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UM EXEMPLO QUE VEM DOS ANTÍPODAS - Uma das séries da Netflix que mais me interessou nos últimos tempos foi “Secret City”, um thriller político passado na Austrália e onde, ao longo das duas temporadas já disponíveis, o centro da história é a forma como membros do Governo tentam iludir os eleitores, com a ajuda das agências de informação e serviços secretos, que repetidamente abusam do seu poder e violam direitos dos cidadãos. A série é uma crítica dura ao funcionamento do Estado. Acontece que a produção desta série foi financiada por um conjunto de entidades governamentais e departamentos oficiais da Austrália, uma política integrado de financiamentos e benefícios que são o elemento chave da reviravolta que o audiovisual australiano sofreu nas últimas duas décadas e meia. Desde meados dos anos 90 a Austrália implementou, sem recuos, uma política e mecanismos de desenvolvimento da produção local que foi dando os seus frutos e agora está madura. O facto de uma série tão crítica em relação ao funcionamento dos responsáveis do Estado ser fortemente financiada por esse mesmo Estado mostra apenas que o sistema funciona muito bem. Em Portugal infelizmente passou-se o contrário e a cedência a lobbies diversos, acompanhada por uma sistemática falta de empenho no desenvolvimento continuado e coerente de uma indústria audiovisual, tem os resultados que estão à vista. Por cá raramente se leva um plano até ao fim. E, como esta semana se viu no parlamento, o debate sobre o audiovisual preocupa-se mais com futebóis do que com outras coisas...

SEMANADA - As Câmaras Municipais de Lisboa e Porto realizaram cerca de mil despejos de habitação social ao longo da ultima década a maior parte por rendas em falta; o Governo anunciou redução dos preços dos transportes públicos para 85% dos eleitores; o presidente do Supremo Tribunal de Justiça reconheceu numa entrevista que não foi possível promover um pacto para a reforma da justiça entre os partidos parlamentares; o Conselho Geral da ADSE acusou a instituição que fiscaliza de não dar suficiente importância à situação dos beneficiários nas zonas mais desfavorecidas; segundo o Presidente da República “não há instituições europeias fortes com líderes fracos e não há líderes europeus fortes com líderes nacionais fracos”; no Hospital de Santa Maria a falta de enfermeiros reduziu o serviço de neonatologia a metade; nos últimos dois anos, o número de pedidos de nacionalidade portuguesa aumentou cerca de 50%, atingindo 176.285 em 2018;  Esta legislatura os pedidos de levantamento da imunidade parlamentar aos deputados quase duplicaram em relação à anterior; Portugal continua bem acima da média europeia na incidência de casos de tuberculose; 1,9 milhões de portugueses têm o hábito de fazer apostas em jogos online.

PENSAMENTOS ACERTADOS - “Fingir que a União Europeia é democrática, com aquele patético Parlamento e estas eleições, ou é inútil, ou é prejudicial”- António Barreto

 

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AS OPORTUNIDADES E AMEAÇAS DO FUTURO - Editada pelo Copenhagen Institute for Futures Studies, a “Scenario” é uma revista sobre tendências, ideias e perspectivas de futuro, publicada seis vezes por ano. A primeira edição de 2019 dedica a capa a Martin Rees, que criou e coordena um grupo de investigadores da Universidade de Cambridge no Centre for the Study of Existencial Risk (CSER). Este centro dedica-se a estudar as ameaças globais que podem colocar a humanidade e a civilização em risco. A entrevista com Martin Rees surge a propósito do seu novo livro, “On The Future: Prospects For Humanity”, uma abordagem aos grandes desafios e oportunidades que irão moldar o nosso futuro colectivo. Outros temas de interesse nesta edição são um artigo sobre a quarta revolução industrial, caracterizada pela ascensão da inteligência artificial e da robótica. O impacto da inovação social na organização das empresas, desde os recursos humanos ao local de trabalho, é um dos temas abordados nesta área. A robótica e a inteligência artificial, sublinha a revista,  colocarão cenários inesperados, muito para além do trabalho, entrando na vida de cada um - a nível do comportamento e até da sexualidade. No entretanto, algumas casas de alta costura, como a Balmain e a Fenty começaram a utilizar modelos virtuais digitais em 3D em vez de pessoas nas suas campanhas publicitárias. Cameron James Wilson criou Shudu, o primeiro supermodelo digital e a Scenario entrevistou-o. A revista está à venda na Under The Cover, Rua Marquês Sá da Bandeira 88b.

 

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O LADO LUNAR DA METADE DO CÉU - Qual é a metade do céu? Segundo Mao Tsé-Tung é aquela que toda e qualquer mulher sustenta. Este foi o ponto de partida assumido por Pedro Cabrita Reis para criar a exposição que assinala os 25 anos de actividade do Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva, escolhendo obras de 60 mulheres artistas portuguesas, simbolicamente com início numa natureza morta de Josefa D’Óbidos, do século XVII, até à maioria das obras apresentadas, produzidas entre meados do século XX e a actualidade. “A metade do céu” é pois um projecto de Pedro Cabrita Reis que decorre entre 21 de Março e 23 de Junho e que, nas suas próprias palavras, é uma exposição que procura “trazer ao encontro de Vieira da Silva uma perspectiva singular – pessoal, afectiva, decerto apaixonada” de obras de outras artistas. E ainda: “esta exposição perscruta o lado lunar de cada artista, dando a ver, sempre que possível, o que menos se espera dela – uma ou outra obra não tão frequentemente mostrada, talvez até desfasada, de algum modo inusitada”. Uma outra sugestão adicional: por iniciativa do Sindicato dos Pintores Pedro Calapez aceitou a ideia de por em contacto dois artistas de gerações diferentes e escolheu Carlos Correia. Sob o título “Sem Fim/Endless”, apresentam-se cerca de 50 trabalhos sobre papel de Carlos Correia e um video de Pedro Calapez. Na Box da Appleton, Rua Acácio Paiva 27, entre 23 a 30 de Março. E no dia 29, pelas 18h, uma conversa junta Pedro Calapez com Alberto Caetano e Joaquim Sapinho, numa abordagem à obra de Carlos Correia, morto no ano passado.

 

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UM PIANO ENCANTADO - O trio clássico de jazz (piano, bateria e contrabaixo) é uma das minhas formações preferidas e o piano é claramente o instrumento que muitas vezes move a escolha do que quero ouvir. Aaron Goldberg é um pianista de jazz norte-americano que ao longo da sua carreira, iniciada em finais dos anos 90, trabalhou com nomes como Joshua Redman ou Wynton Marsalis. O novo disco do trio do pianista norte-americano Aaron Goldberg, o seu sexto, chama-se  “At The Edge Of The World” e foi editado no final do ano passado. Alem de Goldberg tocam o baterista Leon Parker e o baixista Matt Penman. O disco começa com uma versão de “Poinciana”, um standard composto por Nat Simon no final dos anos 30, que teve numerosas versões, uma das mais conhecidas sendo a de Ahamad Jamal - aqui recriada de forma marcante, com uma intervenção vocal de Parker que ajuda a criar todo o ambiente do disco. O segundo tema, “Luaty” é um original de Goldberg dedicado ao activista angolano “Luaty Beirão”, composto enquanto ele esteve em greve da fome.  Destaque também para o clássico brasileiro “Manhã de Carnaval”, e sobretudo para a versão de um tema de McToyTyner (“Effendi”) e para as duas homenagens ao vibrafonista Bobby Hutcherson, “Isn’t This My Sound Around Me” e “When You Are Near”. “En La Orilla Del Mundo”, do cubano Gonzalo Rubalcaba, popularizado por Charlie Haden, é o único tema onde Goldberg toca sózinho, ao piano. E a finalizar “Tokyo Dream” é uma abordagem do próprio Aaron Goldberd a um blues, proporcionando um dos pontos altos da participação do baterista Leon Parker. Disco Sunnyside, disponível no Spotify

IGUARIAS FLUVIAIS DA ESTAÇÃO - Todos os anos por esta altura combino com um dos meus melhores amigos a estreia da época da lampreia. Às vezes a partir de finais de Fevereiro já se consegue uma lampreia decente -  mas este ano a falta de chuva não ajudou os rios e ainda menos as lampreias, que precisaram de mais algum tempo para estarem em boa forma. A estreia de 2019 ocorreu na semana passada num dos locais da minha confiança quando se trata de cozinha portuguesa - o Apuradinho, na Rua de Campolide. A lampreia que ali se serve é de confiança, não é importada nem congelada, como já me aconteceu nalguns locais. Além disso a casa sabe preparar bem o ciclóstomo para que ele não fique contaminado com nenhum sabor estranho. Aquele arroz de lampreia é temperado no ponto, leva a dose certa de vinagre, retém o sabor do bicho e o preparo é feito de forma a que os nacos surjam no ponto de consistência. Convém  encomendar o petisco e acertar uma data. Para quem goste há vinho verde tinto,mas eu geralmente passo nesse capítulo. Se tudo correr como previsto ainda há -de haver segunda lampreia este ano e pelo meio estou certo que terei ocasião para provar o outro petisco da época - o sável frito em fatias finíssimas, acompanhado por uma açorda genuína - que no Apuradinho também é excelente. Apuradinho, Rua de Campolide 209, telefone 213 880 501.

DIXIT - “A democracia portuguesa está a tornar-se um asilo de loucos” - Vasco Pulido Valente

BACK TO BASICS - “A aritmética consiste em saber contar até 20 sem ter que tirar os sapatos dos pés” - Rato Mickey



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publicado às 15:50

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O MUNDO MUDOU E A LEI ELEITORAL NÃO - Quando se fala da necessidade de mudar o funcionamento do sistema político não é só de modificar o sistema eleitoral (círculos uninominais, número de deputados ou número de câmaras, por exemplo), nem o sistema partidário. O funcionamento da democracia representativa em Portugal foi enquadrado por uma lei eleitoral que regula questões de propaganda política e de comunicação, decisões tomadas numa altura determinada, em circunstâncias especiais, em 1974. As actualizações e aperfeiçoamentos posteriores foram pequenos e não relevantes. O maior desfasamento tem a ver com o que mudou no mundo, na Europa, em Portugal e na comunicação entre as pessoas e entre o Estado e os eleitores nestes 45 anos - basta dizer que a world wide web foi imaginada há 30 anos. Nestes 30 anos tudo mudou menos o edifício eleitoral. A polémica surgida esta semana em torno das recomendações da Comissão Nacional de Eleições é elucidativa disto mesmo. O actual sistema trabalha desde há décadas para ter obras prontas a tempo de serem inauguradas em ano eleitoral. As inaugurações fazem parte da propaganda e das campanhas. Quem está no poder quer mostrar o que fez e quer esconder o que prometeu e não realizou; e quem não está no poder quer criticar o que considera estar mal-feito e denunciar promessas não cumpridas. As redes sociais e os jornais online aceleram o processo da comunicação dos políticos, que cedo aprenderam a usá-los. Tudo isto tornou anacrónicas uma série de disposições sobre o acesso a orgãos de comunicação e tempos de antena. Outro caso: a Lei Eleitoral proíbe publicidade - e hoje em dia essa proibição foi ultrapassada pelos acontecimentos. A proibição vinha do tempo em que as campanhas eram feitas por militantes a colar cartazes, coisa rara hoje em dia. Agora existem empresas de publicidade exterior que trabalham com os partidos nestes períodos, teoricamente como se fizessem parte deles mas na realidade sendo pagas. O mal profundo do sistema político começa na Lei Eleitoral, completamente desfasada da realidade. O próprio funcionamento da Comissão Nacional de Eleições precisa de ser mudado - até na comunicação que ela estabelece com os eleitores.

