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PARA QUE SERVE UMA COLIGAÇÃO? Creio que a ideia de uma coligação pré-eleitoral é garantir que os partidos que a integram tragam os seus melhores elementos para a lista de candidatos, contribuindo para que o objectivo de vitória nas urnas possa ser alcançado. Seria pois de esperar que o CDS, integrante da coligação que apoia a candidatura de Carlos Moedas à Câmara Municipal de Lisboa, trouxesse para o núcleo duro da contenda eleitoral aquele que foi o mais destacado vereador da oposição ao longo dos mandatos de Medina - João Gonçalves Pereira. Sem querer menorizar os evidentes méritos de Assunção Cristas nas últimas autárquicas de Lisboa, o resultado que ela obteve deveu-se muito ao conhecimento que João Gonçalves Pereira tem da cidade e dos seus problemas. Acontece no entanto que Gonçalves Pereira não é da facção de quem agora manda no CDS, Francisco Rodrigues dos Santos. E, por isso mesmo, o actual líder do CDS já deu sinais públicos de que não queria Gonçalves Pereira envolvido na próxima e dura disputa autárquica na capital. Eu tenho uma grande dificuldade em perceber estas coisas: porque é que os partidos políticos, em vez de se basearem em guerras internas, não se baseiam no reconhecimento do mérito e eficácia dos seus quadros? Fazem destas e depois queixam-se de que as pessoas não confiam nos políticos. As perguntas às quais o actual líder do CDS deve responder, são estas: qual a ideia de participar numa coligação se não se faz tudo para alcançar a vitória? Francisco Rodrigues dos Santos quer mesmo derrotar Medina, ou prefere ajudá-lo?

 

SEMANADA - Diogo Lacerda Machado, amigo e conselheiro do Primeiro-Ministro, é consultor de uma empresa britânica que tem um projecto de 3,5 mil milhões de euros em Sines, curiosamente anunciado com pompa por António Costa no passado dia 23 de Abril; uma sondagem recente indica que dois terços dos portugueses não confiam na justiça nem nos juízes; a meta estabelecida pelo Primeiro Ministro para entregar 26 mil casas a famílias carenciadas em Abril de 2024 vai derrapar mais de dois anos para o terceiro trimestre de 2026; o número de imigrantes em Portugal é agora cerca de 660 mil, mais setenta mil do que antes da pandemia; mais de 700 mil famílias deixaram de pagar os créditos no ano passado; a compra de automóveis está 40% abaixo do nível pré-covid; a adesão a contas bancárias de custo reduzido disparou 25% em 2020; segundo a Marktest no último ano duplicou o uso de apps em telemóvel para encomendar refeições; o Tribunal de Contas encontrou deficiências nos mecanismos de controlo dos pagamentos efectuados ao Novo Banco pelo Fundo de Resolução, na dependência do Banco de Portugal; a gestão do Novo Banco pretende receber um prémio de 1,9 milhões de euros depois de no exercício de 2020 ter registado um prejuízo de 1329 milhões; a dívida pública portuguesa alcançou novo máximo no final de Março, atingindo 275,3 mil milhões de euros; uma sondagem recente indica que só 10% dos portugueses consideram que vivem em plena democracia; em Portugal cerca de metade dos alunos de 15 anos não sabe distinguir factos de opiniões revela um relatório da OCDE.

 

ARCO DA VELHA - O Governo escondeu durante vários dias 1738 páginas de informações detalhadas sobre reformas e investimentos previstos no Plano de Resiliência, com datas e objectivos, entregues em Bruxelas, mas que só foram divulgadas em Lisboa após pressão pública.

 

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UM LONGO MISTÉRIO - “Tinta Simpática”, o novo livro de Patrick Mondiano agora editado em Portugal, foi publicado originalmente em 2019 e relata a investigação feita por um detective, Jean Eyben, sobre o desaparecimento de Noelle Lefebvre. A investigação parte de um cartão de identificação junto dos correios, que permitiria a Noelle levantar correspondência que lhe fosse endereçada para a posta restante. Um cartão com uma fotografia desvanecida, um nome e um carimbo dos correios eram a única pista que tinha. O jovem detective, então no início da carreira, falou com a porteira do prédio, foi verificar se existia correspondência, sentou-se no bar da vizinhança onde ela costumava ir. Zero pistas em todos os lugares. Ninguém a havia visto recentemente. Patrick Modiano, 75 anos, nasceu perto de Paris, escreveu para cinema, ganhou diversos prémios literários em França, incluindo o Goncourt, e em 2014 recebeu o Nobel da Literatura. Neste “Tinta Simpática” o autor mantém os leitores suspensos num mistério contínuo: uma mulher desapareceu, volatilizou-se em Paris, num caso que, mesmo 30 anos depois, continua a assombrar o detetive contratado para a encontrar. E o seu insucesso e frustração fazem-nos compreender até que ponto somos prisioneiros do nosso passado.

