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DOCUMENTÁRIOS & SERVIÇO PÚBLICO DE TELEVISÃO - Esta semana um acontecimento infeliz, a morte do pintor Júlio Pomar, trouxe-me ao pensamento a responsabilidade do serviço público ser o garante da preservação da memória de figuras importantes da cultura portuguesa. Tive a sorte de, durante uns anos, em diversas circunstâncias, estar ligado à produção de documentários precisamente sobre Júlio Pomar, mas também sobre Agustina-Bessa Luís, Luiz Pacheco, João Vieira, Paula Rêgo, Luís Serpa, Isabel de Castro, Bénard da Costa, David Mourão Ferreira, Amália Rodrigues, Carlos Paredes, Helena Almeida ou Fernanda Botelho, entre outros. A ideia era filmar e preservar documentários com uma forte componente biográfica, na maior parte dos casos baseados em depoimentos dos próprios, para que ficasse registado o que cada autor tinha para dizer. Este trabalho, que é frequente em muitas estações de televisão por esse mundo fora, aqui é raro e inconstante. Felizmente esta semana  a RTP estreou também um documentário sobre Eduardo Lourenço - uma raridade no meio do que tem sido a programação do canal. Se não fôr o serviço público de televisão a fazer documentários sobre estes temas, ninguém o fará. Há um dever, na matriz do serviço público, de fazer produção audiovisual que possa ser reexibida no futuro e que salvaguarde aquilo que Portugal tem de melhor. Gerir os arquivos audiovisuais não é só preservar imagens antigas, digitalizá-las e disponibilizá-las. É também alimentar esses arquivos com novos conteúdos prontos a exibir. Os custos deste tipo de produção são migalhas, comparado com muito do que é transmitido nos canais da RTP e que se esgota no minuto em que é exibido. Dirigir uma estação de televisão e vigiar o cumprimento do contrato de concessão do serviço público, penso eu, passa por aqui. (A imagem escolhida para esta página é do documentário “O Risco”, de António José de Almeida, filmado em 2005 para a 2: e que mostra Júlio Pomar a desenhar o seu próprio auto-retrato).

 

SEMANADA - A penetração do e-commerce em Portugal é de apenas 36% e na Europa Portugal está no fim da lista, apenas com a Letónia em pior situação nesta área; só 8% das PME estão preparadas para as novas regras de protecção de dados; apesar de dia 25 de Maio entrar em vigor o regulamento geral de protecção de dados europeu, a legislação portuguesa não ficará pronta nessa data; o Governo isentou os organismos públicos do cumprimento do regulamento durante um período alargado;  a dívida pública atingiu em Março 126,4% do Produto Interno Bruto (PIB), acima do valor de Dezembro de 2017; todos os dias são identificados mais 42 menores em risco; no próximo ano lectivo o 3º período vai ter apenas 30 dias de aulas; no ano passado houve condutores que se puseram em fuga em mais de mil acidentes rodoviários; o regulador do sector da saúde tem 58 pessoas para fiscalizar 27 mil entidades; Mark Zuckerberg desculpou-se 15 vezes numa década, três delas este ano - recordou um deputado no Parlamento Europeu durante a audição do criador do Facebook; numa entrevista a propósito da eutanásia Paula Teixeira da Cruz afirmou:  “defendo que a vida compreende inevitavelmente a morte. Assim sendo, todos nós temos o direito de dispor da forma como queremos terminá-la”.

 

ARCO DA VELHA - O Presidente da Câmara de Castelo Branco contratou duas vezes, por ajuste directo, uma empresa em que o seu pai, o sogro e até o tio da mulher são accionistas - e apesar de ter assinado ele próprio os contratos afirmou não se ter apercebido que tinha familiares envolvidos.

 

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FOLHEAR - Jean Tirole foi galardoado com o Prémio Nobel da Economia em 2014 e a sua obra “Economia do Bem Comum” foi agora editada em Portugal. É um livro de leitura acessível e por vezes até entusiasmante, destinado a um público alargado, sobre  assuntos que afectam o nosso quotidiano. Logo no prefácio Jean Tirole escreve: “ A procura do bem comum toma por critério o nosso bem-estar, do outro lado do véu da ignorância. Não conjectura soluções e não tem outro marcador que não seja o do bem-estar colectivo. Admite a utilização privada para o bem-estar da pessoa, mas não o abuso dessa situação à custa dos outros”. O livro divide-se em cinco grandes áreas: “Economia e Sociedade”, “O trabalho do investigador em Economia”, “O quadro institucional da Economia”, “Os grandes desafios macroeconómicos” e “O desafio industrial”. Ao todo há dezassete capítulos espalhados por estas cinco áreas e a boa coisa deste livro é que, como o próprio autor sublinha no prefácio,  estão escritos por forma a poderem ser lidos independentemente uns dos outros para cada leitor poder escolher os temas que lhe interessam mais. Mas Tirole aconselha a que, mesmo assim, o capítulo sobre a finança seja lido antes do capítulo sobre a crise de 2008. Questões como o desafio climático, o combate ao desemprego, a encruzilhada da Europa ou o que deve ser um Estado moderno são alguns dos temas base. A parte mais atraente, e talvez actual, é a que aborda o novo desafio industrial, passando por assuntos como a alteração da cadeia de valor pelo digital, os desafios sociais da economia digital ou ainda a inovação e a propriedade intelectual ou as novas formas de emprego do século XXI. Fascinante.

