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O PODER DA MINORIA - A coisa mais engraçada que saíu das eleições europeias do passado fim de semana foi a reviravolta da arrumação partidária, com o Bloco a subir, o PCP a descer, o CDS a esvair-se e o PAN a crescer. O cenário é de tal monta que António Costa iniciou os trabalhos de produção do novo reality show que vai dominar a política portuguesa até Outubro. Chama-se “Quem Quer Casar Com o Primeiro” e tem um concurso complementar intitulado “A Roda da Geringonça”. Os canais disputam os formatos e multiplicam-se os interessados.  No Domingo surgiu mais um candidato surpresa ao casamento do reality show - o PAN, que entrou na lista dos candidatos a charneira do regime - e que já está a ocupar o espaço mais esverdeado aproveitando o facto de o partido melancia estar cada vez mais vermelho por dentro e menos verde por fora. Piadas à parte a realidade é dura: os directórios partidários choram sobre a abstenção mas a última coisa que querem é mudar a lei eleitoral, adequando-a a novos tempos - nomeadamente estudando alternativas ao método de Hondt que protege os partidos instalados e dificulta a entrada de novas organizações no círculo do poder. Feitas as contas e tendo em consideração que a abstenção ficou pouco abaixo dos 70% a verdade nua e crua é esta: se tomarmos como base o total dos recenseados o PS obteve 10,47% dos votos dos eleitores, o PSD ficou nos 6,88, o Bloco vive com 3,08%, a CDU está reduzida a 2,16%, o CDS a 1,94%. Na verdade menos de 25% dos eleitores optou por um qualquer dos partidos que se apresentaram. 45 anos depois de 1974 o regime considera-se legitimado com a participação de apenas um quarto dos cidadãos. A coisa está reduzida aos diretórios partidários e seus adeptos mais próximos. O regime não consegue chamar as pessoas a participar nas decisões do país, governado por uma ruidosa minoria que só olha para si própria. Este é o triste resultado dos políticos que temos e das campanhas eleitorais como  aquela a que acabámos de assistir.

 

SEMANADA - O PCP desceu em todas as eleições realizadas desde a formalização da geringonça e nestas europeias perdeu em Setúbal e Beja para o PS; os 11 partidos mais pequenos recolheram apenas 10% dos votos; Barrancos, localidade conhecida pelas suas touradas com touros de morte, foi o único concelho onde o PAN não obteve um único voto; segundo um estudo da Marktest os eleitores da freguesia de Fundada (concelho de Vila de Rei) foram os mais participativos, pois 65.38% dos 520 inscritos foram votar; segundo o mesmo estudo os residentes em Morgade (concelho de Montalegre) foram os mais abstencionistas, pois apenas 4 dos 323 eleitores aí inscritos votaram; as cativações aumentaram nos três primeiros meses deste ano cerca de 10 milhões de euros face ao mesmo trimestre de 2018; em 2018 cerca de 28% dos partos foram feitos por cesariana, um novo aumento em relação ao ano anterior; o número de crianças vítimas de abusos sexuais continua a aumentar e há uma média de 22 novos casos reportados por mês; segundo a Entidade Reguladora da Saúde ao longo de quatro anos o hospital de Vila Franca de Xira teve doentes  internados em refeitórios, havendo também casos de doentes internados em casas de banho; entre 2013 e 2017 fecharam quase metade das lojas históricas de Lisboa; Joe Berardo manifestou intenção de processar os deputados que o interrogaram na Comissão Parlamentar de Inquérito.

 

ARCO DA VELHA - Os vinte habitantes de Marinha de Vale do Carvalho, uma aldeia na Sertã, continuam sem internet e sem telefone fixo desde os incêndios de Outubro de 2017, há 20 meses portanto.

 

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PORTUGAL NA MONOCLE - A Monocle publica duas vezes por ano edições especiais. “The Forecast” no final de cada ano e que explora tendências futuras; e “The Escapist”, no início de cada verão, para abordar viagens, sítios ou, como na mais recente edição vem bem em destaque: “The Travel Top 50” e Portugal aparece referido sete vezes: a linha aérea com a tripulação mais bonita é a TAP; o aeroporto hub de voos intercontinentais com a melhor localização é Lisboa; os melhores consumíveis de hotel são os da Claus, do Porto; um refúgio de excepção é São Lourenço do Barrocal; os melhores quartos de hotel são os do Belmond Reid’s Palace no Funchal; o destino ideal para um fim de semana é a Madeira; e o melhor buffet de hotel é o do Ritz Four Seasons de Lisboa. O portfolio de moda desta edição foi fotografado na Madeira num especial de 14 páginas, a área comercial do aeroporto de Lisboa vem em destaque com a loja O Mundo Fantástico das Conservas Portuguesas e a do Porto com os Sabonetes Confiança, a música dos Deolinda, os Galos de Barcelos e os vinhos do Esporão. Os dois outros destaques portugueses vão para as toalhas de praia Abyss & Habidecor de Viseu, para o Hotel Memmo Baleeira em Sagres (e para a Feijoada de chocos do Restaurante carlos na mesma localidade). Mas o prato forte da edição é uma entrevista ao presidente da Câmara de Florença onde Dario Nardella recorda como proibiu a abertura de cadeias de fast food, cafés de internet e lojas de telemóveis no centro histórico da cidade, como está a tomar medidas para controlar empresas como a Airbnb, para fomentar turismo que traga valor á cidade e aos seus negócios e como todas as receitas das taxas de turismo e pernoita são aplicadas em actividades culturais, manutenção dos parques e zonas verdes e nos transportes públicos.

