naquela casa que não deva ser antecedida de uma prova de petiscos - de tal maneira são famosos estes acepipes que os proprietários vão abrir, mesmo ao lado, uma petiscaria que estará aberta todo o dia. Na recente experiência o repasto começou com bom pão e bolinhas de queijo de cabra temperado para barrar o hidrato de carbono; depois vieram peixinhos da horta com uma fritura exemplar, alternados com pimentos padron,  suculentos. Até aqui estamos portanto num repasto vegetariano - em parte seguido na opção seguinte - uns ovos mexidos no ponto certo misturados com espargos verdes. A parte mais carnívora veio com o complemento destes ovos - um pica pau de vitela, de tempero saboroso e tenro, como tenho apanhado poucos ultimamente. Por sugestão de quem me transportou ao local rematou-se o repasto com migas de pato. Só que neste prato a carne desfiada do marreco vem misturada com couves picadas e salteadas, muito bem temperadas - que são as tais migas (na realidade migas de couve tradicionais em algumas regiões). Quem tiver estômago pode ainda apostar no ex libris doceiro da casa, umas farófias armadas de forma sugestiva. A casa é ampla, enche cedo, permite grupos grandes nas mesas corridas e tem um serviço simpático. A morada é Rua Oeiras do Piaui 12, Oeiras, e o telefone é  214460831.

 

DIXIT - “Vinhas para estas diretas para derrotar Pedro Passos Coelho na liderança, eu vim para derrotar António Costa” - Pedro Santana Lopes no debate desta semana na TVI.

 

GOSTO - Catherine Deneuve e cem escritoras, artistas e académicas francesas escreveram uma carta aberta em que rejeitam um feminismo “que exprime ódio pelos homens”.

 

NÃO GOSTO - Do fecho da livraria Aillaud & Lello na rua do Carmo, apesar de estar integrada no programa “Lojas Com História”.

 

BACK TO BASICS - É mais fácil obter perdão que conseguir autorização de fazer algo de invulgar - Stuart’s Law of Retroaction



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ABUSOS - De toda a  história da elaboração secreta das alterações à Lei de Financiamento partidário há um coisa que convém reter: os partidos envolvidos no caso vieram afirmar preto no branco que só agiram como se sabe porque a máquina fiscal abusa, porque a autoridade tributária actua de forma discricionária e arbitrária. Terá sido o desejo de corrigir tais abusos e actuações que levou à criação de uma extraordinária maioria que juntou PS, PSD, PCP, Verdes e Bloco de Esquerda, ineditamente de acordo numa reforma do sistema fiscal. O único problema é que se juntaram em proveito próprio e não, como se poderia desejar e imaginar, para, no Parlamento onde tudo decorreu, se juntarem para corrigir o funcionamento da Autoridade Tributária, acabar com os abusos e actuações arbitrárias para com os cidadãos contribuintes no seu todo. Nós os contribuintes, que nos queixamos do mesmo há anos e anos, apreciaríamos que os partidos e os deputados eleitos conseguissem obter idêntico consenso a nosso favor. Ainda por cima na votação estiveram todos os partidos que apoiam o Governo, mais o PSD que esteve em anteriores executivos. Devemos pois depreender que existe um consenso maioritário para proceder a uma reforma profunda do sistema que persegue contribuintes, a quem são retirados direitos, e que são vítimas de abusos - e os cidadãos e contribuintes individuais são muito mais indefesos que os partidos políticos. Espero que os senhores deputados, depois de se preocuparem com o próprio umbigo, resolvam olhar para o pais e acabar com as prepotências do Fisco. Está provado que o podem fazer, se quiserem, desde que promovam um debate aberto em vez de uma conspiração silenciosa. Este é o meu singelo desejo para 2018.

