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AS ELEIÇÕES PARA O ALBERGUE - A campanha para as eleições europeias já está nas ruas, ou seja, melhor dizendo, nos ecrãs das televisões e nas feiras, festinhas e repastos de carne assada. Há uma coisa que salta desde já à vista: o PS pretende transformar esta campanha numa rampa de lançamento de António Costa para o Conselho Europeu e esse é o seu principal objectivo de comunicação. Assim o voto no PS nestas eleições será um voto em António Costa para ele dar o seu tão desejado salto para a Europa, seguindo o numeroso rol de políticos portugueses que se fartaram das maçadas lusitanas e foram arejar para organizações internacionais. Tirando António Costa, a avaliar pelos primeiros dias, os assuntos vão ficar centrados na política de defesa e no aumento do investimento europeu e de cada país nessa área, nas políticas sobre migração e no alargamento da União Europeia, nomeadamente a inclusão da Ucrânia. De fora está a ficar a questão das regulamentações ambientais e da crise climática que tem provocado fracturas consideráveis na Política Agrícola Comum e criado tensões políticas em muitos países. E, sobretudo, de fora fica a questão que paira sobre a Europa e que ninguém quer aprofundar: o que está a suceder no berço da civilização para que seja aí que a extrema direita floresça a olhos vistos e se arrisque mesmo a ser recordista no futuro Parlamento Europeu? Perceber as causas disto é olhar para os erros, fragilidades e contradições de uma União Europeia, coisa que quase ninguém quer fazer. Para o comum dos mortais a União Europeia é uma fornecedora de subsídios, uma fomentadora de corruptelas e um albergue de políticos em segunda mão e burocratas. Vai ser engraçado olhar para o número de abstenções - aqui e na média dos eleitores dos estados da União. 



SEMANADA - As reclamações contra operadoras de TVDE aumentaram 50% nos quatro primeiros meses deste anos, a UBER lidera as reclamações e cobrança indevida é a principal denúncia dos passageiros; nos últimos três anos o número de veículos registados que estão em circulação em Portugal aumentou quase meio milhão e actualmente o total já ultrapassa os 7 milhões; no final de 2022 existiam em Portugal 840 publicações periódicas, menos de metade das 1763 que existiam em 2000; mais de um quarto de publicações existentes são editadas no concelho de Lisboa, a que se seguem os concelhos do Porto, Oeiras, Coimbra e Sintra; apenas em 87 dos 308 concelhos portugueses é editada pelo menos uma publicação periódica; 83,5% dos utilizadores de internet em Portugal consomem áudio em formato digital, seja através de rádio, música ou podcasts;  nos últimos cinco anos quase 900 mil doentes faltaram a consultas que tinham agendado no SNS; o número de insolvências em Portugal cresceu 14% nos quatro primeiros meses do ano; 20% da população empregada em Portugal trabalhou a partir de casa no primeiro trimestre do ano; o número de trabalhadores despedidos até março aumentou 98% e o número de lay-offs duplicou no mesmo período; o mercado do arrendamento ganhou 145 mil casas nos últimos dez anos; crianças que vivem em contexto de violência entre os pais chumbaram quase cinco vezes mais e quase metade não termina o 12º ano.

 

O ARCO DA VELHA - Segundo o INE as rendas das casas por metro quadrado aumentaram em Abril 7,1% face ao mesmo mês de 2023. 

 

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A ARTE DAS LETRAS - É na literatura que as palavras, e as letras que as compõem, são tradicionalmente usadas no campo das Artes. Mas as letras, e o que elas representam, são também matéria prima para outras artes, como o desenho e a escultura. E foi exactamente com base em letras que Rui Sanches imaginou a sua mais recente exposição, “Words Don’t Come Easy”, que junta desenhos e escultura. No texto que escreveu para a exposição, Rui Sanches afirma que “o processo significativo da linguagem escrita é diferente da linguagem visual” e sublinha que “as letras são formas e, também, sinais simbólicos”. Rui Sanches conta também que esta exposição foi influenciada por “Le Chef-d’ouevre inconnu”, uma novela de Honoré Balzac que é “uma inspiradora meditação sobre o estatuto da obra de arte e o papel da subjectividade na sua realização”. Num dos episódios da novela surge o pintor Nicolas Poussin que Sanches diz ter exercido sobre ele “um grande fascínio”. Numa das obras principais de Poussin surge uma frase em latim, “Et in Arcadia Ego”,  frase que Sanches escolheu para trabalhar “criando uma forma escultórica para cada letra”, a escultura que está em destaque na exposição. A madeira e seus derivados continuam  a ser uma das matéria primas mais utilizadas por Rui Sanches e aqui ele utiliza contraplacado de pinho para construir as letras,  quer da frase já referida, quer das palavras “Love” e “Hate”, que foi buscar à tatuagem de Robert Mitchum no filme “The Night Of The Hunter”. Além das cinco esculturas a exposição apresenta também cinco desenhos onde a simbologia gráfica das letras é igualmente evocada. “Words Don’t Come Easy” está na Galeria Miguel Nabinho, Rua Ferreira Durão 18.

