Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



CIDADES EXEMPLARES E SUGESTÕES AVULSAS

por falcao, em 24.10.25

 

DSCF0447.jpg

EXEMPLOS AUTÁRQUICOS - Agora, depois das autárquicas, em que os eleitores escolheram quem querem a governar as suas terra é tempo de deitar mãos à obra, estudar para além dos seus genéricos programas eleitorais e procurar bons exemplos. Trago dois exemplos: uma grande cidade, capital de um país, e outra mais pequena, de outro país, também da Europa, mas mais a sul. A primeira cidade é Copenhaga, a capital da Dinamarca. A segunda é Montpellier, no sul de França, a uma escassa dezena de quilómetros do mar mediterrânico. Copenhaga foi nomeada em Junho como a cidade mais habitável do mundo, num ranking do Global Liveability Ranking, da revista The Economist, que analisou 173 cidades. Copenhaga teve pontuação alta em estabilidade, educação, infraestruturas, saúde, cultura e meio ambiente. O estudo sublinha que Copenhaga conseguiu a “harmonia entre o bem-estar dos cidadãos e o desenvolvimento urbano”. Estatísticas oficiais dinamarquesas indicam que mais de um terço dos edifícios habitacionais de Copenhaga pertencem a cooperativas e a evolução dos seus preços tem um efeito regulador sobre o resto do mercado, travando a especulação imobiliária. Este modelo permite ainda que as cooperativas proprietárias dos edifícios impeçam a sua utilização por alojamentos locais turísticos. Ao mesmo tempo as autoridades municipais estimularam a criação de apartamentos para a terceira idade em regime de de utilização comum, o “senior cohousing”. Em Montpellier, uma cidade da província, o número de habitantes cresce e a economia desenvolve-se. Michel Delafosse, o Presidente da Câmara, tem 48 anos, é considerado um potencial candidato presidencial em França e tem sido o responsável pela transformação da cidade, que hoje em dia é um exemplo de urbanismo de vanguarda, com uma nova zona de crescimento económico,  a Cidade Criativa, que ficará pronta  em 2027. Numas antigas instalações militares, agora desocupadas, disponibilizou 10.000 metros quadrados para estúdios de artistas e áreas de exposição e cosntruíu 2500 novas casas, um terço das quais destinadas a habitação social. E certamente existirão mais exemplos além destas duas cidades. Basta investigar, aprender com os melhores. E fazer de facto, em vez de dizer que se quer fazer.

 

SEMANADA - Os estudantes do Ensino Superior falharam o pagamento de mais de 36 milhões de euros em propinas às principais universidades e politécnicos públicos, um valor acumulado dos últimos três anos lectivos; 20% dos estudantes do ensino superior frequentam instituições privadas; entre 2019 e 2024 os preços de restauração e alojamento em Portugal subiram 31,4%, bem acima da média de 19,7% dos principais países da europa do sul;  dois em cada cinco residentes em Lisboa são estrangeiros; no final de 2024 residiam em Portugal milhão e meio de estrangeiros, 85% dos quais em idade activa;  os imigrantes são 17% da força de trabalho; o índice de preços na habitação disparou 22,8% no espaço de um ano e 6.9% face ao trimestre anterior; vários bancos consideram que o crescimento dos preços da habitação, que mais que duplicaram nos últimos dez anos, pode não ser sustentável e constitui um risco de crédito; cada português produziu 519 quilos de lixo em 2024; a potência eléctrica pedida pelos centros de dados que estão em projecto supera toda a capacidade de produção de energia eléctrica actual em Portugal; mais de metade dos docentes portugueses tem mais de 50 anos; o número de alunos nas escolas portuguesas aumentou 30% nos últimos cinco anos; um estudo da Universidade da Beira Interior indica que mais de metade do país corre o risco de ficar sem cobertura jornalística e indica que cresce o número de concelhos sem órgãos de comunicação social que acompanhem a realidade local.

 

O ARCO DA VELHA - Na proposta de Orçamento de Estado para 2026 o peso dos impostos indirectos na receita fiscal atinge 53,5% , o valor máximo da década.