 

SEMANADA - O número de dirigentes no Estado aumentou 6,12% nos últimos dois anos, para um total de 11 559; em Junho de 2017 em cada 100 trabalhadores activos 12,8 eram funcionários públicos; em 2015 as administrações públicas gastaram 86,825 mil milhões de euros, ou seja o equivalente a 48,4% da economia portuguesa nesse ano; em junho de 2017 as remunerações das administrações públicas em Portugal representavam 11,1% do PIB, 1,1 pontos percentuais acima da média dos países da União Europeia; em 2016 o Ministério das Finanças concedeu benefícios fiscais a 35.500 entidades, de empresas a clubes de futebol, passando por  autarquias e fundações, no valor de 2,4 mil milhões de euros, um aumento de 32% face ao ano anterior;  segundo o estudo TGI da Marktest 3,3 milhões de portugueses têm cartão de pontos fornecido pelos postos de abastecimento e  este número corresponde a 51% dos indivíduos que compraram combustíveis nos últimos 12 meses; em 2017 venderam-se mais 19 mil veículos que no ano anterior, um crescimento de 7,7%; o sistema Multibanco bateu todos os recordes de levantamentos e compras no Natal de 2017- só a 23 de Dezembro registaram-se mais de um milhão de operações avaliadas em 37 milhões de euros; directores de estabelecimentos de ensino de diversas zonas do país afirmam que há escolas que não conseguem ter verba para manter aquecidas as salas de aula; Marcelo Rebelo de Sousa, na mensagem presidencial de Ano Novo, a que teve maior audiência televisiva de sempre, exigiu o mesmo empenho do Governo nas missões essenciais do Estado que nas finanças e na economia.

 

ARCO DA VELHA - A PSP do Entroncamento apreendeu 564 cuecas CR7 falsificadas e a auditoria da ERC ao cumprimento do contrato de serviço público pela RTP em 2016 só foi conhecida nos últimos dias de 2017.

 

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FOLHEAR - Stendhal, um pseudónimo de Marie-Henri Beyle, nasceu no final do século XVIII, em 1830 publicou a sua obra prima, “Le Rouge Et le Noir”, “O Vermelho e o Negro” - sem que haja grande explicação para a escolha do título, além do facto de o autor gostar de fazer jogos de palavras com cores. Uma das teorias é que o vermelho pode querer evocar o exército e o negro o clero. Na sua edição original o romance tinha por subtítulo “Crónica do Século XIX”  e na realidade a obra é uma crónica da sociedade francesa na qual Stendhal retratou as ambições da sua época e as contradições de uma emergente sociedade de classes. “O Vermelho e o Negro”, ao introduzir numa narrativa muito directa a análise psicológica das personagens, lançou as bases para o desenvolvimento do romance moderno, influenciando muitos dos grandes autores, como Ernest Hemingway, que o considerava como um dos seus livros de eleição. “O Vermelho e o Negro” é a história de Julien Sorel, o ambicioso filho de um carpinteiro, de uma aldeia fictícia chamada Verrières, que tinha uma enorme admiração por Napoleão e pelos seus feitos militares. Sorel cedo se revela um alpinista social, trepando nas suas relações amorosas. Por recomendação do padre da aldeia torna-se perceptor dos filhos do “maire” e envolve-se com a sua mulher, o que dita o seu afastamento para Paris.  Aí cedo conquista a filha do nobre de quem é secretário, acabando por a engravidar. Mais não vou contar, mas o fim da história ainda está longe e mete política e ciúme pelo meio. Podem agora ter oportunidade de ler esta obra incontornável na colecção de clássicos da Guerra & Paz, numa magnífica tradução de Rui Santana Brito, finalizada por Helder Guégués.

 

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VER -  Este ano aconselho-vos a dedicarem tempo a programarem uma visita a Londres, por forma  a conseguirem seguir algumas das magníficas exposições que ali vão decorrer. A mais aguardada de todas talvez seja a dedicada a Picasso, que irá ser apresentada na Tate Modern: “Picasso 1932 - Love, Fame & Tragedy” que abre em 8 de Março e encerra a 9 de Setembro. Trata-se da primeira exposição que a Tate dedica exclusivamente a Picasso e nela estarão cerca de uma centena de obras - pinturas, desenhos e esculturas, acompanhadas por fotografias que documentam a vida pessoal do artista num ano particularmente marcante da sua vida, quando conheceu a sua musa e amante Marie-Thérèse Walter - e vão estar expostos três retratos de Walter, apresentados juntos pela primeira vez desde que foram feitos em 1932. No Victoria & Albert, de 16 de Junho a 4 de Novembro, é apresentada a exposição “Frida Khalo: Making Her Self Up”. Na Tate Britain, de 28 de Fevereiro a 27 de Agosto, estará patente a exposição “All Too Human: Bacon, Freud and a Century of Painting Life”. Passando para outra cidade e aqui ao lado, no Reina Sofia, em Madrid, estará uma exposição dedicada a Fernando Pessoa R“Todo Arte Es Una Forma de Literartura”, de 7 de Fevereiro a 7 de Maio. E no Museo Nacional Thyssen - Bornemisza teremos “Victor Vasarely - The Birth Of Pop Art” entre 5 de Junho e 9 de Setembro e uma exposição dedicada a Monet e Boudin de 26 de Junho a 30 de Setembro.

