Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



IMG_3489.JPG

COSTA NA ENCRUZILHADA - Além das crises familiares no Governo, duas coisas incomodam António Costa:  o Novo Banco e a União Europeia. A venda do Novo Banco já foi feita pelo seu Governo e o que se está a passar mostra que os termos da venda foram, digamos, mal calculados. E assim, por mais ginástica que Mário Centeno faça, por mais exercícios de contorcionismo que consiga, uma coisa é certa: estamos todos a pagar, seja de que forma fôr, e isto não estava nada no programa - quem decidiu não mediu as consequências, não há volta a dar ao texto. A outra coisa, a Europa, fia mais fino porque mexe nas convicções fundamentais da geração de dirigentes socialistas portugueses e europeus que antecedeu o actual Primeiro-Ministro no processo de construção da União. O seu mal estar foi notório na entrevista em que colocou reservas face ao Euro, aos equilíbrios de Bruxelas e face ao processo de construção da Europa. As ideias que manifestou conseguem, com a habilidade que se tem de lhe reconhecer, um equilíbrio entre o anti-federalismo, as críticas à forma de criação do Euro e o desejo de ter uma voz mais activa no futuro - está tudo ligado aliás. É uma entrevista muito mais significativa que um mero exercício de propaganda no horizonte das eleições para o Parlamento Europeu. É a entrada de António Costa na disputa de cargos internacionais de primeiro plano, querendo demarcar-se dos erros da geração anterior, propondo-se mudar o que nem sequer ainda anuncia e colocando-se na primeira linha do combate a horizontes que assustam, com razão, muita gente. Esta entrevista é o anúncio de que Costa pretende ser uma voz que está a querer falar mais alto que Macron. Apesar dos incidentes internos quer parecer um estadista. Promete e pensa melhor que executa. Voltando à fértil questão da proliferação do governamental convívio familiar mão amiga fez-me chegar um livrinho chamado "Families and how to survive them" de Robin Skynner (psiquiatra) e de John Cleese, e que tem capítulos maravilhosos como “Why did I have to marry you?”, “Who's in charge here?” ou “What are you two doing in there?”. Boas perguntas, não é?

 

SEMANADA - A carga fiscal atingiu novo máximo em 2018 com o peso das receitas de impostos e contribuições sociais a atingir 35,4% do PIB; a Agência para a Segurança da Aviação detectou falhas em helicópteros do INEM e recomendou a sua paragem; avarias em veículos do INEM põem em causa socorro nas zonas do Porto, Gaia e Coimbra; há mais de dois mil doentes à espera da realização de um transplante porque o envelhecimento de dadores faz baixar a recolha de orgãos; em 2018 a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima foi chamada a ajudar três crianças por dia; as zonas norte e centro têm 65,5% das novas construções para habitação; em 2018 foram transaccionados quase 180 mil imóveis num montante global de 24,1 mil milhões de euros, o maior valor de sempre; em apenas um ano o preço médio das habitações aumentou 10%; Catarina Martins disse que deve haver uma reflexão no Governo e no PS sobre a existência de relações familiares e Carlos César denunciou que no Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda são abundantes e directas as relações familiares; o publicitário Manuel Soares de Oliveira descreveu a situação no Facebook: “Finalmente temos um Governo que defende os valores da família e a direita ataca”; uma mulher acusada de violência doméstica mordeu o polícia que a ía deter; ilustrando a justiça que temos, alguns dos crimes de que o sucateiro Manuel Godinho era acusado no processo Face Oculta já prescreveram, entre eles três de corrupção e cinco de tráfico de influências.

 

FENÓMENOS CONTEMPORÂNEOS - A lei que impede abates deixa canis superlotados e várias câmaras municipais admitem que a saúde pública pode estar em risco devido ao aumento de animais vadios nas localidades.

 

capa_As Guerras do Fado_300dpi.jpg

AS POLÉMICAS DO FADO - Cada vez que a música muda de figura aparece sempre alguém a reclamar. Foi assim com os grandes compositores clássicos, com os pioneiros da música contemporânea, com o abanar de ancas do rock’n’roll. Num novo livro Alberto Franco lembra que também por cá se passou o mesmo: «Os ataques ao fado começaram pouco depois do seu aparecimento. Alguns intelectuais oitocentistas associavam‑no ao crime. Achavam-no mórbido, lutuoso, indigno duma nação civilizada».  O autor destas palavras, Alberto Franco, é um homem incómodo - jornalista, escreveu sobre História, regiões, gastronomia e esse pecado hoje mortal que é a arte tauromáquica. Também escreve letras para fados e por isso mesmo se dedicou a fazer a história dos sobressaltos que o canto da Severa atravessou: “Nascido nas franjas marginais de sociedade, baseado em fórmulas poéticas e musicais aparentemente pouco elaboradas, distraído do respeito pelos bons costumes, irreverente para com os poderes constituídos, o canto fadista não poderia deixar de atrair as censuras dos mais diversos quadrantes”. Na realidade, como recordas,  Fernando Lopes Graça considerava o fado uma canção bastarda e Salazar não gostava de Fado. Mas isso não impediu que o Fado fosse confundido com a propaganda do Estado Novo e que muitos opositores vissem o género como um instrumento da ditadura. Muito antes de se ter tornado Património Cultural Imaterial da Humanidade, o fado recolhia ódios e descrenças de todas as áreas da sociedade em Portugal - até mesmo na medicina - o médico Samuel Maia acusou-o, inclusive, de fazer mal ao fígado. Alberto Carvalho recorda o incómodo que Amália causou quando decidiu cantar Camões, a forma como o Fado foi associado ao “escoadouro que temos de tudo, o que temos de pior, a uma verdadeira descida aos infernos da vida portuguesa”, num escrito de António Osório que classificava a Severa a uma meretriz iletrada e que reflectia o que um pensamento de esquerda considerava em Junho de 1974 no seu livro “A Mitologia Fadista”. A resposta a esse panfleto surge agora pela mão de Alberto Franco, neste “As Guerras do Fado”, editado pela Guerra & Paz, em parceria com a Sociedade Portuguesa de Autores.

