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A POLÍTICA DA IMPOSIÇÃO DA OPINIÃO

por falcao, em 08.11.19

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OS NOVOS DITADORES - Desde há alguns anos começou a proliferar um conjunto de ideias, aparentemente bondosas, supostamente novas, apresentadas de forma impositiva e que, com o correr do tempo, se enquadraram em mecanismos de acção totalitários. Muitas vezes enfeitam-se sob bandeiras de uma ideologia que se apresenta como sendo de esquerda, como se isso fosse um argumento de pureza e virtude. Esquecem-se os seus propagandistas que algumas das mais cruéis ditaduras do século XX assumiam-se sob o mesmo manto diáfano dessa esquerda, usando na propaganda a igualdade, a liberdade, a defesa de ideais anti-colonialistas, o combate ao desenvolvimento desenfreado e às desigualdades. Como hoje já é patente dois dos mais aguerridos blocos desse passado transformaram-se em regimes onde a corrupção é galopante, a exploração acentuada, o desrespeito pela protecção da natureza é inexistente, o domínio de outras geografias uma obsessão e onde as diferenças sociais são gritantes. Em Portugal o casulo destas ideias começou com o Bloco de Esquerda e organizações satélite, alargou-se para diversas áreas e acabou por ganhar presença parlamentar. Em comum os seus agentes têm o facto de não aceitarem ideias e princípios que não os seus e o de serem crescentemente intolerantes para quem não alinha no seu programa. São organizações que pretendem condicionar o funcionamento da sociedade e impôr as suas opiniões. No fundo são tão totalitários como os fascistas de meados do século XX. Em nome dos seus ideais querem que todos lhes obedeçam. Não admitem a diferença e combatem quem os critica e denuncia. Mascaram-se de politicamente correctos quando são velhos de pensamento e intolerantes de acção. Parecem modernos mas são antigos - antigos, confusos e perigosos. Hoje já os vemos a sair do casulo, dentro em breve começarão a denunciar os que consideram infiéis. Tenho muito claro que a minha liberdade acaba onde começa a do outro. Não quero impôr o que sou e não quero que me imponham o que outros acham que devo ser. 

 

SEMANADA - Segundo a Marktest 2,8 milhões de portugueses possuem ou beneficiam de seguro de saúde, o valor mais elevado dos últimos 16 anos e que equivale a cerca de 30% da população; segundo o INE há 4,5 milhões de pessoas a viver nas 159 cidades portuguesas, o que equivale a 43,4% da população em centros urbanos; um mês depois de finalizada a campanha eleitoral das legislativas continuam na rua a maior parte dos cartazes dos partidos concorrentes; dos 228 deputados eleitos há um mês, 28 já não estão no parlamento por assumirem outras funções; a proposta orçamental da Comissão Europeia prevê que a contribuição de Portugal para a União aumente enquanto os fundos para o país sofrem um corte de 7%; um em cada cinco trabalhadores ganha o salário mínimo; o Tribunal de Contas chumbou a empresa escolhida pela Autoridade Nacional da Aviação Civil para fazer o registo e controlo de drones por suspeitar que a escolhida para este contrato de 1,7 milhões de euros não tem comprovada experiência na área que devia executar; um grupo de especialistas alertou para o facto de Portugal não estar a conseguir avaliar a quantidade e a qualidade dos caudais dos rios que vêm de Espanha; a ameaça de falências volta a crescer no metal, têxtil e calçado e desde janeiro existem 238 empresas da indústria têxtil e da moda que estão em tribunal com processos de insolvência mais 42% face ao período homólogo do ano passado.

 

ARCO DA VELHA -  Durante o seu recente interrogatório pelo juiz Ivo Rosa José Sócrates disse que nunca tinha lido a acusação formulada contra ele.

 

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VENTO DE LESTE - No Museu Berardo inaugurou esta semana a exposição “(Des)construção da Memória”  de Guilherme Ung Vai Meng e Chan Hin Io, que assinam como colectivo YiiMa, e que integra fotografias, vídeos, instalação e performances. Nesta mostra, que  inclui meia centena de obras de grande formato os artistas viajam através da Memória de Macau, dando-lhe um significado inteiramente novo (na imagem). A exposição, com curadoria de João Miguel Barros, é organizada por ocasião dos 20 anos de transferência de soberania de Macau para a RP China e dos 40 anos do estabelecimento de relações diplomáticas entre Portugal e a RP China.  O outro destaque da semana vai para “Estratégia da Aranha - teias e tramas”, de Teresa Segurado Pavão, que está na Casa/Atelier de Vieira da Silva, integrada na  fundação Arpad Szenes Vieira da Silva. A exposição mostra, através de uma multiplicidade de materiais, a ligação entre o trabalho de Teresa Segurado Pavão e a própria origem industrial do local, que fazia parte da Fábrica de Seda antes de ser o espaço de trabalho de Vieira da Silva. A exposição fica patente até 5 de Janeiro de 2020 e pode ser visitada no horário do Museu, sempre que solicitado na recepção. Às quartas-feiras das 15h00 às 17h30 poderá contar com a presença da artista na Casa-atelier. Finalmente, em Coimbra decorre até 29 de Dezembro a bienal de Coimbra, numa dezena de espaços da cidade com trabalhos de quatro dezenas de artistas de diversas nacionalidades e que este ano tem curadoria do brasileiro Agnaldo Farias. 

