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SUGESTÕES AVULSAS

por falcao, em 31.03.08

(publicado no »Jornal de Negócios» de 28 de Março)



MAU – A intrusão do Fisco na vida das pessoas, impondo, sob a ameaça de multas, informações pormenorizadas sobre aquisições de bens e serviços, obrigando particulares ao demorado preenchimento de questionários e ao envio de cópias de facturas (ao abrigo de que Lei?) . Já se percebeu que o folclore pré-redução de impostos já está em marcha – e será de saudar – mas tão importante como isto é acabar com os abusos de poder da máquina fiscal. 




PÉSSIMO – A utilização, em material audiovisual do PS, de imagens e voz de um jornalista, José Rodrigues dos Santos, sem autorização do próprio e ainda por cima num contexto de montagem e de edição que pode levar a pensar que ele estava a corroborar as opiniões expressas no resto do vídeo.  




BOM – O blog do jornalista e crítico cultural A.M. Seabra, intitulado Letra de Forma e pode ser consultado em www.letradeforma.blogs.sapo.pt . A.M. Seabra, recordo, também escreve uma coluna regular no artecapital (www.artecapital.net )  e o tema da mais recente é a Fundação de Serralves. 



VER – Até este Domingo ainda tem oportunidade de ver as «Variações à Beira de Um Lago» de David Mamet, pela Companhia do Teatro de Almada, com encenação de Carlos Pimenta, na bela sala do Teatro Municipal de Almada. Hoje e Sábado as representações são às 21h30, Domingo é às 16h00. Vale a pena destacar o trabalho dos dois actores, que à beira de um lago, e usando os patos que o povoam como pretexto, acabam a falar da condição humana. André Gomes e João Ricardo têm bons desempenhos, bem auxiliados pela cenografia aberta de João Mendes Ribeiro. Destaque ainda para a música original de Mário Laginha. E já que estamos a falar de um trabalho em que participa André Gomes, aqui fica uma outra indicação – fora da pele de actor, André Gomes tem realizado de forma sistemática ensaios com base fotográfica recorrendo a Polaroids, e o mais recente está exposto no Museu da Electricidade, Fundação EDP. Intitulada «Era Na Velha Casa», a exposição é a interpretação visual do autor sobre dois fragmentos da Ode Marítima de Álvaro de Campos/Fernando Pessoa. Até 27 de Abril, de terça a Domingo, das 10 às 18h00. 


DESCOBRIR – «VPF Rock Gallery» é o novo espaço acabado de nascer na Rua da Boavista 84, em ligação com a VPF Cream Art Gallery e a Plataforma Revólver. Este novo espaço, também concebido e dirigido por Victor Pinto da Fonseca, tem por objectivo divulgar o trabalho de novos artistas, no princípio de carreira. A honra da estreia da nova galeria coube à fotógrafa Marta Sicurella. Na VPF Cream Art está uma exposição de pintura e desenho de Jorge Feijão e na Plataforma Revólver uma instalação de Armanda Duarte.  De terça a sábado, das 14 às 19h30. 



OUVIR – A banda sonora do filme « Juno», com deliciosas canções pop de Kimya Dwason ( a voz dos Moldy Peaches), melodias de uma simplicidade desarmante. O filme, como alguns saberão, conta a história da gravidez acidental de uma adolescente e as canções reflectem o espírito dos dias, desde as originais de Dawson, até clássicos como «A Well Respected Man» da banda britânica dos anos 60 The Kinks, passando por «Dearest» de Buddy Holly, «Expectations» de Belle & Sebastian , «Superstar» dos Sonic Youth, o sempre magnífico «All The Young Dudes» pelos Mott The Hoople ou uma versão arrebatadora do clássico «Sea Of Love»  por Cat Power. Aqui está uma banda sonora absolutamente imprevista, variada, adequada ao filme e fascinante de um modo geral. CD Rhino, comprado na Amazon. 


LER – A edição de Março da revista trimestral «Egoísta» é uma espécie de número especial (até na paginação), dedicado ao mar, intitulado «Atlântico» e com uma magnífica fotografia de capa  de João Carvalho Pina, aliás repetida num portfolio do autor publicado nesta mesma edição. Outros portfolios em destaque são de Augusto Brázio e de Pedro Cláudio, este último cada vez mais interessante nos caminhos que está a percorrer com as suas imagens. Nos textos destaques para o ensaio «Portugal E o Mar» de Ernâni Rodrigues Lopes, para o relato da partida da corte portuguesa para o Brasil por Margarida Magalhães Ramalho e, sobretudo, à «Confissão do Sinaleiro», de Ondjaki. 