 

image (4).png

IMAGENS ARQUITECTÓNICAS - Para assinalar os 30 anos do Photoshop o MAAT escolheu obras de meia centena de artistas que constroem e manipulam imagens feitas a partir de objetos e espaços arquitetónicos, numa exposição intitulada “Ficção e Fabricação” ( e que inclui a imagem de James Welling aqui reproduzida). Com o Photoshop proliferaram ferramentas digitais na produção fotográfica e esta exposição mostra o imaginário da arquitetura como tema fulcral de uma prática expandida da fotografia na arte contemporânea. Podem ser vistas obras de nomes como Andreas Gurski, Thomas Ruff, Jeff Wall, Thomas Demand e criações ficcionais de Beate Gütschow, Oliver Boberg ou Isabel Brison. Até 19 de Agosto poderá ver uma viagem a  “um panorama da fotografia de arquitetura que contorna abordagens objetivas e privilegia as efabulações sobre o real entre o olhar cinematográfico, a desconstrução da imagem ou as narrativas mais politizadas.” Outras sugestões: no Porto, no novo Espaço 531, dedicado a obras de pequeno formato na Rua Miguel Bombarda e que passa a integrar a Galeria Fernando Santos, Pedro Calapez expõe até 27 de Abril 44 placas no formato 42 x 30 cm, todas diferentes, todas com movimentos circulares, um bom exemplo da obra do artista. No Atelier-Museu Julio Pomar, em Lisboa, até 17 de Abril está a exposição coletiva “muitas vezes marquei encontro comigo próprio no ponto zero” , um projecto de Marta Rema que reúne trabalhos que abordam o desejo de pensar o silêncio nas suas várias dimensões e que inclui obras de, entre outros, nomes como Ana Pérez-Quiroga, Cecília Costa, Fernando Calhau, Helena Almeida, Jorge Molder, Rui Chafes, Sandro Resende, Sara & André e do próprio Júlio Pomar, de quem são mostrados os desenhos da prisão realizados no Forte de Caxias, onde o artista esteve detido de 27 de abril a 26 de agosto de 1947.

 

capa.png

PODE A MÚSICA SER UM POEMA? - Comecemos por imaginar dois pianos a falar um com o outro. Neste caso os dois pianos, ou,  melhor dizendo, os dois pianistas, Vijay Iyer e Craig Taborn, encontraram-se há uns quinze anos quando ambos tocavam com o saxofonista Roscoe Mitchell. Na altura estavam  no início das respectivas carreiras e procuravam abrir horizontes - que é o que têm feito ao longo destes anos. Vijay Iyer é talvez o mais conhecido dos dois e o que mais tem editado, quer com outros músicos, quer a solo. Mas ao longo deste tempo continuaram a tocar em conjunto sempre que possível. “The Transitory Poems” é o disco agora editado pela ECM e que reproduz um concerto que deram em Março de 2018 na Franz Liszt Academy, em Budapeste. Aqui está um exemplo raro do que pode a improvisação, a capacidade inventiva, quando se juntam dois músicos de excepção. As influências de outros pianistas como Cecil Taylor ou Geri Allen são evidentes e deve dizer-se que os estilos de Iyer e Taborn são bem diferentes: o primeiro é  contido e preciso, o segundo é sugestivo e aberto. O resultado é magnífico.

DIXIT - “O que eu gostava mesmo era de desenhar livremente; com lápis, com caneta, com cores, com o que tivesse à mão, colecionando vistas, sobreposições, acidentes, deformações, insólitos bocados de arquiteturas existentes” - Manuel Graça Dias

BACK TO BASICS - “As campanhas criam fantasias que permitem ganhar as eleições mas nenhuma se traduz num progresso real para os eleitores” - Bill Clinton



www.facebook.com/mfalcao

instagram: mfalcao

twitter: @mfalcao





Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:00



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2005
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2004
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2003
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D