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BAIXEZA PARLAMENTAR  - Quando se julgava que Rui Rio não podia descer mais baixo do que já caíu, eis que ele surpreende de novo. Depois de ter criticado a Iniciativa Liberal por procurar um acordo com o PS para poder ter lugar na primeira fila da Assembleia da República, eis que Rio negociou com o PS a exclusão da Iniciativa Liberal dos cargos para os quais o Parlamento indica deputados, em representação dos respectivos partidos - e entre esses cargos está o Conselho de Estado. A exclusão da Iniciativa Liberal da mesa do parlamento, com o nome de Cotrim de Figueiredo inesperadamente vetado, foi o primeiro sinal daquilo que o PSD, com algumas outras ajudas certamente, entende como a linha a seguir face à realidade que é a alteração do quadro partidário saído das recentes legislativas. Este acordo de bloqueio entre os principais partidos do regime significa a sua incapacidade em aceitarem que a paisagem política está a ser alterada. Como não conseguem contrariar o voto expresso nas urnas, usam outros mecanismos para menorizarem o sentido da escolha dos eleitores portugueses. Face aos seus próprios maus resultados, Rui Rio recorre a manobras de bastidores e a conspirações silenciosas. O que acontece é que desta forma os partidos do regime, na Assembleia da República, querem mostrar que não toleram mudanças no status quo e comportam-se como um clube fechado, retrógrado. Não lhes basta não admitirem mudanças e reformas necessárias na lei eleitoral e no sistema partidário, chegaram ao ponto em que, confrontados com uma nova realidade, a querem eliminar.

 

SEMANADA - Em cinco anos Portugal captou produções internacionais de cinema que trouxeram 314 milhões de euros; desde 2018 foram aprovados 113 projectos de filmagens em Portugal; a iniciativa Serralves em Festa, interrompida no início da pandemia, continua a não se realizar este ano; 10% dos docentes da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa foram denunciados por assédio e discriminação; nos bairros de Lisboa onde foram proibidos novos alojamentos locais o preço das casas desceu 9% e registou-se uma quebra de 20% na venda de imóveis; nas duas últimas décadas Portugal foi ultrapassado por sete países no ranking europeu do PIB por habitante: a Eslovénia em 2003, Malta em 2004, a República Checa em 2007, a  Lituânia em 2017, a Hungria e a Polónia em 2021; no ranking europeu do PIB por habitante passámos do 15º para o 21º lugar;  em 2010 estávamos, em termos de PIB por habitante,  a 83%  da média europeia; em 2020 já tínhamos descido para 76% da média e em 2021 voltámos a cair, para 74%; nos últimos 35 anos Portugal recebeu da União Europeia 141 mil milhões de euros em fundos estruturais; o Porto vai ter menos sete rotas da TAP, o que significa menos 705 mil lugares disponíveis no norte por parte daquela companhia aérea subsidiada pelo Governo; três quartos dos trabalhadores jovens não estudaram para além do ensino secundário; desde o início do conflito na Europa o aumento do preço dos alimentos é superior a 5%; este ano os bens essenciais subiram três vezes mais que os aumentos salariais registados.

 

ARCO DA VELHA - Dois juízes do Tribunal da Relação do Porto, José Carreto e Paula Guerreiro, consideraram que a falta de contactos sexuais num casal pode servir de atenuante para violência doméstica. Os juízes pronunciaram-se num caso em que uma mulher foi  agredida e forçada a relações sexuais ao longo de décadas durante o casamento.

 

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FOTOS MUSICAIS  - Há em Lisboa, na zona do Beato/Chelas, um espaço onde coexistem uma galeria dedicada à fotografia, um bar e música, a Little Chelsea Gallery. As fotografias expostas têm a ver de alguma forma com música ou com um determinado fenómeno onde a música exerceu influência. É o caso dos Mods britânicos - Mod é a abreviatura de Modern, o que no início dos anos 60 queria dizer jazz, soul, ska e rhythm’n’blues, em contraposição aos rockers. Os Mods deslocavam-se em vespas ou outras scooters italianas, carregadas de extras como faróis suplementares e espelhos, enquanto os rockers preferiam os motociclos tradicionais ingleses. Eram épicos os confrontos entre Mods e Rockers, e Brighton foi frequente palco dessa rivalidade. Os Mods tinham bandas preferidas: Small Faces, Yardbirds e Who - que tornaram Quadrophenia a obra musical de referência do movimento Mod. A nova exposição na Little Chelsea é sobre a cultura Mod, fruto do trabalho do fotógrafo alemão Horst Friedrichs, que ao longo de 12 anos fotografou a cultura inspirada pelos Mods e que tem desenvolvido trabalho em torno da cultura urbana nomeadamente em Londres, num caminho documental com uma visão muito própria. Esta exposição com o trabalho de  Horst Friedrichs sobre os Mods, tem 24 fotografias,  à venda por valores entre os 500 e os 700 euros, é comissariada por João Vilela Geraldo, Céline Couvreur e Christine Chansou e pode ser vista até 21 de maio, de terça-feira a sexta-feira das 14h às 19h, e sábado das 14h às 18h, na Little Chelsea Gallery, Rua Capitão Leitão 40, a Marvila.  Se gostam de música e fotografia este é mesmo um local a conhecer, que abriu na segunda metade do ano passado. Outra sugestão: em Braga, na Galeria da Estação, organizada pelos Encontros da Imagem está a exposição de fotografia “Comunidades Ciganas”, de José Firmino Ribeiro, até 30 de Abril.