 

SEMANADA - Quase metade das instituições de ensino superior não têm acessos para deficientes; o Observatório Judicial da Violência Doméstica e de Género, anunciado há um ano pelo Conselho Superior da Magistratura ainda não avançou; o pedido de levantamento de imunidade a José Magalhães, num processo em que é acusado de peculato, esteve parado seis meses por falta de um parecer de um deputado do PS; a falta de material circulante da CP, que era tutelada pelo candidato do PS ao Parlamento Europeu, Pedro Marques, tira cinco comboios por dia dos carris; um gang de quatro pessoas que raptou uma menor por uma dívida de droga de 45 euros, e cujos membros foram detidos em flagrante pela GNR,  ficou em liberdade a aguardar julgamento; o preço médio de arrendamento das casas em Portugal em 2018 aumentou 37% face a 2017, fixando-se nos 1106 euros em termos de valor médio; na madrugada de terça-feira um drone transportou telemóveis para a cadeia de Custóias; a Ministra da Justiça admitiu no Parlamento que o Governo só soube pelos ‘media’ das festas privadas, sem a presença de qualquer guarda, ocorridas na prisão Paços de Ferreira e divulgadas em vídeos nas redes sociais; uma empresa que ganhou um concurso de fornecimento de serviços de saúde para as prisões faliu, deixou de pagar a fornecedores, e descobriu-se que era co-gerida por um detido que estava na cadeia de Sintra e tratava dos assuntos da empresa por um telemóvel que teoricamente não podia ter na sua cela; o presidente da Câmara Municipal de Braga quer colocar pulseiras electrónicas aos funcionários da autarquia para controlar a sua assiduidade; a estreia do programa da SIC “Quem Quer Casar Com o Agricultor” teve quase tantos espectadores como a transmissão do jogo entre o Benfica e o Dínamo de Zagreb.

 

DITOS PIEDOSOS - “Não é um secretariozeco ou um qualquer ministro que vai afastar os órgãos sociais democraticamente eleitos” - Padre Vitor Melícias sobre a situação no Montepio e em defesa de Tomás Correia.

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O QUE É A ARQUITECTURA?  - A revista “Kinfolk” publica-se quatro vezes por ano em Copenhaga e a edição desta Primavera, a nº 31, é dedicada ao tema do design, entendido de forma lata, e em particular à arquitectura. No editorial a Kinfolk destaca que a arquitectura é a disciplina do design mais ambiciosa, que define as forças que moldam os locais e ambientes onde vivemos. Num dos vários textos sobre o tema sublinha-se que na Europa, na segunda metade do século passado, “a arquitectura foi a forma de construir algo de positivo a partir das ruínas da guerra”. Destaque nesta edição para os trabalhos sobre a arquitecta francesa Charlette Perriard que defendia que o seu trabalho era conceber espaços funcionais na crença de que um design melhor ajuda na criação de uma sociedade melhor, e também para uma casa construída na Rivieira Francesa pelo arquitecto irlandês Eileen Gray, hoje considerada como um dos símbolos do modernismo. Nesta edição de Primavera da Kinfolk merece atenção uma entrevista a Kyle Abraham, o coreógrafo do New York City Ballet cuja ambição é conseguir um dia reproduzir numa das suas coreografias o movimento das flores, e para uma conversa com pintora Fabienne Verdier que esteve dez anos na China a estudar a caligrafia com velhos mestres que sobreviveram à reeducação imposta pela Revolução Cultural a quem se dedicava a esta arte milenar. Finalmente o prato forte é uma entrevista fascinante com Ryuichi Sakamoto onde o músico confessa que para si o silêncio ganha importância à medida que envelhece e que admite que ouvir música pode ser uma perda de tempo quando há sons tão belos na natureza - por isso, revela, cada vez que chove abre a sua janela e grava o som da chuva. A Kinfolk está à venda na Under The Cover, Rua Marquês Sá da Bandeira 88b.

 

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VER O CÉREBRO POR DENTRO  - O título da exposição “Cérebro: mais vasto que o Céu”, que esta semana inaugurou na Gulbenkian, inspira-se num poema de Emily Dickinson, “The brain is wider than the Sky”, no qual a poetisa norte-americana descreve o cérebro humano como “mais fundo que o mar” e “com o exato peso de Deus”.  À entrada está uma instalação vídeo com um ambiente sonoro original da autoria de Rodrigo Leão e imagens da obra “Self-reflected” do artista e neurocientista norte-americano Greg Dunn. A partir daí a exposição desenvolve-se ao longo de três núcleos temáticos, enquanto  vários robots pintores do artista Leonel Moura executarão telas em tempo real durante todo o período da exposição. O primeiro módulo, “No princípio não havia cérebros” aborda a origem dos cérebros, enquanto processo de evolução biológica, destacando a complexidade do cérebro humano como parte dessa evolução.  Aí existe uma monumental escultura de um neurónio com 12 metros de comprimento suspensa do teto e iluminada com leds que simulam disparos neuronais em reação à presença de visitantes. O segundo módulo, “Pense no Cérebro” tem como peça central uma Orquestra de Cérebros, que consiste numa instalação multimédia na qual quatro visitantes podem visualizar e ouvir, em simultâneo, a sua atividade cerebral. Os sinais, captados por um capacete, são projetados numa tela de grandes dimensões e a sua tradução em sons foi desenvolvida por Rodrigo Leão. Um quadro de Bridget Riley, da Coleção Moderna do Museu Gulbenkian, ilustra como os princípios perceptivos por detrás das ilusões ópticas foram utilizados pela corrente artística OpArt. O terceiro módulo, “Mentes Artificiais” mostra como o desenvolvimento da tecnologia na área da inteligência artificial e da robótica tornou possível replicar a complexidade de organização do cérebro e do seu modo de processamento de informação em sistemas artificiais. Aqui há mais experiências para os visitantes - por exemplo o Mindball, um jogo de futebol mental em que dois visitantes se defrontam movimentando uma bola em direção à baliza do adversário com base nas suas ondas cerebrais. Estão também expostas várias peças interactivas, como uma aplicação em tablet sobre dilemas éticos levantados pela utilização de carros autoguiados. Ao longo da exposição há obras de artistas como Greg Dunn, Bridget Riley, David Goodsell, Leonel Moura e desenhos científicos do início do século XX que mostram o cérebro humano, de Santiago Ramón Y Cajal. “Cérebro: Mais Vasto Que O Céu” tem curadoria científica de Rui Oliveira, estará exposto na Galeria Principal da Gulbenkian até 10 de Junho e o catálogo sairá na próxima semana.

 

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CANÇÕES SOBRE A VIDA- Sharon Van Etten lançou o seu primeiro disco aos 28 anos e ao longo de uma década editou cinco álbuns - o mais recente já este ano, “Remind Me Tomorrow”. A preparação deste novo disco coincidiu com o desenvolvimento dos seus estudos na área da psicologia no Brooklyn College. Van Etten, que criou uma imagem de marca em torno de canções melancólicas, muitas vezes apontadas como exemplos de ilustração sonora da tristeza, muda de forma considerável neste disco, quer do ponto de vista musical, quer nos textos das canções. Logo na faixa de abertura, “I Told You Everything” ela evoca a conversa inicial que teve com o seu actual parceiro: “Sitting At A Bar/ I told you everything/ you said “holy shit, you almost died”. Mas temas como “Malibu”, “Comeback Kid” ou “No One’s Easy To Love” abrem portas para uma evolução na sua forma de encarar a vida e o mundo que a rodeia. Do ponto de vista musical, comparado com os anteriores, o disco é menos acústico, mais orquestral, mais estridente, com maior recurso à electrónica e à percussão. O facto de o produtor ter sido John Congleton, que tem trabalhado com St Vincent, influenciou certamente a soonoridade deste “Remind Me Tomorro”, disponível no Spotify.

 

DIXIT - “A transparência é um empecilho para os políticos” - José António Cerejo, sobre a forma como o regulamento de protecção de dados está a ser usado para ocultar informações sobre contratações públicas.

 

BACK TO BASICS - “A realidade é a maior causa de stress para os que têm que lidar com ela” - Jane Wagner







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publicado às 13:00

 

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GEPETTO, PINÓQUIO E O GRILO FALANTE  - A fábula de Pinóquio está cheia de ensinamentos políticos nestes tempos das fake news. Sonhei que Marcelo era o carpinteiro Gepetto, que Costa era Pinóquio e que o papel de Grilo falante estava reservado para José Magalhães. Cá para mim o Gepetto da actualidade portuguesa deixa Pinóquio à vontade nas suas brincadeiras: o Governo prometeu que os contribuintes não iriam pagar mais para salvar bancos e está-se a ver o que acontece; Pedro Marques, que era mesmo o maior descendente de  Pinóquio do Governo, foi mandado espalhar mentiras no território natural da ilusão que é a União Europeia; João Galamba, seu rival directo no campeonato dos jovens Pinóquios, já está num Ministério. E Costa superintende em tudo, sempre com transbordante imaginação e uma cativação orçamental na mão. Para a história ficar completa José de Magalhães, assume com galhardia o papel de Grilo falante. Magalhães descobriu que o maior perigo das campanhas eleitorais que se sucedem este ano reside no proliferar das fake news e propõe-se, no Parlamento,  tomar medidas para as combater. Aguardo ver como irá  ensinar Costa, Marques e Galamba a evitarem que os narizes lhes cresçam. Este Grilo vai ter muito que fazer com Pinóquios assim debaixo da sua alçada, à solta pelos ministérios e pela sua própria bancada parlamentar. É que, em matéria de fake news, o Governo não tem rival.

 

SEMANADA - No Porto há senhorios que pressionam os inquilinos, sobretudo os mais idosos, para abandonarem as suas casas, usando métodos que vão de ameaças até cortes de água; o juiz Neto de Moura anunciou ir processar os seus críticos aproveitando a isenção de taxas de justiça de que pode beneficiar; Tomás Correia pôs em acta que será o Montepio a pagar as multas que lhe foram aplicadas pelo Banco de Portugal, no valor de 1,25 milhões de euros; o Palácio Foz foi utilizado gratuitamente pela Secretaria Geral da Presidência do Conselho para uma festa de Carnaval onde colaboradores do Primeiro Ministro usaram disfarces - uma mascarou-se de Che Guevara e outro de Donald Trump; no ano passado o PIB cresceu 2,1% quando a estimativa do governo era 2,3%; em 2017 a produtividade caíu 0,2%; nos primeiros dois meses do ano foi apreendida quase tanta cocaína como no total do ano passado e Portugal está a tornar-se numa das portas de entrada da droga na Europa; os apoios dados pelo Estado aos bancos já atingem um montante de 1800 euros por cada português; a escola básica Patrício Prazeres, em Lisboa, tem 29% de alunos estrangeiros de 22 nacionalidades e há turmas onde são a maioria e os com melhores notas; um coronel que liderou os comandos na altura em que morreram dois instruendos, em 2017, é arguido por falsificação de provas relacionadas com o caso; até à data não houve ninguém a pedir apoio à linha de crédito criada pelo Governo para ajudar na limpeza de matas e o prazo termina no próximo dia 15.

 

PERGUNTAR NÃO OFENDE - Que terá acontecido na  vida do juiz Neto de Moura que o levou a fazer as considerações que fez e a tomar as decisões que tomou? Com que situações marcantes terá sido pessoalmente confrontado? Em que é que um trauma psicológico pode condicionar a decisão de um juiz?

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A PAIXÃO DAS VIAGENS - Tenho um fascínio por literatura de viagens e um dos livros que mais me marcou foi “O Grande Bazar Ferroviário”, de Paul Theroux, originalmente editado em 1975 e que, por cá, foi editado em 2008. A Quetzal, que já havia feito a primeira edição portuguesa, lançou agora uma nova colecção “Terra Incógnita” e escolheu reeditar a obra de Theroux. O formato é próximo do livro de bolso, bom para levar em viagem. O bom livro de viagens não é um roteiro turístico, esse é o princípio inspirador do escritor. Num segundo prefácio a esta sua obra,  publicado nesta edição, Theroux conta como o livro nasceu e demarca-se de uma escrita sobre férias e confortos, preferindo contar verdadeiras viagens e relatando o passar do tempo, incluindo os atrasos e os transtornos. O Grande Bazar Ferroviário, é o relato emocionante que Paul Theroux faz da sua viagem de comboio entre a Europa e a Ásia: “O livro de viagens em que estava vagamente a pensar tinha algo a ver com comboios, mas não fazia ideia de para onde queria ir - a minha ideia era simplesmente uma longa viagem solitária”. Partiu de Londres a 19 de setembro de 1973 e lá regressou quatro meses depois, tendo viajado no Expresso do Oriente, ido até Teerão, depois Deli, Kuala Lumpur ou o Transiberiano. Uma aventura que Theroux partilha, descrevendo lugares, culturas e as pessoas que conheceu ao longo dos milhares de quilómetros que percorreu. Como diz Francisco José Viegas na introdução a esta nova edição, “num mundo assim, como ele está, os livros de Theroux continuam a expor o mistério prodigioso de conhecer os outros”.