DIREITO DO CONSUMIDOR – A coisa que mais irrita é ler «abertura fácil» numa embalagem manifestamente difícil e incómoda de abrir. Embora já tenha tentado melhorar várias vezes o processo, a verdade é que a Compal ainda não conseguiu atinar com a embalagem dos sumos «Essencial», cuja abertura continua sem ser nada fácil. O mais grave é que os sumos são bons – há quem adore o de banana, eu prefiro o de ananás e o de maçã – mas o mais terrível de tudo é que começar uma manhã a tentar abrir um frasco daqueles arrisca-se logo a estragar um belo dia primaveril. 


PETISCAR – Tenho para mim que o bitoque tradicional português é coisa para derrotar 10 a zero qualquer hamburguer industrial. O bitoque – esse pequeno bife, fino mas não demais, feito em tacho de barro com banha e louro, acompanhado de batatas fritas e uns pickles e cavalgado por um ovo estrelado – é a dose ideal de comida para saciar a fome sem a deixar esmagada pela quantidade. Eu sou fã de bitoques e acho graça a que exista um estabelecimento exactamente com esse nome. «O Bitoque» fica no número 59 da Rua Ferreira Borges, em Campo de Ourique e por 6,40 euros oferece o prato que lhe dá o nome. Resta dizer que a casa se esmera para honrar o petisco. 



BACK TO BASICS - «A adição de emoção é uma tentativa de comprar o público» - David Mamet.

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publicado às 18:49

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por falcao, em 24.03.08

MAU – Uma provável suspensão da revista «Atlântico» é das piores notícias que podia  surgir. Trata-se da única revista mensal assumidamente de debate social, político e cultural existente na sociedade portuguesa. Embora tendo por base um núcleo fundador essencialmente liberal, nela têm colaborado pessoas de muitos sectores e a revista, muito bem dirigida editorialmente por Paulo Pinto de Mascarenhas, tornou-se o veículo privilegiado para a intervenção política de muitas figuras que se retiraram da primeira linha da actividade partidária ou que pura e simplesmente hoje em dia não têm partido. Mas é também uma revista que procura ajudar a interpretar a História, nomeadamente a portuguesa, e ao mesmo tempo aborda temas de política internacional pouco tratados por cá. Provocadora, iconoclasta, a «Atlântico» é uma leitura mensal obrigatória. As dificuldades com que se debate para sobreviver são a prova da fragilidade de uma sociedade civil que gosta de dizer que existe, mas que tem muita dificuldade em agir e concretizar projectos fora da zona da actividade empresarial em que algumas das suas figuras principais se distinguiram. Noutros países os grandes líderes empresariais empenham-se em garantir possibilidades de fomentar o debate de ideias e a análise das situações, certos de que assim estão a contribuir para o progresso da sociedade e, em última análise, para o crescimento e consolidação dos mercados. Promovem «think tanks», são patrocinadores empenhados. Aqui está um exemplo de boas práticas que podia ser mais seguido. 




PÉSSIMO – Já lá vai um mês e meio desde que Isabel Pires de Lima saíu do Ministério da Cultura e ainda não se ouviu uma palavra do seu sucessor sobre o que pretende fazer. Entretanto, para além das recorrentes notícias sobre falta de meios para salvaguardar o património e do encerramento das visitas em alguns monumentos, na semana passada foi divulgada a posição de 28 directores de museus e palácios nacionais, que, dizem, estão sob risco de «iminente colapso». É certo que as culpas vêm do orçamento deixado por Isabel Pires de Lima e pela falta de atenção do Governo ao sector, mas a realidade é que a ausência de capacidade política e uma errática actuação pública são as características da actividade do Ministério da Cultura de Sócrates. Será este Ministro capaz de ganhar carta de alforria? 




