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AS AREIAS MOVEDIÇAS DA POLÍTICA

por falcao, em 01.09.23

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O IMOBILISMO - As próximas eleições presidenciais são apenas em 2026, mas nos últimos dias elas entraram em força no noticiário político depois de Marques Mendes ter manifestado disponibilidade para se candidatar e um mês depois de Santana Lopes ter afirmado estar a ponderar o tema. É portanto à direita que o assunto está mais efervescente, com alguns observadores a darem conta que Paulo Portas pode também ser um potencial candidato. Do lado da esquerda, por enquanto há silêncio, em boa parte porque nesse lado do espectro político se aguarda qual o próximo movimento de António Costa - e há quem diga que é mais provável ele candidatar-se à Presidência do que a um cargo internacional. Depois de ter institucionalizado uma crise entre o Presidente da República e o Primeiro Ministro, esta pode ser uma tentação para Costa. Na falta de reformas PS e PSD entendem-se às mil maravilhas para não fazerem uma revisão constitucional que, quase meio século depois da entrada em vigor da Constituição, a consiga actualizar. Recordo as palavras de António Barreto, no “Público” do passado fim de semana: “Estamos a assistir a uma mudança do regime. O semipresidencialismo é uma espécie de ocapi: bicho esquisito, tem de burro e de cavalo, de girafa e de zebra. Restringe os poderes do presidente, mas não faz dele um adorno democrático. Modera e limita a representatividade do parlamento, reduzindo por vezes esta instituição a um plano secundário. Reforça e reduz, ao mesmo tempo, os poderes e as responsabilidades do governo. Vivemos tempos de revisão. Já se percebeu que não haverá nada de jeito, a não ser, eventualmente, uma reforma secundária, com pouco significado e alguma demagogia. Se houver revisão, será um exercício fútil de acrescentos e remendos, não de tentativa de reformar e rever. Pense-se, por exemplo, no mais urgente, no mais grave: a reforma da Justiça, a necessitar adequação constitucional. Nada acontecerá. Reflicta-se ainda nos dois mais graves entraves à democracia parlamentar que são o sistema eleitoral e o semipresidencialismo. Podemos ter a certeza de que não teremos novidades nestas áreas “.



SEMANADA - Os quartos para estudantes subiram 10% desde o anterior ano lectivo e podem custar mais de 400 euros em Lisboa e no Porto; as receitas dos operadores de telecomunicações com os pacotes de serviços tiveram o maior crescimento anual desde 2016 e asseguram 51,8% do total das receitas obtidas por essas empresas; o número de partos em Lisboa no primeiro semestre aumentou 20% nos hospitais privados e 3% nos públicos; a dívida dos particulares, das empresas privadas e das administrações públicas  aumentou 12.900 milhões de euros no primeiro semestre; em 2022 foram destruídos 17 mil ninhos de vespa asiática e os distritos onde existem mais são Porto, Aveiro e Braga; o PCP não esteve de acordo com a autorização dada pelo Parlamento à deslocação do Presidente da República à Ucrânia; na última década construíram-se apenas 17% dos edifícios para habitação construídos em décadas anteriores; dos 3622 quilómetros de ferrovia existentes em Portugal apenas 2527 têm exploração comercial;  67% das refeições dos portugueses não são cozinhadas em casa; nesta primeira fase de colocação de estudantes há 38 cursos superiores que não tiveram nenhum candidato interessado em os frequentar; o nível de preços na hotelaria acelerou 70% nos últimos dois anos e os restaurantes e hotéis tiveram em Julho a primeira quebra mensal de faturação desde Janeiro; os preços do imobiliário em Lisboa são três vezes mais altos que a média do país.

 

O ARCO DA VELHA - Uma palmeira do espaço público de Cascais, que tinha um localizador de GPS foi roubada do sítio onde estava plantada e foi depois descoberta numa casa que pertencia a um militar da GNR.

 

Marioneta de Vara - Mali © Nuno Silva.jpg

EXPOSIÇÕES LISBOETAS - Devo começar por fazer uma declaração de interesses: exerço o cargo de administrador não executivo da EGEAC, a empresa municipal que gere a maioria dos equipamentos culturais de Lisboa. Digo isto porque hoje vou destacar três exposições desses equipamentos. Começo pelo Museu da Marioneta, no Convento das Bernardas, que organizou uma nova exposição a partir das reservas do museu. Ao todo mais de uma centena de marionetas, originárias da Europa, África e Ásia, realizadas entre finais dos séculos XIX e XX. foram incluídas na nova exposição da colecção para, na sua maioria, serem mostradas ao público pela primeira vez. A exposição”A Outra Vida das Marionetas” inclui ainda três teatros portáteis e um teatro de sombras. A exposição pode ser visitada até dia 29 de outubro no espaço do Convento das Bernardas. Na imagem, uma fotografia de Nuno Silva, está uma marionete de vara do Mali, de meados do século XX, adquirida pelo Museu em 2005. O segundo destaque vai para uma exposição que assinala o centenário do nascimento de Celeste Rodrigues e que pode ser visitada no Museu do Fado até este domingo, 3 de Setembro. A exposição revisita o vastíssimo legado de Celeste Rodrigues, mostra o seu papel na renovação do Fado e apresenta a sua discografia, os seus repertórios, troféus, galardões, adereços de actuação, periódicos, pinturas e filmes. Finalmente o terceiro destaque vai para “Haven”, de James Newitt, que está na Galeria da Boavista. Newitt elaborou a exposição a partir da investigação que fez sobre um facto real e quase desconhecido: a história de uma pequena plataforma abandonada ao largo da costa britânica, construída pelo governo com funções militares de defesa anti-aérea no tempo da II Grande Guerra e, ocupada por um casal na década de sessenta que reivindica a sua independência do Reino Unido denominando-a de Principado de Sealand. Entre a realidade e a fantasia Newitt mistura arquivo e criações originais. A exposição tem uma folha de sala feita propositadamente para visitas de crianças que vale a pena conhecer.