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OUVIR - “Hitchiker” é um tesouro escondido no baú das memórias que Neil Young tem vindo a revelar. A 11 de Agosto de 1976, numa só noite, Neil Young, sózinho em estúdio apenas com a sua guitarra, gravou dez canções , algumas das quais permaneceram inéditas até agora. A sessão de estúdio nunca havia sido editada, foi lançada no final de 2017 com produção, discreta e suficiente, de David Briggs. É uma prova do enorme talento de compositor e do retratista de uma América que observa há décadas. 1976 foi o ano do bicentenários dos Estados Unidos, em que Jimmy Carter derrotou Gerald Ford e se tornou presidente, foi o ano em que nasceu Reese Witherspoon, em que morreu Phil Ochs, em que os Eagles gravaram “Hotel California” e em que estreou o filme “Rocky”. Em vez de embarcar nas comemorações do bicentenário, Neil Young, então com 30 anos, decidiu contar episódios da História mostrando-os sem os branquear - são o tema de várias canções como “Pocahontas”, “Powderfinger”, “Ride My Llama” ou “Captain Kennedy”. Algumas das canções aqui incluídas na versão original foram depois gravadas com versões alteradas, sobretudo na letra, como “Campaigner”. E há também momentos intensamente íntimos, como a balada “Give Me Strength”, que é uma janela aberta sobre a sua própria vida na época ,ou o retrato que faz do que vê à sua volta na faixa título “Hitchiker”. Mais que um baú de tesouros este é um disco que mostra a essência do processo criativo de um dos maiores músicos do nosso tempo. CD Reprise, distribuição Warner.  


PROVAR - O restaurante Vela Latina nasceu em 1988 e durante várias décadas destacou-se pela sua cozinha, pelo serviço, pela garrafeira e, claro, pela localização junto à Torre de Belém. Em meados do ano passado sofreu obras profundas que alteraram todo o espaço, criaram um novo bar, um restaurante de inspiração entre a cozinha peruana e japonesa (o Nikkei) e, remoçaram a sala do clássico Vela Latina. A decoração foi muito melhorada, está muito mais luminoso, com a vista para a doca e o rio a ser mais aproveitada, com a criação de novos espaços num varandim e em esplanadas quando o tempo permite. A cozinha continua marcada pela gastronomia portuguesa e pela qualidade dos produtos. Aqui estão clássicos da Vela Latina como os rolinhos de linguados com gambas, os filetes de pescada com risotto de alcachofras e os fígados de aves sobre tarte de maçã, além do arroz de coentros com lagosta e do lavagante fresco com salada de espargos verdes. O cuidado na confecção permanece intocado, a garrafeira continua a ter boas opções para uma gama variada e razoável de preços. Alguns dos antigos empregados de sala continuam no seu posto, com um atendimentoexemplar. O bacalhau à braz passou a estar disponível todos os dias, volta e meia há vieiras braseadas e risotto de berbigão e salsa., Nas sobremesas as farófias continuam a  ser referências, assim como continua disponível a finíssima tarte de maçã com gelado de baunilha. A Vela Latina fica na Doca do Bom Sucesso, dispõe de ajuda ao estacionamento e o telefone é 21 3017118.

 

DIXIT - “No limite, até poderia, porventura, aventar-se a hipótese de inconstitucionalidade formal” - Jorge Miranda sobre o processo que levou à aprovação das alterações ao financiamento dos partidos na Assembleia da República.

 

GOSTO - O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, elogiou a “mensagem construtiva” que acompanha o veto do chefe de Estado à lei do financiamento dos partidos por não ceder ao discurso populista antiparlamentar e antipartidos

 

NÃO GOSTO - O PCP disse que a Lei do Financiamento dos Partidos, que reduz o IVA e aumenta os donativos políticos, está a ser alvo de uma “insidiosa campanha antidemocrática” de contornos populistas à qual o Presidente da República teria cedido.