 

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RÁDIO BYRNE - David Byrne, o fundador dos Talking Heads, continua em grande forma como o seu álbum do ano passado “American Utopia”, e a correspondente  digressão mostraram. Uma das suas facetas que ganhou notoriedade nos anos mais recentes é o trabalho de recolha e divulgação de artistas, canções e músicas de diversos géneros, desde a world music ao pop experimental e ao apoio a artistas como St.Vincent. Nesta área um dos seus trabalhos mais interessantes é a David Byrne Radio, que pode ser ouvida na sua página pessoal (davidbyrne.com) ou na aplicação Mixcloud que tem uma área própria para a rádio de Byrne. Os novos programas aparecem pontualmente no início de cada mês, no dia 1. Em Setembro e Outubro foi a vez de grandes compositores de bandas sonoras de filmes, respectivamente Nino Rota e Bernard Herrmann. Nino Rota trabalhou com Fellini, para outros realizadores italianos e compôs o tema original de “O Padrinho”. Já Herrmann  trabalhou com Hitchcock -são dele os violinos de “Psycho” e a música de “North By Northwest” - e foi também o responsável pela banda sonora de “Twilight Zone” e de “Taxi Driver”. A selecção de Novembro é dedicada ao Indie Pop e inclui 18 temas de artistas como Stolen Jars, Hobo Johnson, Speedway, os próprios Talking Heads, mas também Bon Iver ou Billie Eilish, além de Vagabon, Michael Kiwanuka ou Jamila Woods entre outros. Assim é fácil descobrir a música de que David Byrne mais gosta.

 

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DEFENDER A LÍNGUA - Esta é uma história formidável: “Assim Nasceu Uma Língua - Sobre as Origens do Português” - trata-se de um livro escrito pelo linguista Fernando Venâncio. O autor começa nos primórdios da nossa língua, que remonta há séculos, tão distantes que Portugal ainda nem existia, passando pelos primeiros escritos, até à fala contemporânea que ainda hoje conserva registos, dessa movimentação primordial. É uma aventura que começa nas terras do norte, onde ao lado do galego nasceu a língua portuguesa e que a certa altura saltou os mares e ganhou novas formas em África e no Brasil. Formado em Linguística Geral e docente de língua e cultura portuguesas nas universidades holandesas de Nimega, Utreque e Amsterdão,  Fernando Venâncio, nasceu em Mértola, em 1944. Neste “Assim Nasceu uma Língua”, há espaço para críticas mordazes a todos os que querem «um idioma passadinho a ferro, lindo para encaixilhar», negacionistas da língua como um sistema vivo e, por isso, mutável. Para Fernando Venâncio, o português é um «idioma em circuito aberto», e falar da sua história é falar das origens, influências, elasticidade e ainda das derivações que resultaram, por exemplo, no português do Brasil. Do famigerado Acordo Ortográfico de 1990, o professor Fernando Venâncio garante que foi, no mundo real, um devaneio inútil e dispendioso. Uma edição da Guerra & Paz, um livro que o seu editor, Manuel S. Fonseca, define asim: “Belíssimo e de um humor que beija a inteligência”.

 

COZINHA ORIGINAL - Mesmo em frente à casa Fernando Pessoa está o restaurante Bicho Mau, uma ideia de Rita Gama e Tomás Rocha após vários anos a trabalharem em outros restaurantes dentro e fora de Portugal. Ambos comandam a cozinha e desenham os menus que mudam com frequência, de acordo com as estações e apoiam-se em pequenos produtores e produtos sazonais. As doses são feitas a pensar em experimentar sabores e partilhar diversos pratos. No couvert vem bom pão, manteiga de ovelha e rillettes de pato. O menu é contido na diversidade mas oferece boas possibilidades de escolha quer de peixe, quer de carne. Numa recente visita experimentaram-se umas lulas de anzol com pinhão e eucalipto e um peixe branco fumado. Ficou-me a apetecer experimentar um pastrami de porco sobre brioche e disseram-me que brevemente surgiriam novas propostas na carta como cabeça de xara e pézinhos de coentrada, iguarias que provocam sempre polémica sobre o gosto pessoal dos convivas. Na mesa do lado dava nas vistas uma massa fresca com marisco e manteiga fumada e, para quem quiser, há um curioso petisco de lavagante com camarão e ovo. Para terminar, nos doces,  destacou-se as farófias com fruta e manjericão. Nas bebidas há cocktails, moscatel roxo e propostas de vinhos brancos e tintos nacionais e estrangeiros - uma selecção curta mas cuidada. A sala é pequena, com uma decoração criativa e muito simpática, o serviço é atencioso e eficaz. Um local a repetir, coisa que cada vez é mais difícil de dizer em relação a novos restaurantes. O Bichomau fica em Campo de Ourique, na Rua Coelho da Rocha 21A, com o telefone 211 608 694.

 

DIXIT - “O caso da deputada do Livre (...) é ilustrativo da tendência anedótica que parece querer dominar a cena parlamentar saída das últimas legislativas” - Vicente Jorge Silva.

 

BACK TO BASICS - “Quem pensa pouco, erra muito” - Leonardo da Vinci




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publicado às 12:00


1 comentário

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De Anónimo a 09.11.2019 às 13:04

Amigo Manuel,

Li com muito agrado a sua crónica desta semana. De facto a Cultura e as ideias podem motivar-se, mas nunca imporem-se. Os seus contributos na área da Cultura artística são muito relevantes. Tenho que experimentar o Bichomau pois sou um grande apreciador de " cabeça de Xara". O seu back to basics é um axioma.
Abraço. João

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