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A POLÍTICA DE NAMORO À BEIRA RIO

por falcao, em 19.01.18

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FUTURO - Rui Rio fez uma curiosa afirmação esta semana, depois de conhecida a sua vitória no PSD : “è preciso namorar bem para que o namoro dê certo”. A frase resume o programa político de Rio, também salientado por vários dos seus apoiantes: colocar-se em posição eleitoral sedutora para que nas próximas legislativas António Costa o possa desejar e envolver. O resultado das eleições do PSD é a consequência natural das mudanças introduzidas na política portuguesa com a solução de alianças despoletada por António Costa e que conseguiu transformar uma derrota eleitoral numa vitória. Definitivamente vivemos um novo tempo, com um apagamento cada vez maior das ideias, um tempo onde a política se resume ao tacticismo do momento, em que os partidos se dispõem a abdicar da sua identidade para conseguirem sentar-se à mesa do poder. Como o caso do PCP mostrou nas recentes autárquicas esta solução leva ao apagamento das diferenças entre partidos e produz uma quebra na influência dos que não lideram o processo. Tirando isto, e regressando ao PSD, os próximos tempos mostrarão a construção de um partido domesticado - Rio é autoritário e é perigoso confundir a arrogância que ostenta com uma coragem que ainda não se viu. Para todos os efeitos Rio chega ao poder no meio de chapeladas diversas, protagonizadas pelo seu próprio diretor de campanha e não desmentidas. Rui Rio tem a doença infantil dos historiadores, é como um arquivo histórico - olha para o passado sem pensar no presente e a ignorar o futuro.

 

SEMANADA - O Presidente da EMEL foi fotografado numa ciclovia, a pedalar numa das bicicletas alugadas pela empresa, e a proclamar que os seus agentes “raramente” andam a fazer caça à multa; a provedoria de justiça defendeu que a cobrança de multas por empresas municipais põe em causa a protecção dos particulares contra situações abusivas; Fernando Medina avisou que o chumbo da taxa de proteção civil cria a necessidade de aumentos nas taxas e impostos camarários; em Portugal o sector automóvel vale 5.9% do PIB e emprega 72 mil pessoas; mais de 40% do novo crédito ao consumo destinou-se a comprar carro; os preços de combustíveis nas zonas mais próximas de Espanha é cerca de 20% mais barato que nas grandes cidades; em ano e meio houve mais de meio milhão de contraordenações graves e muito graves nas estradas, mas só 3% dos infractores perderam pontos na carta de condução; o PS continuou a insistir na Lei do Financiamento partidário; dados agora divulgados mostram que até ao final de Novembro tinham visitado Portugal em 2017 cerca de 19,5 milhões de turistas; em 2017 o castelo de S. Jorge recebeu quase dois milhões de visitantes, 95% dos quais estrangeiros, o que o torna no monumento mais visitado do país; o mosteiro dos Jerónimos recebeu um milhão e cem mil visitantes; metade da população portuguesa só tem polícia a mais de 5 kms de casa; mais de 60% da bancada do PSD não apoiou Rui Rio nas directas.

 

ARCO DA VELHA - A Associação Mutualista recusou prestar informações à entidade contratada pela Santa casa da Misericórdia para avaliar a Caixa Económica Montepio Geral.

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FOLHEAR - Gosto de almanaques. Desde pequeno que me fascina ler por antecipação o que se vai passar ao longo do ano, procurar receitas apropriadas a cada mês, saber das épocas ideais para tratar de algumas plantas e por aí fora. Aqui há umas décadas publicavam-se em Portugal vários almanaques e anuários, depois a coisa caíu em desuso e fiquei limitado a infalivelmente comprar o “Borda d’Água” quando ele começava a ser posto à venda por essas ruas. Agora a editora Guerra & Paz teve a boa ideia de ressuscitar o género e lançou o “Almanaque Português”.  Em cada mês há um calendário com dias comemorativos e outro com os santos, além de recomendações para a horta, pomar e jardim, provérbios populares, a listagem de feriados municipais e sua razão de ser, elencagem das festas e feiras e ainda um repositório de efemérides. Meses à parte, o Almanaque apresenta artigos sobre história, gastronomia, astronomia, astrologia,  anedotas e conselhos úteis que podem ir desde como tirar certas nódoas até como fazer uma mala. Este Almanaque Português, fonte de sabedoria, ensinamentos e diversão, está à venda por 15,50 euros - o que dá 1.29 euros por mês se o amortizarmos no primeiro ano, apesar de ele durar para muito mais tempo.