OUVIR – Pierre-Laurent Aimard é um pianista francês com uma carreira curiosa, que oscila entre o contemporâneo e a música antiga. No início da sua carreira foi convidado por Pierre Boulez para integrar o núcleo fundador do Ensemble InterContemporain. As suas interpretações da música de Boulez, Stockhausen e Ligeti são consideradas referências. Mas ao mesmo tempo tem desenvolvido uma actividade exemplar na música antiga, colaborando com nomes como Nikolaus Harnoncourt, com cuja Orquestra de Câmara Europeia gravou os cinco concertos para piano de Beethoven. O motivo desta nota é no entanto a sua mais recente gravação, a primeira para a Deuscthe Grammophon. Trata-se de «A Arte da Fuga» de Bach, uma peça inacabada cuja composição Bach começou cerca de 1742 e que demonstra o seu enorme domínio técnico de uma das mais complexas formas de expressão da música europeia desse tempo, conhecida como o contraponto. A interpretação agora gravada por Aimard mostra a sua técnica, a sua capacidade, mas também a inteligência e sensibilidade da sua interpretação. 



LER – Durante alguns anos assinei – e li – religiosamente a «Granta», uma revista literária fundada em 1979 por estudantes de Cambridge e que deu a conhecer ao mundo, e a mim em particular, alguns dos novos escritores da época, como Martin Amis, Ian McEwan, Richard Ford e Angela Carter. Mas a «Granta» foi também o paraíso de deliciosas short-stories de proveniências diversas, de portfolios fotográficos inesperados e de numerosas peças de literatura de viagem que me fizeram dar mais atenção ao género. Pois a «Granta» chegou agora ao seu número 100 – são feitas quatro edições por ano, uma em cada estação, e debaixo do título lá continua a frase mágica «The Magazine Of New Writing». Esta edição (350 páginas) é verdadeiramente uma peça de colecção que inclui, por exemplo, um poema de Harold Pinter , um libretto de Ian mcEwan, uma short-strory de Hanif Kureishi, um ensaio ( «The Unknown Known») de Martin Amis e uma curiosa nota sobre a construção de personagens por Mário Vargas Llosa, além de um belíssimo ensaio fotográfico sobre Nova York de Bruce Frankel.


Por cá encontram a «Granta» 100 nas boas lojas de revistas e nalgumas livrarias com edições inglesas. 



PETISCAR – A coisa não é bem sushi tradicional, digamos que é sushi tropical, Japão com influência do Brasil, há quem lhe chame sushi-fusão. O resultado pode desagradar aos puristas mas o final é bom. Experimentem o Hot Salmon ou o Spicy Tuna e vão ver que têm uma boa surpresa. O serviço é simpático mas às vezes é preciso combater a distracção e o olhar vago no horizonte dos empregados – a coisa percebe-se, a vista é deslumbrante, com o rio ali ao pé. O «Sushi no Rio» fica por cima da esplanada dos «Meninos do Rio», na zona de Santos, para lá da linha de comboio, na Rua da Cintura do Porto de Lisboa, armazém 255, edifício Steak House, telefone 213220070. 


BACK TO BASICS – Abrir a porta da rua pode ser uma actividade perigosa – J.R.R. Tolkien 

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publicado às 10:01

COSTA, CULTURA, RTP e AZULEJOS

por falcao, em 29.02.08

INTERESSSANTE - António Costa está a experimentar o amargo sabor da legislação que fez enquanto Ministro da Administração Interna. Ele bem pode dizer que a lei foi mal interpretada, mas na realidade esta é a prova do que pode acontecer quando se utiliza a capacidade legislativa para fazer guerrilha política – na altura Costa legislou assim, em primeiro lugar, para condicionar alguns dos maiores municípios do país, que estavam na mão da oposição e em crônica situação de endividamento. Acontece que agora se voltou o feitiço contra o feiticeiro. É por isso que, em política e já agora no jornalismo, a memória é fundamental para analisar o que se passa. Baste ir ver o que se disse e quem disse aquando da elaboração por Costa da legislação de que ele próprio se queixa.


 


MAU – A questão não é só a RTP deixar de ter publicidade, é saber como isso se pode fazer. A questão do financiamento global do Grupo RTP merece um debate sério, sem as tiradas demagógicas de Arons de Carvalho nem as imitações apressadas de Sarkozy pelo líder da oposição. Basta observar o crescimento de receitas nos últimos quatro anos, entre aumento constante da indemnização compensatória e da cobrança da taxa do audiovisual, que foi entretanto alargada a consumidores que antes a não pagavam. E, claro, tem que se ter em conta este simples facto: a publicidade numa estação de televisão rende em função das audiências; para se fazerem bons números é inevitável que se perca em qualidade de serviço público. Aqui está uma questão que dava pano para mangas.


