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AS HABILIDADES DE UM POLÍTICO PROFISSIONAL -  António Costa é um político hábil, que como Primeiro Ministro usa a comunicação como poucos dos seus antecessores. Na verdade é talvez o mais profissional político que Portugal teve como Primeiro Ministro nos 22 Governos Constitucionais desde 1974. No final de Novembro, António Costa completará seis anos como Primeiro-Ministro, ao longo de uma legislatura e meia, e, salvo algum cataclismo, parece evidente que cumprirá esta sua segunda legislatura até ao fim. O futuro? Como explicou numa entrevista ao “Expresso” no fim de semana passado, não sendo tabu, não é para se saber já. A  frase resume o pensamento político de António Costa: a realidade é a que ele dita.  Neste fim de semana, no Congresso do PS que se realizará em Portimão, assistiremos ao primeiro episódio da produção do PS baseada na “Guerra dos Tronos”. Costa garantiu que na linha da frente do palco será acompanhado pelos quatro socialistas que são os nomes mais apontados para a sua sucessão: Catarina Mendes, Fernando Medina, Mariana Vieira da Silva e Pedro Nuno Santos. São todos diferentes, mas todos iguais no apego à política que tem sido seguida. E qual o resultado dessa política? - Quando os portugueses comparam o seu rendimento com o de países como a Eslováquia, República Checa, Hungria, Polónia, Lituânia, Letónia, Estónia e mesmo  Roménia, constatam que todos eles estão melhor que Portugal. O balanço destes seis anos que  António Costa leva como Primeiro Ministro não é nenhum tabu mas anda sempre escondido pela propaganda: o consulado de António Costa vai ser aquele em que o país desceu para a cauda da Europa em termos de riqueza. Nada disso impedirá que o fim de semana seja de festa e consagração em Portimão - Costa preparou bem o ritual e quem lhe pode suceder acredita que se pode distribuir o que não se tem. Esta semana Camilo Lourenço escrevia neste jornal que “daqui a dez anos, quando Costa estiver num cargo internacional, o seu consulado vai ser lembrado como aquele que desperdiçou a grande oportunidade de Portugal se colar aos da frente”. 

 

SEMANADA - O PCP é o partido que apresenta maior número de mulheres como cabeça de lista nas próximas autárquicas mas o PS tem sido quem consegue eleger mais mulheres:  há apenas sete autarquias com maioria feminina e 31 onde são mulheres a liderar: este ano registaram-se mais 1203 candidatos ao ensino superior que em 2020; o apoio ao estudo só chega a 21% dos alunos com média negativa; a anunciada subida do número de empregos fez-se à custa de um aumento recorde da função pública; em dez anos foram extintos 18 mil postos de trabalho na banca; entre 2018 e 2020 foram vendidas em Portugal 1890 caixas de medicamentos contra a disfunção erétil por dia; desde o início do ano as autoridades passam 20 multas por dia para quem não usa máscara na rua; o presidente da Ryanair, Michael O’Leary, acusa a TAP de bloquear o crescimento da concorrência no aeroporto de Lisboa; na semana passada o caos voltou a instalar-se no aeroporto de Lisboa, com enormes demoras, filas imensas, extravio de bagagens e incómodo acentuado para os passageiros mas até agora não foi assumida a responsabilidade pelo sucedido; a média diária de espectadores do Canal Parlamento desde o início do ano é de 115 no cabo e 234 na TDT, um total de 349 pessoas; o Parlamento paga 420 mil euros por ano ao operador responsável pela emissão da TDT, o que dá um custo médio de 1794 euros por espectador; a TVI recebeu 18 mil inscrições de candidatos a participarem no próximo Big Brother, que arranca em Setembro; o grupo Media Capital já recebeu 2.400 candidaturas ao processo de recrutamento da CNN Portugal que decorrre até 31 de Agosto.

 

O ARCO DA VELHA - Na Figueira da Foz o PSD já perdeu em tribunal duas tentativas de impedir a candidatura de Santana Lopes à autarquia local e agora ameaça recorrer para o Tribunal Constitucional. Como bem escreveu Luís Paixão  Martins no Facebook, “nem mesmo nos tempos em que foi presidente do PSD uma campanha de Pedro Santana Lopes teve um apoio tão grande da parte deste partido.” 

 

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OS QUADROS DE “A BRASILEIRA” -  Maria Aires da Silveira e Raquel Henriques da Silva são as curadoras de uma exposição no Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC) que se debruça sobre a história do café “A Brasileira”, do Chiado. Fundado em 1908 por Adriano Teles e mantido ao longo de mais de um século em excelentes condições, o café foi modernizado em 1925, quando recebeu  uma série de obras de importantes artistas plásticos da época - na imagem uma dessas obras, um auto-retrato em grupo de José de Almada Negreiros. Depois, em 1971, recebeu nova série de onze pinturas, que hoje decoram o espaço do estabelecimento, onde podem ser vistas, e que substituíram as anteriores. O  decorador Joachim Mitninsky  comprou em 1970  os quadros envelhecidos da montagem de 1926,  mandou restaurá-los, vendeu alguns e terá mantido outros na sua loja da Rua Vítor Cordon. As novas onze obras foram encomendadas por um júri de críticos de arte. Intitulada “A Brasileira do Chiado - Café-museu 1925-1971”, esta exposição do Museu Nacional de Arte Contemporânea celebra os 50 anos da segunda decoração de A Brasileira com quadros de artistas modernos. No Museu é possível ver alguns dos quadros da decoração de 1925 e um conjunto de documentação em grande parte inédita da decoração de 1971, nomeadamente fotografias da colocação das pinturas nas paredes de “A Brasileira”, exactamente na noite de 26 de Junho de 1971. A exposição é acompanhada de um catálogo, subsidiado pela empresa que actualmente detém o espaço, Valor do Tempo e pela Fundação Millennium BCP. O catálogo organiza-se em três núcleos fundamentais que abordam a criação do café-museu, no Chiado, em 1925 e 1971 com textos de Inês Silvestre, um ensaio de Raquel Henriques da Silva  e um trabalho de Maria de Aires Silveira sobre a temática dos cafés na capital, desde inícios do século XIX, que ajudaram a caracterizar o perfil da cidade e facilitaram o convívio de intelectuais. Até 26 de Setembro no MNAC, Rua Capelo 13 e Rua Serpa Pinto 4.