 

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TERRITÓRIOS URBANOS - O título da exposição de fotografia do argentino Alberto Picco na Galeria Diferença é “Arquivo Território (Paisagem)”. O autor vive há muitos naos em Portugal, integrou a área de fotografia de O Independente  e as 14 imagens que apresenta, feitas em filme preto e branco no início deste século, mostram simultaneamente uma visão que conjuga o efeito do passar do tempo nas nossas memórias e na forma como percepcionamos a paisagem urbana, em pormenores dos territórios da cidade que por vezes parecem banais mas que ganham significado especial quando são vistos fora do tempo, ganhando uma dimensão de imaginário fora da estrita realidade fotográfica. Ainda na Diferença e até finais de Junho está também a colectiva “de passagem”, com fotografias de André Gomes (realizadas com smartphone), José Francisco Azevedo, André Carapinha e Monteiro Gil (Rua São Felipe Neri 42, segunda a sábado das 13 às 19). Outro destaque vai para a exposição patente na Underdogs,  “Faces of Society” dos iranianos Icy e Sot, que actualmente vivem e trabalham em Nova Iorque e que têm realizado trabalhos nas ruas de diversas cidades em todo o mundo (terça a sábado, até meados de Junho, Rua Fernando Palha, Armazém 56, em Marvila). Recordo ainda que no Torreão Nascente da Cordoaria está “ponto De Fuga” , com obras da Colecção António Cachola, e no Museu de Lisboa (Palácio Pimenta, Campo Grande) está “Ni Le Soleil Ni La Mort” de João Louro. Finalmente, no Museu do Fado, abriu uma exposição que traça a história da guitarra portuguesa ao longo de dois séculos e mostra cerca de meia centena desses instrumentos musicais.

 

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MORRISSEY SONGBOOK -  As mais recentes posições de Morrissey a favor do Brexit levaram grande parte da imprensa inglesa a encarar o seu novo álbum mais do ponto de vista político do que musical. Trata-se de uma escolha de 12 temas de autores norte-americanos dos anos 70 e 80, muitos deles conotados com canções de protesto, o que não deixa de ser curioso tendo em conta o posicionamento mais recente do fundador dos Smiths. E, no entanto, o disco é musicalmente revigorante, com versões surpreendentes de alguns temas. O produtor foi Joe Chiccarelli e permito-me destacar o tratamento que deu a “Don´t Interrupt The Sorrow”, um original de Joni Mitchell, aos arranjos de “Only a Pawn In Their Game” de Bob Dylan, a “Suffer The Little Children” de Buffy Sainte Marie (que ganha uma outra intensidade), a “Days Of Decision” de Phil Ochs e sobretudo a “It’s Over”, de Roy Orbinson. Outros autores representados nesta versão do American Songbook de Morrissey são Melanie, Carly Simon, Jobriath (um expoente do glam rock dos anos 80), Tim Hardin, Gary Puckett, Laura Nyro (bela versão de “Wedding Bell Blues” ou Dionne Warwick. Uma coisa é certa: a escolha das canções é curiosíssima, os arranjos são surpreendentes e a interpretação supera os originais frequentemente mostrando que Morrissey, o cantor, está num bom momento.“California Son”, de Morrissey, está disponível no  Spotify.

 

O ALVARINHO - Com o aumento das temperaturas chega a altura de experimentar os vinhos verdes da mais recente vindima. O vinho Alvarinho da colheita de 2018 que João Portugal Ramos agora colocou no mercado merece ser provado com atenção. Feito a partir de uvas da região de Monção e Melgaço, com as vinhas localizadas num vale, este Alvarinho é um bom exemplo da conciliação da tradição da região do Minho com técnicas de vinificação contemporâneas. O resultado é um vinho de cor citrina, aroma intenso, elegante, floral e frutado ideal para acompanhar um aperitivo num fim de tarde estival. Fica muito bem com pratos de marisco e de peixe e com sushi ou ceviche. Para além deste  100% Alvarinho João Portugal Ramos lançou também um outro verde, com 85% da casta Loureiro e 15% Alvarinho, mais simples e leve, e que funciona particularmente bem com saladas ou o incontornável aperitivo.

 

DIXIT -  “Estamos preparados para assumir mais responsabilidades” - Inês Sousa, do PAN

 

BACK TO BASICS - “Ignorância e confiança é tudo o que é necessário para se obter sucesso” - Mark Twain





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