 

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O OLHAR DE LUÍSA - Uma das pessoas que melhor tem fotografado os protagonistas das noites lisboetas, nas mais diversas áreas, ao longo das últimas décadas, é Luísa Ferreira. O seu trabalho no entanto vai muito para além disto - como se viu recentemente na Galeria Monumental com a exposição “Branco” ou, noutro género, em “Há Quanto Tempo Trabalha Aqui?”, sobre lojas históricas de Lisboa. Mas voltando às pessoas e às noites, Luísa Ferreira tem sido sempre uma persistente observadora de quem foi passando em casas como o Frágil e o Lux, com o acesso que Manuel Reis lhe proporcionou e que ela soube sempre respeitar e enquadrar - são imagens que retratam o espírito do tempo e as mudanças que o mesmo tempo provoca. Desta vez  Luísa Ferreira veio mostrar como olha para quem habita os palcos e, para assinalar o aniversário do Teatro do Bairro (Rua Luz Soriano 63), montou uma mostra de imagens que fez ao longo dos anos e que animaram a festa do referido aniversário. mas vão poder ser vistas por todos quantos a partir de dia 20 lá forem ver a nova produção da companhia, “Terror E Miséria no III Reich”, de Bertolt Brecht, que estreia no próximo dia 20 - uma escolha aliás oportuna para os tempos que correm. As imagens da Luisa Ferreira que encontrarão nas paredes do Teatro do Bairro integraram a exposição “Ouro Azul”, que Luisa Ferreira teve em 1996 na Mitra e também uma outra que mostrou no Teatro Viriato, em Viseu, em 2002 e incluem um conjunto de provas de contacto de trabalhos que fez à volta do teatro e da noite onde ele se desenha.

 

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O NOVO PIMBA- Nunca fui fã do Festival da Eurovisão e não sou dos que acham que aquilo é coisa que valha a pena. Sou mais do que acham que aquilo tudo é uma foleirice que raras vezes adiantou alguma coisa à música e deixou sons que perdurassem. Também não embandeirei em arco com a cosmética aplicada ao Festival RTP da Canção há uns anos e dedico-lhe pensamentos idênticos aos que acima escrevi sobre a Eurovisão. No caso português reconheço alguns méritos, sobretudo a Simone de Oliveira há uns anos largos e a Salvador Sobral há pouco tempo. Na generalidade, nestes certames, pratica-se má música, péssima música pop sem imaginação e cheia de pastiches. Este ano já percebi que existe alguma emoção em torno de Conan Osiris e pessoas que estimo até o acham semelhante a António Variações. Para mim este novo cançonetista é o contrário do que Variações foi: é um amalgamado de cópias provenientes de diversas origens, é uma construção plastificada, é uma demonstração de falta de talento e de originalidade construída sobre um cenário falso. Fala-se muito de fake news - Conan Osiris é fake music making fake news, uma espécie de banda sonora da mentira. E é a prova de que na vida tudo se transforma - o pimba também.  

 

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O OLHAR DE ÁFRICA - Uma das melhores exposições que podem ser vistas em Lisboa está na Galeria Underdogs (Rua Fernando Palha, Armazém 56, em Marvila). “Nha Fala” é o título da exposição que integra 19 marcantes fotografias do guineense Abdel Queta Tavares - onde a influência de nomes incontornáveis da fotografia africana como Seydou Keita ou Malick Sidibé são notórias.  “Nha Fala” significa “Minha Voz” em crioulo - e neste caso significa a forma como Abdel Queta Tavares encena o que vê, interpretando personagens e tornando o vulgar em único e indo além das influências onde se poderá ter inspirado. Os preços das obras expostas variam entre os 600 e os 5000 euros. Outras sugestões: no Pavilhão 31, localizado no parque da saúde que funciona onde era o Hospital Júlio de Matos, vive um espaço que concilia a mostra de obras de artistas consagrados, com aulas de artes plásticas aos utentes do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa. “Arte de Furtar/ Furto na Arte” inclui obras de Ana Pérez Quiroga, João Louro, José Luis Neto, José Maçãs de Carvalho, Claudia Fischer, Pedro Cabral Santo e Sara e André, entre outros. Na Pequena Galeria (Avenida 24 de Julho 4C) Pauliana Valente Pimentel mostra “A Vida É Feita de Likes”, um mero registo do seu quotidiano pessoal feito em instagram.

 

DIXIT - “Ele tinha imensas namoradas” - Fernanda Tadeu, mulher de António Costa, falando sobre ele, enquanto o marido cozinhava cataplana de peixe no programa de Cristina Ferreira.

 

BACK TO BASICS - Nunca confio numa pessoa por aquilo que ela proclama, mas sim pelos actos que pratica - Ann Radcliffe

 




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publicado às 13:00

EUROPA: UM BARCO À DERIVA

por falcao, em 01.03.19

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CONFIANÇA ZERO -   As próximas eleições para o Parlamento Europeu decorrem sob o duplo signo de uma crise profunda na União Europeia - de que o Brexit e a ascensão dos populismos é apenas a ponta do iceberg e, no caso de Portugal, que este ano acolhe três eleições - as europeias, as regionais dos Açores e Madeira e as legislativas - o ciclo eleitoral decorre perante um descrédito cada vez mais acentuado no funcionamento do sistema político. As eleições para o Parlamento Europeu estão marcadas para 26 de Maio e neste momento ninguém pode garantir se o Reino Unido nessa altura ainda estará dentro da União ou se o Brexit já se terá então concretizado. Melhor dizendo - ninguém neste momento pode garantir que não haverá adiamento, que não haja segundo referendo, que a Europa não engula uma tonelada de sapos e não volte atrás em tudo o que jurou sobre o Brexit. Enfim, o panorama geral é o de que nada está certo e que mais uma vez os políticos meteram os pés pelas mãos ao induzirem os cidadãos em erro e ao não conseguirem encontrar uma solução para a situação que eles próprios fabricaram. Na realidade o perigoso poker jogado por Cameron, quando convocou o referendo sobre o Brexit, transformou-se num pesadelo que assusta o sistema financeiro, cria graves problemas às economias do Reino Unido e de uma série de países da Europa e voltou a colocar na ordem do dia a questão da Irlanda - com a hipótese, até há pouco impensável - de ressurgir nova fronteira de arame farpado entre o norte e o sul da ilha, com todo o provável retomar e agudizar de conflitos que isso trará. Mas, passando para o caso português, uma sondagem, realizada a pedido da União Europeia, conhecida esta semana, indica que apenas 17% dos portugueses confiam nos partidos, somente 37% no Parlamento e só 43% manifestam confiança no Governo. Trocado por miúdos a maioria não acredita em nada disto. É um balanço terrível do funcionamento do sistema, que cada vez se parece mais com um barco desgovernado que partiu amarras e saíu desarvorado sem destino.

 

SEMANADA - Segundo a Provedoria da Justiça os portugueses estão a esperar dez meses para ter a reforma atribuída quando a lei prevê resposta em 90 dias e o número de queixas por atrasos na atribuição de pensões triplicou em 2018; no ano passado os portugueses gastaram 2.431,8 milhões de euros em apostas desportivas e jogos de fortuna e azar online; os preços da banda larga móvel caíram em 2018, mas em Portugal estes custos ainda são mais caros do que a média da União Europeia; 47% dos portugueses não foram ao dentista em 2017; entre 2001 e 2017 o número de pescadores diminuíu 56%; em 2018 foram apreendidos 1938 telemóveis nas cadeias e segundo o sindicato dos guardas prisionais o número não reflete a dimensão real do problema, que é muito maior;  em Portugal cerca de 915 mil mulheres trabalham ao sábado, mais de 538 mil trabalham ao domingo, 382 mil trabalham por turnos e 162 mil à noite, o que lhes dificulta a conciliação do trabalho com a família; o juiz Neto de Moura, conhecido por evitar condenar a violência doméstica, resolveu eliminar as medidas coercivas aplicadas a um homem que rebentou o tímpano da mulher ao soco; mais de 219 mil pessoas receberam o Rendimento Social de Inserção em janeiro, o valor mais elevado dos últimos três meses; o actual Governo efectuou mais cativações financeiras em três anos que o anterior executivo em quatro; esta semana encerrou a Tema, a maior loja de revistas e jornais estrangeiros de Lisboa, localizada nos Restauradores, devido à perda de clientes portugueses que praticamente desapareceram da zona, substituídos por turistas.

 

PENSAMENTOS OCIOSOS- Enquanto a Amazon procura afinar um sistema de entrega por drones, alguns reclusos portugueses já conseguiram introduzir telemóveis e drogas nas prisões precisamente com recurso a drones: Portugal sempre precursor na adopção de novas tecnologias...

 

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UMA EDIÇÃO FRACA - Já se sabe que a revista “Monocle” é uma grande utilizadora criativa do conceito de conteúdos patrocinados, frequentemente dissimulados de forma editorial elegante e sedutora. O grafismo da revista continua contemporâneo apesar de não ter tido muitas evoluções desde que foi lançada em 2007. Em contrapartida o espaço ocupado por conteúdos patrocinados tem vindo sempre a aumentar, por vezes demais, até se chegar a esta edição sobre França que é insultuosamente dedicada a propagandear aquele país quase sem deixar escapatória aos leitores para outros assuntos. Tyler Brulé, um misto de canadiano com nórdico, é um admirador confesso de Macron, deposita nele as esperanças da Europa e fez aliás questão de afirmar que a sua revista vai deixar de ser impressa no Reino Unido por causa do Brexit. Mudou a sede das suas operações para a Suíça e passa a imprimir na Alemanha - desta edição em diante. Talvez por ser excessivamente dedicada a um país que passou o século XX, nos seus grandes conflitos, a claudicar e render-se,  esta edição da “Monocle” é fraca e muito pouco interessante. Não há muitas coisas que me agradem em França, a pose arrogante e o discurso pretensioso de muitos franceses faz-me espécie e provoca-me uma rejeição natural - Macron não é excepção. Uma nota de humor, mas que reflecte algum desleixo editorial, surge numa página dedicada a citar Mário Centeno a propósito do Brexit, com a particularidade de a sua fotografia estar trocada. Ainda pensei que fosse fruto de alguma cativação que lhe tivesse alterado as feições, mas é mesmo erro.

 

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AS VISTAS DO PAÍS - Nos últimos anos têm surgido um pouco por todo o país galerias e centros, muitas vezes ligadas de alguma forma a autarquias, onde com poucos recursos se vai fazendo um trabalho importante de divulgação da obra de artistas contemporâneos portugueses fora do circuito das grandes cidades, dos museus de maior dimensão e das mais activas galerias comerciais. Por exemplo o Centro de Artes de Águeda apresenta trabalhos de Pedro Calapez sob a designação comum “Terra” (na imagem uma das obras) que ali estarão expostos até 17 de Março. “O desenho é uma das formas mais antigas e perfeitas de interpretação e criação do mundo” - este é o mote para o conjunto de exposições designadas por “O Desenho como Pensamento” onde a presente mostra de Pedro Calapez está integrada. Até há poucos dias, no Centro Internacional de Artes José de Guimarães, em Guimarães, esteve patente uma mostra de trabalhos de desenho de Rui Chafes, muitos deles inéditos. E em Famalicão, na Ala da Frente, uma galeria municipal, está uma exposição de 29 desenhos a carvão sobre papel de Alexandre Conefrey, sob o título “Anima Mea”, que ali ficará até 18 de Maio. Bem recentemente esta galeria acolheu trabalhos de nomes como José Pedro Croft, Pedro Cabrita Reis, Alberto Carneiro, Rui Chafes ou Jorge Molder.