 

BACK TO BASICS - “É absurdo dividir as pessoas em boas ou más; as pessoas ou são encantadoras ou são aborrecidas” - Oscar Wilde.

 

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PULHICE - Quase metade dos portugueses abstém-se nas eleições e a percentagem é maior ainda entre os que têm menos de 35 anos. Isto quer dizer que praticamente metade da população - 43,07% nas mais recentes legislativas - não quis eleger deputados, não confia nos políticos e nos partidos onde se organizaram. E que fazem os partidos, os deputados eleitos por metade da população e os seus dirigentes? Em vez de procurarem conquistar a confiança e mostrarem-se como exemplo de probidade, revelam-se um exemplo de dissimulação e aldrabice. O que se passou com o processo da nova Lei de Financiamento dos Partidos é a demonstração clara da pouca vergonha instalada na Assembleia da República. O funcionamento do regime  não é barato - e o que está aqui em causa não é o custo financeiro da democracia e do funcionamento do sistema, o que está em causa é a ética política e sobretudo a maioria dos partidos não querer fazer de todos nós parvos. Na Assembleia da República PS, PSD, PCP, Verdes e Bloco de Esquerda organizaram-se numa conspiração de silêncio, reunindo à porta fechada, sem divulgação de agenda, escondidos dos jornalistas acreditados no Parlamento, sem sequer redigirem actas do que se passava nas reuniões. A coisa é de tal modo que agora não se sabe quem propôs o quê nas alterações verificadas ao financiamento dos partidos. Quando chegou a hora da votação apenas o CDS e o PAN votaram contra a conspiração. A frente única da aldrabice aprovou a lei. Até o líder da Comissão de Transparência da Assembleia da República não foi informado do que se passava, tão pouco o presidente da Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, muito menos o Presidente da República. Fixem o nome dos actuais líderes parlamentares dos partidos - eles são os primeiros responsáveis por este golpe do baú. Haverá melhor retrato da degeneração do sistema político do que este?

 

SEMANADA - A Câmara Municipal de Lisboa, através da EGEAC, comprou 30 mil cartolas vermelhas e pretas por 57 mil euros para oferecer aos espectadores da passagem do ano no Terreiro do Paço; as festas de fim de ano em Lisboa vão custar 650 mil euros, igualmente suportados pela EGEAC, que vive essencialmente das receitas geradas pelos visitantes do Castelo de S. Jorge; a esquadra de Arroios, em Lisboa, foi encerrada entre 22 de Dezembro e 2 de Janeiro por falta de agentes - indica um aviso afixado na porta das instalações; Bragança e Beja são os dois distritos que captaram maior números de imigrantes estrangeiros entre 2008 e 2016; os estudantes estrangeiros no Instituto Politécnico de Bragança têm um impacto anual de 12,3 milhões de euros na economia local; o investimento estrangeiro em Portugal no primeiro semestre de 2017 foi de 119 mil milhões de euros; o número de alunos do ensino superior a estudarem para serem professores  é o mais baixo dos últimos 20 anos; em novembro 44% das páginas dos sites auditados pela Marktest foram acedidas através de equipamentos móveis; segundo o estudo Os Portugueses e as Redes Sociais, também da Marktest,  39% dos utilizadores de redes sociais leem comentários de consumidores sobre produtos/serviços antes de comprar; familiares de Miguel Frasquilho, ex-secretário de Estado do Tesouro e Finanças e ex deputado do PSD, terão recebido transferências de uma conta na Suíça, detida pela Espírito Santo Enterprises.

 

ARCO DA VELHA - Apesar de viver em Lisboa com o ministro Vieira da Silva, desde 2009, a deputada Sónia Fertuzinhos continua a receber, todos os meses, do Parlamento, mais de mil euros de subsídio de deslocação para Guimarães.