  


PÉSSIMO – A nova sede dos serviços secretos, no antigo forte da Ameixoeira, teve um custo de obras que ascendeu a 15 milhões de euros. A obra não resistiu às primeiras chuvas intensas. Tal como o resto do país, a secreta foi inundada e os jornais relatavam a surpresa dos espiões lusitanos quando viram água e lama entrarem de enxurrada pela porta principal do edifício.


 


EXPORTAÇÕES DA SEMANA – O grupo de rock Wray Gunn faz sucesso em França, com presença em revistas, elogios em jornais, discos a vender bem e canções escolhidas para as passagens da Paris Fashion Week; uma obra dos robots pintores criados pelo artista plástico Leonel Moura ilustra a capa da revista do MIT (Massachussets Institute of Technology) sob o tema «Artificial Life»; Paula Rego consolida a sua cotação depois de o quadro «Baying» ter atingido 740 000 euros num leilão promovido pela Sotheby’s em Londres. É com isto que se vai fazendo a imagem de um país – mas já agora convinha que o Governo tivesse isso em conta. Para quando a diminuição do IVA sobre produtos culturais. Irá o novo Ministro da Cultura convencer o jogger Sócrates que não é só aos ginásios que vale a pena dar benefícios fiscais?


 


ESTUDAR – Por falar em Ministro da Cultura, merece estudo atento a análise que Augusto M. Seabra faz na www.artecapital.net, na sua habitual coluna «O Estado da Arte». Excerto: « A pior coisa que pode acontecer ao ministro José António Pinto Ribeiro é ser um gestor de clientelas. O que se poderá desejar de alguém com o seu perfil público, e até do protagonismo político a que por certo não se regateará, é que corte rente com o dirigismo, abra espaço a iniciativas próprias e catalize esforços e parcerias, que saiba também fazer uma cultura da mediação. O que se passou durante os 34 meses da gestão Pires de Limas/Vieira de Carvalho foi também a negação de uma cultura democrática. O fundador do Fórum Justiça e Liberdade tem a obrigação elementar de ter presente esse dado e tirar as devidas consequências na sua acção política como Ministro da Cultura – que crie instrumentos legais e iniciativas em vez das cadeias de comando do servilismo burocrático.»


 


VER - A exposição e o álbum de fotografias «Ponto de Vista», feitos com base nas imagens recolhidas por António Barreto durante as filmagens da série «Portugal- Um Retrato Social». Boas fotografias a preto e branco, enquadramentos rigorosos e- o que é mais importante – um modo de ver que nos ajuda a descobrir. Afinal a fotografia é isso mesmo. Na FNAC do Colombo.


 


OUVIR – Um delicioso disco ao vivo , «The Oscar Peterson Trio Live in Newport». A edição surge integrada nas comemorações do 50º aniversário do Festival de Newport. A gravação foi feita na noite de 7 de Julho de 1957, Norman Granz, o lendário produtor da prestigiada etiqueta Verve, gravou a actuação de Oscar Peterson no piano, Herb Ellis na guitarra, Ray Brown no baixo, Roy Eldridge no trompete, Sonny Stitt no sax alto e Jo Jones na bateria. Aqui estão temas como «Will You Still Be Mine?», «Autumn In New York», «52nd Street Theme» e «Monitor Blues», entre outros. CD Universal.


 


DESCOBRIR – Uma nova forma de olhar para os azulejos, com as obras do japonês Jun Shirasu, na Galeria Ratton, Rua da Academia das Ciências 2C. A exposição chama-se «Regresso do Oriente» e mostra pequenos painéis e também azulejos individuais onde a contenção e um sentido lúdico de observação da natureza e do quotidiano são as marcas dominantes. Até 4 de Abril.