 

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UMA INVESTIGAÇÃO APAIXONANTE - Philip Trent é um artista plástico que tem uma queda por descobrir a solução de crimes complicados. Pelo meio, enquanto investiga, conta os pormenores do que vai descobrindo nas páginas de um jornal londrino que lhe patrocina as investigações e as relata em exclusivo. O autor dos policiais protagonizados por Trent é E.C. Bentley. Agora, quatro décadas depois da sua anterior edição em Portugal, a colecção Vampiro, da Bertrand, fez uma nova edição, revista, com o texto integral de uma das suas mais famosas obras: “O Último Caso de Trent”. Considerada por Agatha Christie «uma das melhores histórias de detetives jamais escritas» e «uma narrativa de invulgar brilhantismo e charme» por Dorothy L. Sayers, “O Último Caso de Trent” surgiu em 1913 como um dos exemplos mais originais do género policial. Estamos portanto a falar de um policial que tem mais de cem anos, mas que se mantém actual. A investigação gira em volta de um importante financeiro de Wall Street, Sigsbee Manderson, que apareceu morto, com um tiro na cabeça, numa pacata vila inglesa. “Quando Manderson morreu, os mercados estremeceram. As acções desceram vertiginosamente e o mundo dos negócios foi agitado por um terramoto” - assim escrevia Bentley nas primeiras páginas do livro. Mal se soube a notícia Trent foi encarregado pelo proprietário do diário “Record”, Sir James Molloy, de descobrir o que se tinha passado - quem tinha disparado sobre Manderson. Entre os suspeitos estão a sua jovem mulher, um seu familiar, e até um grupo de sindicalistas descontentes. Quem terá sido o autor? As duas centenas de páginas deste livro devoram-se num ápice, tal a qualidade da escrita e a construção da história. Espero que se tentem a descobrir a solução do caso.

 

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CANTIGAS DO ARAÚJO - Em dez anos de carreira Miguel Araújo lançou seis álbuns de originais - só este ano já foram dois - a banda sonora “Canções da Esperança” e, agora, “Chá Lá Lá”, onde mais uma vez tem uma boa lista de convidados: António Zambujo, com quem tem uma cumplicidade especial, Joana Almirante (que tem tocado ao vivo com Miguel Araújo), mas também Rui Pregal da Cunha, Tim e Rui Reininho que se juntam, os três numa bela “Canções da Rádio”, que evoca momentos passados, êxitos em tempos cantados por estas três vozes. Com nove temas, este novo disco tem já três canções que se destacam: “Talvez Se eu Dançasse”, “Dia da Procissão” e “Chama por mim”. “Chá Lá Lá” é assumidamente um disco pop, canções de amor, ritmadas, pequenas histórias que se vão encaixando umas nas outras. Miguel Araújo tem essa qualidade, rara, de contar histórias do quotidiano e fazer disso grandes canções. Além dos nomes referidos o disco tem também a participação da Orquestra Filarmónica da Cidade de Praga e foi lançado pela Chiu, a editora do próprio Miguel Araújo. No seu site estão todas as indicações para quem quiser a edição em CD. O trabalho está também disponível nas plataformas de streaming.

 

A ESSÊNCIA DO JAPÃO - Nas novas galerias Ritz abriu há pouco tempo o primeiro restaurante  Kabuki em Portugal. Em Espanha, onde nasceu, o Kabuki está em Madrid, Tenerife, Málaga e Valência. Apresenta-se como um restaurante de sushi de fusão, que, baseado na tradição japonesa, incorpora referências mediterrânicas. Kabuki é aliás a designação de uma forte tradição teatral japonesa, caracterizada pelo facto de os actores utilizarem elaborada maquilhagem. No Kabuki, em Lisboa, a arte é a do equilíbrio entre as culturas gastronómicas japonesa e ibérica. Nas Galerias Ritz o Kabuki tem três espaços distintos - um bar, o restaurante com a lista normal e uma sala mais pequena, no primeiro andar, a Experience, onde são servidos menus de degustação que vão variando. Quem me desafiou a fazer esta experiência foi Ivan Carvalho, um jornalista da Monocle, de ascendência portuguesa, e que, vivendo em Milão, está cada vez mais apaixonado por Portugal - e em particular pelos seus vinhos. No Kabuki Experience foi-nos sugerido o menu Família do Atum: para começar um croquete de atum, um nigiri de gelatina de atum com tomate fresco e cebola caramelizada e um ceviche tépido de atum meio gordo. Depois veio lírio, em corte fino, com as suas ovas, e um tártaro de barriga de atum, cebolinho, wasabi fresco e caviar. O nigiri que se seguiu foi uma selecção de oito peças do chef e, para terminar,  uma magnífica barriga de atum, preparada a baixa temperatura, com caldo ibérco e rosmaninho. Tudo impecável de frescura e preparação. O chefe responsável pelo Experience é Marcos Martinez e o sommelier é Filipe Wang, sabedor e atento. Começámos com um Textura da Estrela 2019, da região do Dão, do enólogo Luís Seabra. Depois veio a sugestão de Wang, o Pura 2018, também Textura, ambos vinhos brancos muito gastronómicos, com as castas encruzado, bical e cerceal branco. 

 

DIXIT - “No fim de cada ano, no termo de cada legislatura, a Justiça fica sempre aquém do necessário. E mais injusta” - António Barreto.

 

BACK TO BASICS - “A História da Humanidade parece-se cada vez mais com uma competição entre a educação e a catástrofe” - H. G. Wells



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