 

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SEMPRE O PIANO - Tenho uma atracção especial pelo som do piano e pela sua utilização no jazz. Esta semana descobri o novo disco do quarteto do pianista alemão Florian Weber, “Lucent Waters”, e fiquei fascinado desde as primeiras notas. Ao longo dos oito temas os músicos criam uma tensão permanente, sempre com o piano em local central a articular o diálogo com os outros instrumentos, criando uma relação próxima com todos, mas destacando de forma especial o trabalho elegante do trompetista Ralph Alessi, sobretudo num belo solo em “Buttelfly Effect”. Destaque também para a discreta baixista Linda May Han Oh em “Honestlee” e para o subtil baterista Nasheet Waits em “Time Horizon”. Finalmente “Fragile Cocoon” é um bom exemplo do entendimento entre todos os músicos deste quarteto. Duas influências marcantes de Weber são Paul Bley e Lee Konitz, detectáveis em vários pontos deste registo. CD ECM, disponível no Spotify.

 

O SABOR DE DOIS MUNDOS - Na avenida Conde Valbom há um restaurante que junta dois mundos: a gastronomia da Índia e a de Marrocos. Quando abriu, há uns anos, o Restaurante Marrakesh dedicava-se só à cozinha de inspiração árabe e era rigoroso: não disponibilizava bebidas alcoólicas aos seus clientes. Entretanto já há uma escolha limitada de vinho, o que sempre ajuda a acompanhar tagines e couscous que continuam cheios de sabor e de aromas. Quando os clientes se sentam à mesa surgem dois menus - o árabe e o indiano. Ambos têm múltiplas escolhas com os pratos mais tradicionais de cada origem. Há um enorme cuidado na confecção. Depois de ter aprovado tagines e couscous em visitas anteriores, esta semana deliciei-me com um prawn karahi, camarão picante num molho intenso, que antecedeu - numa refeição partilhada - um chicken tika, que chegou fumegante e cheio de bons aromas. O arroz basmati foi o acompanhamento escolhido e a refeição terminou com um gelado de gengibre, artesanal, e que tinha mesmo gengibre. Serviço atencioso, paladares intensos, preço honestíssimo para a qualidade. Restaurante Marrakesh, Avenida Conde de Valbom 53, junto à Avenida Miguel Bombarda.

 

DIXIT - “O primeiro-ministro e o ministro das Finanças ora fazem de polícia bom, ora de polícia mau” - Assunção Cristas sobre a estratégia negocial do Governo com os sindicatos

 

BACK TO BASICS - “Gosto de jornais, mas alguns têm um grande problema - não são bem escritos; a sobrevivência dos jornais diários em papel depende muito da forma como as pessoas escrevem” - Karl Lagerfeld.

 

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SOBRE A PROMISCUIDADE NA POLÍTICA -  Marcelo Caetano criou em 1969 a “Conversa em Família” que a RTP transmitia. A coisa deve ter deixado lastro na mente do então muito jovem António Costa, que resolveu transpor a conversa familiar para dentro do Conselho de Ministros a que preside - e onde agora, depois da recente remodelação, estão além de um casal de marido e mulher, também a singela presença de um pai e sua filha. Tudo em família portanto, conversando. Não sei como é que isto se articula com as declarações republicanas e anti- nepotistas dos fundadores do PS mas os actuais detentores da marca deverão certamente saber o que fazem. Este incidente - menor mas significativo - da paisagem política recente é no entanto pouca coisa quando nos lembramos de outros incidentes, mais graves, que marcam um género de actuação que tem outros pontos de contacto com os hábitos, digamos, marcelistas. Vou apontar dois exemplos - a ingerência num relatório da OCDE, apresentado na sua versão censurada pelo Ministro Siza Lápis Azul Vieira, e, mais grave - perante a complacência dos sindicalistas da geringonça - a forma como a greve dos enfermeiros tem sido atacada: desde querer passar um parecer a força de Lei até à ingerência de uma entidade policial (a ASAE) para avaliar como foi feita a recolha de fundos dos grevistas. Se alguma destas actuações tivesse sido tomada por qualquer partido à direita do PS mil vozes se levantariam em nome da luta contra a prepotência. Mas de facto a geringonça tem um poder sedutor e anestesiante. Por falar nisso lembrei-me esta semana, a ver uma interessante série sobre Trotsky na Netflix, como muitas coisas do comportamento do Bloco e do PS se explicam se recordarmos o que a História nos conta. Pronto, era só um desabafo.

 

SEMANADA - Dos 27.367 beneficiários do regime fiscal do não residente habitual, 25 mil são pensionistas e só cerca de dois mil desenvolvem profissões de elevado valor acrescentado; uma mulher que foi morta na Golegã tinha feito queixa do agressor no ano passado, mas o assassino continuava a ser calmamente investigado pelas autoridades policiais sem que nenhuma medida tivesse sido tomada;  na escola António Arroio, encerrada esta semana devido a problemas com a electricidade no edifício, as obras de recuperação que decorriam estão interrompidas desde 2009; um juiz de um tribunal de Braga considerou curada e sem incapacidades uma mulher que ficou com dificuldades graves de locomoção após um acidente de trabalho; o número de famílias sobre-endividadas que procuram a ajuda da DECO voltou a subir no ano passado e totalizou 29.350 casos, maioritariamente de pessoas entre os 40 e 65 anos de idade; só três países da Europa de Leste (Eslovénia, Hungria e Bulgária) são piores do que Portugal em pobreza energética, segundo um estudo europeu que avaliou a capacidade de famílias manterem as suas casas com temperaturas confortáveis e pagar as faturas da energia; há mais de 2,6 milhões de subscritores de seguros de saúde; apenas 37% dos alunos acabam o ensino secundário sem chumbar pelo caminho; a OCDE considera que é preciso melhor o combate à criminalidade económica e  financeira em Portugal, incluindo a corrupção; a área semeada de cereais está a cair há seis anos consecutivos e desde 1918 que Portugal não cultivava tão poucos cereais; se o Independente ainda existisse já tinha um epicurista com vocação de repórter a almoçar frequentemente na Vela Latina para relatar os curiosos encontros que lá ocorrem.

 

CURIOSIDADES AFECTIVAS - Um agricultor de Oliveira do Hospital que perdeu o que tinha num incêndio, em 2017, recebeu do Presidente da República uma cabra, a que chamou Vitória, e deu o nome de Marcelo ao cabrito que agora nasceu.

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PEQUENAS HISTÓRIAS - Susan Sontag foi uma escritora e ensaísta americana, vencedora do National Book Award, colaboradora de revistas como a The New Yorker ou jornais como The New York Times. A sua actividade foi multifacetada, envolveu-se em causas políticas, escreveu romances e um ensaio ainda hoje de referência, “Sobre A Fotografia”. Mas ao longo de toda a sua vida dedicou-se também à ficção curta. “Histórias”, agora publicado pela Quetzal, reúne a totalidade da ficção breve que produziu, 11 textos, traduzidos por Vasco Teles Menezes, originalmente editados em publicações como as já citadas, mas também na Atlantic Monthly, na Harper´s Bazaar e até mesmo na Playboy e foram escritos entre 1963 e 1987. Estas histórias, salienta a nota de capa,  “passam pela alegoria, pela parábola e pela autobiografia, e mostram uma personalidade em confronto com problemas não assimiláveis pelo ensaio, a forma mais praticada por Sontag . Aqui Susan Sontag apanha fragmentos da vida, em relance, dramatiza os seus desgostos e temores mais íntimos e deixa que as personagens se apoderem dela como e quando querem”.

 

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SOLO DE CONTRABAIXO - O contrabaixo, instrumento volumoso e voluptuoso, tem uma sonoridade muito especial e várias formas de ser tocado.  Larry Grenadier é um dos grandes baixistas e o seu nome figura em numerosos discos de jazz e em muitas formações, com destaque para o seu trabalho com Brad Mehldau, Paul Motian, Joshua Redman ou Pat Metheny. Agora, pela primeira vez, e por insistência de Manfred Eicher, o fundador da  sua editora, a ECM, Grenadier fez um disco a solo onde ele é o único músico e o contrabaixo o único instrumento. O álbum chama-se ”The Gleaners”, inclui sete temas originais do próprio Grenadier e uma série de versões de compositores como Coltrane ou Gershwin. O tema inicial, “Oceanic”, é tocado com arco mas no resto do álbum predomina o dedilhar das cordas - entre o ritmo e a harmonia, com uma técnica arrebatadora e uma sensibilidade notáveis que são capazes, por exemplo, de replicar nas cordas o calor e a emotividade da voz de de Rebecca Martin na versão original, cantada, de “Gone Like The Season Does”.  É aliciante ouvir estes 12 temas onde os sons do baixo ocupam todo o espaço, permitindo ter uma ideia mais exacta do talento de Grenadier. “The Gleaners” está disponível em CD, vinil e no Spotify.

 

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A RELAÇÃO ENTRE O DESENHO E A ESCULTURA - Rui Sanches tem uma história curiosa. Começou por frequentar medicina, depois o ARCO e acabou por estudar no Reino Unido e nos Estados Unidos, onde completou a sua formação académica. Quando regressa a Portugal ensina em diversas instituições e desenvolve o seu trabalho artístico. Estamos a falar sobretudo da segunda metade dos anos 80, época em que a sua actividade se desdobra em diversas áreas e durante a qual colabora com vários outros artistas seus contemporâneos, participa em numerosas exposições - e começa a figurar em algumas colecções. Ao longo dos anos o desenho coexiste naturalmente com a escultura, de forma harmónica. No entanto são sobretudo as suas obras escultóricas - onde muitas vezes é patente a influência dos seus estudos de Medicina - que o tornam conhecido. Na escultura há recorrentemente uma evocação da figura humana, que também deixa uma marca nos desenhos, algumas vezes como que explorando a visualização do pensamento. A forma de trabalhar a madeira em conjugação com outros materiais tornou-se numa das suas imagens de marca (na imagem). Na semana passada inaugurou nova exposição de Rui Sanches na Galeria Miguel Nabinho (Rua Tenente Ferreira Durão 18B, Campo de Ourique, Lisboa) com o título “Os Espaços Em Volta” onde mais uma vez junta a escultura e o desenho.

 

PROVAR - Nestes dias mais primaveris que invernais almoçar num varandim a poucos metros do Tejo e comer um peixe fresquíssimo é um daqueles privilégios lisboetas que fazem a inveja de muita gente. Junto à Doca Seca de Belém ficam uma série de construções, frente ao rio, que inicialmente eram apoios de clubes e associações de vela e que hoje, além dessa função, desenvolveram os restaurantes originais que tinham, remodelaram-nos e criaram uma nova oferta. O mais engraçado é que, sendo ao lado uns dos outros e sendo naturalmente concorrentes, dão-se todos bem. Um deles é sede do Clube Naval de Lisboa e hoje em dia é um dos mais procurados. Em baixo tem uma esplanada para petiscos que funciona ao longo de todo o dia e no primeiro andar tem uma boa sala com varandim fechado, além de uma outra sala, reservada para sócios do clube, onde estão os troféus conquistados pela agremiação, assim como fotografias de episódios da sua História. Sem desfazer na concorrência, a qualidade e frescura do peixe servido no Clube Naval é de facto impressionante - assim como o cuidado posto na grelha. Recentemente tive ocasião de fazer a prova dos nove com um besugo grelhado, peixe injustamente pouco apreciado, aqui obviamente não escalado. Há muito que não comia um peixe assim, fresco, saboroso, suculento, cozinhado no ponto. Antes disso umas belas ameijoas à bulhão pato e um queijo de cabra deram acompanhamento a um pão acima da média no que toca a couverts. Manda o bom senso que se marque mesa, que o sítio é procurado e fica no roteiro dos que por ali andam a passear. Restaurante do Clube Naval de Lisboa, Avenida Brasília, Doca Seca de Belém, telefone 213 636 014.