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FOLHEAR - Desde 2015 a revista “Monocle” edita em dezembro uma publicação intitulada “Forecast”, que pretende apontar as principais tendências para o ano seguinte. Na edição deste ano recomenda-se a leitura de um ensaio de David Milliband, ex-responsável pela política externa do Reino Unido, onde defende que a globalização é perseguida à esquerda por ser inimiga da igualdade e  perseguida à direita por ser terreno da contestação à ordem estabelecida. Um dos fenómenos da crise actual da globalização, segundo Milliband, vem do facto de a economia e a política, que durante muito tempo se entenderam, estarem agora em divergência de forma acentuada. É uma visão interessante da crise mundial. A revista aborda ainda a importância de ter nas cidades locais confortáveis para pessoas de idade, com comércio de rua e zonas que incentivem que os residentes mais velhos façam parte da comunidade e participem nela - aqui está um bom lembrete para os responsáveis por Lisboa, que preferem atirar os mais velhos para fora da cidade e das zonas onde sempre viveram. Já agora, a ler a Forecast descobriu que a nova exportação suíça são camarões, que começaram a ser produzidos em grande quantidade no país para serem exportados para toda a Europa. Para rematar uma visão imperdível sobre aquilo que faz da Holanda um país especial: “se não fossemos criativos, estávamos condenados a viver abaixo do nível do mar e a ficarmos afogados” - diz um dos entrevistados.

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VER -  Finalmente consegui ir à Bienal de Coimbra, que encerra já no último dia do ano depois de ter inaugurado a 11 de Novembro. Trata-se da segunda edição desta segunda Bienal de Arte Contemporânea, esta dedicada ao tema “Curar e Reparar”. A iniciativa representa um assinalável esforço da cidade e da região Centro para estabelecer uma mostra internacional de tendências, em muitos casos com obras feitas expressamente para os locais onde são exibidas - e várias delas claramente efémeras como a própria Bienal. O espaço magnífico do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova é aquele onde melhor foi conseguida a materialização do conceito fundador deste ano e onde estão claramente as mais conseguidas obras inéditas e também as apresentações de obras de criadores estrangeiros aqui mostradas pela primeira vez em Portugal. O efeito conseguido neste antigo Mosteiro, que na maior parte do século XX albergou um quartel e é hoje ainda propriedade militar, abandonada e decadente,é verdadeiramernte impressionante. Destaco os trabalhos de Fernanda Fragateiro, Francis Alys, James Lee Byars, Julião Sarmento e William Kentridge, que aliás proporciona um final telúrico do percurso do Mosteiro.Depois disso é muito difícil encontrar paralelos com as exposições apresentadas nos outros seis locais da Bienal - algumas pretensiosas e vazias, outras falhadas, outras ainda desnecessariamente a procurarem justificativos ideológicos que sustentem uma prestação plástica medíocre. A curadoria foi de Delfim Sardo com Luiza Teixeira de Freitas.

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OUVIR - A primeira metade da década de 60 foi a época de ouro da aproximação do saxofonista Stan Getz à música brasileira. São os anos Bossa Nova, durante os quais ele lançou cinco álbuns agora reunidos numa caixa, pela prestigiada editora Verve, para quem estas preciosidades foram gravadas. E quais são esses álbuns? Comecemos por “Big Band Bossa Nova”, com arranjos de Gary MacFarland, onde se destacam interpretações instrumentais de temas como Melancolico, Chega de Saudade, e Samba de Uma Nota Só.  Em 1962 Getz junta-se ao guitarrista Charlie Byrd e edita “Jazz Samba”, onde se destacam temas como Desafinado, O Pato e Baía. Pouco tempo depois surge “Jazz Samba Encore”, já com participações de Luiz Bonfa e Maria Toledo que cantam Só Danço Samba, Insensatez ou Saudade Vem Correndo. Depois  Stan Getz e o guitarrista Laurindo Almeida na guitarra fazem um disco pouco conhecido que explora novos caminhos no cruzamento entre o saxofonone e a guitarra. E por fim, a jóia da coroa desta colecção surge quando Stan Getz se junta a João Gilberto, com a participação de Antonio Carlos Jobim, no LP “The Girl From Ipanema”, onde além do tema título se destacam  Desafinado, Corcovado, O Grande Amor e Vivo Sonhando. Para além desta caixa de CD’s “Stan Getz - Bossa Nova Years”, a Verve lançou também   “The Divine Miss Dinah Washington”  e  “Classic Lady Day”, de Billie Holiday, ambas igualmente reproduzindo cinco LP´s originais.