BACK TO BASICS - «As Finanças, em Portugal, foram já muito mais longe do que seria aceitável, ainda que em nome da eficiência da cobrança fiscal» - Pacheco Pereira

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publicado às 16:51

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por falcao, em 01.02.08
AS NOSSAS CIDADES
(publicado no diário «Meia Hora» de quarta feira dia 30 de Janeiro)

Uma das coisas que permanentemente me preocupa é a volatilidade das estratégias das nossas cidades. As coisas aparecem feitas um pouco por acaso, sem planos continuados, sem método, sobretudo sem grande estudo. As cidades portuguesas cresceram muito nas últimas décadas mas paradoxalmente desertificaram-se no seu centro. A grande culpada disto, já se sabe, é a Lei das Rendas – que apesar das tímidas reformas continua a fomentar a compra de casa, a justificar a construção nas periferias, a criação de cidades dormitório.

O caso de Lisboa é particularmente preocupante, porque a cidade está cada vez mais a perder habitantes e claramente está a ficar envelhecida. Reconheço que nesta semana se deu um passo importantíssimo para Lisboa – a devolução da zona ribeirinha à cidade, e à sua autarquia. De uma forma ou de outra, a partir de agora, terá que se pensar neste assunto, na forma de refazer Lisboa a partir do rio, na forma de conseguir projectar o futuro.

Como estas coisas se fazem a partir de bons exemplos e de bons estudos, sugiro que percam algum tempo neste endereço: http://www.nycfuture.org . Trata-se do site do «Center For A Urban Future», de Nova Iorque. Esta organização apresenta-se como um think tank que produz relatórios aprofundados sobre temas críticos que preocupam a cidade e apresenta propostas políticas concretas para resolver alguns problemas.

A existência de organizações deste tipo é relativamente comum nos países onde a sociedade civil é activa – os poderes aliás tendem a apoiar este género de iniciativas, a manter um bom diálogo e a aproveitar muitas das suas sugestões.

Uma visita ao site do «Center For A Urban Future» permite ler estudos sobre temas que vão do ensino da língua inglesa a emigrantes, até ao ressuirgir das feiras de rua em Nova Iorque, passando por políticas de cultura, de emprego, de animação. E, lá também poderão ler a transcrição do debate «Creative New York», uma peça que os nossos queridos autarcas de todo o país – a começar por Lisboa e Porto – bem poderiam estudar.

Uma cidade que perde a criatividade e não a estimula acaba por perder todo o atractivo. Parece evidente mas basta olhar à nossa volta para ver o triste estado da Nação nesta matéria.

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publicado às 22:45

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por falcao, em 10.01.08
A MINISTRA DA CULTURA VAI PARA O GINÁSIO OU PÕE-SE AOS GRITOS?
(publicado na edição de 9 de Janeiro do diário «Meia Hora»)

Na sua incessante busca pelo aperfeiçoamento do corpo, o Primeiro Ministro José Sócrates resolveu baixar o IVA aplicável aos utilizadores de ginásios para 5%. A redução, que entrou em vigor ao mesmo tempo que as medidas anti-tabaco, deve certamente destinar-se a combater o aumento de peso dos ex-fumadores.

Uma outra hipótese é que, com base nestas medidas, o Governo venha anunciar que já começou a descer os impostos, o que certamente dará oportunidade ao Ministro Santos Silva para vir mais uma vez dizer que este Governo, na realidade, não pede sacrifícios aos portugueses.

Eu por mim não tenho nada contra esta descida de IVA, até me parece que ela é de saudar. Só tenho uma pequena questão: o que dirá a Senhora Ministra da Cultura deste assunto? Baterá palmas de contente? Ou terá exigido que idêntico tratamento, em matéria fiscal, seja concedido aos bens culturais?

A pergunta é retórica, porque está provado que a Ministra não tem opinião nem vontade – está ali para fazer o que lhe dizem sem levantar ondas. Mas o tema não é nada retórico: na verdade é espantoso que o Primeiro Ministro ache que é importante descer a taxa de IVA nos ginásios, mas que continue a achar que nos bens culturais não vale a pena diminuir impostos.

Recordo que, embora os livros tenham uma taxa reduzida de 5%, os CD’s e os DVD’s pagam os 21% de taxa máxima. Numa altura em que a música gravada atravessa uma crise sem precedentes, um pouco por todo o lado procuram-se maneiras de apoiar os artistas e a edição musical. O mesmo se passa em relação ao universo do audiovisual. Aqui ao lado, em Espanha, há uns meses, o Governo decidiu reduzir de forma drástica o IVA aplicado a bens culturais, que já era mais pequeno que em Portugal. No caso dos livros desceu para apenas 1% e no caso dos CD’s e DVD’s reduziu para 4% - uma diferença de 17% em relação ao que se passa em Portugal.