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DIZER POESIA - Marianne Faithfull é uma sobrevivente e não apenas musicalmente. Há uns anos lutou contra um cancro e, na primavera de 2020, esteve em estado crítico durante três semanas, nos cuidados intensivos, com Covid-19. Quando contraíu o vírus estava a começar a trabalhar no seu novo projecto com o produtor dos Radiohead e a colaboração de Warren Ellis, dos Bad Seeds. Trata-se de uma viagem pelos poemas românticos do século XIX que a marcaram, ainda estudante, no início dos anos 60, antes da sua viagem alucinante pelos bastidores e palcos do rock. O projecto deu num álbum, agora editado, “She Walks In Beauty”. Marianne Faithfull lê obras de Byron, Keats, Shelley, Tennyson, Wordsworth e Hood, ao todo onze poemas, com um pano de fundo musical delicadamente construído por Warren Ellis e a participação ocasional de nomes como Nick Cave, Brian Eno e Vincent Ségal. A sua voz é forte, a interpretação dos poemas é contida, mas marcante, com uma entoação envolvente. As paisagens sonoras desenhadas por Ellis nunca se sobrepõem à voz de Marianne Faithfull e procuram enquadrar e destacar a interpretação que ela faz dos poemas. A forma perturbante como ela diz “Ozymandias”, de Shelley, mostra a sua enorme capacidade. E vale a pena ver o vídeo disponível no YouTube para o poema de Lord Byron que dá o nome ao álbum, “She Walks In Beauty”. Os dois anteriores discos de Faithfull, “Give My Love To London” de 2014 e “Negative Capability” de 2018 já a tinham mostrado em grande forma e agora esta inesperada viagem pela poesia romântica, aos 74 anos, é um exemplo de como o talento pode ultrapassar todas as dificuldades. Disponível em CD e streaming e ainda numa edição especial em Vinil que inclui um pequeno livro com todos os poemas, à venda na FNAC.

 

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O QUE SE PODE VER - No Porto, na Galeria Nuno Centeno, pode ser vista até 5 de Junho uma exposição colectiva, Os Coniventes (na imagem), com curadoria de Pedro de Llano e obras de Alisa Heil, André Sousa, Ángela de la Cruz, Blake Rayne, Carolina Pimenta, David Lamelas, Dalila Gonçalves, Fernando José Pereira, Gabriel Lima, Gretta Sarfaty, Josephine Pryde, Mauro Cerqueira, Merlin Carpenter, Silvestre Pestana e Stephan Dillemuth. A Galeria Nuno Centeno fica na Rua da Alegria 598. Outras sugestões: na Galeria das Salgadeiras pode ver “Shadows As Memories”, de Carlos Alexandre Rodrigues. Em Lisboa, na Biblioteca Nacional, até 30 de Julho está “O Atlas Suzanne Daveau” que agrupa fotografias que ela efectuou ao longo da sua carreira e que registaram as sociedades rurais ocidentais e sociedades tribais de África. O Atlas Suzanne Daveau agrupa-se em quatro áreas - Rural, Humanidade,  Cidade e Natureza. A exposição resulta de uma pesquisa desenvolvida ao longo de um ano por Duarte Belo e Madalena Vidigal sobre o trabalho da geógrafa que foi casada com Orlando Ribeiro, o autor de obras de referência da geografia portuguesa. E entretanto eis que surge o primeiro NFT português - um Non Fungible Token, uma forma de arte digital. Leonel Moura, um artista plástico que tem explorado recursos tecnológicos, colocou à venda por 40.000 Euros na plataforma OpenSea um quadrado negro com 100 milhões de pixéis, criado por um algoritmo de Inteligência Artificial.

 

O JAPÃO NAS AVENIDAS NOVAS - Inaugurado já há alguns anos, o Go Juu começou por ser um clube privado de sócios que partilhavam o gosto pelo sushi, clientes fiéis de Mestre Takashi Yoshitake, o japonês que verdadeiramente mostrou aos portugueses a melhor tradição da cozinha do seu país. O Aya foi o restaurante que criou e onde formou vários sushimen que seguiram os seus ensinamentos. Alguns desses sushimen, herdeiros da tradição e do saber de Yoshitake san, ajudaram a criar a boa reputação do Go Juu. Aos poucos o conceito de clube privado evoluíu e hoje o restaurante é aberto ao público e a procura é grande. A qualidade e frescura do peixe utilizado é garantida e é uma das bases do sucesso. A sala dispõe de uma dezena de mesas, uma pequena sala reservada e um balcão que fora da pandemia era o ponto de excelência para os clientes se sentarem e assistirem ao trabalho dos sushimen enquanto faziam a sua refeição. A lista é abundante, com algumas especialidades que variam conforme o peixe que chega todos os dias. Num jantar recente, nas entradas distinguiu-se uma tempura de pequenos camarões do Algarve e houve oportunidade de provar uma das especialidades mais procuradas, um toro tataki, uma delícia feita a partir da melhor parte do atum. A sopa miso, servida com um misto de sushi e sashimi, merece também nota positiva. O vinho que acompanhou a refeição foi Um Quinta da Giesta, do Dão, e a presença da casta encruzado combinou muito bem com os pratos escolhidos. Pena que insistam em manter o vinho fora da mesa e que nem sempre haja a atenção suficiente para que ele não falte.  De resto o Go Juu continua a ser um dos melhores locais de Lisboa para quem gosta de sushi. Rua Marquês Sá da Bandeira 46A, telefone 218 280 704.

 

DIXIT - “Nunca me movi no sentido de ser famoso” - Julião Sarmento

 

BACK TO BASICS - Se o conhecimento pode causar problemas, não é certamente através da ignorância que os podemos resolver - Isaac Asimov

 




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