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À PROCURA DO SILÊNCIO PERDIDO

por falcao, em 23.08.19

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OS RUÍDOS - Estou entre aqueles que, em tempo de férias, prefere o silêncio e as boas condições para sonos repousantes, leituras tranquilas, meditações diversas. No regresso de férias, em que estes objectivos foram alcançados, volto a uma Lisboa, com menos trânsito mas com ruído igual ao que existia - e o principal ruído, que me prejudica as noites, vem dos aviões, que rugem desde bem cedo até bem tarde. Não sei quem terá convencido aqueles que legislam sobre esta matéria que um ser humano precisa apenas de, no máximo, cinco horas de sono por noite. Os especialistas dizem que poucas horas de sono bem dormido têm efeitos terríveis na saúde, para não falar já do seu efeito na capacidade de trabalho e no humor das pessoas. E no entanto os lisboetas que residem nos percursos mais utilizados pelos aviões a descolar ou a aterrar muitas vezes nem essas cinco horas de sono repousado têm. E, durante o dia, experimentam a sensação de viver na pista de um porta-aviões em tempo de guerra. Quem é responsável por isto? Quem legisla? Quem devia fiscalizar? Quem autoriza e contorna a Lei? E como são responsabilizados? Que pode a Câmara Municipal fazer para adicionar ruído ao problema permitindo barulho na rua em zonas do centro da cidade por essa noite fora? O Turismo justifica tudo? - Em Amsterdão e noutras cidades europeias começaram a existir restrições à proliferação de alojamentos locais e em muitos casos foram proibidas quaisquer actividades ruidosas na rua ou que prejudiquem outros moradores de um prédio. Estes são países e cidades onde os políticos que decidem respeitam quem os elege. Como se sabe não é esse o caso de Lisboa, nem o caso de Portugal.



SEMANADA - O New York Times fez um trabalho sobre os incêndios florestais em Portugal e relatou a experiência que está a ser feita com cabras - já são mais de dez mil em todo o país - chamando-lhes bombeiros low cost; há cerca de seis dezenas de candidatos à escola de pastores que arranca este ano com cursos que tem a duração prevista de quatro meses; um estudo agora divulgado indica que a despesa pública nunca foi tão pouco produtiva, a actual legislatura é a menos amiga da economia desde que há estatísticas e Portugal é dos Estados europeus que menos investem no crescimento de longo prazo; apenas 2% dos estabelecimentos de ensino dispõem de desfibriladores automáticos; no Palácio de Justiça de Torres Novas quando as águas do rio Almonda sobem, o arquivo “fica inundado devido ao sistema de esgotos; no Porto, no Tribunal de São João Novo, caíu o tecto de uma sala de audiências e de um gabinete de juízes; na comarca de Aveiro foi necessário encerrar o WC dos funcionários no Tribunal de Castelo de Paiva para evitar escorrências para o piso inferior, ocupado pela conservatória do registo civil; um recente estudo da Marktest considera que cerca de um milhão de portugueses tenciona comprar automóvel nos próximos 12 meses, a maioria tenciona comprar um automóvel em segunda mão e quanto ao tipo de combustível, enquanto, em 2013, 70% dos que tencionavam comprar um automóvel optavam por um veículo a gasóleo, em 2019 essa opção baixa para 44.2% das intenções de compra e as opções pelos híbridos e elétricos são as que mais têm crescido nos últimos anos, ultrapassando já os 10%.



SINAIS DOS TEMPOS - Segundo a Cision, uma empresa de análise de informação, a greve dos motoristas teve uma cobertura noticiosa total de 205 horas de televisão, gerando 8241 notícias nos vários mídias. Pardal Henriques ocupou apenas 30% do espaço noticioso contra 46% da Antram. TV e internet foram responsáveis por 87% do espaço noticioso consagrado à greve, a imprensa 3% e a rádio 10%.

 

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DOCES TENTAÇÕES - Uma das novidades do verão lisboeta é o ambiente de ginásio criado na Sociedade Nacional de Belas Artes (Rua Barata Salgueiro 36). Até dia 30 de Agosto poderá ali ver o mais recente trabalho da artista plástica Ana Fonseca, “Master Baker”. Trata-se de uma paródia sobre a relação, que tantas vezes atormenta as pessoas, entre a comida e a forma física. O ginásio imaginário que Ana Fonseca criou tem peças como a que aqui se reproduz, intitulada “I like my dumbbell sweet #1”: uma barra de halteres, feita em  cimento, pó de mármore, farinha Maizena, pigmento, verniz, tinta de esmalte esmalte e aglutinante. O resultado é no mínimo apetitoso e é apenas uma pequena amostra daquilo que a exposição oferece aos sentidos. À disposição dos frequentadores deste ginásio especial há também copos de gelado, bolos e sobremesas diversas - doces tentações, aqui completamente incomestíveis mas que proporcionam uma boa reflexão sobre o conflito entre os prazeres da mesa, que dão uma satisfação imediata, e o exercício físico, que é um processo que exige trabalho consistente ao longo do tempo. O trabalho de Ana Fonseca pode ser visto até ao final de Agosto na SNBA, de segunda a sexta, das 12h às 19h e sábado das 14h às 20h. Termino com outra sugestão -  até 12 de Setembro, na Galeria das Salgadeiras, Rua da Atalaia 12, pode ver obras que sob o título genérico ATER incluem desenho e fotografia de Augusto Brázio, Cláudio Garrudo, Daniela Krtsch, João Dias, Jordi Burch, Maria Capelo, Rui Horta Pereira e Rui Soares Costa.