PROVAR - O panorama gastronómico em Lisboa andou morno este ano e a coisa resume-se assim: alguns bons restaurantes, na comida, serviço e ambiente, degradaram-se em relação aos seus clientes habituais e esmeram-se em relação aos visitantes estrangeiros.  A falta de mão de obra qualificada começa a fazer-se sentir nos estabelecimentos de maior prestígio, onde a rotação de colaboradores é cada vez mais visível. Sobretudo nos restaurantes localizados nas zonas mais turísticas o cliente nacional é tratado pelos empregados de mesa da mesma forma que os taxistas tratam um cidadão português à chegada ao  aeroporto. Claro que há excepções, mas elas são reduzidas e pouco frequentes entre os chamados chefs da moda, uma raça que começa a ser uma praga e a quem é permitido o que não se tolera a um empregado de balcão de uma tasca de bairro. No fundo tudo isto radica numa certeza, que é a galinha de ovos de oiro dos novos grupos empresariais da restauração: os clientes portugueses são uns chatos que aparecem eventualmente várias vezes ao ano se se sentirem bem tratados e os estrangeiros muito raramente repetem a visita; os primeiros não gastam muito e torcem o nariz aos preços dos vinhos e de fantasias culinárias, os segundos não se queixam dos preços e sorriem pasmados. A variedade fast food dos novos chefs é a mais recente praga - depois de anos a fazerem menus degustação muitas vezes insuportáveis, dedicam-se agora a uma variedade de comida rápida feita com menos regras e preceitos que os existentes em qualquer McDonald’s. Depois das estrelas Michelin o batalhão dos chefs de aviário entrou no campeonato dos food corners, como o que agora abriu no El Corte Inglés de Lisboa, Resta a consolação de bons restaurantes por enquanto ainda fora de zonas turísticas e das tascas dedicadas à cozinha popular.

 

DIXIT - “Sou uma lobista social; se eu quisesse estar na política já estaria” - Paula Brito e Costa

 

GOSTO - Da forma como Marcelo Rebelo de Sousa mostrou ao longo do ano como se pode estar de forma diferente no mais alto cargo político do país, a dar exemplos ao resto dos políticos.

 

NÃO GOSTO - Vários jogadores da equipa de futebol do Rio Ave estão a ser investigados por suspeita de viciação de resultados, levando a sua equipa a perder.

 

BACK TO BASICS - “O género humano não pode suportar muita realidade” - T. S.  Eliott

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MUDANÇA - Os millennials estão agora a fazer 27 anos. A maioria já terá terminado os seus estudos, a maioria já começou a vida profissional. É uma geração completamente diferente das anteriores - desde logo porque cresceu num mundo já digital. Os seus hábitos e percepções são completamente diferentes daqueles que, por exemplo, nasceram em finais dos anos 60. Os millennials já passaram por crises económicas globais, por acontecimentos terríveis como o 11 de Setembro, cresceram a ouvir falar da Al-Qaeda e do daesh e a ver aquilo de que os fanáticos são capazes; viajam mais que os seus antecessores, muitos aproveitaram programas como o Erasmus; cedo descobriram que já não há empregos para a vida e, aparentemente, muitos nem os querem; são críticos em relação aos sistemas políticos vigentes, olham com desconfiança para os políticos e partidos tradicionais; a maneira como recebem informação não tem a ver com o que se passava antes - a maioria não vê televisão da forma tradicional, preferindo escolher em cada altura o que querem ver e não o que os canais lhes estão a oferecer, ouvem música em streaming, mais do que rádio e lêem notícias em ecrã mais do que papel. Acreditam menos no que lhes dizem. Daqui a dez - quinze anos vão ser eles a estar à frente das escolas, dos hospitais, das autarquias e dos governos. Em 2030, quando estiverem a entrar nos “quarentas”, o mundo será deles, e têm menos medo de provocar mudanças que os seus antecessores: habituaram-se desde muito cedo a mudar de rotinas todos os dias, a aceitar novos hábitos, a experimentar novas descobertas.

 