 

DIXIT - “Se o PSD perder as legislativas será por culpa própria e por incompetência” - Miguel Castro Almeida, vice-presidente social-democrata, para memória futura

 

BACK TO BASICS - “Encaremos os factos: na realidade as pessoas não querem uma broca, querem apenas um furo na parede” - Theodore Levitt



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O ESTADO NÃO GOSTA DE NOVIDADES QUE NÃO CONTROLE - O conflito entre a ADSE e os hospitais privados levanta uma situação curiosa. O Estado quer preços e condições especiais quando usa serviços privados. Mas porventura o Estado cobra menos impostos ou oferece vantagens a quem lhe faz descontos? Na realidade não é isso que se passa: o Estado paga atrasado, para além dos prazos convencionados, altera regras a seu bel prazer, não faz descontos em impostos, aumenta-os quando lhe apetece, muitas vezes cobra abusivamente e põe a máquina fiscal a executar dívidas, a empatar o funcionamento dos tribunais e a contestar as suas decisões de forma sistemática quando é reconhecida razão a privados. O Estado quer que todos sejam cumpridores mas ele próprio não cumpre e não dá o exemplo. Este é um dos principais problemas com que a sociedade portuguesa se debate, a herança do poder absoluto do Estado. Durante todas as décadas que levamos de democracia os partidos do arco do poder e os sindicatos que nele se movimentam acomodaram-se a isto mesmo, fomentaram a situação. E agora todos estão incomodados com aquilo a que chamam movimentos inorgânicos - leiam-se fora do controlo do Estado - quer sejam sindicatos, quer sejam novas organizações políticas. A exercício da cidadania fora dos cânones estabelecidos tornou-se uma heresia. É o retrato de um regime decadente.

 

SEMANADA - Mais de metade dos portugueses com idades entre os 24 e os 75 anos têm pelo menos uma doença crónica; os trabalhadores precários atingiram o valor mais alto desde 2011;  os bancos emprestaram quase 10 mil milhões de euros para a compra de casa em 2018,  27 milhões por dia, um aumento de 19% no crédito à habitação; no crédito ao consumo, em dezembro, foram emprestados 396 milhões de euros, o que compara com os 382 milhões de euros concedidos um mês antes; no total, em 2018, as novas operações de crédito ao consumo ascenderam a 4.660 milhões de euros, mais 10,3% do que em 2017; os portugueses pedem oito milhões de euros de crédito por dia para compra de carro; as dívidas com cartões de crédito atingiram 3,25 mil milhões de euros e há 137 mil devedores em incumprimento;  o número de apostadores em jogos online já ultrapassou o milhão; mais de dois terços dos autarcas portugueses são favoráveis à regionalização a curto prazo; o conselho de administração da Assembleia da República deu parecer negativo a uma proposta de estudos para avaliar a descentralização; João Cravinho, presidente da Comissão Independente para a Descentralização afirmou estar a ponderar a sua demissão; António Costa afirmou que só pretende debater a regionalização na próxima legislatura; o Governo deixou de fixar metas ambientais para veículos do Estado.

 

ARCO DA VELHA - O Parlamento vai passar a ter um Comité de Ética que avaliará a conduta dos deputados mas os partidos são contra a aplicação de multas aos infractores.

 

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A ARTE DE ENSINAR  - Agostinho da Silva é uma das figuras maiores do pensamento português do século XX, bem mais interessante que muitos outros condecorados que por aí andam, carregados de presunção e enfado. Agostinho da Silva era um pensador e um divulgador, alguém que tinha enraizada a noção da importância da transmissão do saber, da divulgação popular do conhecimento. Doutorado na Universidade do Porto em 1929, com apenas 23 anos, vai depois estudar na Sorbonne e regressa para leccionar no ensino secundário em Aveiro. Entre meados dos anos 30 e início dos anos 40 a sua actividade de divulgação é enorme, publicando numerosos ensaios e artigos. “Páginas Esquecidas”, a colectânea agora publicada pela Quetzal a partir de uma selecção de textos de Agostinho da Silva, feita por Helenas Briosa e Mota, permite descobrir essa parte da sua obra. Estes textos são os que deram a conhecer Agostinho da Silva aos portugueses naquela época e que o levaram a ser preso em 1943 pela polícia política - na altura ainda a PVDE. Desgostado com o que se passava em Portugal partiu para o Brasil, onde leccionou, ecreveu e trabalhou até ao seu regresso em 1969, já com Marcelo Caetano no poder e por influência de Adriano Moreira.. Muitos dos textos aqui incluídos foram publicados pela Seara Nova, outros em edição de autor, muitos em pequenos fascículos. Na época realizou conferências e publicou duas centenas de títulos sobre a história da cultura portuguesa, filosofia, literatura e divulgação cultural, nomeadamente nos Cadernos Para A Mocidade, Cadernos de Informação Cultural, e Introdução Aos Grandes Autores. É um formidável legado, como sublinhou Helena Briosa e Mota na introdução à recolha de textos agora publicada. Aqui estão meia centena dos seus textos mais marcantes dessas páginas esquecidas, desde as palestras radiofónicas sobre a História do Mundo, à apresentação da obra de nomes como Van Gogh, Goya ou Cervantes, passando pelo notável “O Sábio Confúcio” e a série dedicada aos construtores do mundo novo e aos clássicos da História.

 

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ADORO IMPRENSA - Sou um apaixonado leitor de imprensa, quer de jornais quer de revistas e gosto de seguir o que se publica. A edição mais recente da revista Time tem por título de capa “The Art Of Optimism” e apresenta 34 pessoas que são relevantes e inspiracionais, na sociedade norte-americana, mostrando o que estão a fazer. A edição é cuidada e permite-nos ter de forma sintética um retrato daquilo que tantas vezes passa despercebido. O conceito editorial foi dirigido por Ava Duvernay, uma realizadora e argumentista norte-americana. Coube-lhe seleccionar os 34 optimistas das mais diversas áreas - actores, músicos, fotógrafos, empreendedores, de diversas gerações. A revista está nos quiosques de todo o mundo e foi a minha companhia no fim de semana passado. É uma prova do que a imprensa pode fazer, criando memória futura ao mesmo tempo que reflecte sobre o presente. Entretanto, a propósito, um estudo divulgado esta semana pela Marktest mostra que em Portugal a imprensa continua a ter um importante papel como fonte de informação para segmentos relevantes da população.  De acordo com a Marktest a audiência média de imprensa no segundo semestre de 2018 foi de 51.3%, que corresponde à percentagem de portugueses que leu ou folheou a última edição de um qualquer título de imprensa analisado. Os jornais registaram 2,6 milhões de leitores neste período enquanto as revistas contaram com 3,3 milhões de leitores. Mas o mais significativo é que as pessoas entre 35 e 44 anos, quadros médios e superiores e os indivíduos das classes mais elevadas são quem tem mais afinidade com este meio, apresentando índices de audiência média de imprensa superiores ao universo.

 

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A BATERIA NO CENTRO DO TRIO  - Este disco é de um baterista, com bons pergaminhos ainda por cima - Bill Stewart. Mas o primeiro som que se ouve é o do saxofone de Walter Smith III, que é o segundo elemento do trio completado pelo baixista Larry Grenadier. Stewart é considerado um dos grandes bateristas contemporâneos e este novo álbum “Band Menu” é bom exemplo das suas capacidades. O diálogo que estabelece constantemente com o saxofone e o baixo é entusiasmante. Nalguns momentos parece que há uma voz que impõe um ritmo mas nunca se esquece da melodia. A forma como toca nos pratos da bateria é de uma enorme elegância. Neste  “Band Menu” há sete temas originais do próprio Bill Stewart, outro de Smith e uma versão de um de Bill Evans (“Re:Person I Knew”, com um notável desempenho do saxofone de Smith). Há uma construção comum, que parte da soma dos três instrumentos, cuja presença se intensifica sem nunca se atropelarem, sempre com a bateria de Stewart a ocupar um lugar central, a coordenar todo o trabalho do trio. Bill Stewart é um daqueles bateristas que desenvolveu um estilo muito próprio e reconhecível, com uma enorme sensibilidade graças a um movimento rápido mas contido das mãos. “Think Before You Think”, a faixa final do álbum, é um exemplo da musicalidade e improvisação que se consegue quando três talentos se juntam no jazz. Disponível no Spotify.

 

ENTRE A EMPADA E A MISTA - Empadas há muitas - mas empadas de vitela exemplares há poucas. Esta semana tive o prazer de descobrir um exemplar dessa espécie em vias de extinção. O recheio de vitela estava perfeito de consistência e tempero, a massa folhada obedecia a todas as regras, era fresca, leve e estaladiça. Trouxe-me à memória sabores antigos. Sabia mesmo a carne de vitela, suculenta, não era uma coisa compacta e sensaborona. A descoberta ocorreu na Fermenta, em pleno Bairro de S. Miguel, Alvalade, no início da  Rua António Ferreira. A Fermenta é um café com fabrico próprio que, além das empadas e de uns bons croquetes apresenta uns croissants muito atraentes, importados da histórica Padaria Ribeiro, do Porto nas suas diversas variantes - com destaque para os amanteigados. Além disso dispõe diariamente de pão da Gleba, nas variedades trigo alentejano, trigo barbela e centeio, além das edições especiais. Aceitam encomendas. Além disso as torradas e tostas mistas da Fermenta são feitas em pão da Gleba - e acreditem que uma tosta mista assim preparada ganha toda uma outra dimensão. No local também está disponível A Tarte e biscoitos da mesma Padaria Ribeiro. O café é italiano, Vergnano, o chá é Ahmad e a cerveja é a artesanal Musa. Telefone 938840236.  

 

DIXIT - “Para Rui Rio, o papel histórico da direita portuguesa reduz-se a isto: permitir ao PS governar sem precisar dos votos do PCP e do BE” - Rui Ramos

 

BACK TO BASICS - “Quando era novo, queria ser mais velho; agora que sou mais velho não tenho tanta certeza disso” - Tom Waits

 

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GREVE & CONSEQUÊNCIA - Em que estação do ano estamos? Se disserem Inverno enganam-se redondamente. A estação do ano em que estamos é o primeiro trimestre pré-eleitoral. Temos ao todo três pela frente, portanto imaginem o que aí vem a seguir. Todas as semanas são publicadas notícias airosas sobre as boas intenções do Governo para com os funcionários do Estado - desde a antecipação das reformas até  aumentos garantidos em 2020, convenientemente anunciados para depois das eleições legislativas. Diversos ministros compram resmas de maquilhagem que aplicam indiscriminadamente para tapar os diversos buracos e para tentarem melhorar o visual. Pelo meio de tanta promessa, há, no entanto, um contratempo. O PCP quer negociar com as armas que tem à mão - que como se sabe têm o seu expoente nas greves que vão sendo realizadas e anunciadas. O que aconteceu de mais curioso nestes últimos dias foi a coincidência entre o incrementar do ciclo grevista por sindicatos do universo CGTP e o surgimento de notícias sobre actos de gestão suspeitos em autarquias dirigidas pelo PCP. Este é um dado novo - não a ocorrência de moscambilhas, mas o seu anúncio público, a sua divulgação, metódica, precisa, a conta gotas, a deixar alastrar suspeitas. É uma espécie de aviso: se continuarem a encravar o futuro da geringonça, alguém põe a boca no trombone sobre o que foi acontecendo ao longo dos tempos e que esteve guardado para os malfeitores de direita não se aproveitarem. Cabe aos guardiões do poder da esquerda gerirem o ritmo das revelações. E se bem conhecemos a espécie hão-de estar cheios de sumarenta investigação. Caíu o manto diáfano da fantasia que garantia que no universo do PCP não há nada de reprovável. Aos poucos a verdade vai vindo ao de cima. Aposto que ainda surgirá com maior intensidade se as greves continuarem a aumentar. São estes os efeitos colaterais das greves. Há um odor a podridão no ar. Por todo o lado.

