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OS PROTESTOS - É com certeza lícito protestar. É com certeza lícito chamar a atenção para o que ameaça a Humanidade. E é com certeza um bom sinal que os mais novos, que têm estado tão alheados de actos eleitorais e da participação política, resolvam agir. O que tem acontecido nos últimos dias mostra que começam a surgir formas de intervenção cívica, na geração que tem protagonizado estas movimentações, que vão muito além da acção política tradicional e que são muito diferentes do enquadramento que os partidos tradicionalmente proporcionam. Estas formas de acção não são novas, correm ciclicamente, revelam a dinâmica da sociedade e colocam claramente em causa a forma como as gerações mais novas consideram que podem usar a sua voz. Como todos os movimentos que estão a despontar, nem tudo é perfeito. Os protagonistas dos protestos querem ser ouvidos, querem ser levados a sério nas suas ideias. Para conseguirem alcançar esses objetivos devem ter em conta um princípio básico: o equilíbrio entre ganhar simpatia para as suas causas e provocar antagonismo é muito frágil e pode deitar abaixo os seus esforços. Se o modo de fazer política é diferente, há um objectivo que é sempre comum: a eficácia da comunicação. Quando o mensageiro se sobrepõe à mensagem as coisas começam a funcionar menos bem. E foi isso que nalguns casos aconteceu. É lícito criar situações que chamem a atenção, não é lícito que isso se faça a limitar a liberdade de outras pessoas. Falando de outra maneira: quem impede o acesso e encerra edifícios públicos está a condicionar quem os quer frequentar. É sempre preciso, se queremos que a democracia exista, deixar tanto espaço como aquele que reivindicamos para nós próprios, para quem não está de acordo com as nossas ideias e objetivos. Este equilíbrio é difícil mas consegui-lo é fundamental. Seria uma pena que causas justas fossem poluídas e diminuídas por gestos gratuitos, sem significado, cujo resultado pode ser criar anti-corpos e, em última análise, favorecer a extrema-direita. E tudo sob uma capa de esquerda. As aparências, por vezes, iludem.

 

SEMANADA - Quase 40% dos lugares para professores estão ainda por preencher; 200 mil computadores pagos pelo PRR e destinados a escolas e alunos ainda estão encaixotados e não foram distribuídos; a presidente do Conselho de Finanças Públicas disse que os níveis de execução do Plano de Recuperação e Resiliência  “são muito inferiores ao que seria expectável” e manifestou dúvidas sobre o alcance estrutural do programa; a inflação nos alimentos supera 18%, com o leite, queijo e ovos a subirem 22% e os produtos hortícolas 26,2%; segundo as previsões da Comissão Europeia a economia portuguesa é a que mais vai cair no conjunto de 2022 e 2023; entre 2020 e 2021 houve 35 crianças com menos de 12 anos que praticaram crimes graves, nomeadamente envolvimento no tráfico de droga; um quarto dos jovens joga videojogos pelo menos duas horas por dia; a segurança efectuada por forças policiais em dias de folga a jogos de futebol, trânsito e supermercados rendeu mais de 58 milhões de euros no ano passado aos agentes que quiseram prestar esse serviço; número de licenças para cultivar cannabis quadruplicou desde que foi aprovada a nova lei, há três anos; cerca de 1,3 milhões de portugueses não têm médico atribuído; o Estado arrisca-se a ter de pagar 220 milhões de euros por um contrato sobre o TGV, assinado por Sócrates, e que nunca avançou; segundo a BBC cerca de oito dezenas de jactos privados transportaram para Sharm el-Sheikh participantes na cimeira pelo clima, calculando-se que em média cada um deles foi responsável pela emissão de 50 toneladas de CO2  para a atmosfera.

 

O ARCO DA VELHA - A Câmara Municipal de Caminha fez alterações ao seu site para evitar o conhecimento integral de documentos que mostravam irregularidades no processo do Centro de Exposições, em que o ex-presidente da autarquia, Miguel Alves, é arguido.

 

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IMAGENS FORTES - Entre Abril e Junho de 2020 Luísa Ferreira fotografou os bastidores da fase inicial da propagação do coronavírus, conseguindo aquilo que, nas palavras de Manuel Heitor, ex-Ministro da Ciência, é um trabalho de comunicação focado “nos processos de fazer ciência e de produzir e difundir o conhecimento sobre o COVID-19 em Portugal”. O resultado desse trabalho foi publicado em 2021 no livro “A Ciência Cura” que inclui mais de uma centena de fotografias de Luísa Ferreira, numa edição da Imprensa Nacional. David Santos, que hoje dirige o Museu do Neo Realismo em Vila Franca de Xira, escreveu para esse livro um ensaio sobre a forma como Luísa Ferreira viu este início do combate ao Covid-19. E, agora levou 39 das imagens do livro (entre as quais a que aqui incluímos) para uma exposição que replica o nome do livro e que está até 26 de Fevereiro no Museu do Neo Realismo (Rua Alves Redol 45, Vila Franca de Xira). No ensaio referido David Santos afirma que “uma fotografia é sempre um diálogo de comunicação” e sublinha que “como a arte pôde acompanhar um processo desta natureza, e como conseguiu afirmar-se enquanto projeto artístico de qualidade inegável”, é um dos maiores resultados do amplo trabalho de Luísa Ferreira. E, se forem ver esta exposição não percam, no mesmo local, uma outra magnífica exposição de fotografia, “A Família Humana”, comissariada por Jorge Calado e que, na montagem actual, inclui algumas novas fotografias que o Museu entretanto adquiriu. Finalmente, para continuarmos na fotografia destaca-se a nova exposição da “Salut Au Monde”, no Porto (Rua de Santos Pousada 620). “Dialectos” mostra o trabalho do fotógrafo colombiano Felipe Romero Beltrán que ganhou o prémio de melhor portfólio atribuído pela Aperture, tendo já sido exposto em Nova Iorque, Paris, Breda e Mannheim. O trabalho desenvolve-se em torno da aprendizagem do espanhol por um grupo de jovens refugiados magrebinos num centro de acolhimento em Sevilha.