SEMANADA - A Taxa de Protecção Civil que Medina inventou na Câmara Municipal de Lisboa foi declarada inconstitucional e a autarquia vai ter que devolver os 58 milhões que abusivamente tirou aos munícipes; andar de bicicleta eléctrica em Lisboa é mais caro que em Paris - deve ser por causa das sete colinas; o Tribunal de Contas voltou a afirmar que a actuação da máquina fiscal nos processos de penhora atropela os direitos dos contribuintes e uma recomendação feita há seis anos continua sem ser cumprida; o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras deu visto a estrangeiro, um cidadão paquistanês,  proibido de entrar na União Europeia; as vendas de carros eléctricos em Portugal mais que duplicaram em 2017; o Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões, um projecto de Luis Pedro Silva,  foi distinguido com o galardão de «Edifício do Ano 2017» pelo website «ArchDaily» e estabeleceu novo recorde este ano ao receber 100 cruzeiros e quase 100 mil passageiros ; a exportação de bicicletas fabricadas em Portugal aumentou 58% nos últimos quatro anos; Portugal está no Top 3 de dadores de orgãos e em sexto lugar em número de transplantes realizados; um em cada oito portugueses em idade activa trabalha na Função Pública; em 2016 a emigração atingiu o valor mais baixo dos últimos cinco anos e Reino Unido, França e Suiça continuam a ser os destinos preferidos dos portugueses; a antiga ministra da educação no governo de José Sócrates,  Maria de Lurdes Rodrigues, foi avaliada com “Inadequado” como professora do ISCTE.

 

ARCO DA VELHA - Apesar de o excesso de peso e obesidade atingir cerca de 30% das crianças, as escolas estão a oferecer menos actividades físicas aos alunos; 60% das crianças portuguesas passa cerca de uma hora por dia em jogos electrónicos, no computador ou em consolas.

 

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FOLHEAR - Francisco Lopes Ribeiro foi autor, encenador, realizador e actor. Distinguiu-se em todas estas actividades e tornou-se conhecido com o nome Ribeirinho. A dupla criativa que fez com o seu irmão, António Lopes Ribeiro, foi responsável por alguns dos maiores êxitos do cinema português. Mas Ribeirinho era também um homem de teatro, um descobridor de talentos que ajudou ao lançamento de nomes como Ruy de Carvalho, Canto e Castro ou Francisco Nicholson. No palco tem a sua carreira ligada ao Teatro da Trindade, onde participou em numerosas produções, nas suas várias vertentes profissionais, incluindo na encenação da estreia de “À Espera de Godot”, de Samuel Beckett. Por iniciativa do Inatel, que gere o Teatro da Trindade, foi agora editada uma biografia de Ribeirinho, “O Instinto do Teatro”, onde se percorrem  as diversas fases da sua carreira, desde o teatro de revista à companhia do Teatro do Povo - uma criação de António Ferro no Secretariado da Propaganda Nacional e, mais tarde, o Teatro Nacional Popular, que estava residente no Teatro da Trindade. Da autoria de Ana Sofia Patrão, esta biografia de Ribeirinho mostra o percurso de Ribeirinho através dos géneros em que teve presença mais assídua e dos projectos mais relevantes que desenvolveu, mostrando também a sua relação com as instituições, o poder político, a sociedade. Profusamente ilustrada com muitas imagens e documentação da época, “O Instinto do Teatro” é uma edição da Guerra & Paz.

 

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VER - Há muito tempo que não via um filme tão perturbante e que me fizesse tanto pensar como “O Quadrado”; e há muito tempo que não via, também, um filme onde me divertisse tanto como neste. Trata-se de uma sátira aos equívocos que podem nascer de uma visão bizarra e disfuncional da arte contemporânea. O filme está centrado num Museu de Arte Contemporânea que remove uma estátua clássica para colocar uma instalação moderna, quadrangular, que pretende representar um espaço de utopia onde o respeito mútuo e a responsabilidade individual devem coexistir. O curador do museu, um profissional de sucesso, é assaltado num páteo, ele próprio quadrado, e esse assalto, onde fica sem carteira, telemóvel e botões de punho, desencadeia uma sucessão de acontecimentos para recuperar os objectos furtados que mostra as tensões entre segmentos da sociedade, as contradições entre o que se diz e o que se faz, evidencia preconceitos racistas e acaba por desencadear uma tragédia. A espiral em que o curador do museu se envolve por questões relacionadas com o roubo acaba por influenciar o seu trabalho, nomeadamente o seu julgamento nas acções de comunicação propostas para divulgar a instação do quadrado - uma estratégia baseada nas redes sociais, chocante e polémica, evidenciando uma vez mais as profundas clivagens e preconceitos que coexistem numa sociedade moderna. Entre o seu conflito pessoal e o conflito gerado pela provocação encenada na comunicação, e que o leva a ter que se demitir, há a criação de um clima de tensão permanente, cruzado com diálogos quase surreais e que, mais tarde, culminam num momento crucial que é a montra do paradoxo criado em algumas instituições: os mecenas do museu, num jantar de gala, são surpreendidos por uma performance que pretende mostrar o evolucionismo - até ao ponto em que, na evolução do macaco, o homem perde o controlo de si próprio e do meio em que está inserido, chocando quem aceita de forma passiva o que lhe dão. No fundo é este o tema do filme.