Senhora Ministra da Cultura, de que está à espera para se pôr a protestar e exigir tratamento igual ao dos ginásios? Senhora Ministra: se não consegue que o seu Governo defenda e promova os bens culturais, que está aí a fazer?

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publicado às 10:30

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por falcao, em 19.11.07
BOM – A mais recente edição da revista «Atlântico» tem sobejos motivos de leitura: um texto programático de José Miguel Júdice sobre a política portuguesa; uma deliciosa análise de Gunter Grass por Vasco Pulido Valente, uma entrevista a Paul Auster por Pedro Mexia (que bom qunado o entrevistador sabe do que fala…) e, sobretudo, mais um magnífico artigo de Rui Ramos sobre a História de Portugal, desta feita sobre as invasões francesas, há 200 anos, e os seus efeitos ao longo do tempo.


MAU – Os atropelamentos sucedem-se porque os radares de velocidade estão nas vias rápidas em, vez de estarem em zonas residenciais. Se a Polícia Municipal servisse para alguma coisa estaria a controlar o que se passa em pleno centro da cidade em vez de locais onde nem há passadeiras de peões. Alguém já experimentou controlar a velocidade bem no centro de Lisboa, como na Avenida Miguel Torga, em Campolide?


PÉSSIMO – Hugo Chavez está a um passo de fazer aprovar uma Constituição que consagra a expropriação da propriedade privada e lhe permitirá continuar indefinidamente a ser Presidente da Venezuela. O pai, Hugo de Los Reys Chavez, é governador do Estado de Barinas (de onde a família é originária); mas como a idade avançada já lhe provoca limitações, foi criado especialmente o cargo de secretário de Estado do Governador (que não existe em mais nenhuma provícia da Venezuela) para Argenis Chavez, um dos irmãos do Presidente. Outro irmão, Anibal Chavez é Presidente da Câmara de Sabanita, a terra natal do clã. E um outro irmão, Adan Chavez, é o ministro da Educação responsável pelas recentes e bizarras imposições de programas escolares «revolucionários». Agora o melhor: na semana passada, ao mesmo tempo que o Primeiro Ministro e o Rei de Espanha criticavam publicamente o ocupante da presidência venezuelana, o Primeiro Ministro José Sócrates convidou Hugo Chavez para visitar oficialmente Portugal já nos próximos dias. Diz-me com quem andas…


O MUNDO AO CONTRÁRIO – Confrontada com o encerramento de salas nos principais museus portugueses por falta de guardas e falta de verba, a Ministra da Cultura, que tutela aos museus, teve por reacção dizer alto e bom som que a culpa não era dela, mas sim do Presidente do Instituto dos Museus, a quem há bem pouco tempo elogiava com fartura, quando se tratou de afastar umas pessoas e promover outras.


INDEFESOS – A sucessão de acidentes das últimas semanas mostra uma coisa: o Estado está mais interessado em reprimir do que em prevenir, uma velha distorção da sociedade portuguesa, muito mais dada a passar multas do que em resolver a causa dos problemas ou prevenir o seu surgimento. Alguma razão há-de haver para tanto acidente com veículos pesados nos últimos dias e isso é que era bom perceber.


PETISCAR – Bom almoço, boa conversa, uma vista larga sobre Lisboa e uma bela proposta: cannelonni de lagosta com vieiras de um lado, e risotto de ostras do outro. Vinho Loridos branco, a copo. Serviço médio, qualidade da comida muito boa, preços razoáveis para os pratos e vinho em causa. A coisa passa-se no restaurante do El Corte Inglês, no sétimo andar. Telefone 213711724. Uma descoberta.


LER – «As Mulheres de Meu Pai». de José Eduardo Agualusa, saíu há uns meses mas só agora o li. Fiquei conquistado pela forma magnífica da escrita, mas sobretudo pela história em si: a vida de um músico africano entre Luanda e a Ilha de Moçambique, cujo percurso e episódios de vida são revisitados pela filha Laurentina (o nome da marca de uma cerveja angolana), que tenta construir um documentário sobre o pai, Faustino Manso. No fim o livro ganha uma pujança ainda maior, fica com uma escrita ainda mais cinematográfica – quase com anotações de direcção. Fascinante.