 

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ROTEIRO - Duas exposições a não perder no Centro Cultural de Cascais. Começo pela de Ruth Orkin (1921-1985), uma fotógrafa, foto-jornalista e cineasta norte-americana. Trabalhou para revistas como a “Life” e a “Look” e jornais como o “New York Times”, entre outros. Esteve muito ligada quer à cidade de Nova Iorque, quer a Hollywood, onde fotografou nomes como Marlon Brando, Tennessee Williams, Hitchcock , Lauren Bacall ou Ava Gardner. Foi também a primeira fotógrafa a expor no Museum Of Modern Art, quando a área de fotografia era dirigida por Edward Steichen. A imagem mais famosa de Orkin é “An American Girl In Italy”, aqui reproduzida. A fotografia foi feita em 1951 e nela aparece Ninalee Craig, de 23 anos, que na época era conhecida como Jinx Allen, uma pintora que lhe serviu várias vezes de modelo. A imagem fazia parte de uma série originalmente intitulada “Não tenha medo de viajar sozinha”, que foi publicada pela revista “Cosmopolitan”. Sob orientação de Orkin, Jinx passou várias vezes no mesmo local perguntando indicações a algumas pessoas que estavam naquela esquina, até a fotógrafa ter fixado este momento, que espelha a tensão entre os olhares dos homens centrados na rapariga e a atitude de Jinx. Sob o título “A Ilusão do Tempo”, esta é a primeira apresentação em Portugal da obra de Ruth Orkin. A exposição mostra  180 fotografias, além de filmes, documentos e objetos originais, como cartas, excertos de jornais e revistas, páginas do diário pessoal de Orkin, e uma câmara fotográfica. A exposição pode ser vista no Centro Cultural de Cascais até 7 de julho de 2024, numa iniciativa da Fundação D. Luís I e da Câmara Municipal de Cascais no âmbito da programação do Bairro dos Museus. No mesmo local pode também ser vista a exposição  “LUCIEN HERVÉ: Flashes do Homem na Cidade Moderna”, dedicada à obra do franco-húngaro Lucien Hervé, considerado um dos mais importantes fotógrafos de arquitetura do século XX.

 

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UMA HISTÓRIA DA GUERRA - Ian Kershaw é um historiador inglês, professor de História Moderna, cujo trabalho se centra em torno da História do século XX, nomeadamente na época da II Grande Guerra e em particular na História da Alemanha e das origens do conflito. “Decisões Fatais - Dez decisões que mudaram o mundo 1940-1941” é o título do livro originalmente publicado em 2007 e que agora foi editado em Portugal, numa tradução de José Mendonça da Cruz. Ian Kershaw revisita dez decisões críticas tomadas entre maio de 1940 - quando a Grã-Bretanha decidiu continuar a lutar em vez de se render - e o outono de 1941 - quando Hitler decidiu exterminar os judeus da Europa. Em Londres, Tóquio, Roma, Moscovo, Berlim e Washington, políticos e generais, muitas vezes trabalhando com base em informações de má qualidade e enfrentando graves problemas logísticos, financeiros, económicos e militares, tiveram de decidir como explorar ou combater a crise que se desenrolava. Estas decisões dão a conhecer ao leitor as enormes dificuldades enfrentadas pelos líderes, bem como a influência que as suas personalidades tiveram no decurso da guerra: Churchill resistindo à catástrofe de Calais, Hitler ordenando a invasão da URSS, Estaline a aliar-se a Hitler nos primórdios do conflito, a indecisão de Roosevelt e a decisão do alto comando japonẽs de atacar os Estados Unidos. Ao longo de cerca de 600 páginas  Kershaw relata o que se passava em Londres, Berlim e Tóquio em 1940, como a época foi seguida em Washington e Moscovo em 1941 e como no Outono de 1941, em Tóquio e Berlim, foi iniciada a guerra. Edição D. Quixote/Leya.

 

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GUITARRADA - Desde finais dos anos 60 T. Bone Burnett tem deixado a sua marca na música norte-americana, quer como guitarrista, quer como produtor, quer como compositor. Trabalhou com nomes como Bob Dylan, Greg Allman, Elvis Costello, Sam Philips, Los Lobos ou Roy Orbison, entre muitos outros. Compôs bandas sonoras para filmes e musicou até uma peça de Sam Shepard. A solo lançou dezena e meia de álbuns, o mais recente dos quais, o primeiro desde há quase duas décadas, é “The Other Side”, agora editado. O disco tem 12 temas e é um trabalho ficcional sobre um casal que se vai encontrando e desencontrando ao longo de uma viagem. A sua guitarra é omnipresente, excelente como se esperava, os músicos convidados fornecem o suporte a uma voz arrastada onde as palavras surgem cantadas de forma emotiva, ajudando a construir o clima da narrativa, desde o inicial e místico “He Came Down”, até uma canção de saudade como “Little Darling”, que finaliza o disco, passando por incursões no passado como “The Town That Time Forgot” ou canções de desamor como “The Pain Of Love” ou “Someday” - aqui com a participação de Roseanne Cash. Noutros cinco temas Burnett tem a seu lado as vozes de Lucius, um duo folk. A country e os blues são os territórios deste disco, um trabalho gravado em Nashville e que prova como T Bone Burnett é um músico e compositor de excepção. Disponível nas plataformas de Streaming.

 

DIXIT - “ A ideia onírica de abrir as portas a imigrantes sem acautelar as condições para os legalizar, acolher, encaminhar e proteger foi um crime contra o país e contra as pessoas” - Manuel Carvalho

 

BACK TO BASICS - Uma coisa essencial à justiça que se deve aos outros é fazê-la, prontamente e sem adiamentos; demorá-la é injustiça.” —  Jean de La Bruyere

 

A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JOR NEGÓCIOS

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