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VER - Para a semana abre na Sociedade Nacional de Belas Artes uma exposição de uma centena de cartazes desenhados por Raul de Caldevilla que é considerado o primeiro grande publicitário português. A iniciativa é da Academia Portuguesa de Cinema (APC), em parceria com o Museu da Publicidade. Grande parte da obra apresentada foi criada na Empreza Technica Publicitária – ETP, fundada por Raul de Caldevilla no Porto, em 1912. A ETP é uma das primeiras agências de publicidade do país a produzir cartazes de grande formato e foi pioneira na introdução da publicidade exterior. Em 1917 expandiu-se, mudou de instalações e passou a chamar.-se Propagandas Caldevilla. Em 1921 criou a Caldevilla Filmes, produziu documentários e ficção e chegou a projectar o que mais tarde viria a ser a Tóbis, no Lumiar. Filho de um casal espanhol, Raul de Caldevilla nasceu no Porto em 1877, cidade onde viveu até à sua morte em 1951. Foi jornalista, autor dramático, publicitário e produtor de cinema. Na sua actividade não só promoveu os filmes que produzia, entre os quais o primeiro filme dedicado à temática do fado, em 1923, como criou a campanha para o lançamento do filme “Rosa do Adro”, da sua concorrente Invicta Filmes, que anunciou sob o lema “romance português, filme português, cenas portuguesas, actores portugueses. A exposição “Raul de Caldevilla – Cartazes de Sonho” estará na SNBA entre 23 de Janeiro e 12 de Fevereiro e em simultâneo decorre um pequeno ciclo na Cinemateca Portuguesa, mesmo em frente.

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OUVIR - Paulo Furtado é das personagens mais fascinantes da música portuguesa do século XXI. A sua actividade tem-se desdobrado entre os Wray Gunn, banda injustamente pouco acompanhada em Portugal, e a sua própria carreira a solo enquanto The Legendary Tigerman. Nesta vertente a solo, até 2014, Paulo Furtado tocava em palco sózinho, guitarra, harmónica e bateria - um verdadeiro homem orquestra dos tempos modernos, combinando mecanismos de percussão com alguma  tecnologia. A partir de 2014, depois  do álbum “True,  passou a colaborar com Paulo Segadães na bateria e João Cabrita no saxofone - ambos tocam também no novo disco “Misfit”. A edição inclui um CD com 11 originais e um DVD que mostra um road movie fruto do percurso de construção e gravação do disco nos Estados Unidos, realizado por Pedro Maia e filmado por Rita Lino, com o próprio Paulo Furtado como protagonista. O filme documenta o processo criativo, acompanhando a composição das onze canções nos quartos de motel na California em que Furtado se foi alojando durante a rodagem, sendo posteriormente gravadas no estúdio do Rancho de La Luna, em Joshua Tree. The Legendary Tigerman (como os Wray Gunn aliás) tem uma intensa actividade fora de Portugal e uma agenda cheia de concertos. Vale a pena dizer aqui que a fotografia e o cinema há muito fazem parte dos interesses criativos de Paulo Furtado e este “Misfit” junta os vários mundos onde ele se move - e se quiserem ver as suas fotografias espreitem o Instagram de The Legendary Tigerman. Em “Misfit” falamos de rock com forte influência de blues, um som denso com canções magníficas como o manifesto enunciado em “Fix of rock’n’roll”, a envolvência de “The Saddest Girl On Earth”, “Black Hole” e do hipnótico “Red Sun” ou os irresistíveis “I Finally Belong To Someone” ou “Child Of Lust”.


PROVAR - Uma boa e resistente caçarola é um utensílio imprescindível numa cozinha. Não estou a falar de uma panela. Estou a falar de um recipiente de ferro, grosso e pesado, revestido a bom esmalte, com uma tampa que vede bem e que se pode usar no cimo do fogão ou no forno. É coisa para se cozinhar de forma lenta, aproveitando bem os sucos dos alimentos que estão a ser preparados. A boa caçarola é uma testemunha da vantagem de não se usar alta temperatura - razão tinham os antigos que cozinhavam a sopa de pedra original num pote de ferro forjado colocado por cima das brasas das lareiras das cozinhas de antão. A Le Creuset, fundada no início do século XX em França por dois belgas,  é uma das mais prestigiadas marcas que produz caçarolas de ferro esmaltadas, estas “cocottes”, também conhecidas por “dutch ovens “ noutras paragens. Tive a sorte de receber uma como prenda de Natal e antevejo grandes mudanças  na minha actividade culinária nos próximos meses. Este tipo de caçarola é o ideal para cozinhar carne e legumes ao mesmo tempo, num lento e suculento estufado ou num denso guisado. Se pesquisarem na net há imensas receitas para dutch ovens, muito tentadoras,  e que têm em comum a importância de cozinhar a baixa temperatura durante muito tempo. Um dia destes falo de algumas receitas bem sucedidas na minha Le Creuset. Cheira-me que isto é o princípio de uma bela amizade.

 

DIXIT - “O próximo PGR nascerá estigmatizado por uma espécie de reserva de desconfiança. A escolha ficará para sempre sob suspeita. Para salvar ou condenar Sócrates? Para liquidar ou ressuscitar Salgado e o Grupo Espírito Santo?” - António Barreto.

 

GOSTO - A coreógrafa cabo-verdiana Marlene Monteiro Freitas receberá o Leão de Prata na Bienal de Dança de Veneza.

 

NÃO GOSTO - António Costa não respondeu às perguntas colocadas no Parlamento, sobre o jantar da Web Summit no Panteão, dentro do prazo estabelecido para o fazer;

 

BACK TO BASICS - “Quando os políticos se queixam que a televisão dá da política a imagem de ela ser um circo, é preciso ter em conta que o circo já lá estava e que a televisão se limita a mostrar que nem todos os participantes no espectáculo estão convenientemente treinados” - Edward R. Murrow

 

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