 

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UM GRANDE MISTÉRIO - Yrsa Sigurdardóttir escreve policiais arrebatadores e ao mesmo tempo é diretora de uma das mais importantes firmas de engenharia da Islândia. Saber como consegue conciliar as duas coisas é logo um mistério. Yrsa Sigurdardóttir é editada internacionalmente e é a escritora islandesa mais conhecida além-fronteiras, autora de mais de uma dezena de grandes histórias policiais e thrillers, várias em adaptação para o cinema e televisão. “A Boneca” é o seu novo livro, o quinto volume da série DNA. Ao longo de 475 páginas Yrsa Sigurdardóttir desenvolve uma sucessão de mistérios, ligados a outros tantos crimes, que passam pelo tráfico de droga e vários assassinatos. Na origem de tudo está uma boneca, apanhada numa rede de pesca e cuja fotografia, publicada nas redes sociais, provoca a morte de quem divulgou a imagem. Em “A Boneca”,  Yrsa Sigurdardóttir recorre a uma já conhecida dupla - o detetive Huldar e a psicóloga infantil Freyja. Os dois completam-se e conseguem perceber a ligação entre a morte de uma jovem adolescente, que teve uma vida problemática, e os crimes anteriores, que incluem a morte da sua própria mãe - a mulher que tinha publicado a foto da boneca anos antes. Pelo meio percebe-se a tensão que existe na sociedade islandesa, os conflitos dentro da polícia, as dúvidas sobre o sistema de assistência a menores e, também, a forma como os adolescentes se relacionam, se protegem e como contactam uns com os outros nas redes sociais.  Como em anteriores livros de Yrsa Sigurdardóttir a intriga é viciante e o ritmo da narrativa é intenso. Edição Quetzal.

 

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O OUTRO LADO DE HARVEY - “I Inside The Old Year Duing” é o décimo álbum de estúdio de P.J. Harvey, o seu primeiro trabalho desde o álbum “The Hope Six Demoition Project” de 2016. No novo trabalho Harvey volta a trabalhar com os seus habituais colaboradores de longa data, John Parish e Flood. O disco nasce de um livro de poemas que Harvey escreveu nos últimos anos, “Orlam”, baseados na tradição - e no dialecto - de Dorset, onde ela vive. Musicalmente é uma combinação de influências folk com experiências eletrônicas. As 12 canções, com letras adaptadas de 12 poemas do livro, estão cheias de imagens bíblicas e de referências a Shakespeare. Rezam as crónicas da gravação deste disco que ela terá dado indicações claras a Parish e a Flood, sublinhando que não queria que a sua voz e forma de cantar se assemelhasse ao que fez a sua imagem de marca, criando um território vocal entre o antigo e o novo e mostrando um outro lado de Harvey. Aparentemente conseguiu-o e canções como “Lwonesome Tonight”, “Seem an I”, “The Nether-edge”, “A Child's question, August”, “I Inside the Old Dying” e “A Child's Question, July” destacam-se pelo que mostram sobre a forma como P.J. Harvey encara a sua música a partir de agora. Disponível nas plataformas de streaming.



UMA BOA PROVA - Em pleno centro de Azeitão, junto ao largo central, no nº1 da Rua José Augusto Coelho, paredes meias com os edifícios que albergam a empresa vinícola José Maria da Fonseca, está o By The Wine. Depois de uns anos iniciais oscilantes, agora o restaurante, que pertence também à José Maria da Fonseca, está em estada mais segura. O responsável pelo feito é o Chef José Barradas. A lista é essencialmente petisqueira e a ideia é pedir e repartir na mesa. Numa incursão recente provaram muito bem as amêijoas do Sado à Bulhão Pato, um quinoto de legumes do outro lado da mesa e um choco frito com maionese e lima, tenro e saboroso, acompanhado por batata frita aos palitos feita com competência. Antes disso havia umas boas azeitonas, bem temperadas e pão da região. Na lista há tábuas de queijo da região e a possibilidade de experimentar algumas das conservas artesanais Belmar, de Setúbal, muito apreciadas. Para acompanhar os petiscos recomenda-se um dos vinhos da José Maria da Fonseca ou então a sua própria cerveja artesanal, Mosquita. Nos vinhos não perca a possibilidade de experimentar o fabuloso Quinta de Camarate Branco Seco a um preço de combate - 4,30 euros o copo. Aliás o By The Wine é um bom sítio para provar os vários vinhos da casa. O serviço, que nessa noite esteve a cargo do Ricardo, é expedito e simpático e a esplanada é deliciosa nas noites de verão. Se quiser mesmo a esplanada é aconselhável reserva pelo telefone 212 191 366.



DIXIT - “Eu ainda sou do tempo em que a política, aqui e lá fora, não era apenas um espectáculo” - Alberto Gonçalves

 

BACK TO BASICS - “Quanto mais estudo as religiões mais me convenço que o Homem não venera nada a não ser ele próprio” - Sir Richard Francis Burton



 

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