 

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OUVIR - João Braga começou cedo a cantar Fado, mas a sua vida vai muito para além disso. Foi um dos elementos da equipa fundadora do I Festival de Jazz de Cascais em 1971 e foi também fundador e director da revista Musicalíssimo. E, claro, é fadista - na minha opinião dos nossos melhores. Cantou Marceneiro, Pessoa, Amália, Manuel Alegre. Foi dos que se empenharam em estimular uma geração de novos intérpretes, como Maria Ana Bobone, Ana Sofia Varela, Mafalda Arnauth, Nuno Guerreiro, Cristina Branco, Ana Moura e Mariza no início das suas carreiras, dando-lhes palco a seu lado. Partilhou conhecimento e fama, não quis ser endeusado como outros nem se põe em bicos de pés em filmes manhosos. Vem isto a propósito de um novo disco, “Outrora, Agora”, que agrupa uma série de gravações originais de 1980, que ainda não tinham sido editadas, e outras gravadas há poucos meses. As cinco gravações  de 1980 interpretam todas fados escritos por João Ferreira Rosa, e neles João Braga é acompanhado por Fontes Rocha, António Luiz Gomes e Joel Pina, entre outros. As novas gravações, sete fados, incluem originais de nomes como José Afonso (Maria), Manuel Alegre (Palavras Não Eram Ditas, Rua dos Correeiros e Senhora Não Vás Ao Rio), do próprio João Braga, de Tiago Torres da Silva e Maria Manuel Cid. Estas novas gravações tiveram guitarras de Pedro de Castro e Luis Guerreiro. O contraste entre as duas épocas - 1980 e este ano - separadas por três décadas e meia, é muito interessante, quer a nível do conceito dos arranjos, quer da própria voz de João Braga. Nas gravações novas destaco Maria e Senhora Não Vás ao Rio, nas antigas Fado Triste, Triste Fado e Naufrágio de Nós Dois.  

 

PROVAR - Antes de ter ido aos Açores já eu era fã dos seus produtos - nomeadamente do incontornável queijo. Mas quando lá cheguei descobri um mundo novo e inesperado - desde a  carne saborosíssima, à variedade e inovação das conservas, passando por manteigas excepcionais como A Rainha do Pico, e, surpresa, vinhos de uma qualidade inesperada. Nos últimos anos têm aberto diversas lojas dedicadas aos produtos do arquipélago e bem recentemente descobri uma com uma oferta de produtos acima do que é habitual. É a Companhia dos Açores e fica na Avenida Defensores de Chaves 59. Ali estão disponíveis uma série de produtos da empresa Quinta dos Açores, desde carnes frescas e congeladas até iogurtes e gelados da mesma marca. Claro que a oferta de queijos é grande, mas também a dos célebres enchidos dos Açores que são utilizados no cozido das Furnas. A loja propõe ainda cervejas, licores, aguardentes e sobretudo vários vinhos brancos da ilha do Pico - que tem vinhas vinhas desde o século XV. Hoje em dia o destaque vai para o Verdelho e o Terrantez, ambos produzidos por António Maçanita na Azores Wine Company, e o Frei Gigante e o Espalamaca da Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico. Mas além disto há biscoitos, compotas e geleias feitas com frutas da região, e, como não podia deixar de ser, várias variedades de chá. Nas conservas destaque para as lapas ao natural da Azor Concha e para as variedades temperadas (nomeadamente a de caril) do atum Santa Catarina. Resta dizer que quem quiser um prenda diferente pode ali ainda encontrar cabazes de Natal feitos ao gosto de cada um.

 

DIXIT - “Se cobrar foi fácil, devolver também tem de ser” - Diogo Moura, a propósito da Taxa Municipal de Protecção Civil aplicada em Lisboa.

 

GOSTO - O serviço de streaming musical Spotify passou a disponibilizar este mês o catálogo de jazz da prestigiada editora ECM, assim como a discografia integral de Neil Young.

 

NÃO GOSTO - A GNR detectou este ano oito mil condutores recém encartados com nível de álcool acima da lei.

 

BACK TO BASICS -  Os perus não votam a favor do Natal.

 

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