OUVIR – Herbie Hancock nasceu em Chicago em 1940 e tornou-se notado como um dos grandes pianistas do jazz logo nos anos 60. Aos 23 anos foi convidado por Miles Davis para o seu quinteto. Em finais dos anos 60 escreveu a banda sonora de «Blow Up» de Michelangelo Antonioni. Agora, com 67 anos, Hancock atirou-se ao repertório de uma das grandes folk singers norte-americanas, Joni Mitchell. O seu novo disco chama-se «River- The Joni Letters» , e para além da própria Mitchell, conta com participações de Norah Jones, Corinne Bailey Era (porventura a melhor interpretação vocal do disco, precisamente em «River»), Tina Turner , Luciana Souza e Leonard Cohen. Pelo meio fica uma versão de «Nefertiti», um tema de Wayne Shorter, do tempo em que ambos tocavam com Miles Davis. CD Verve, Universal Music.


VER – A exposição «Planos», de Pedro Calapez, na galeria Lisboa 20, Rua Tenente Ferreira Durão 18-B, em Campo de Ourique. Obras a três dimensões, com recurso a volumes e formas que evocam esculturas e instalações e se cruzam com a pintura. Inesperado e sedutor.


BACK TO BASICS – Alguns políticos, como Santana Lopes, são como os gatos: têm sete vidas; não vale a pena é tentarem esgotá-las todas em rápida sucessão.

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publicado às 09:53

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por falcao, em 08.11.07
A Cultura é cara?
(Publicado no diário «Meia Hora» do dia 7 de Novembro)

«Quanto Custa a Cultura?» é o tema de um ciclo de conferências organizado em conjunto pela Reitoria da Universidade do Porto e pela Casa-Museu Abel Salazar, todas as terças feiras ao fim da tarde até 4 de Dezembro. As conferências já realizadas têm títulos sugestivos: « A ignorância é barata?»; «A cultura e o dinheiro»; «A cultura é cara?».

Os parcos relatos dos jornais sobre esta iniciativa mostram como é importante debater sem problemas esta questão, assim como algumas outras que nas próximas semanas serão abordadas – nomeadamente a relação entre a Cultura e a política e como organizar a Cultura. Eu por mim espero que no final deste ciclo de conferências haja alguma forma de revisitar as conversas (não haverá maneira de colocar um podcast?). Era importante fazer a memória de algumas intervenções, até porque é cada vez mais importante levar os principais partidos políticos a tomarem uma posição sobre o que entendem dever ser a política cultural. Os ocupantes do bloco central fogem de debater estas questões no concreto – com temas como os que este ciclo de conferências arriscou – e preferem refugiar-se em banalidades e lugares comuns. A cultura é um território político que se assemelha a uma feira de vaidades com muita prosápia e pouca discussão séria.

Eu por mim tenho curiosidade em ver como Luís Filipe Menezes irá, no âmbito da anunciada revisão do programa do PSD, abordar esta questão. A curiosidade tem razões: nos últimos anos Gaia tem servido de refúgio para os exilados culturais do terrível consulado de Rui Rio, no Porto. Mário Dorminsky, o homem que criou o Fantasporto, é o vereador da Cultura de Menezes e a actividade do município de Gaia nesta área tem dado nas vistas. Até insuspeitas figuras como o jornalista Baptista Bastos aparecem a elogiar o perfil de Menezes nesta matéria, dizendo que ele «apoiou as artes e a cultura, e não caiu na tentação da intolerância e do ostracismo políticos».

Por uma vez podia ser que um líder partidário aceitasse trazer o assunto à discussão, que o elencasse entre as matérias a debater, entre as questões para as quais vale a pena elaborar uma estratégia. E mostrasse que a política cultural não é monopólio da esquerda.

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publicado às 16:15

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por falcao, em 18.10.07
O ESTADO DA ARTE
Augusto M. Seabra voltou a escrever sobre política cultural e critica a gestão de Isabel Pires de Lima neste artigo do site artecapital onde passará a escrever mensalmente.

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publicado às 16:20


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