SEMANADA - Entre 2000 e 2018 Portugal foi ultrapassado pela Estónia, Lituânia, Eslováquia, Eslovénia, República Checa e Malta, em termos de rendimento por habitante, face à média europeia; segundo o Forum para a Competitividade, Portugal baixou de um rendimento de 84% da média europeia, em 2000, para apenas 74% em 2018; os imigrantes em Portugal que mais regressam ao país de origem são os brasileiros; a Câmara de Braga viu as suas contas penhoradas por uma dívida de 3,8 milhões de euros à Soares da Costa, relativa à construção do Estádio concebido por Souto de Moura para o Europeu 2004; o custo previsto do estádio era de 65 milhões de euros e o custo final foi de 180 milhões; a PSP e a GNR detectaram mais de um milhão de condutores em excesso de velocidade ao longo de 2018; um poema falsamente atribuído a Sophia de Mello Breyner tornou-se viral nas redes sociais e foi inclusivamente traduzido em várias línguas; o Facebook fez 15 anos; mais de 10% dos dentistas portugueses exercem no estrangeiro e afirmam não querer voltar; em dois dias da greve dos enfermeiros ficaram por realizar 645 cirurgias; a média de idades dos carros em circulação nas estradas portuguesas é de 21,6 anos; no ano passado o INEM registou 20 mil chamadas falsas que accionaram 7500 viaturas de urgência do serviço; um saco com seis granadas de mão foi encontrado na Rotunda dos Combatentes em Tábua; num ano o Estado apoiou 18 orfãos de violência doméstica; 85% dos casos reportados de violência doméstica não resultam em acusação; o secretário de Estado da Energia afirmou que o Governo “não tem planos para proibir o diesel” dias depois do Ministro do Ambiente se ter pronunciado pelo fim dos carros a gasóleo; Portugal apresentou, em 2017, a menor percentagem de crianças até aos 16 anos em bom ou muito bom estado de saúde (90,2%) da União Europeia,

 

O REI DO DESCARAMENTO - É oficial: votem em Costa que ele promete dar aumentos a toda a função pública em 2020 se continuar Governo após as legislativas  deste ano.

 

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O AMOR EM 366 POEMAS - Vasco Graça Moura era, além de tudo o resto, um coleccionador de poemas. E um grande tradutor. E ele próprio um poeta. Em 2003 atirou-se à tarefa de organizar uma antologia de poemas e escolheu 366 sobre o tema do amor  - o número foi estabelecido tendo em conta os anos bissextos. Na introdução Vasco Graça Moura escreveu que partiu “do princípio de que, sempre ou quase sempre, cada poema de amor seduz por si e vale por si e em si, sem prejuízo das inúmeras relações que, como texto literário, ele possa estabelecer com outros textos, com outras áreas da criação artística e com a nossa própria experiência humana”. Para este colectânea, agora reeditada pela Quetzal, Vasco Graça Moura seleccionou poetas portugueses, poetas brasileiros e uma série de poemas de autores de diversas nacionalidades que ele próprio traduziu para português. “366 Poemas Que Falam de Amor” é o título desta colectânea que em cerca de 560 páginas nos transporta ao universo da escrita sobre a paixão. “Amor não há feito”, destaca Vasco Graça Moura, citando Alexandre O’Neil. “Quem não me deu amor, não me deu nada” - escreveu Ruy Cinatti em “Linha de Rumo”, um dos poemas seleccionados por Vasco Graça Moura. E, já que o dia dos namorados está ao virar da esquina, deliciem-se com a possibilidade de oferecer estes “366 Poemas Que Falam de Amor”.

 

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DAVID LYNCH EM REVISTA - A “Zoetrope-All Story” é uma revista criada por Francis Ford Coppola para promover narrativas que possam aproximar-se da ideia de argumentos para filmes. A revista, que se publica quatro vezes por ano desde 1997, é frequentemente entregue pelos editores na mão de um nome de alguma forma ligado ao cinema. A edição mais recente, marcada como Inverno 18/19, foi colocada nas mãos e na imaginação de David Lynch. A frase que escolheu como nota introdutória diz tudo: “ Não sou já tão rápido como costumava ser, mas não desisto”. A Zoetrope All Story ganhou o National Magazine Award for Fiction em 2018, apresenta-se como uma publicação que só existe em papel e propõe ser o veículo para bons contadores de histórias e designers gráficos inesperados. Lynch cumpre nesta edição os dois papéis. A escolha de fotografias e ilustrações é perturbante, a maioria dos textos aguça o apetite para o que se poderia filmar a partir deles e. depois, há uma secção recorrente, de recuperação de textos antigos que desta vez é dedicada a “The Discipline of DE”, de William S. Burroughs, com nota introdutória de Gus Van Sant. A sério que se lembram de algo mais inesperado que isto? Pode ser encomendada na Amazon.

 

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AS NOVAS AVENTURAS DE JAMES BLAKE - Ao quarto disco James Blake mostra uma nova faceta - menos negra, mais optimista, de certa forma mais próxima. Continua confessional - afinal é esta a imagem de marca das suas canções. “Assume Form” é uma longa carta de amor de Blake a Jameela Jamil, a sua namorada, uma DJ conhecida na rádio britânica, argumentista e até actriz que tem tido uma carreira meteórica. Com este “Assume Form” Blake desvenda as suas relações, as suas emoções, a forma como vê o sexo, até  se aventura por uma perspectiva um pouco cínica da ideia de romance. A faixa final , “Lullaby For My Insomniac” é talvez a que melhor retrata este novo Blake, quando canta “I’ll stay up too/I’d rather see everything/As a blur tomorrow/If you do.” Já na faixa inicial ele tinha-se afirmado “I will be touchable/I will be reachable”. Do ponto de vista musical o disco mostra um compositor cada vez mais depurado, em muitos momentos a ficar perto do gospel, criando ambientes sonoros envolventes. Blake, que para além dos seus discos é um produtor musical de créditos firmados. assegurou colaborações de nomes como Travis Scott e de Metro Boonin, um dos mais reconhecidos nomes do hip hop. Outra curiosidade é a participação de Rosalia, a espanhola que está a trazer o flamenco para a primeira linha da pop, e a quem Blake presta o seu reconhecimento e manifesta o seu claro apoio. Resumo: “Assume Form” é talvez o melhor disco de Blake e um salto em relação à sua produção anterior. CD Universal, disponível no Spotify.

 

UMA BELA PROVA NO RESTELO - Esta semana, em duas ocasiões, fui tapear à noite - quer dizer, petiscar. Nada de jantar a sério, dois dedos de conversa entre amigos enquanto se trinca qualquer coisa. Vou começar pelo que correu mal - péssimo mesmo. No Bar de Tapas do El Corte Inglés nada esteve verdadeiramente bem e o serviço esteve verdadeiramente mal. É local a riscar - tenho saudades do 5Jotas que existia no topo do grande armazém e que era o contrário disto. Agora passemos ao que correu bem. Muito bem mesmo - uma descoberta. Trata-se da Enoteca Prova, no Restelo. Petiscos primorosamente preparados na hora, um serviço atento e simpático, a saber aconselhar, sempre disponível. para além da muito boa qualidade da matéria prima destacou-se a confecção de tudo o que se petiscou - do torricado às favinhas, passando por uma tábua de enchidos e queijos. Tudo acima da média. O local dispõe de uma ampla selecção de vinhos a preços honestíssimos e de uma zona de produtos diversos - bolachas, biscoitos, compotas, queijos, enchidos. Enquanto às tapas do  El Corte não voltarei, aos petiscos da Enoteca Prova regressarei sempre que possível. Fica na Rua Duarte Pacheco Pereira nº9-E, no Restelo, perto do célebre Careca. O telefone é o 215819080 e vale a pena marcar que os lugares não são muitos.

DIXIT - “Quando pela rua contacto os portugueses não peço o cadastro criminal, o cadastro fiscal, nem o cadastro moral” - Marcelo Rebelo de Sousa, em nota da presidência sobre a visita ao Bairro da Jamaica.

 

BACK TO BASICS - “Experiência é o nome que as pessoas dão aos seus erros” - Oscar Wilde.

 





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A EUROPA PARECE UM BARCO À DERIVA

por falcao, em 01.02.19

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CONFIANÇA ZERO -   As próximas eleições para o Parlamento Europeu decorrem sob o duplo signo de uma crise profunda na União Europeia - de que o Brexit e a ascensão dos populismos é apenas a ponta do iceberg e, no caso de Portugal, que este ano acolhe três eleições - as europeias, as regionais dos Açores e Madeira e as legislativas - o ciclo eleitoral decorre perante um descrédito cada vez mais acentuado no funcionamento do sistema político. As eleições para o Parlamento Europeu estão marcadas para 26 de Maio e neste momento ninguém pode garantir se o Reino Unido nessa altura ainda estará dentro da União ou se o Brexit já se terá então concretizado. Melhor dizendo - ninguém neste momento pode garantir que não haverá adiamento, que não haja segundo referendo, que a Europa não engula uma tonelada de sapos e não volte atrás em tudo o que jurou sobre o Brexit. Enfim, o panorama geral é o de que nada está certo e que mais uma vez os políticos meteram os pés pelas mãos ao induzirem os cidadãos em erro e ao não conseguirem encontrar uma solução para a situação que eles próprios fabricaram. Na realidade o perigoso poker jogado por Cameron, quando convocou o referendo sobre o Brexit, transformou-se num pesadelo que assusta o sistema financeiro, cria graves problemas às economias do Reino Unido e de uma série de países da Europa e voltou a colocar na ordem do dia a questão da Irlanda - com a hipótese, até há pouco impensável - de ressurgir nova fronteira de arame farpado entre o norte e o sul da ilha, com todo o provável retomar e agudizar de conflitos que isso trará. Mas, passando para o caso português, uma sondagem, realizada a pedido da União Europeia, conhecida esta semana, indica que apenas 17% dos portugueses confiam nos partidos, somente 37% no Parlamento e só 43% manifestam confiança no Governo. Trocado por miúdos a maioria não acredita em nada disto. É um balanço terrível do funcionamento do sistema, que cada vez se parece mais com um barco desgovernado que partiu amarras e saíu desarvorado sem destino.

 

SEMANADA - Segundo a Provedoria da Justiça os portugueses estão a esperar dez meses para ter a reforma atribuída quando a lei prevê resposta em 90 dias e o número de queixas por atrasos na atribuição de pensões triplicou em 2018; no ano passado os portugueses gastaram 2.431,8 milhões de euros em apostas desportivas e jogos de fortuna e azar online; os preços da banda larga móvel caíram em 2018, mas em Portugal estes custos ainda são mais caros do que a média da União Europeia; 47% dos portugueses não foram ao dentista em 2017; entre 2001 e 2017 o número de pescadores diminuíu 56%; em 2018 foram apreendidos 1938 telemóveis nas cadeias e segundo o sindicato dos guardas prisionais o número não reflete a dimensão real do problema, que é muito maior;  em Portugal cerca de 915 mil mulheres trabalham ao sábado, mais de 538 mil trabalham ao domingo, 382 mil trabalham por turnos e 162 mil à noite, o que lhes dificulta a conciliação do trabalho com a família; o juiz Neto de Moura, conhecido por evitar condenar a violência doméstica, resolveu eliminar as medidas coercivas aplicadas a um homem que rebentou o tímpano da mulher ao soco; mais de 219 mil pessoas receberam o Rendimento Social de Inserção em janeiro, o valor mais elevado dos últimos três meses; o actual Governo efectuou mais cativações financeiras em três anos que o anterior executivo em quatro; esta semana encerrou a Tema, a maior loja de revistas e jornais estrangeiros de Lisboa, localizada nos Restauradores, devido à perda de clientes portugueses que praticamente desapareceram da zona, substituídos por turistas.

 

PENSAMENTOS OCIOSOS- Enquanto a Amazon procura afinar um sistema de entrega por drones, alguns reclusos portugueses já conseguiram introduzir telemóveis e drogas nas prisões precisamente com recurso a drones: Portugal sempre precursor na adopção de novas tecnologias...