 

Omar Victor Diop - Aminata, 2013 - Courtesy galeri

VER - Se gosta de arte africana contemporânea até 25 de Agosto pode é incontornável uma passagem pelo Palácio Cadaval, em Évora, para a primeira edição do Festival Évora África, que reúne artistas contemporâneos, músicos e performers com África como ponto comum de origem. Ponto alto é a exposição “African Passions” com destaque para obras de Omar Victor Diop (na imagem), Filipe Branquinho, Malick Sidibé, Houston Maludi, Mauro Pinto ou Amadou Sanogo, entre outros. A curadoria é de André Magnin e Philippe Boutté. Magnin, que tem a sua própria galeria em Paris, vocacionada para a arte africana, já esteve ligado a exposições no Centro Pompidou, no Museu Guggenheim de Bilbao, na Tate Modern e no Smithsonian. Além da exposição central que estará durante todo o Festival Évora África, decorrerá ainda um programa de música dirigido por Alain Weber e Alcides Nascimento com nomes como a orquestra Ballaké Sissoko, Johnny Cooltrane, Irmãos Makossa, Celeste Mariposa, Congo Stars Of Vibration, Sara Tavares, Bubacar Djabaté e a Companhia Xindiro, entre outros. O Évora África sucede ao ciclo de oito anos de “Os Orientais”, também realizado no Palácio Cadaval. O Festival é dirigido por Alexandra de Cadaval, que tem estado envolvida numa série de iniciativas relacionadas com a arte africana e em particular com Moçambique. Estão ainda previstos workshops de música e dança, palestras e conferências com foco na arte, cultura e herança africanas. Mais informações em evorafrica.pt .

 

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OUVIR - O saxofone é um instrumento musical com  capacidade de exprimir emoções e ritmos ao mesmo tempo. Uma entrada de saxofone como a de “Naked Walk”, a faixa de abertura do novo álbum de Dave McMurray, é um momento arrebatador. Sim, é certo que estou mesmo entusiasmado com “Music Is Life”, o apropriado nome deste sétimo álbum de McMurray, o primeiro para a Blue Note, dirigida por Don Was com quem o saxofonista trabalha há muitos anos nos mais diversos projectos. Oriundo de Detroit,  McMurray tocou com nomes como os Rolling Stones, Bob Dylan, or Herbie Hancock, entre muitos outros. Nasceu no jazz, tocou rock, funk, soul e voltou ao jazz com uma sonoridade forte. Este novo disco tem uma série de originais de McMurray mas também inesperadas e boas versões dos White Stripes (“Seven Nation Army”), dos Parliament-Funkadelic (“Atomic Dog”) e até “Que Je T’Aime”, um dos históricos temas popularizados por Johnny Halliday, com quem McMurray tocou em numerosas digressões. Entre os originais destaque para a faixa título “Music Is Life”, para  “Paris Rain” e para a última faixa do disco, o poderoso “Detroit Theme”. CD Blue Note, distribuição Universal.

 

PROVAR -  Desde que me ofereceram uma caçarola Le Creuset no Natal passado as minhas experiências culinária têm ganho novos horizontes. A mais recente aventura combinou lulas cortadas aos bocados e gambas de bom tamanho com ervilhas, cenouras e cogumelos frescos, tudo num lento estufado. É uma excelente receita primaveril. Primeiro salteia-se gengibre cortado em lâminas finas num pouco de azeite, a seguir entram as lulas e temperam-se com sal e piri-piri moído. Tapa-se durante uns minutos e depois adicionam-se as cenouras cortadas grosseiramente. Tapa-se mais um pouco e a seguir entram os cogumelos e as ervilhas. Passados uns dez minutos, e depois de rectificado o sal, entram as gambas. Com mais uns cinco minutos deve ficar tudo pronto. A água largada pelos legumes no estufado é suficiente para que nada fique seco, o facto de a caçarola estar tapada durante todo o processo garante que o sabor se mantém -  é importante usar o lume brando. Para acompanhar escolhi o magnífico Quinta do Monte d’Oiro Lybra 2017 branco, um vinho com certificação biológica, fresco e vibrante, que casa bem com este saboroso estufado.

 

DIXIT - “Eu acho que uma tela ou um papel é sempre uma arena onde se vai passar um desafio” - Júlio Pomar

 

GOSTO - Francisco Assis, deputado do PS, afirmou que a “geringonça” foi um expediente político para superar uma derrota eleitoral.

 

NÃO GOSTO - Há mais de 70 mil doentes sem vaga nos cuidados paliativos.

 

BACK TO BASICS - “No futebol tudo se complica por causa do adversário” - Jean Paul Sartre.

 

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publicado às 13:15



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