 

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UMA INVESTIGAÇÃO AUTOBIOGRÁFICA  - O escritor sueco Tom Malmquist ganhou fama através da sua obra de estreia, o romance “Em Todos Os Momentos Estamos Vivos”, onde  parte de episódios autobiográficos para escrever um livro sobre a perda e o luto. Editado em 2015, vencedor de vários prémios e considerado pelo New York Times como um dos cem livros mais notáveis desse ano. “Em Todos Os Momentos Estamos Vivos” tem agora uma continuação com a sua nova obra, “Todo o Ar Que Nos Rodeia”, que retoma o tema da morte, da solidão e dos laços desfeitos. Neste segundo romance, agora editado em Portugal e traduzido do original sueco, o autor volta a  percorrer os caminhos da ficção autobiográfica. Logo no início o protagonista, que é o próprio Malmquist, encontra um velho recorte de jornal com esta notícia: «No sábado, foi encontrado um homem morto numa gruta na floresta de Sörskogen. Apresentava cortes graves no rosto e no peito, e a polícia acredita que foi assassinado com um machado.» O jornal embrulhava as peças do serviço de loiça da mãe de Tom, que ele encontra no sótão. Partindo da pouca informação que tem, Tom Malmquist iniciará a sua própria investigação para descobrir tudo o que puder sobre Mikael K, o homem brutalmente assassinado duas décadas antes. Enquanto procura respostas para essas e outras perguntas, encontra perturbantes paralelos entre a história investigada e a sua própria vida. É um livro fascinante e como escreveu o diário sueco Aftonbladet, «os leitores de Paul Auster reconhecerão o estilo, não apenas na abordagem investigativa, mas também no vazio existencial que sugestivamente aparece nas entrelinhas, um vazio que parece ser o tema e o estímulo principal deste romance.» 

 

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O BATERISTA DOS BLUES, JAZZ E ROCK  - A vida de Charlie Watts mudou quando deixou de ser o baterista da Blues Incorporated, a primeira banda britânica, formada exclusivamente de músicos brancos, que tocava blues, no começo da década de 1960. Foi numa actuação dessa banda num clube londrino que Mick Jagger, Keith Richards e Brian Jones, fãs dos blues, conheceram Watts. Ficaram maravilhados com a sua qualidade de músico e  convidaram-no para ser o baterista do grupo que estavam a começar a constituir, admitindo que não tinham como lhe pagar nessa altura. Charlie acabou por aceitar trocar o já estável Blues Incorporated pelo projeto de Mick, Keith e Brian, e entrou como baterista para os Rolling Stones em 1963. Mick Jagger tinha então 20 anos e Watts era dois anos mais velho. O resto da história é conhecida e Watts foi sempre um elemento fundamental da banda, ajudando a manter a sua coesão mesmo nos períodos mais conturbados e difíceis. O que muitos não sabem é que ao mesmo tempo que integrava os Rolling Stones e tocava nos discos e concertos, Charlie Watts desenvolveu uma carreira a solo em torno do seu amor aos blues tradicionais e sobretudo do songbook clássico americano e dos standards de jazz. Quer com orquestra, quer em formações mais reduzidas, Charlie Watts gravou por sua conta, fora dos Stones, quase uma dezena de discos e apareceu em vários registos de outros músicos como convidado. Um dos seus trabalhos mais marcantes é um álbum de 1996, “Long Ago & Far Away”, onde interpreta 14 clássicos da música americana, acompanhado pela London Metropolitan Orchestra, com Bernard Fowler na voz e um conjunto de outros músicos, incluindo o português Luís Jardim. O CD, além da canção que lhe dá o nome,  inclui os temas “I’ve Got A Crush On You”, “More Than You Know”, “Good Morning Heartache”, “Stairway To The Stars”, “In The Still Of The Night”, “I Am In The Mood For Love”  e “Never Let Me Go”, entre outros. O disco é uma raridade, está esgotado, não existe por enquanto em streaming e em segunda mão, na Amazon, aparece à venda por 123 dólares.

 

DIXIT -  “É esse o tremendo conservadorismo que nos derrota: não queremos que se invente nada, só queremos que os estrangeiros (....) confirmem os nossos próprios gostos e preconceitos” - Miguel Esteves Cardoso.

 

BACK TO BASICS - Gostamos sempre daqueles que nos admiram, mas nem sempre gostamos daqueles que admiramos  - François de La Rochefoucauld.

 

(Publicado no Weekend do Jornal de Negócios de 27 de Agosto)







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