 

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UMA EDIÇÃO FRACA - Já se sabe que a revista “Monocle” é uma grande utilizadora criativa do conceito de conteúdos patrocinados, frequentemente dissimulados de forma editorial elegante e sedutora. O grafismo da revista continua contemporâneo apesar de não ter tido muitas evoluções desde que foi lançada em 2007. Em contrapartida o espaço ocupado por conteúdos patrocinados tem vindo sempre a aumentar, por vezes demais, até se chegar a esta edição sobre França que é insultuosamente dedicada a propagandear aquele país quase sem deixar escapatória aos leitores para outros assuntos. Tyler Brulé, um misto de canadiano com nórdico, é um admirador confesso de Macron, deposita nele as esperanças da Europa e fez aliás questão de afirmar que a sua revista vai deixar de ser impressa no Reino Unido por causa do Brexit. Mudou a sede das suas operações para a Suíça e passa a imprimir na Alemanha - desta edição em diante. Talvez por ser excessivamente dedicada a um país que passou o século XX, nos seus grandes conflitos, a claudicar e render-se,  esta edição da “Monocle” é fraca e muito pouco interessante. Não há muitas coisas que me agradem em França, a pose arrogante e o discurso pretensioso de muitos franceses faz-me espécie e provoca-me uma rejeição natural - Macron não é excepção. Uma nota de humor, mas que reflecte algum desleixo editorial, surge numa página dedicada a citar Mário Centeno a propósito do Brexit, com a particularidade de a sua fotografia estar trocada. Ainda pensei que fosse fruto de alguma cativação que lhe tivesse alterado as feições, mas é mesmo erro.

 

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AS VISTAS DO PAÍS - Nos últimos anos têm surgido um pouco por todo o país galerias e centros, muitas vezes ligadas de alguma forma a autarquias, onde com poucos recursos se vai fazendo um trabalho importante de divulgação da obra de artistas contemporâneos portugueses fora do circuito das grandes cidades, dos museus de maior dimensão e das mais activas galerias comerciais. Por exemplo o Centro de Artes de Águeda apresenta trabalhos de Pedro Calapez sob a designação comum “Terra” (na imagem uma das obras) que ali estarão expostos até 17 de Março. “O desenho é uma das formas mais antigas e perfeitas de interpretação e criação do mundo” - este é o mote para o conjunto de exposições designadas por “O Desenho como Pensamento” onde a presente mostra de Pedro Calapez está integrada. Até há poucos dias, no Centro Internacional de Artes José de Guimarães, em Guimarães, esteve patente uma mostra de trabalhos de desenho de Rui Chafes, muitos deles inéditos. E em Famalicão, na Ala da Frente, uma galeria municipal, está uma exposição de 29 desenhos a carvão sobre papel de Alexandre Conefrey, sob o título “Anima Mea”, que ali ficará até 18 de Maio. Bem recentemente esta galeria acolheu trabalhos de nomes como José Pedro Croft, Pedro Cabrita Reis, Alberto Carneiro, Rui Chafes ou Jorge Molder.

 

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SEMPRE O PIANO - Tenho uma atracção especial pelo som do piano e pela sua utilização no jazz. Esta semana descobri o novo disco do quarteto do pianista alemão Florian Weber, “Lucent Waters”, e fiquei fascinado desde as primeiras notas. Ao longo dos oito temas os músicos criam uma tensão permanente, sempre com o piano em local central a articular o diálogo com os outros instrumentos, criando uma relação próxima com todos, mas destacando de forma especial o trabalho elegante do trompetista Ralph Alessi, sobretudo num belo solo em “Buttelfly Effect”. Destaque também para a discreta baixista Linda May Han Oh em “Honestlee” e para o subtil baterista Nasheet Waits em “Time Horizon”. Finalmente “Fragile Cocoon” é um bom exemplo do entendimento entre todos os músicos deste quarteto. Duas influências marcantes de Weber são Paul Bley e Lee Konitz, detectáveis em vários pontos deste registo. CD ECM, disponível no Spotify.

 

O SABOR DE DOIS MUNDOS - Na avenida Conde Valbom há um restaurante que junta dois mundos: a gastronomia da Índia e a de Marrocos. Quando abriu, há uns anos, o Restaurante Marrakesh dedicava-se só à cozinha de inspiração árabe e era rigoroso: não disponibilizava bebidas alcoólicas aos seus clientes. Entretanto já há uma escolha limitada de vinho, o que sempre ajuda a acompanhar tagines e couscous que continuam cheios de sabor e de aromas. Quando os clientes se sentam à mesa surgem dois menus - o árabe e o indiano. Ambos têm múltiplas escolhas com os pratos mais tradicionais de cada origem. Há um enorme cuidado na confecção. Depois de ter aprovado tagines e couscous em visitas anteriores, esta semana deliciei-me com um prawn karahi, camarão picante num molho intenso, que antecedeu - numa refeição partilhada - um chicken tika, que chegou fumegante e cheio de bons aromas. O arroz basmati foi o acompanhamento escolhido e a refeição terminou com um gelado de gengibre, artesanal, e que tinha mesmo gengibre. Serviço atencioso, paladares intensos, preço honestíssimo para a qualidade. Restaurante Marrakesh, Avenida Conde de Valbom 53, junto à Avenida Miguel Bombarda.

 

DIXIT - “O primeiro-ministro e o ministro das Finanças ora fazem de polícia bom, ora de polícia mau” - Assunção Cristas sobre a estratégia negocial do Governo com os sindicatos

 

BACK TO BASICS - “Gosto de jornais, mas alguns têm um grande problema - não são bem escritos; a sobrevivência dos jornais diários em papel depende muito da forma como as pessoas escrevem” - Karl Lagerfeld.

 

 




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MASCARADA - Este ano temos três eleições: as eleições para o Parlamento Europeu, as regionais dos Açores e Madeira e depois as legislativas nacionais. Para falar claro, isto vai andar num virote. Para além das actividades eleitorais clássicas este ano vamos assistir a uma nova forma de campanha: a proliferação de greves, que pretende moldar a forma como evoluirá o Governo e que é a forma de pré-campanha do PCP. Os sindicatos - já ouvi várias pessoas actualmente envolvidas em negociações laborais dizerem - têm instruções para fazerem greve e para multiplicaram e visibilidade das suas formas de luta. O PCP quer mostrar o peso que tem e não vai perder a oportunidade para fazer valer as suas tropas, procurando afirmar o contraste com o Bloco na contagem de espingardas da coligação. Neste conjunto de eleições há muitas coisas em jogo: a medição da sensibilidade e participação dos eleitores face a uma europa cada vez mais polémica e afastada dos cidadãos; a manutenção dos equilíbrios políticos nos Açores e Madeira; e, mais que tudo o resto, a evolução do PSD, a capacidade de resiliência eleitoral do PCP, as potencialidades dos novos partidos, nomeadamente da Aliança e da Iniciativa Liberal - os outdoors desta última são dos melhores que têm aparecido na propaganda política portuguesa. Vamos ver como isto corre num país onde todas as semanas há novos escândalos que envolvem políticos. Serão as eleições capazes de dar uma varridela no sistema? Ou o sistema vai continuar a viver de um jogo de máscaras?

 

SEMANADA - Em Portugal morreram 19 pessoas nos últimos três meses a tentar aquecer a casa; os entertainers da “Quadratura do Círculo” mudaram-se da SIC Notícias para a TVI24, o programa vai passar a chamar-se “A Circulatura do Quadrado” e Marcelo Rebelo de Sousa será o primeiro convidado; Marcelo Rebelo de Sousa anunciou que se irá recandidatar;  Portugal é o segundo país da Europa onde o trabalho precário mais subiu; as detenções por violência no desporto dispararam 34% nas duas últimas temporadas; 13 ex-governantes foram gestores da Caixa Geral de Depósitos entre 2000 e 2015 com Santos Ferreira e Faria de Oliveira a terem liderado o banco no período mais crítico, entre 2007 e 2012; Armando Vara recebeu um bónus de 167 mil euros referente ao período em que foram concedidos parte dos créditos de risco que levaram a perdas da Caixa; entre 2008 e 2017, o Estado gastou 16,7 mil milhões de euros com ajudas à banca e há mais 5,5 mil milhões em risco que podem levar o total para 23,3 mil milhões; a Comissão Parlamentar para a transparência está a trabalhar há três anos sem ter ainda divulgado conclusões; Portugal caíu um lugar no indíce da percepção da Corrupção; setenta por cento dos pagamentos realizados em Portugal são feitos em dinheiro; os portugueses consomem por ano 12,3 litros de álcool per capita; Portugal vai exportar carne de cerca de dez mil porcos por semana para a China, com um volume estimado de 100 milhões de euros por ano; o número de efectivos das Forças Armadas caíu 28% na última década e meia e mais de metade dos soldados deixa a tropa antes do fim do tempo previsto.

 

ARCO DA VELHA - O Tribunal de Arouca estava com o alarme avariado há um ano e foi assaltado, tendo os ladrões levado o dinheiro que estava num cofre.

 

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POLITIQUICES - A falta de honradez política, a corrupção, o compadrio - tudo coisas que abundam neste cantinho, são geralmente boa matéria para falar da verdade sob o manto diáfano da ficção. Até a RTP1 se lançou nesta  senda com uma série estreada há dias - “Teorias da Conspiração”. Se se conseguisse perceber o que os actores dizem a coisa podia ser simpática, mas assim só posso apreciar a beleza plástica da fotografia. A série - vamos ver como corre - estreou no momento em que a Operação Marquês entra em nova fase e em que os indícios de que algo não está bem por aquelas bandas se avolumam. Ao mesmo tempo  a editora Guerra & Paz lançou um muito educativo “A Deslumbrada Vida de João Novilho”, um romance passado no imaginário município de Rio Novo de Mil Nomes, onde o autarca João Novilho é um catálogo de muito a que temos assistido em matéria de pouca-vergonhice na actividade partidária e dos múltiplos expedientes que se utilizam com o objectivo único de assumir e abusar do poder, nem que seja transitoriamente. Cito aqui um excerto do livro, numa exemplar fala de Novilho: “Eu sou da ética, sim senhor. E sabes porquê? Porque sou capaz de defender com fundamentação um ponto de vista e o seu contrário. E ética é isso mesmo: uma retórica, a criação de uma sensação que está bem seja lá o que fôr.” Onde é que eu já vi isto?

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AGENDA PLÁSTICA - A partir deste sábado na Galeria 111 (Campo Grande 133) pode ver uma exposição colectiva que assinala mais um aniversário daquele espaço, que já ultrapassou o meio século de existência. Nesta colectiva estão obras de artistas como Costa Martins, João Vieira, Paula Rego, Vieira da Silva, Júlio Pomar, António Palolo, Ana Vidigal, Lourdes Castro, Manuel Batista, Miguel Teles da Gama ou Menez, entre muitos outros. Na Galeria Filomena Soares (Rua da Manutenção 80) vale a pena ir ver “Sexo, Escondidas E Uma Parede”, de Rodrigo Oliveira (na imagem uma aguarela que faz parte da instalação). Na Módulo (Calçada dos Mestres 34 ) ainda pode ver até sábado a exposição de novos trabalhos de Marco Moreira. No Museu Arpad Szenes-Vieira da Silva (Praça das Amoreiras 16)  está até 17 de Março “Da História das Imagens”, de Manuel Casimiro. Com curadoria de Isabel Lopes Gomes, a exposição reúne cerca de 100 obras em torno da imagem fotográfica, que o artista tem vindo a desenvolver desde os anos 70.

 

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OUVIR - Há dias encontrei um dos autores do saudoso programa radiofónico “Praça de Espanha”, Carlos Oliveira Santos, a passear entre robôs numa exposição no MAAT. Palavra puxa palavra e falámos de Rosalia - exactamente porque a conversa caíu logo na música espanhola. Rosalia, meus amigos, é um caso sério. Muito sério mesmo. Rosalía Vila Tobella , assim se chama a voz, tem 25 anos, nasceu na Catalunha e tem por missão explicar ao mundo os encantos do flamenco numa visão contemporânea. Aqui há uns tempos li uma teoria que explicava que no início deste século uma série de novos produtores de música pegaram nas tradições folk de vários países, aplicaram as novas técnicas de produção e mistura e criaram um género baseado no tradicional, mas com sonoridades que evocam pontualmente as pistas de dança, com um acentuar do baixo e percussões eléctricas. Rosalia pode incluir-se nesta área, doseando com cuidado a acústica do flamenco com a electrónica. “El Mal Querer”, o seu segundo disco, é exemplo disso mesmo - combina o flamenco com sonoridades dos rhythm and blues tudo sobre narrativas contemporâneas - onze canções sobre o amor e os desamores, cada uma escrita como se fosse um capítulo diferente do romance com títulos como “Malamente”, “De Aquí No Sales”, “Reniego”, “Maldicion” e, a finalizar, um poderoso “A Ningún Hombre”. Não por acaso certamente Rosalia é uma das vozes convidadas por James Blake no seu novo álbum. “El Mal Querer” está disponível no Spotify.