 

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O RITMO DO PIANO - Abdullah Ibrahim é um pianista e compositor de jazz sul africano que aos 84 anos continua a fazer bons discos - o mais recente chama-se “The Balance”, foi agora editado, e mereceu uma crítica muito elogiosa da revista norte-americana Downbeat. Ibrahim começou a tornar-se conhecido fora do seu país, de onde saíu em pleno apartheid no início dos anos 60 com o seu Dollar Brand Trio, que gravou sob os auspícios de  Duke Ellington. “The Balance” tem dez temas inéditos e conta com colaborações de peso. Abdullah Ibrahim está obviamente no piano,  Noah Jackson e Alec Dankworth no baixo, Will Terrill na bateria,  Cleave Guyton Jr. no saxofone alto e flauta, Lance Bryant, no sax tenor, Marshall McDonald também no saxofone,  Andrae Murchison no trombone e Adam Glasser na harmonica. “The Balance” percorre uma grande variedade de estilos e sonoridades - que vão quase desde a sensação de big band proporcionada pela secção de metais até ao temas que só aparece o piano, três ao todo, com destaque para “Tonegawa”. Outro tema, “Jubula” é um exemplo da capacidade rítmica dos músicos e do calor da sua execução. O disco termina com uma homenagem à mulher de Ibrahim, já falecida, a cantora Sathima Bea Benjamin que foi decisiva na carreira do músico. “The Balance” está disponível no Spotify.

 

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UM ESPIÃO ESPECIAL - Arturo Pérez-Reverte foi durante muitos anos um repórter de guerra que presenciou conflitos em todo o mundo. Quando se dedicou essencialmente à ficção colocou a Guerra Civil de Espanha como cenário de vários dos seus romances - e até escreveu um livro que conta o conflito espanhol aos jovens. Reverte escreve os romances como se de um policial se tratasse, criando um mistério, urdindo uma intriga, visitando por vezes, como agora acontece, acções de espionagem. No caso de “Sabotagem”, o seu novo romance agora editado em Portugal, é a terceira vez que centra a acção em Falcó, um operacional dos nacionalistas espanhóis usados para tarefas complicadas. É difícil falar de “Sabotagem” sem fazer um spoiler mas é inevitável dizer que o tema do livro é impedir que Picasso apresente a sua obra “Guernica” no Pavilhão da Espanha Republicana na Exposição Internacional de Artes e Técnicas, que se realizou em Paris em 1937. “Guernica” havia sido uma encomenda explícita do Governo Republicano para chamar a atenção para o massacre que ali ocorreu na sequência de um bombardeamento da Legião Condor, uma unidade militar da Alemanha nazi que apoiou os franquistas na Guerra Civil Espanhola. O quadro, bem o sabemos, existe e tornou-se numa das obras mais famosas de Picasso. Que se passou então nesta aventura de Falcó? O melhor é mesmo ler “Sabotagem”.

 

PETISCOS & VINHO - A Casa José Maria da Fonseca abriu há uns anos em Lisboa, no Chiado, o seu primeiro espaço de restauração - o By The Wine. A ideia é servir petiscos, alguns pratos mais elaborados e sobretudo dar a conhecer os vinhos que a José Maria da Fonseca produz em diversas regiões do país. Chegou este verão a vez de abrir novo By The Wine em Azeitão, no conjunto de edifícios que são a sede histórica da José Maria da Fonseca, em pleno centro da vila. Este novo By The Wine dispõe de uma ampla esplanada coberta e de dois espaços interiores, um que acaba por ser o prolongamento da esplanada e o outro, mais protegido, e que nos dias  frios será certamente mais procurado.  Em duas visitas constatou-se a boa qualidade da oferta.Nas entradas vou destacar uma invulgar e superior sopa fria de melão levemente temperada por moscatel da região. Mas deve ser também destacado o escabeche de perdiz numa receita do chef José Júlio Vintém e uma sanduíche de rosbife com mostarda e mel. Noutro género podem encontrar  um ceviche teriyaky, um bom carpaccio de novilho com pistachios, rúcula e parmesão e uns inesperados cogumelos à bulhão pato. Quem quiser tem várias tábuas de queijos e enchidos à disposição e nas coisas mais sérias José Júlio Vintém volta a destacar-se com umas bochechas de vitela estufadas em vinho tinto e, noutro registo, um polvo à Gomes de Sá com batata doce. Nos doces vale a pena provar o bolo de chocolate com gelado de lima e manjericão, temperado com sal marinho. Todos os vinhos da casa podem ser pedidos a copo e numa das ocasiões provou-se um belíssimo tinto Domini do Douro e na segunda vez o branco seco da Quinta de Camarate - e ambos se portaram muito bem. Rua José Augusto Coelho 1, telefone 212 191 366.

 

DIXIT - “As mais profundas convicções democráticas e liberais que marcaram o carácter do PS estão a sofrer uma erosão manifesta, causada pelo apetite de poder e pela influência ideológica do Bloco” - António Barreto 

 

BACK TO BASICS - “O nosso objectivo deve ser encontrar soluções simples para problemas complexos” -  escola de Bauhaus, há um século.

 

 

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