 

Image 2.jpg

UM POLICIAL COMO DEVE SER - O título deste romance policial é todo um programa: “A Solidão do Manager”. Trata-se do oitavo livro publicado por Manuel Vásquez Montalbán, em 1977, a época da transição da Espanha do regime franquista para a democracia. É, claro, uma investigação do detective Pepe Carvalho, o personagem criando por Montalbán, um nativo de Barcelona, que mistura ter pertencido ao partido comunista, ter sido agente da CIA e assumidamente ser um gastrónomo que nos deixa as receitas dos petiscos que cozinha noite fora enquanto matuta na investigação que está a fazer naquela altura. A sua escrita é irónica, reflecte os ventos políticos dessa época em Espanha,  sobretudo na Catalunha. Neste livro Carvalho e o seu indispensável ajudante Biscuter procuram esclarecer o assassinato de um gestor, catalão, de uma multinacional, depois de ter descoberto que nas contas da empresa falatavam 200 milhões de pesetas - ainda não havia euro na época. Foi encontrado morto com umas cuecas femininas no bolso. Não vou contar a história, mas se querem um policial sério ponham-se na pista do grande Pepe Carvalho, das ruas mal afamadas que frequenta, dos petiscos que devora e das aventuras em que se mete. Edição Quetzal.

 

IMG_8957.jpg

MESA DE CABECEIRA - Esta semana, duas leituras que acabam por estar ligadas entre si. Em “As Teorias da Conspiração” (edição Guerra & Paz), o filósofo e historiador Pierre-André Taguieff explica como podem surgir essas teorias, apontando a sua autoria a um ou vários grupos secretos compostos por conspiradores que encontram nas redes sociais um palco privilegiado para a sua actividade, amplificando-a. Em “Teorias da Conspiração”, Taguieff afirma que o conspiracionismo é a resposta a uma procura social por sentido e coerência, e defende que para enquadrar o caos deste mundo nada é melhor do que formular a hipótese de um inimigo invisível e diabólico que explica todos os males da humanidade. O outro livro, “O Clube de Leitura da CIA”  (edição Casa das Letras) revela a história verídica de um programa secreto da espionagem norte-americana  que conseguiu contrabandear dez milhões de volumes através da vastíssima e fortemente vigiada Cortina de Ferro. A missão visava minar diretamente a censura imposta pelo regime soviético e levar visões políticas e culturais alternativas a um povo privado de acesso à informação livre.  Liderado por George Minden a partir dos escritórios da CIA em Manhattan, um homem nascido em Bucareste que compreendia profundamente as realidades e necessidades culturais do Leste, o programa enviava uma diversificada seleção de literatura para a Europa de Leste , desde clássicos  de George Orwell a autores populares como Agatha Christie. Estes livros, que funcionavam como faróis de esperança e ar fresco intelectual, eram transportados através de todos os meios imagináveis de contrabando: a bordo de camiões e iates, enviados por balões, escondidos em compartimentos secretos de comboios, ou dissimulados na bagagem de viajantes comuns. Esta  história real  é narrada pelo jornalista Charlie English e mostra como o impacto desta torrente clandestina de literatura foi particularmente forte na Polónia, onde os livros circularam avidamente contribuindo para o colapso da censura naquele país no final dos anos 80.

 

Image 4.jpg

OS CICLOS DO OLHAR -    Maria Condado utiliza a pintura para combinar a maneira como olha em seu redor com a forma como encara o mundo actual repleto de tensões e conflitos. O título da sua actual exposição na Galeria Carlos Carvalho é “turn, turn,turn”, nome roubado a uma canção de Peter Seeger, popularizada pelos Byrds em 1965. A canção relembra que todas as coisas têm o seu tempo e que se repetem ciclicamente. A exposição está dividida em duas partes - na sala principal da galeria o conjunto de novas pinturas (na imagem) e na sala lateral é apresentada uma projecção de 80 dispositivos em projecção contínua que mostram os ciclos que se sucedem durante os meses de preparação de uma exposição , combinando o tempo da criatividade com a realidade do caos dos dias de hoje. A exposição fica patente até 6 de Dezembro na Galeria Carlos Carvalho, Rua Joly Braga Santos Lote F.