 

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A HISTÓRIA DA GUERRA - Quando Antony Beevor escreveu o seu novo livro, editado no início deste ano, a Rússia ainda não tinha invadido a Ucrânia. Mas o que ele conta da história da Rússia no início do século passado, no período logo a seguir à revolução de 1917 e durante os anos da guerra civil que se lhe seguiu, é uma lição para o que se passa hoje. Beevor é um  historiador britânico que se tem dedicado a escrever, com êxito, sobre grandes batalhas. Um dos seus livros mais conhecidos é “Berlim- A Queda 1945”, cheio de informações sobre a pouco estudada ocupação soviética de Berlim, nomeadamente a revelação das atrocidades cometidas no final da guerra pelo Exército Vermelho contra a população da Alemanha. O novo livro de Antony Beevor é sobre a guerra civil na Rússia, que sucedeu à queda do império czarista, em 1917, tendo-se arrastado até 1921, um conflito entre as tropas vermelhas de Trotsky e de Lenine, contra os brancos, uma aliança entre socialistas moderados e monárquicos reacionários. Mais de dez milhões de pessoas morreram nesta guerra, muitas vezes em episódios de uma enorme crueldade. O receio de que a revolução se estendesse para fora da Rússia levou à intervenção de diversos exércitos estrangeiros, bem como de antigas partes do império russo. «Os dois extremos destruíram-se entre si em ambos os casos e o círculo vicioso de retórica e violência foi um fator decisivo na ascensão de Hitler e na própria Segunda Guerra Mundial», explica Beevor, sublinhando: «Nenhum país consegue escapar aos fantasmas do seu passado, muito menos a Rússia.» E é por isso que este livro é, também, uma lição angustiante para a actualidade. “Rússia- Revolução e Guerra Civil 1917-1921”, edição Bertrand.

 

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SOUL MAN - Ao longo da sua longa carreira Bruce Springsteen, agora com 73 anos, tem recorrido com alguma frequência a originais de outros músicos, que recria em versões suas e interpretou temas popularizados pelos Beatles, por Patti Smith ou Jimmy Cliff, para além de em tempos ter revisitado com as suas próprias interpretações a obra de Pete Seeger com o álbum “We Shall Overcome”, de 2006. Desta vez dedicou-se a uma das suas paixões pessoais, a música soul.  “Only the Strong Survive” é o vigésimo primeiro álbum de estúdio de Bruce Springsteen. Ao todo são quinze temas soul, desde clássicos como “Turn Back The Hands Of Time” de Jimmy e David Ruffin, até canções popularizados por Jerry Butler, como a que dá título ao disco, “Only The Strong Survive”, Commodores (“Nightshift”), Four Tops (“When She Was My Girl”), Temptations (“I Wish It Would Rain”) ou Sam & Dave (“Soul Days”). Aqui estão ainda outros  temas clássicos da soul como “What Becomes Of The Brokenhearted”, também de Jimmy Ruffin,  “Do I Love You” de Frank Wilson ou o tema escolhido para ser a última faixa do disco, “Someday We Will Be Together”, de Diana Ross & The Supremes. Gravado no seu próprio estúdio durante um dos confinamentos,  com a ajuda do produtor Ron Aniello que toca a maior parte dos instrumentos, “Only The Strong Survive” é uma curiosa viagem de Springsteen por mais um dos alicerces do cancioneiro popular norte-americano. Disponível nas plataformas de streaming.

 

PETISCO SOLITÁRIO - Quando não sei o que hei-de cozinhar e estou sozinho, a primeira coisa em que penso é numa massa, nomeadamente esparguete. Na semana passada dei comigo a cozer uma dúzia de camarões de bom porte e a abrir uma lata pequena de anchovas. O camarão foi cozido levemente para ficar com boa consistência e as anchovas, depois de escorridas do óleo, foram cortadas em pequenos pedaços. O passo seguinte foi bastante simples: cozer o esparguete em água abundante e salgada até ficar al dente, reservando uma chávena de chá da água da sua cozedura. Entretanto numa frigideira funda cozinhei em bom azeite tomate cherry cortado aos quartos, até ficarem a amolecer, a que juntei os camarões e as anchovas, misturando tudo muito bem. No fim deitei por cima o esparguete cozido, envolvendo-o  nos camarões e anchovas. Acrescentei um pouco da água da cozedura para a massa ficar bem solta, espremi meio limão, voltei a envolver tudo e temperei com pimenta preta moída na altura. Acompanhou com um vinho branco do Douro. A sobremesa foi de época - dióspiro bem maduro, aberto em quatro partes e generosamente polvilhado de canela.

 

DIXIT - “Um candidato (presidencial) militar seria uma demonstração do carácter diminuído da nossa democracia” - Miguel Poiares Maduro.

 

BACK TO BASICS - "Em caso de dúvida, diga a verdade" - Mark Twain



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