 

PROVAR - Durante bastante tempo ouvir falar em brócolos provocava-me arrepios. Nem sei mesmo se alguma vez cheguei a prová-los ou se me limitava a dizer que não queria, como os meninos pequenos. Seja como fôr, aqui há uns anos, sem eu perceber bem como, os brócolos entraram na lista de ingredientes vulgares na minha vida. Fui fazendo testes e não precisei de testar muito para perceber que brócolos frescos do mercado são melhores que brócolos ensonsos do supermercado. Depois percebi que a flor do brócolo e delicada e não deve ser cozida demais sob pena de perder toda a graça. Aprendi a preferi-los al dente, para manterem sabor e consistência. Uns tempos depois  passei a usar só a parte florida, tirando os caules - e aí descobri um mundo novo - cozer levemente a parte da cabeça do brócolo, separar as suas flores e misturar com arroz carolino ou, o melhor de tudo, com uma boa massa. A descoberta deste cocktail nasceu quando provei um dos petiscos do Chef Marcello Di Salvatore, do Bella Ciao (Rua de S. Julião 74). Trata-se de um prato de orecchiette com as flores de  bróculos bem separadas, envolvidas num molho de anchovas e queijo grana padrano. Se os brócolos já se tinham tornado comestíveis, nesse dia tornaram-se apetecíveis. E assim passei a gostar de brócolos.

 

DIXIT - “É indelével a sensação de que algo na Justiça não está a correr bem e de que se preparam grandes acções. Ou reviravoltas. Não se esconde a ideia de que a Justiça pode ser fonte de surpresas a breve prazo. É uma questão inescapável: estará em curso um movimento de revisão dos grandes processos pendentes?”  - António Barreto

 

BACK TO BASICS - “Começar é a parte mais importante de qualquer trabalho”  - Platão

 

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O BARÃO NEGRO DE SINTRA - A RTP2 tem transmitido diariamente uma série muito educativa sobre os meandros dos políticos, dos seus partidos e dos cargos que ocupam no Estado ou por indicação do Estado (também disponível no RTP Play). A série é francesa, chama-se “Barão Negro”, passa-se entre Dunquerque e Paris, mas podia bem passar-se em Portugal. Abuso de poder, truques sujos na luta de bastidores dentro dos partidos, manobras de escroques em congressos e trafulhices várias na obtenção de fundos para campanhas eleitorais constituem o enredo. Em Portugal há vários Barões Negros e ocorreu-me que Sintra tem tido a sina de ser governada por baronesas e barões de calibre - uma vila classificada em 1995 como Património da Humanidade pela Unesco merecia melhor sorte. Veja-se o que está a acontecer em pleno Centro Histórico de Sintra, na Gandarinha, com a construção de um hotel que tem tido um historial de atentado às regras de defesa do património e às características morfológicas, paisagísticas e arquitectónicas da vila. No início a  obra foi licenciada e avançou sem os estudos exigidos pelo então IPPAR, não teve acompanhamento arqueológico na fase de movimentação de terras e da destruição de pré-edificações e desconhece-se a realização de um estudo de impacto ambiental. O que aconteceu entretanto foi a impermeabilização quase total do terreno, a escavação de cerca de 10.500 m3 na encosta da serra, o que provocou uma acentuada alteração da morfologia do terreno e da paisagem. Pelo caminho foram arrancadas árvores, destruído o jardim existente e a volumetria inicial foi alterada. Inicialmente autorizado por Fernando Seara, Basílio Horta renovou o licenciamento, apesar de a Direcção Municipal de Planeamento e Urbanismo ter considerado que o projecto teria “um impacto significativo numa área de Paisagem Cultural classificada como património mundial”. Mas se a autorização inicial era polémica, são agora visíveis alterações ao projecto (que contemplou um aumento do número de quartos e da volumetria), alterações que já estão a ser feitas sem que saiba como foram avaliadas e autorizadas pela autarquia. Este é um caso entre muitos - mas que revela de forma clara como um autarca pode abusar do poder e privilegiar interesses particulares acima do património que devia defender. Mas, que mais se poderia esperar de Basílio Horta, um homem que é campeão nacional de salto à vara político?

 

SEMANADA - Para sublinhar a sua guerra com o Governo, Mário Nogueira prometeu um ano desgraçado aos alunos; a Ordem dos Médicos pede um “apuramento rápido” das causas do aumento da mortalidade infantil; os inspetores da Polícia Judiciária vão estar em greve sete dias no início de fevereiro, juntamente com os restantes funcionários da PJ; a greve dos enfermeiros na região de Lisboa e Vale do Tejo registou esta terça-feira uma adesão de 68%; os crimes de que Vale e Azevedo era acusado, de desvio de verbas do Benfica no final dos anos 90 do século passado, prescreveram sem o respectivo julgamento se ter iniciado; em 2018 foram vendidas 500 casas por dia; o preço das habitações em Portugal aumentou 15,6% no espaço de um ano; em 2019 Portugal terá mais 86 novos hotéis com um total de 7700 quartos; Portugal mantém-se na terceira posição na lista dos países da União Europeia com maior dívida pública; a Segurança Social mandou encerrar 109 lares de idosos por falta de condições; no ano passado foram detectadas falhas graves, num total de 64 milhões de embalagens, no fornecimento de medicamentos para a doença de Parkinson, diabetes, hipertensão, asma, epilepsia e doenças cardíacas; os estudantes que vêm para Lisboa seguir os seus cursos e vivem em hostels pagam taxa turística - assim como os habitantes da cidade que por qualquer razão tenham que pernoitar num hotel.

 

ARCO DA VELHA -  Descobriu-se agora que vários gestores da Caixa Geral de Depósitos receberam bónus de desempenho apesar de nos seus mandatos o banco ter concedido créditos ruinosos à revelia dos processos de avaliação de risco e por pressão direta do Conselho de Administração.

 

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OLHÓ ROBOT - Nos idos dos anos 80 os Salada de Frutas cantavam, pela voz de Lena d´Água, uma canção que rapidamente se tornou êxito: “olhó robot. é pró menino e prá menina olhó - trabalha muito e gasta pouco “. Nos quase 40 anos desde que essa canção surgiu a robotização começou a invadir todas as áreas, da fabril à criativa. Cada vez se fala de forma mais insistente sobre os efeitos da proliferação da inteligência artificial e dos robots nas mais diversas actividades.  “Hello, Robot. Design Between Human and Machine”, a exposição vinda do Vitra Design Museum, inaugurou esta semana no MAAT, onde ficará até 22 de Abril, inclui mais de 200 peças das áreas de design e arte, e contém robôs utilizados no nosso quotidiano, na medicina e na indústria, bem como em jogos de computador, instalações de media, e evocações da presença de robôs no cinema, na literatura e na banda desenhada. Ali se podem ver algumas das primeiras consolas de jogos, protótipos de robôs antigos e contemporâneos, que podem ser usados desde regar plantas até ronronar como um gato ou ajudar ao desenvolvimento de crianças. Como afirma o catálogo, “Hello, Robot aborda o modo como o design molda a interação e relação não só entre os humanos e as máquinas, mas também entre os próprios humanos”.

 

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UMA CATEDRAL DE PAPELÃO - O papelão é o futuro da indústria do papel - foi pelo menos o que eu li há tempos. A explicação é simples: enquanto se assiste à diminuição da utilização de papel nos escritórios das empresas, constata-se que o incremento do comércio electrónico faz aumentar a procura de embalagens de papelão, que garantam a robustez necessária para que os livros, roupas  ou máquinas que encomendamos nos cheguem em perfeitas condições. De material pouco considerado o papelão passou a centro de atenções e cuidados. A sua utilização na arte contemporânea tem vários exemplos, desde que Andy Warhol se lembrou de replicar as caixas de detergente Brillo. Mas talvez ninguém tenha ido tão longe como Carlos Bunga que, dentro do MAAT, construíu a alegoria de uma catedral, unicamente  utilizando papelão. Carlos Bunga “The Architeture of Life. Environments, Sculptures, Paintings and Films” é a primeira exposição retrospectiva da obra de Carlos Bunga, em Portugal- ele foi o vencedor do Prémio Novos Artistas Fundação EDP em 2003. Reunindo obras dos últimos 15 anos, a exposição documenta as construções de grande escala que o artista cria e destrói como performance, e é animada por vídeos das suas interações com o mundo material.  ‘O meu projeto é uma espécie de arquitetura; não é um espaço real, mas uma ideia mental.’ - afirma Carlos Bunga (na imagem no meio de uma das suas instalações). Em paralelo na Fundação Carmona e Costa, está a exposição “Where I am free”, onde Bunga apresenta uma seleção de trabalhos em papel com várias obras recentes concebidas especificamente para a Fundação.

 

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A ARTE DA CARPINTARIA - Artes visuais, música, teatro, dança, cinema e gastronomia são as principais áreas de actuação das Carpintarias de São Lázaro, agora inauguradas após uma profunda remodelação das antigas oficinas de marcenaria ali existentes. Situadas na Rua de São Lázaro 72, junto ao Martim Moniz, estas Carpintarias ocupam 1800m2, divididos entre dois pisos e um rooftop. O espaço, além  da sua utilização como infraestrutura cultural, quer desenvolver parcerias com entidades, públicas e privadas. A programação do novo espaço contempla as áreas das Artes Visuais, Música, Teatro e Dança, Cinema e Gastronomia. Na sexta-feira 25 de janeiro é a inauguração do espaço, em simultâneo com a inauguração da exposição “Jeu de 54 cartes”, a mais recente série de trabalhos de Jorge Molder (na imagem), apresentada pela primeira vez no Museu Internacional de Escultura Contemporânea em Santo Tirso, e agora em Lisboa nas Carpintarias de São Lázaro. Durante todo o fim de semana a Cozinha dos Vizinhos poderá ser provada resultado da colaboração com a Cozinha Popular da Mouraria e no fim de semana seguinte decorrerá a Mostra dos Premiados do Concurso Gastronómico Lisboa à Prova. Uma performance de Joana Runa, o oitavo aniversário do canal de videos A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria, cinema ao vivo e um open studio pela artista residente Miriam Simun completam o programa destes primeiros dias de funcionamento da nova carpintaria.

 

O QUE CONTA É O CACAU - Já houve uma altura em que era capaz de sair de casa a meio da noite a correr à procura de uma loja de conveniência próxima que tivesse chocolate negro. Entretanto a coisa mudou - mas percebo que o chocolate se torne num vício. Ora acontece que um recente estudo da Marktest indica que nos últimos 12 meses, neste nosso cantinho, 5,3 milhões de pessoas consumiram chocolate nas suas várias formas, o que quer dizer cerca de 60% dos portugueses se entregaram a este vício. Outro alimento que segundo o mesmo estudo está em alta é o iogurte grego que no mesmo espaço de tempo foi consumido por 2,5 milhões de pessoas, o que representa cerca de 30% dos portugueses - é já a segunda variedade de iogurte mais consumida no nosso mercado.

 

DIXIT - “Nas Finanças há um profundo convencimento de que a saúde é sobretudo uma fonte de despesa e que o controlo apertado vai limitar essa despesa” - Manuel Pizarro, médico e atual alto comissário da Convenção Nacional de Saúde

 

BACK TO BASICS - “A melhor forma de prever o futuro é sermos nós próprios a criá-lo” - Abraham Lincoln.

 

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