 

Image-3.jpgROTEIRO - Com uma carreira assinalável na área de restauro de obras de arte antigas, Nazaré Tojal apresenta nesta exposição na Galeria Sá da Costa obras suas, novas, que reflectem a sua atracção pela criação de novas formas a partir da recuperação das memórias e de um cuidadoso trabalhar dos materiais diversos onde aplica várias técnicas. “Criaturas Sem Sombra” é o título desta exposição (na imagem) que  pode ser visitada até dia 13 de Novembro, de segunda a sábado, entre as 14h30 e as 19h, na Rua Serpa Pinto 19. Na “Pequena Galeria” (Avenida 24 de Julho 4C) o fotógrafo espanhol Antonio Sánchez-Barriga apresenta até 8 de Novembro a exposição “Aberto a Portugal”, que mostra a sua visão sobre o país. Mas o ponto alto da semana é a oitava edição da Drawing Room, uma feira de arte dedicada ao desenho contemporâneo, que decorre  na Sociedade Nacional de Belas Artes até domingo, 26 de Outubro. Esta edição reúne obras de mais de 60 artistas nacionais e estrangeiros apresentadas por 23 galerias. A feira acolhe ainda os trabalhos dos finalistas do Prémio FLAD Drawing Room.

 

Image 3.JPG

QUEBRAR O SILÊNCIO  - Este ano Brian Eno já nos tinha brindado com dois trabalhos, “Lateral” e “Luminal”, os dois primeiros passos de uma trilogia que agora se completa com “Liminal”. Todos estes álbuns foram feitos em parceria com Beatie Wolfe, uma artista norte-americana considerada uma das mais inovadoras criadoras na área da música produzida através de recursos digitais. Para algumas pessoas, Eno é hoje em dia pouco mais que  um fazedor de música ambiente destinada apenas a ocupar o silêncio. No entanto seria interessante que ouvissem estes trabalhos, todos disponíveis nas plataformas de streaming, e sobretudo este último onde evidencia o facto de ser um compositor capaz de escrever música que vai para além do imediato. Temas como “Corona” ou “Shudder Like Crows” são prova disso mesmo, do talento em conjugar harmonias com a voz e sons dos instrumentos que os dois músicos utilizam. Todos os discos da trilogia, editados pela Verve, estão disponíveis nas plataformas de streaming.

 

DIXIT - “Recentemente, alguns activistas foram notícia por rasgar exemplares do livro do Henrique Cymerman (...) Não se defende a liberdade, nem as ideias contrárias às nossas, com censura ou proibição, queima ou rasgar de livros” - Vicente Ferreira da Silva, no Observador.

 

BACK TO BASICS -  “Pintar é apenas outra forma de manter um diário” - Pablo Picasso.

 

A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE  NEGÓCIOS



Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:00



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Arquivo

  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2024
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2023
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2022
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2021
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2020
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2019
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2018
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2017
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2016
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2015
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2014
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2013
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2012
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2011
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2010
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2009
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2008
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D
  235. 2007
  236. J
  237. F
  238. M
  239. A
  240. M
  241. J
  242. J
  243. A
  244. S
  245. O
  246. N
  247. D
  248. 2006
  249. J
  250. F
  251. M
  252. A
  253. M
  254. J
  255. J
  256. A
  257. S
  258. O
  259. N
  260. D
  261. 2005
  262. J
  263. F
  264. M
  265. A
  266. M
  267. J
  268. J
  269. A
  270. S
  271. O
  272. N
  273. D
  274. 2004
  275. J
  276. F
  277. M
  278. A
  279. M
  280. J
  281. J
  282. A
  283. S
  284. O
  285. N
  286. D
  287. 2003
  288. J
  289. F
  290. M
  291. A
  292. M
  293. J
  294. J
  295. A
  296. S
  297. O
  298. N
  299. D