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Amada por uns, temida por outros e odiada por mais uns tantos, a chuvinha voltou a entrar nas nossas vidas, um mês depois de o Outono se ter manifestado. Foi para já uma chuva tímida, a preparar as mentes para o inverno que ainda está a meio do seu sono. Um bom dia para ir a um restaurante de bairro, ao lado de casa, onde servem umas febras como eu gosto, finas, grelhadas e estaladiças, acompanhadas por umas batatas fritas naturais sem vestígio de congelador. É meio dia e meia e a casa já está cheia. Estão televisões ligadas num canal de notícias nas duas pontas da sala: enquanto duram as notícias de futebol a atenção dos comensais está mais nos ecrãs que nas bochechas estufadas, que eram o prato do dia. Desaparece o futebol retomam as conversas. De Paris vêm duas notícias: a prisão de Sarkozy com uma Carla Bruni chorosa a dizer-lhe adeus; e logo depois o relato de um tufão que deixou um rasto de destruição em Paris. Sobre a primeira notícia na mesa ao lado ouvi duas raparigas a exclamar “coitada, e tão gira ainda, olhem que cinco anos preso é muito tempo”; e, sobre a outra notícia, ouço apenas um desabafo, masculino por sinal: “já não se pode confiar no tempo, está tudo a mudar, por este andar, depois desta chuvinha de hoje ainda vem para aí um nevão”. Lá fora estavam 21 graus. Tomo o meu café e saio para a rua. Debaixo do toldo do restaurante duas freguesas fumam daqueles cigarros modernos que deitam enormes nuvens de vapor perfumado a tabaco. Fujo dali, escapei ao cheiro da fritura das batatas, não me apetece levar com este em cima. A chuva é pouca, daquela que molha parvos. Assumo a minha humilde condição e lá vou molhar-me.
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